20 de fevereiro de 2009

17 de fevereiro de 2009

Nuvens de tempestade

A cena política não promete nada que não o costumeiro: ditaduras aqui e ali, disfarçadas de "democracia"; a corrupção em todos os níveis e nas formas mais escandalosas; o aparelhamento do Estado em função dos "amigos"; a rapinagem de sempre, numa repetição nauseante "disso que está aí". Pode até ser que nos safemos do diabo da crise, ainda que os mortos sejam contados aos milhares, mas nem isso nos salvará de políticos mais e mais embriagados pelo poder a ponto de perderem todos - eu disse TODOS - os tênues freios morais que ainda sustentavam as encenações de alguma dignidade. E não há para onde ir, já que "oposição" virou termo obsceno - aqui e alhures. Bom, mas nem nisso há qualquer novidade, há?

Tem coisa mais odiosa que gente que defende "a moral e os bons costumes"? Esses fazem par com os que adoram defender os "oprimidos", mas não abrem mão de seus próprios confortos burgueses. É por isso que não defendo nem uns nem outros, ora essa. Afinal, alguém por aí me defende? Pois é, nem precisam responder...

Só uma palavra: cáspite!

14 de fevereiro de 2009

Sim, mas...

A paixão é uma merda. E apaixonar-se, por consequência, é mergulhar de cabeça numa piscina de bosta. Eu escrevi piscina? Corrijo-me: um oceano. No entanto, o que faríamos sem ela, a paixão? Claro que estou me referindo a ela em seu conceito mais comezinho, banal, de sentimento supostamente amoroso. E, ao mesmo tempo, sagrado - pelo que ela nos leva a fazer, coisa que só os doidos imbuídos da certeza da fé são capazes de levar adiante. E a paixão envolve, no mais das vezes, o impossível, pois embute o desejo, a condição desejosa. Enfim, uma merda mesmo.

12 de fevereiro de 2009

Eu não disse?

Remeto as pessoas que porventura leem este blogue para meu post de 13 de novembro passado (grato, Fernando!). Nada, nada de novo no front...

10 de fevereiro de 2009

Mais reflexões distendidas

- Não fossem os idiotas, imbecis, calhordas e fdps em geral, que seria de nós, os perfeitos?
- Cada maluco tem seu par correspondente, em gênero e grau de periculosidade. Ou, para usar um chavão, todo pé - por pior que seja - sempre encontra seu sapato velho.
- Tudo é uma questão de método e de rotina. Não deixe os desorganizados tomarem conta da mesa. E, sobretudo, mantenha sempre a expressão de serenidade. Aquela, das samambaias...
- Sabe quando esse país vai tomar rumo? Só quando o "rumo" for o fundo do poço. Que, para nosso azar, estará repleto de merda. Bom, olhando o cenário político, acho que não falta muito para isso se concretizar...

5 de fevereiro de 2009

Frase do dia

O moralismo empedernido esconde um ser devasso; este, por seu turno, se pendura no mais arraigado moralismo. Ou, em outras palavras: nada mais moralista que um devasso e nada mais devasso que um moralista.

Bizarrices

Acho que tudo deve ter um limite, mesmo a dita "normalidade". Quer gente mais chata que as "normais"? Vale o mesmo para o reverso da medalha. Insanos, em geral, me incomodam muito. Psicopatas mais ainda. Ok, não sou nenhum modelo comportamental, tenho manias insuportáveis (para os outros), tiques irritantes, uma certa necessidade de enxergar tudo em tons de cinza ou de ser do contra (que alguns chamam, gentilmente, de "pessimismo"), gosto de camisas polo e calças jeans, ouço música brega, sou contra a pirataria de produtos e obras de arte - enfim, sou louco à minha maneira. Mas ao menos uso escadas rolantes, não imagino ser o melhor escritor do mundo, muito menos fico me gabando de minha suposta formação escolar sofisticada. Também não saio às ruas defendendo moradores de rua, sem terra ou coisa do tipo. Sou uma contradição ambulante, claro. Mas todos somos. (E, sim, este post é só um desabafo.)

3 de fevereiro de 2009

Volta

As aulas na faculdade onde leciono recomeçaram. Cheguei esbaforido, já que o tempo que tenho entre um trabalho e outro é bastante curto. Pela experiência de ontem concluí que se ocorrer qualquer imprevisto, posso não conseguir chegar em tempo. Mas, voltando ao principal, fazia tempo que eu não via tanta gente lá. Ok, o fato é algum gênio bagunçou as listas e havia aluno de um campus indo para outro, professores perdidos, funcionários atarantados - sem contar o trote, que acontecia lá na rua: cabelos cortados, tinta no rosto, nas roupas, o diabo.
No fim, acabei dando minha aula para uma pequena plateia de pessoas atentas. Estava sentindo falta disso. Dar aulas para gente interessada é sempre estimulante. Fazê-las sentir interesse, mais ainda. Ainda existe algo de bom nessa vida, afinal (mesmo que muito relativa, evidentemente!).

28 de janeiro de 2009

Pequena lista de coisas abomináveis

1.Mais dois anos de Lula;
2.A gestão Serra na Cultura (OSESP, TV Cultura etc.);
3.Justificativas "divinas" diante do injustificável;
4.Sandices em nome da fé (qualquer uma);
5.Os juros no cartão de crédito e no cheque especial;
6.(Indi)Gestão do ensino neste país (em todos os níveis, na rede pública e na privada... ops!);
7.Gestão de qualquer coisa;
8.Cursos superiores (sic) de curta duração;
9.Burocratas;
10.Um terceiro mandato ou a continuidade "disso que aí está";
11.Ditadores de países vizinhos (ou não);
12.Salário que atrasa;
13.Empregos que não há;
14.Listas, sobretudo as pequenas.

24 de janeiro de 2009

16 de janeiro de 2009

Ligeira

Sobre o conflito Israel-Palestina: melhor não opinar. Não há racionalidade nesse assunto. Mas sou contra. Nesse negócio ($$$) de guerra, acho que os líderes de ambos os lados deveriam ser trancados, nus, em uma sala, e só deveriam sair de lá quando chegassem a um acordo. Só que, nesse caso, é melhor acreditar em coelhinho da páscoa.

Sobre a economia: alguma novidade no cenário?

Sobre literatura: início de ano sempre é um período meio devagar quase parando.

Mas uma coisa eu posso dizer: o barco não vai afundar, mas muita gente vai morrer afogada. Isso se não começarmos a nos jogar uns aos outros para sobrar mais comida a bordo.

11 de janeiro de 2009

Tempus fugit

Amanhã é dia de lembrar que fiquei mais velho um ano. Um brinde a isso, já que não se sabe quando será o último...

1 de janeiro de 2009

Que 2009 nos seja leve ( breve)!

Não viajar quando todo mundo resolve fazê-lo traz a comodidade de ver os infelizes sofendo nas filas do pedágio, na estrada, nas padarias para comprar pão e leite de quinta categoria, enquanto você desfruta do desconforto de seu próprio lar. Por outro lado, ficar em casa obriga você a ouvir o pagode que os idiotas do condomínio vizinho resolvem tocar a todo volume. Nessas horas sempre me vem à cabeça uma frase de minha autoria que diz o seguinte: todos têm direito ao mau gosto, mas, por favor, não queira compartilhá-lo comigo. Sartre estava certo: o inferno são os outros.

23 de dezembro de 2008

O fim

Olha, não quero estragar as festas de ninguém, mas alguém já parou para se dar conta do tsunami de coisas ruins que vem chegando? Não se trata nem mais de inflação, ou recessão. O que vem é uma depressão terrível, talvez pior que a de 1929, e que não vai deixar pedra sobre pedra. Há quem prefira fechar os olhos, fazer piadinhas com sapatos alheios, dizer que a gente "sifu" e depois dizer que não, mas que a coisa está e vai ficar brava, ah, não duvidem que vai.
Há alguns meses, quando a crise começou a explodir, este que vos escreve já dizia algo semelhante, embora torcesse para que nada daquilo se confirmasse. Mas não deu outra: por empáfia, imprudência ou incompetência, esse governo (sic) que aí está, que se diz tão diferente daquele que o antecedeu, nada fez para conter o impacto, que por ora não causou maiores estragos justamente porque copiou ou manteve tudo aquilo que já "estava lá": política econômica, políticas sociais etc. Com a desfaçatez de dizer que aquilo era criação dos gênios do partido. Agora já se vê que a blindagem não vai ser suficiente e que tempos ruins nos esperam. Será que nem assim as pessoas deste país irão acordar? Nosso passado histórico diz que não, que continuaremos pastando bovinamente, esperando que "o governo" nos resgate e nos coloque no caminho da salvação. Diante disso, nada resta a dizer senão... um feliz 2009!

17 de dezembro de 2008

Melhor não...

Ainda bem que a semana está acabando e eu não vou mais precisar sair de casa até o início do ano que vem. Está cada vez mais difícil suportar as ruas cheias de gente. Aliás, tudo cheio de gente. Nem pro banheiro você pode mais ir sem ter de esperar na fila. Devem todos estar à procura do emprego que perderam com a crise, que o Lula chamou de "marolinha". Já estou vendo muitos esticando o pescoço pra não morrerem afogados. Boas festas? Ah, vão esperando!

13 de dezembro de 2008

Depende do ângulo

Tudo pode ser uma questão de ponto de vista: há quem diga que o otimista é aquele que vê oportunidade na crise, enquanto o pessimista vê na crise o início do abismo. Mas bem pode ser o oposto: o otimista é aquele que se recusa a acreditar que o poço tem fundo, ao passo que pessimista não apenas tem certeza de que há como vai demorar muito para se chegar lá só para aumentar a angústia e o desespero. Aqui, a lembrança da velha piada: se só tivermos merda para comer, o otimista vai erguer as mãos para o céu porque ao menos não vai morrer de fome; o pessimista dirá que não haverá merda para todo mundo... A visão corporativa tende a vender a imagem positiva do sujeito que não se deixa entregar e não se conforma com a situação. Mas quem disse que o pessimista se deixa levar pela inação? O bom pessimista é aquele que, já prevendo o pior, se prepara para isso e não se deixa surpreender pela desgraça (que virá, com certeza). Verdade é que, neste mundo do pensamento único, ninguém mais pode dizer nada negativo que se torna vítima de suspeitas de pertencer à "direita" e à "elite branca e conservadora". E assim vamos.

11 de dezembro de 2008

Sabedorias sem sal

Você sabe que está perto de morrer quando nada - absolutamente nada - causa espanto. Só tédio.

6 de dezembro de 2008

Reflexão irrefletida - 3

A melhor frase a respeito da relatividade do conceito de deus me foi dada pela Lúcia, lá da editora Saraiva: "Quando o paciente é curado da doença, os parentes todos dizem 'Graças a Deus!'; se o infeliz morre, a culpa é do médico incompetente que cuidou dele." Por que não pode ser o contrário? Outros dirão que ambas as ocorrências são fruto da vontade divina - no que, pelo menos, terão alguma coerência. Mas como eu já disse há tempos, "coerência é para as máquinas". Assim, sendo, voltamos ao velho problema de que a divindade foi erguida à nossa imagem e semelhança, e não o oposto, como dizem alguns textos sagrados. Digo isso porque, entre outras, depois de passar incólume por todas as viroses do ano, acabei de pegar uma, daquelas ótimas. Não tem nada a ver, mas é um excelente pretexto para afirmar, mais uma vez, uma de minhas descrenças básicas.

3 de dezembro de 2008

Receita para enlouquecer

Trabalhe, com necessidade de presença, em pelo menos dois lugares. Pegue três, quatro, cinco outros trabalhos eventuais para fazer em casa. Tente manter a vida afetiva, familiar e social. Vale a pena tentar terminar aquele livro. E escrever mais outros dois. Por fim, peça a uma amiga que faça um favor a você e torça para ela não fazer ou atrasar todos os prazos. O resultado não tardará a surgir. Sirva quente.