Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
28 de março de 2007
Reflexão rápida
O mundo corporativo é insensível. E exige cada vez mais, sem nada dar em troca. Não poderia ser diferente, já que o universo de trabalhadores sempre foi maior do que as vagas oferecidas. É da lógica do capitalismo, como sabe qualquer estudante recém-ingressado num curso superior razoável. Incrível mesmo é haver quem ainda ache existir espaço para qualquer coisa que não seja o interesse puro na exploração da mão-de-obra abundante (epa!) e na constituição da mais-valia em sua forma mais abjeta. Santa ingenuidade, diria Robin. Mas você sempre acha gente que pensa (sic) assim, que o patrão deveria levar em conta algo além do lucro, da otimização máxima da força de trabalho na geração de riquezas. Nunca foi diferente, por mais que empresários aparentemente bem intencionados digam o contrário, ou entoem a ladainha de sempre em torno do "espírito de equipe" e do "crescimento conjunto da empresa e do funcionário". É tudo muito bonito, principalmente quando o besteirol vem acompanhado de frases do tipo "tudo pelo social", "responsabilidade social", "qualidade etc. e tal", e platitudes do gênero. Mas é sempre a mesma velha exploração.
27 de março de 2007
Notícias do "front"
Foi no sábado, no decadente Clube de Regatas Tietê, a cerimônia do colação de grau das últimas turmas de Letras da faculdade onde trabalho. "Últimas", aqui, está no sentido literal. Não sei se haverá outras. E, se houver, creio que não se darão ao trabalho de fazer esse ritual todo - que é caro e muitas vezes aborrecido. Respirava-se um certo ar de fim de festa. Mas as meninas estavam lindas, felizes a despeito de todos os problemas enfrentados para realizar aquela festa, que, afinal, era delas. Lamento meus colegas terem tomado atitudes intempestivas de não prestigiar o evento, mas cada um sabe onde aperta o sapato - para ser elegante. Lamento não ter falado com todas elas naquela noite. Lamento ser obrigado a não ter mais aquelas moças por perto, me incentivando a tornar-me um professor melhor do que sou. E agradeço, mais uma vez, a honra de ter sido o paraninfo de uma turma de Letras - a última. A gente se vê por aí, pela vida...
20 de março de 2007
A gente se esbarra por aí...
Imaginem a cena: eu entrando no prédio "daquele lugar", tentando tirar um cisco do olho. Em direção oposta, o escritor ganhador de prêmios - futuro Nobel, essas coisas. No que me dou conta, recebo um safanão no ombro direito que quase me joga no chão. Três passos adiante, o escritor gritando bem alto, mas sem se aproximar e ver se tudo estava bem: "desculpa aí! Desculpa aí" Olhei para trás e vi o sorrisinho maroto de moleque que acabou de fazer arte, como se dizia antigamente. E ainda tem gente que acha que ele vale alguma coisa...
Não há o que fazer nesse tipo de caso. Poderia ter me jogado realmente ao chão, feito um escândalo, B.O., mas querem saber? É tudo o que ele quer: ser o centrinho das atenções. Melhor mesmo ignorar. Mas aí me vem o seguinte: se eu sou tão insignificante para ele, por que tanto trabalho em chamar minha atenção? É, eu sei a resposta...hehehe!
Por que divulgar tal notícia aqui? Porque é preciso, ao menos, registrar a baixeza de certos tipinhos. Para que isso não caia no esquecimento. Para que outros não sejam enganados.
Ah, não deixem de ler o poeminha abaixo, heim?
Não há o que fazer nesse tipo de caso. Poderia ter me jogado realmente ao chão, feito um escândalo, B.O., mas querem saber? É tudo o que ele quer: ser o centrinho das atenções. Melhor mesmo ignorar. Mas aí me vem o seguinte: se eu sou tão insignificante para ele, por que tanto trabalho em chamar minha atenção? É, eu sei a resposta...hehehe!
Por que divulgar tal notícia aqui? Porque é preciso, ao menos, registrar a baixeza de certos tipinhos. Para que isso não caia no esquecimento. Para que outros não sejam enganados.
Ah, não deixem de ler o poeminha abaixo, heim?
19 de março de 2007
Mais poema!
"Pequeno registro edificante"
para R.L.
Os ratos se recolhem cedo
Enquanto a tarde desaba esmagando
Pernas e cabelos colados ao vidro.
Olhos miúdos te acompanham
Na cegueira de intestinos ao léu
E te desvias do caldo de fezes
Sangue e sêmem - mas teus sapatos
Dançam um pouco ali sem que caias.
Nada que as moscas não. Que eretos
Dedos deixem de apontar. Que o sol
Não queima ou vermes não roam.
Precisas disso. E te gestas
Nos miúdos e nos restos.
Naquilo de que só tu és feito.
para R.L.
Os ratos se recolhem cedo
Enquanto a tarde desaba esmagando
Pernas e cabelos colados ao vidro.
Olhos miúdos te acompanham
Na cegueira de intestinos ao léu
E te desvias do caldo de fezes
Sangue e sêmem - mas teus sapatos
Dançam um pouco ali sem que caias.
Nada que as moscas não. Que eretos
Dedos deixem de apontar. Que o sol
Não queima ou vermes não roam.
Precisas disso. E te gestas
Nos miúdos e nos restos.
Naquilo de que só tu és feito.
13 de março de 2007
Poema, depois de muito tempo...
Dos trincos
Ando temeroso pelas ruas da cidade
Mesmo quando o sol nos esbofeteia
Ou à noite, desviando nas calçadas
Da merda nelas largada - suspensa
A respiração, enquanto pessoas aos
Grupos falam alto e seus gritos
Chegam às janelas onde me refugio.
E nos telhados gatos gemem e trepam
Aos guinchos e há um barro que a chuva
Leva aos baixos e aos canos.
Mas quem diz que pode ser diverso?
O que sussurram os beirais dos pesadelos
De privadas falas? Deus não existe
Mas tem inúmeros representantes
Na TV e em programas de rádio.
À parte isso, crianças são dilaceradas
E sempre é possível levar um tiro perdido
No meio da cara.
(Nesse momento tranco a porta
E verifico a trava das janelas.)
Ando temeroso pelas ruas da cidade
Mesmo quando o sol nos esbofeteia
Ou à noite, desviando nas calçadas
Da merda nelas largada - suspensa
A respiração, enquanto pessoas aos
Grupos falam alto e seus gritos
Chegam às janelas onde me refugio.
E nos telhados gatos gemem e trepam
Aos guinchos e há um barro que a chuva
Leva aos baixos e aos canos.
Mas quem diz que pode ser diverso?
O que sussurram os beirais dos pesadelos
De privadas falas? Deus não existe
Mas tem inúmeros representantes
Na TV e em programas de rádio.
À parte isso, crianças são dilaceradas
E sempre é possível levar um tiro perdido
No meio da cara.
(Nesse momento tranco a porta
E verifico a trava das janelas.)
9 de março de 2007
Voltei!
Apesar de terem anunciado minha morte, ela ainda não aconteceu. Os problemas de sempre: indefinições na vida profissional, acadêmica e que tais. Mas acho que até julho o panorama muda. Só espero que não para pior...
10 de fevereiro de 2007
Acertando os ponteiros
Alguém reparou em minha ausência? Pois é, os acontecimentos que se seguiram àquela seqüência de testes redundaram em minha - por assim dizer - contratação. O que não faz o desespero. Eu e mais quatro pessoas: um rapaz e três mulheres, todos com formação em Letras e nenhuma experiência com o trabalho que teríamos de fazer. Coisa básica: as pessoas que faziam aquele serviço demitiram-se coletivamente (ou foram demitidas) e nós entramos para segurar o rojão. E que já estava com o pavio aceso. Até agora não tenho idéia de como resolver todos os problemas que existiam, além dos que estão chegando. E isso tudo por um salário fe-no-me-nal. Fazia tempo que eu não me sentia assim, operário-padrão com direito a ticket-restaurante (de sete reais!!!!!) e vale-transporte. E convenhamos: é uma verdadeira m...
Mas há um lado bom nessa história, claro. Quando eu descobrir conto para vocês.
Até o próximo post!
Mas há um lado bom nessa história, claro. Quando eu descobrir conto para vocês.
Até o próximo post!
31 de janeiro de 2007
Pois é!
Sempre é tempo de recomeçar. Duro mesmo é fazer isso às 6 e meia da manhã, tomar um banho, tentar se arrumar mais ou menos decentemente e enfrentar o trânsito de São Paulo. Some-se o fato de eu não ter mais vinte anos, mas 45. E não ter mais saco para entrevistas, processos seletivos e quejandos. Mas eu fui, falei de mim, escrevi uma redaçãozinha chinfrim, respondi a um teste padrão. Tudo isso tomou uma manhã. Saí de lá, dei uma volta pela Livraria Cultura, atravessei a avenida e almocei no Wraps. Ou seja, só gastei o dinheiro que não terei. E não é que acabei de receber um telefonema dizendo que passei por essa primeira fase? Por todos os deuses, pensei, quantas serão? Haverá dinâmica de grupo? Jogos interativos? Terei de fazer papéis mais ridículos do que os que já faço? Olha, se depois de tudo eu ainda for um dos escolhidos, tomara que o pagamento dê pelo menos para eu sustentar meus luxos cotidianos, entre eles o de comprar DVDs de todas as séries de TV...
30 de janeiro de 2007
Explicações (des)necessárias
Uma leitora perguntou o motivo de eu ter abandonado os comentários jocosos a respeito de certa instituição de ensino (na verdade, um paradigma delas). Tudo se resume, na verdade, a uma pessoa - o tal do escritor premiado. Ele e seus acólitos xeretaram as versões anteriores deste blogue, devem ter copiado vários dos textos para guardar como prova do crime, e passaram a ameaçar este que vos escreve com promessas de denúncias e as coisas de praxe. Típico dele. Claro que, interpelado, o coisinha negou tudo, que aquilo seria coisa de "amigos" dele. Desconfio, inclusive, que comentários a respeito de eu saber ou não alemão, de eu não ter tarimba para escrever sobre tal e qual assunto, devem ter sido da lavra do rapaz. Não tenho como provar, daí eu não ter levado a questão adiante. Por essas e outras, tal como a Imprensa venezuelana, fui coagido a promover uma autocensura. Mas, do jeito que as coisas caminham naquela instituição, acho que daqui a pouco tempo vou poder soltar o verbo novamente...hehehe! Os motivos não são propriamente positivos, mas não diria que são negativos: aquilo vai fechar. Se não tudo, ao menos a parte que me cabe. Não cairia mal uma demissão, pensando bem - até porque são 15 anos de FGTS. Enfim, aguardemos o desfecho de mais esta comédia bufa protagonizada por uma instituição privada de ensino superior deste país de Chinaglias e Zés Dirceus...
Nada de amargura, portanto. O Carnaval vem aí e tudo será sufocado por confete e serpentina. Se é que ainda existe esse tipo de coisa.
Nada de amargura, portanto. O Carnaval vem aí e tudo será sufocado por confete e serpentina. Se é que ainda existe esse tipo de coisa.
19 de janeiro de 2007
Voltando aos poucos...
O bom das férias é que você pode colocar em dia as leituras atrasadas, os filmes que você não viu e as caminhadas que você não fez. Isso, fora os dias dedicados a botar as papeladas em ordem, fazer aquela limpeza geral em casa, jogar fora pilhas e pilhas de tristezas acumuladas. Nas horas livres, além dos excelentes O Céu de Suely e d'Os Infiltrados, fomos assistir ao Mais Estranho que a Ficção, filme bastante interessante, a despeito de seu desfecho infeliz.
O que chama a atenção, em primeiro lugar, é a premissa da trama: um auditor da Receita Federal, de vida rotineira e medíocre, que de repente passa a ouvir uma voz narrando todas as suas ações - mas de forma, por assim dizer "literária". Logo saberemos que se trata de uma narrativa mesmo, um romance que uma escritora tenta finalizar, mas sem sucesso. Não sabemos, de início, se a vida do funcionário público é ficcional ou não - se sua vida está determinada pela escritora ou haveria, por assim dizer, um "livre arbítrio" da parte do sujeito. Saberemos que não, e me parece que é nesse ponto que o filme desanda, pois a criatura encontra a criadora - depois de mudar radicalmente seu modo de vida, fazendo tudo aquilo que sempre desejou fazer, inclusive apaixonando-se, o sujeito descobre (pela narradora) que iria morrer. Mais que isso: deveria morrer - para manter a coerência interna do romance e para concretizar o que poderia ser a obra-prima da escritora. Não avanço no enredo para não estragar o prazer discutível de quem acha que "o final é importante", mas posso dizer que o desfecho (e a seqüência que leva a isso) estraga um filme que poderia ser muito mais do que é. Apesar de manter o paradoxo (não se explica como a vida do auditor e a narrativa da escritora se cruzam), a solução é pobre, bem ao gosto de um público acostumado ao ramerrão das tardes televisivas. Uma pena, pois o filme é engraçadíssimo - ao menos para quem tenha capacidade de entender a sutileza das piadas, o que não foi o caso da público presente na sessão em que estivemos - e as interpretações foram de primeira linha. Mas não deixa de ser um filme impressionantemente inteligente - nada mais incondizente com nossos tempos.
O que chama a atenção, em primeiro lugar, é a premissa da trama: um auditor da Receita Federal, de vida rotineira e medíocre, que de repente passa a ouvir uma voz narrando todas as suas ações - mas de forma, por assim dizer "literária". Logo saberemos que se trata de uma narrativa mesmo, um romance que uma escritora tenta finalizar, mas sem sucesso. Não sabemos, de início, se a vida do funcionário público é ficcional ou não - se sua vida está determinada pela escritora ou haveria, por assim dizer, um "livre arbítrio" da parte do sujeito. Saberemos que não, e me parece que é nesse ponto que o filme desanda, pois a criatura encontra a criadora - depois de mudar radicalmente seu modo de vida, fazendo tudo aquilo que sempre desejou fazer, inclusive apaixonando-se, o sujeito descobre (pela narradora) que iria morrer. Mais que isso: deveria morrer - para manter a coerência interna do romance e para concretizar o que poderia ser a obra-prima da escritora. Não avanço no enredo para não estragar o prazer discutível de quem acha que "o final é importante", mas posso dizer que o desfecho (e a seqüência que leva a isso) estraga um filme que poderia ser muito mais do que é. Apesar de manter o paradoxo (não se explica como a vida do auditor e a narrativa da escritora se cruzam), a solução é pobre, bem ao gosto de um público acostumado ao ramerrão das tardes televisivas. Uma pena, pois o filme é engraçadíssimo - ao menos para quem tenha capacidade de entender a sutileza das piadas, o que não foi o caso da público presente na sessão em que estivemos - e as interpretações foram de primeira linha. Mas não deixa de ser um filme impressionantemente inteligente - nada mais incondizente com nossos tempos.
7 de janeiro de 2007
Férias!
Calma, gente. Janeiro é mês de descanso, e como costumo respeitar esse direito dos eventuais visitantes deste blogue, prefiro recolher minhas armas e afiá-las para o próximo período de labuta que logo logo virá. Tenham paciência.
25 de dezembro de 2006
Então é Natal...
Toda vez que ouço a Simone cantando a versão chumbrega da já choraminguenta canção do John Lennon, tenho vontade de exercer à plena potência meu espírito natalino e mandar duas dúzias de viventes ao encontro do Criador, seja ele o que for.
Fila para supermercado, em pleno dia 24 de dezembro. E tudo porque esqueci de comprar uns badulaques que iriam abrilhantar minha noite feliz. O melhor mesmo é ver a peruada vestida para matar já na parte da manhã. Será a maquiagem durou até a hora da festa?
Mas sobrevivi. Agora tem mais uma semana até o Reveillón. Haja estômago...
Fila para supermercado, em pleno dia 24 de dezembro. E tudo porque esqueci de comprar uns badulaques que iriam abrilhantar minha noite feliz. O melhor mesmo é ver a peruada vestida para matar já na parte da manhã. Será a maquiagem durou até a hora da festa?
Mas sobrevivi. Agora tem mais uma semana até o Reveillón. Haja estômago...
16 de dezembro de 2006
Recesso
Por ora acabou. Se, de um lado, isso implica não ver mais (ou ver muito menos) pessoas que se tornaram queridas ao longo desses últimos dois anos, também significa ficar pelo menos um mês sem ter de olhar para a cara de muita gente infeliz. Viver, como os antigos discos de vinil, sempre tem dois lados.
Mas final de ano também traz consigo o inferno das compras. Não as suas, ou melhor, as minhas - que isso eu faço pela internet mesmo, que é muito mais cômodo e barato. O problema é que sair para um simples cineminha vira operação de guerra: é preciso planejar as estratégias de modo a não ser apanhado no congestionamento das ruas e dos estacionamentos. Isso implica sair da casa cedo, deixar o carro numa garagem central e pegar metrô, por exemplo. E haja disposição para entrar nos vagões cheios de gente suada, correndo o risco de ser furtado ou encontrar um grupo de adolescentes cheios de hormônios gritando em seus ouvidos.
E ainda temos as chuvas de verão. Ou melhor, as tempestades. Nessas horas, se você der o azar tremendo de estar preso no trânsito em lugares baixos ou próximo a rios e córregos, só resta abdicar de seu ateísmo e rezar. Não que a mão do criador baixará à Terra para resgatar seu carrinho das águas, mas já que você não vai mesmo conseguir salvar seu patrimônio da desgraça, corra e salve-se a si próprio. Se estiver numa região alta, cuidado com as árvores - muitas não suportam a ventania e os cupins e desabam sobre os carros. E nem adianta deixar o carro na garagem, a não ser que seja coberta e não esteja na baixada. Sabe como é: costuma chover granizo nesta época do ano...
Uma saída seria viajar. Mas como eu não tenho um Aerolula, desisti rapidinho da idéia. Até porque nem sei se terei emprego ou salário digno desse nome ano que vem. É bem provável que não. Pegar estrada virou coisa de suicida. Ir de ônibus é correr o risco de ser assaltado no meio do caminho. E esse negócio de reveillón, pra mim, é coisa de quem não se deu conta da merda em que estamos. Assim como o carnaval. Estão comemorando o quê, bando de alucinados?
Melhor mesmo ficar em casa, trancado. Mas, aí, dois problemas: os vizinhos, e a possibilidade de o prédio desabar. Bom, se for acontecer, melhor a segunda hipótese...
Mas final de ano também traz consigo o inferno das compras. Não as suas, ou melhor, as minhas - que isso eu faço pela internet mesmo, que é muito mais cômodo e barato. O problema é que sair para um simples cineminha vira operação de guerra: é preciso planejar as estratégias de modo a não ser apanhado no congestionamento das ruas e dos estacionamentos. Isso implica sair da casa cedo, deixar o carro numa garagem central e pegar metrô, por exemplo. E haja disposição para entrar nos vagões cheios de gente suada, correndo o risco de ser furtado ou encontrar um grupo de adolescentes cheios de hormônios gritando em seus ouvidos.
E ainda temos as chuvas de verão. Ou melhor, as tempestades. Nessas horas, se você der o azar tremendo de estar preso no trânsito em lugares baixos ou próximo a rios e córregos, só resta abdicar de seu ateísmo e rezar. Não que a mão do criador baixará à Terra para resgatar seu carrinho das águas, mas já que você não vai mesmo conseguir salvar seu patrimônio da desgraça, corra e salve-se a si próprio. Se estiver numa região alta, cuidado com as árvores - muitas não suportam a ventania e os cupins e desabam sobre os carros. E nem adianta deixar o carro na garagem, a não ser que seja coberta e não esteja na baixada. Sabe como é: costuma chover granizo nesta época do ano...
Uma saída seria viajar. Mas como eu não tenho um Aerolula, desisti rapidinho da idéia. Até porque nem sei se terei emprego ou salário digno desse nome ano que vem. É bem provável que não. Pegar estrada virou coisa de suicida. Ir de ônibus é correr o risco de ser assaltado no meio do caminho. E esse negócio de reveillón, pra mim, é coisa de quem não se deu conta da merda em que estamos. Assim como o carnaval. Estão comemorando o quê, bando de alucinados?
Melhor mesmo ficar em casa, trancado. Mas, aí, dois problemas: os vizinhos, e a possibilidade de o prédio desabar. Bom, se for acontecer, melhor a segunda hipótese...
11 de dezembro de 2006
Do mal e outras amenidades
Isto não é uma defesa da antipática tese que divide o mundo entre o "bem" e o "mal", ou como dizem os norte-americanos: entre os "bad guys" e os "good guys". Não acho que seja assim, essa coisa maniqueísta, e que tenta transformar em algo natural aquilo que é, essencialmente, psicossocial. Mas existem aqueles que parecem ter nascido para isso. Ou foram assim criados. E o que há em comum neles é a absoluta ausência da consideração pelo outro, que sempre é visto como aquele que deve ser vilipendiado. Seja como bajulador, seja como vítima de toda e qualquer violência possível. Conheço muitas pessoas assim. Não passa pela cabeça delas que temos contas para pagar, uma família (às vezes duas ou mais, conforme o caso), que nossa vida não se resume às picuinhas que eles próprios alimentam a fim de ganhar mais e mais poder. Para eles, a vida do outro não importa. Não vale nada. Daí as ameaças físicas, morais. Daí quererem o tempo todo processar quem não concorda com a visão doentia deles. Daí a profusão de chicaneiros. Como sempre há trouxas (ou conveniências) que façam o joguinho sujo dessas figuras, permanecemos assim. Será questão de ignorar a presença deles? E quando sua vida acaba cruzando o caminho dessas criaturas? Combatê-las significa criar o inferno para si mesmo(a); acatá-las significa aceitar a hipocrisia da relação. Afinal, somos todos farsantes, não é mesmo? Alguns mais, outros menos, mas todos. E, pensando bem, isso explica à perfeição como é que chegamos onde estamos: na merda. Enfim, boa semana para todos(as)!
5 de dezembro de 2006
Frases mornas
Algumas pessoas, se morressem, preencheriam uma lacuna infindável em nossa existência.
Tenho comigo a convicção de que não é possível termos certeza de nada.
Não, gente, eu ga-ran-to que essa ponte é firme. Podem seguir em frente que ninguém vai cair.
Porque comigo é assim: não gosto de me sentir enganado. E não sou passivo. Pensam que sou passivo? Pois então aguardem meu advogado.
(No que você se dirige à saída para tomar um café, o sujeito chama você e entoa a ladainha) Sabe aquele pessoal? Então, vou ferrar quase todo mundo. Porque me disseram que, além de você, sou o único que cobra essas coisas. Ah, faça-me o favor! Parece desprezo, ou acham que a gente tem cara de trouxa. Não, eu vou falar, um a um, com eles. (Nessa hora, você hesita entre dizer alguma coisa do tipo: 'E eu kiko?', ou dar de ombros na linha do 'fazer o quê?' A prudência nos impele para a segunda opção.)
Marcar encontro com antigos (ou mesmo novos) amigos é encrenca certa. Não pelos horários, que nunca batem. Nem pelos gostos em matéria de comida ou bebida. O problema é percebermos o quanto estamos cada vez mais longe deles quanto mais desejamos estar perto.
Olha, a única alternativa possível é... (Comentário meu: se é única, não é alternativa...)
A permanência do "apagão" aeroviário é a mostra cabal da ausência de rumos em que está o país. E Lula nem se importa com isso, e sequer precisa. Ou precisaria?
Para quem espera achar algum nexo entre as frases, aviso: não há. Encarem como frases soltas, compostas ao calor da hora e da observação dos acontecimentos da semana. Talvez o nexo esteja no mosaico que elas compõem, sei lá.
Tenho comigo a convicção de que não é possível termos certeza de nada.
Não, gente, eu ga-ran-to que essa ponte é firme. Podem seguir em frente que ninguém vai cair.
Porque comigo é assim: não gosto de me sentir enganado. E não sou passivo. Pensam que sou passivo? Pois então aguardem meu advogado.
(No que você se dirige à saída para tomar um café, o sujeito chama você e entoa a ladainha) Sabe aquele pessoal? Então, vou ferrar quase todo mundo. Porque me disseram que, além de você, sou o único que cobra essas coisas. Ah, faça-me o favor! Parece desprezo, ou acham que a gente tem cara de trouxa. Não, eu vou falar, um a um, com eles. (Nessa hora, você hesita entre dizer alguma coisa do tipo: 'E eu kiko?', ou dar de ombros na linha do 'fazer o quê?' A prudência nos impele para a segunda opção.)
Marcar encontro com antigos (ou mesmo novos) amigos é encrenca certa. Não pelos horários, que nunca batem. Nem pelos gostos em matéria de comida ou bebida. O problema é percebermos o quanto estamos cada vez mais longe deles quanto mais desejamos estar perto.
Olha, a única alternativa possível é... (Comentário meu: se é única, não é alternativa...)
A permanência do "apagão" aeroviário é a mostra cabal da ausência de rumos em que está o país. E Lula nem se importa com isso, e sequer precisa. Ou precisaria?
Para quem espera achar algum nexo entre as frases, aviso: não há. Encarem como frases soltas, compostas ao calor da hora e da observação dos acontecimentos da semana. Talvez o nexo esteja no mosaico que elas compõem, sei lá.
2 de dezembro de 2006
Rápida!
É assim a vida de professor: chega o final de semestre e você tem um zilhão de trabalhos e provas para corrigir (ou, ao menos, ler). E, por um desses estranhos casos tipo Além da Imaginação, você nunca tem tempo de fazer tudo no tempo certo e as coisa vão se acumulando sobre sua mesa até formar aquela pilha assustadora. E os alunos perguntando a nota, se você já corrigiu, se... Aí vem a resposta padrão deste escriba: "Mandei tudo pra reciclagem de papel, porque seu trabalho só servia mesmo pra isso..." Finura incomparável, dita daquele jeito que só meus bons alunos entendem. E todos rimos com isso. Quer dizer, nem todos. Mas esses são os eternos enrustidos da vida. Enfim, tudo isso para justificar os longos intervalos sem escrever nada neste blogue (não que isso faça alguma diferença, claro!)...
26 de novembro de 2006
Pois então...
Nesse meio tempo: o Milton Hatoun ganhou outro prêmio, o invasor deste blogue levou o terceiro lugar (muito embora seu último livro tenha sido um fiasco - mas concursos literários sempre têm esse lance do imponderável e do inexplicável...), o São Paulo consagrou-se campeão brasileiro de 2006 (ainda que pudesse ter ganhado a Libertadores), fui a Uberlândia passar calor e apresentar um trabalho, tive problemas gastrointestinais (mas por conta de um pastel insidioso...hehehe!), vi que tem muita gente boa com trabalhos de boa qualidade pelo Brasil, vi também que a quantidade de ruindades ultrapassa exponencialmente as coisas boas, e por aí vai. E que não tem nada melhor que dormir, sob um calor insuportável, com o ar condicionado ligado. Os ecologicamente corretos que me desculpem, mas não vou dormir de janela aberta para sentir a brisa que não havia...
Aliás, nesse papo de "politicamente corretos", caímos na possibilidade da ditadura petista mais e mais ganhar músculos. Isso é péssimo para a democracia - pelo menos para aquela idéia feliz que ainda temos dela -, já que faz descrer da possibilidade de que a vida possa ser melhor sob seus auspícios. O problema é que ela (a democracia) dá trabalho, exige vigilância, e não conheço um malandro neste país que esteja disposto a fazer algo que não seja pelo seu próprio bem. É por isso que alguns ganham destaque e outros ficam no limbo.
Aliás, nesse papo de "politicamente corretos", caímos na possibilidade da ditadura petista mais e mais ganhar músculos. Isso é péssimo para a democracia - pelo menos para aquela idéia feliz que ainda temos dela -, já que faz descrer da possibilidade de que a vida possa ser melhor sob seus auspícios. O problema é que ela (a democracia) dá trabalho, exige vigilância, e não conheço um malandro neste país que esteja disposto a fazer algo que não seja pelo seu próprio bem. É por isso que alguns ganham destaque e outros ficam no limbo.
25 de novembro de 2006
De volta.
O simpósio em Uberlândia foi bom. Fez um calor do capeta, tive de bancar o coordenador do Grupo de Trabalho do qual participei, não tive ânimo de sair do périplo hotel-congresso-jantar-hotel, mas tudo correu bem. Não entreguei o trabalho apresentado, mas devo mandar uma versão melhor para a revista do Instituto de Letras. E me desliguei de celular, e-mail, orkut, essas coisas todas. Sequer consegui ler jornal. Mas reencontrei antigos colegas, agora professores em outras instituições espalhadas pelo país, vi trabalhos interessantes, tomei sorvete de milho verde e comprei queijo. E o melhor: meus vôos, tanto de ida quanto de volta, não atrasaram. Deu uma certa muvuca na chegada em Congonhas, mas isso já era esperado. De modo que estou de volta, trazendo na bagagem uma e outra coisa nova. Mas deixa eu desempacotar tudo...
Drika, não tenho a menor idéia de como fazer seu nome aparecer como você gostaria que fosse... Nessas coisas da vida digital sou um quase analfabeto. Bem, melhor isso do que se achar um grande escritor e fazer lobby para tentar ganhar prêmios, e nem assim...
Drika, não tenho a menor idéia de como fazer seu nome aparecer como você gostaria que fosse... Nessas coisas da vida digital sou um quase analfabeto. Bem, melhor isso do que se achar um grande escritor e fazer lobby para tentar ganhar prêmios, e nem assim...
18 de novembro de 2006
Um intervalo para nossos comerciais...
Semana sem novidades: basta dizer que estarei em Uberlândia, na Universidade Federal de lá, participando de um simpósio de Letras e Lingüística. Vou apresentar uma comunicação a respeito dos contos de Marçal Aquino, coisa básica. Fiquem aí quietinhos(as) que eu voltarei logo, e repleto de notícias...
14 de novembro de 2006
Algumas mensurações básicas...
A medida do seu envelhecimento é dada quando você não consegue mais passar uma noite em claro e, no dia seguinte, dar uma aula que preste.
O grau de insanidade de uma pessoa se mede na justa medida da necessidade dela (a pessoa) ficar se exibindo para gente que não está ligando a mínima para ela - a não ser para ridicularizá-la.
Mensura-se o senso de elegância de alguém pela quantidade de terninhos idênticos que tal figura tem em seu guarda-roupas. Quanto mais, pior.
O escritor fracassado se mostra quando este precisa histericamente demonstrar que tem alguma relevância no mundo cultural. Quanto maior a gritaria - de preferência acompanhada de olhos esbugalhados e cara ensebada - tanto pior sua obra. Ou mais farsesca.
Quanto mais mansa a fala, mais calhorda é a pessoa. O que não significa que os gritalhões sejam menos fdpês, claro!
A prova de que o homem realmente descende do macaco reside nas figuras que a gente encontra por aí, cujas feições e/ou comportamento, não passam de resquícios da vida sobre as árvores... Vocês não têm um colega ou conhecido (serve vizinho de vaga em garagem de condomínio) algo simiesco? Pois é...
Obs.: lay-out novo nesta bagaça. Cara nova para comemorar o exorcismo que aqui foi feito. Xô, fantasmas!
O grau de insanidade de uma pessoa se mede na justa medida da necessidade dela (a pessoa) ficar se exibindo para gente que não está ligando a mínima para ela - a não ser para ridicularizá-la.
Mensura-se o senso de elegância de alguém pela quantidade de terninhos idênticos que tal figura tem em seu guarda-roupas. Quanto mais, pior.
O escritor fracassado se mostra quando este precisa histericamente demonstrar que tem alguma relevância no mundo cultural. Quanto maior a gritaria - de preferência acompanhada de olhos esbugalhados e cara ensebada - tanto pior sua obra. Ou mais farsesca.
Quanto mais mansa a fala, mais calhorda é a pessoa. O que não significa que os gritalhões sejam menos fdpês, claro!
A prova de que o homem realmente descende do macaco reside nas figuras que a gente encontra por aí, cujas feições e/ou comportamento, não passam de resquícios da vida sobre as árvores... Vocês não têm um colega ou conhecido (serve vizinho de vaga em garagem de condomínio) algo simiesco? Pois é...
Obs.: lay-out novo nesta bagaça. Cara nova para comemorar o exorcismo que aqui foi feito. Xô, fantasmas!
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