Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
28 de setembro de 2010
Relatividade
Quando a notícia é boa, nossa imprensa é a melhor do mundo. Quando ela é contrária aos interesses do molusco presidente e sua quadrilha, trata-se de mentira, de imprensa golpista, de "gente que me odeia" e começa-se a falar mais alto em controle das mídias. Assim é fácil, caros nazipetistas.
24 de setembro de 2010
Pragas
Para que não me acusem de pertencer à "direita golpista" ou coisa que o valha, esclareço que já votei no pt. Várias vezes. Mais até do que pedia a prudência e a inteligência. Isso até a ocasião em que o molusco finalmente ganhou uma eleição presidencial. Naquela campanha, a máscara caiu. Chega a ser inacreditável como gente que até considero relativamente dotada de miolos ainda permaneceu acreditando na "pureza" do partido e de seus candidatos. Acho que a perspectiva de chegar ao poder cegou todo mundo, e a ambição mesquinha sobrepujou qualquer escrúpulo. Daquele tempo para cá, as atitudes dos petistas - os nazipetistas em particular - só fizeram confirmar minhas certezas. Mas tem gente que prefere continuar fingindo que está tudo bem, que vivemos numa plena democracia. Não vivemos. Pode ainda não ser uma ditadura, mas está bastante perto.
23 de setembro de 2010
Mamatas
Qualquer possibilidade de a educação neste país dar certo fica inteiramente naufragada por conta da ausência de seriedade de quase todos, do comodismo de muitos e da falta de escrúpulos de outros tantos.
22 de setembro de 2010
Da ausência de humor
O que mata realmente qualquer possibilidade de relacionamento é a falta de humor. Sem ele nada acontece e, se acontece, tem tudo para dar errado. Humor é tudo nesta vida, e até isso estão querendo tirar da gente. Seremos, a partir de 03 de outubro, uma nação desgraçada, um país de piada sem graça, um povo a quem será vedado rir, pois o poder instituído só sabe dar risada de seus inimigos, quando estes, porventura, se dão mal. Um povo sem humor terá suas engrenagens corroídas pelo ódio, pelo rancor, pela democracia assumidamente de fachada que se instalará em definitivo a partir do ano que vem, se não antes. Não gozaremos como antes. Aliás, vai demorar muito antes que possamos gozar de novo. Definitivamente, é hora de pedir asilo político. Ou fazer parte da turma que vai mamar nas tetas do Estado. Não será este o meu caso, até porque sou alérgico a esse compadrio de gente sem nenhum caráter.
20 de setembro de 2010
Pouco
Falta pouco para todo mundo perceber a roubada na qual estamos entrando. Mas aí será tarde demais.
9 de setembro de 2010
Vergonha
Tenho vergonha de nossos artistas, de nossos intelectuais, de nossos juízes, de nossa imprensa. Mas tenho profundo asco de nossos políticos, dos advogados deles, dos chicaneiros, dos chefetes que se nutrem da angústia de seus subordinados, das mães devotadas, dos filhos da mãe que infestam este país e promovem o roubo do fruto de nosso trabalho e de nossas abnegações. Mas, sobretudo, pudera eu viver num lugar onde tudo isso fosse uma saudável exceção, e não a regra cotidiana e aviltante de um país tropical acanalhado por algum deus gozador e fodido até na natureza.
2 de setembro de 2010
Leseira
Alguém aí pode me dizer quando esse inferno vai acabar? Calma, a pergunta é retórica. Nunca - é a resposta. A partir de 10 de outubro, então, a coisa só fará piorar. Sim, ainda pode ficar pior, como sempre faço questão de lembrar aos eventuais leitores.
28 de agosto de 2010
Alívio
A despeito da secura generalizada, não tem nada melhor do que poder acordar na hora em que você quiser, principalmente num sábado. Quer dizer, até tem coisa melhor, mas não está à mão. Ou melhor, até está. Ou não. Melhor não.
27 de agosto de 2010
Sem tempo
Quando achamos que finalmente teremos tempo para as coisas realmente importantes da vida, eis que a idiotia burocrática trata de inventar uma imbecilidade a mais para emperrar nossas vidas.
21 de agosto de 2010
14 de agosto de 2010
The horror, the horror...
Imagine uma coisa horrível, só não vale você ou eu. Imaginou? Pois nem chega perto do que será o governo da Dilma.
9 de agosto de 2010
6 de agosto de 2010
Idiossincrasias
Tenho pavor de reencontrar amigos que não vejo há tempos. Principalmente quando os encontros são casuais. Raramente a impressão é boa. Pior mesmo é achar que eles podem ter pensado o mesmo de mim.
5 de agosto de 2010
4 de agosto de 2010
Pelo menos isso...
Está tudo uma merda, mas pelo menos deu uma esfriadinha no clima. Ah, você não gosta de frio? Então vá morar na Bahia, em Pernambuco ou na Líbia. Pra mim tanto faz.
3 de agosto de 2010
Motivos e mais motivos
Vocês sabem o motivo de essa joça de país não ir pra lugar algum que não a desgraceira habitual? Entre outros, porque ninguém mais quer aprender nada, mas apenas levar um diplominha pra casa. Queridos e queridas, deixa eu explicar uma coisa: sem conhecimento de verdade, um certificado ou um diploma não vale sequer o papel no qual foi impresso. É o píncaro da obviedade, mas num país que pode eleger uma luminária sem lâmpada para presidente, até o óbvio tem de ser explicado.
2 de agosto de 2010
Mais de coisa alguma
E recomeça, logo mais à noite, o inferno da imbecilidade coletiva. Eu disse "recomeça"? Desculpem, foi engano meu. De fato, é impossível recomeçar o que nunca sofreu uma pausa sequer na história deste país.
31 de julho de 2010
Incompreensível
Imaginem a figura: pede para ser amada, mas se você esboça algo nessa direção ela diz que nunca quis isso. Se você descarta o emocional e se restringe à parte física, ela cobra sentimento de sua parte. E assim em tudo, do sabor do pastel ao recheio da torta; do programa de fim de semana ao trabalho de todos os dias. Quanto quente, quer o frio; quando frio, deseja o nordeste. De tudo se queixa um muito, mas não admite um isso de boca alheia. E ainda diz que o doente sou eu. Engano dela: sou descrente.
30 de julho de 2010
Curto e grosso 4
As relações humanas podem ser resumidas na seguinte divisão: um entra com a bunda e outro com o pontapé. (Já pensaram que seria outra coisa, não é?)
29 de julho de 2010
Das férias - 2
Toda vez que vocês comprarem um pacote de viagem e, na última hora, a agência chegar com uma conversa de que você recebeu um upgrade, liguem todos os alarmes. É certo que vocês caíram no golpe do realocamento. Às vezes é isso mesmo, mudaram vocês de um hotel mais distante do centro para outro mais próximo, o que foi nosso caso. Isso não significa que o hotel seja melhor, como também comprovamos. Começa que não tinha restaurante. Bom, vocês vão perguntar pra que cargas d'água quereríamos comer comida de hotel, que é quase sempre mequetrefe. Respondo: sempre tem aquela noite na qual você está com preguiça de se deslocar até o centro da cidade, daí a importância dessa pequena comodidade. Também não tinha piscina. Ok, eu não iria a Gramado pra entrar na piscina, mas no hotel anteriormente reservado havia uma. De modo que, se upgrade houve, ele ficou apenas na localização do novo hotel, de fato bem mais perto do centro da cidade, o que tem lá sua comodidade. Mas eu falava de restaurantes...
De um modo ou de outro, quase todos os lugares razoáveis de lá buscam o hóspede e o levam de volta ao hotel. E de graça. Quer dizer, embutindo o custo dessa mordomia no preço da refeição. Mas só uma vez fizemos uso disso, quando saímos uma noite pra comer fondue, ou melhor, uma sequência de fondue. Na ótica dos entendidos, isso significa uma espécie de trucidação do ritual "fonduelístico", já que se trata de comer, numa única noite, uma rodada de fondue de queijo, outra de carne, arrematando tudo com um de chocolate. O de queijo até que é bom, embora faltasse sabor à mistura (faltou alho e kirsch) e os queijos não fossem lá aquela maravilha. O de carne estava bem razoável, mesmo porque o básico são os molhos (e havia uns dez potinhos de molhos diferentes - provei quase todos). O de chocolate podia ser melhor se eles limitassem as frutas a apenas duas: morango e banana. Definitivamente, melão, laranja, mamão e kiwi não combinam com chocolate. Mas o ponto alto da noite era o cantor da casa. Acho que ele devia ser amigo, irmão, camarada, cunhado ou credor do dono. Ou o próprio dono. Ele se acompanhava de um sintetizador mal tocado e desfilou, nas duas horas que ali ficamos, um vasto e eclético repertório de canções. Em inglês, francês, espanhol e português. De Elton John a Tom Jobim. E assassinou todas elas. Todas. O sujeito não alcançava notas agudas, não chegava aos tons graves, mastigava as letras em idioma estrangeiro e pronunciava alguma coisa ininteligível quando o repertório era em português. O cara era tão ruim que seria capaz de errar o tom até pra tocar a campainha de casa. Ainda bem que não estragou o jantar. Mas foi por pouco.
De um modo ou de outro, quase todos os lugares razoáveis de lá buscam o hóspede e o levam de volta ao hotel. E de graça. Quer dizer, embutindo o custo dessa mordomia no preço da refeição. Mas só uma vez fizemos uso disso, quando saímos uma noite pra comer fondue, ou melhor, uma sequência de fondue. Na ótica dos entendidos, isso significa uma espécie de trucidação do ritual "fonduelístico", já que se trata de comer, numa única noite, uma rodada de fondue de queijo, outra de carne, arrematando tudo com um de chocolate. O de queijo até que é bom, embora faltasse sabor à mistura (faltou alho e kirsch) e os queijos não fossem lá aquela maravilha. O de carne estava bem razoável, mesmo porque o básico são os molhos (e havia uns dez potinhos de molhos diferentes - provei quase todos). O de chocolate podia ser melhor se eles limitassem as frutas a apenas duas: morango e banana. Definitivamente, melão, laranja, mamão e kiwi não combinam com chocolate. Mas o ponto alto da noite era o cantor da casa. Acho que ele devia ser amigo, irmão, camarada, cunhado ou credor do dono. Ou o próprio dono. Ele se acompanhava de um sintetizador mal tocado e desfilou, nas duas horas que ali ficamos, um vasto e eclético repertório de canções. Em inglês, francês, espanhol e português. De Elton John a Tom Jobim. E assassinou todas elas. Todas. O sujeito não alcançava notas agudas, não chegava aos tons graves, mastigava as letras em idioma estrangeiro e pronunciava alguma coisa ininteligível quando o repertório era em português. O cara era tão ruim que seria capaz de errar o tom até pra tocar a campainha de casa. Ainda bem que não estragou o jantar. Mas foi por pouco.
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