As curvas
para Vv.
Ontem à tarde o sol sumia entre os prédios,
Num vermelho quase líquido escorrendo,
Tal as ondas de teus cabelos
Sobre os ombros, onde carregas mares
De pesadelos e sombras secas,
Em que varetas e folhas vêm brincar.
Ontem à tarde tentei te ver
Nas ruas plenas de pessoas e pressas,
Nas páginas dos jornais, nas fotos
Impressas, nas telas dos cinemas,
No computador que não ligava,
Por ti busquei onde tu não estavas.
Hoje tenho junto a mim um céu
De chumbo e o papel em branco
Em que tento rabiscar o que de ti
Restou: as palavras destes versos
Sem medida, as curvas de teu corpo
Em minha retina, o gosto que não sei
De tua saliva.
Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
23 de maio de 2007
22 de maio de 2007
O que falta...
Está faltando mais Literatura aqui, não? Só lamúria ninguém merece nem agüenta...(hehehe!) Na verdade, tenho um poema novo, mas ainda quero dar uma última olhada nele antes de postar aqui. Então, aguardem mais um pouquinho...
21 de maio de 2007
Que tempo esse o nosso!
Não se pode dizer que minha última semana tenha sido das mais agradáveis. Pedi demissão daquele emprego ridículo, o que desfalcará minha conta bancária de modo considerável. No momento, estou apenas com uma aulinhas, que mal dão para pagar as contas de um quinto (dos infernos) do mês, o que dirá dele inteiro. Como se sabe, escolas não abrem vagas nesta época do ano, a não ser para contratar a partir de agosto. E por aí vamos.
O mar, portanto, não está pra peixe. Os moluscos, entretanto, se esbaldam. E, nesse meio tempo, fico sem poder assistir aos filmes que desejo, comprar os livros que encontro e adquirir os DVDs que almejo. Não sou jornalista pra receber, em minha casa, os últimos lançamentos - com release e tudo - para que eu possa tecer comentários mais ou menos inócuos ou mais ou menos tendenciosos, conforme minhas conveniências inconfessáveis. Não vivo das eventuais resenhas que possa escrever. E este blogue, em linhas gerais, só me dá prejuízo financeiro.
Resta ficar com o já sabido: os clássicos. Ou finalmente sentar e escrever aquele romance prometido. Ou a tese de doutorado. Ou ambos. Porque, de resto, só as migalhas mesmo.
O mar, portanto, não está pra peixe. Os moluscos, entretanto, se esbaldam. E, nesse meio tempo, fico sem poder assistir aos filmes que desejo, comprar os livros que encontro e adquirir os DVDs que almejo. Não sou jornalista pra receber, em minha casa, os últimos lançamentos - com release e tudo - para que eu possa tecer comentários mais ou menos inócuos ou mais ou menos tendenciosos, conforme minhas conveniências inconfessáveis. Não vivo das eventuais resenhas que possa escrever. E este blogue, em linhas gerais, só me dá prejuízo financeiro.
Resta ficar com o já sabido: os clássicos. Ou finalmente sentar e escrever aquele romance prometido. Ou a tese de doutorado. Ou ambos. Porque, de resto, só as migalhas mesmo.
15 de maio de 2007
Pausa lírica
Tenho amigas lindas, talvez as mais lindas do mundo, se é que posso exagerar. E guardo o maior carinho por todas, tenho ciúmes delas, sempre quero ajudá-las, ainda que isso implique sacrifícios imensos de minha parte. Gosto de ver o sorriso no rosto delas. Diferente de alguns, não tenciono fazer sexo com elas, embora não desgoste da idéia em si - que fica, entretanto, restrita às fantasias ou devaneios que todos temos. Gosto delas. Simples assim. Algumas são engraçadas, outras mais singelas. Umas são tímidas, outras atiradas. Mas todas são amigas, dessas que ajudam a gente nas horas difíceis, e que a gente ajuda, idem, idem. Difícil dizer de quem gosto mais.
Há uma, porém, que me chama mais a atenção. Por ser difícil, por ser dúctil, por sua líquida presença que se esvai no seguinte instante. Demoramos para nos encontrar, o que se fez numa noite ligeira, de palavras mais ligeiras ainda, e eu tentando escavar - a pá e picareta - uma gema que fosse que se comparasse ao brilho daqueles olhos a um tempo riso e tristeza, da boca que mostrava os dentes perfeitos e o voz que era mel e melodia. E eu medindo aquela moça alta, de corpo esguio e de luz, tertúlia, perfume. Essa moça é minha amiga. E nem sabe que é tanto assim. Talvez se assuste, talvez derrube o prato do almoço, talvez me esmurre e me derrube no meio da rua. Mas nem me importo, porque é tão difícil acreditar que pessoas como ela existam, e que não precisamos nos matar, porque ainda existe um sentido cujo alcance nem sei, mas minha amiga é a prova - agora concreta - de que sim. Que sim. Sim.
Há uma, porém, que me chama mais a atenção. Por ser difícil, por ser dúctil, por sua líquida presença que se esvai no seguinte instante. Demoramos para nos encontrar, o que se fez numa noite ligeira, de palavras mais ligeiras ainda, e eu tentando escavar - a pá e picareta - uma gema que fosse que se comparasse ao brilho daqueles olhos a um tempo riso e tristeza, da boca que mostrava os dentes perfeitos e o voz que era mel e melodia. E eu medindo aquela moça alta, de corpo esguio e de luz, tertúlia, perfume. Essa moça é minha amiga. E nem sabe que é tanto assim. Talvez se assuste, talvez derrube o prato do almoço, talvez me esmurre e me derrube no meio da rua. Mas nem me importo, porque é tão difícil acreditar que pessoas como ela existam, e que não precisamos nos matar, porque ainda existe um sentido cujo alcance nem sei, mas minha amiga é a prova - agora concreta - de que sim. Que sim. Sim.
14 de maio de 2007
Mais uma semana...
Começando mal, naquela leseira de sempre. E com notícias ruins. Tem uma hora que cansa viver assim, dando murro em ponta de faca, girando em falso, e vendo o horizonte mais e mais se afastar - por mais que se esforce, tudo parece puxar você para trás. Dá vontade de desistir. Entregar o bastão. Deitar e esperar a noite chegar. Porque é sempre isso. Não há amigos, não há tapinhas nas costas, não há nada em lugar algum. Faz frio, mas e daí? O máximo que se tem é um instante ilusório de que a moeda vai cair do lado certo. Mas ela não cai. Só você, que tropeça e fratura o maxilar, a cabeça, o pouco que resta de algo que chamavam dignidade. Quem pode ser digno em um país como este?
13 de maio de 2007
Manifesto
A pedidos de minha nova orkut-amiga, Beatriz Bajo, publico o manifesto abaixo. Nem preciso dizer que concordo com o que está escrito, não?
Transcrição do artigo “Lugar de novos autores é nos guetos”, Observatório da Imprensa, ano 12, edição nº 431, dia 1 de maio de 2007:
MÍDIA E LITERATURA"Lugar de novos autores é nos guetos"Por Rodrigo Novaes de Almeida em 1/5/2007
As listas de livros mais vendidos no Brasil divulgadas nos jornais dão a falsa aparência de que não se faz literatura no nosso país. É uma coleção de livros importados de qualidade duvidosa, com raríssimas exceções. E isso apenas no que se refere à ficção, visto que existem dois outros tipos de listas – não-ficção e auto-ajuda – que também padecem do mesmo mal.
O argumento que diz ser a demanda dos leitores a causa dessa situação é incorreto. Existe um mecanismo perverso, entre grandes editoras e imprensa, que dita o consumo, ou, como preferem os defensores do sistema – hegemônico – do capital, o mercado. Grupos que controlam veículos de mídia também têm editoras, além do que existe uma troca de interesses e de favores entre imprensa e editoras para divulgar publicações e publicar "autores midiáticos", tudo visando ao objetivo final da lógica do mercado: o lucro. E na lógica desse sistema, a literatura brasileira contemporânea (que existe!) não seria lucrativa. Lançar novos escritores nacionais, então, seria um descalabro, prejuízo certo.
Contudo, se existe uma literatura brasileira contemporânea, por onde ela anda? Em mega-livrarias das metrópoles? E onde ela é apresentada? Nos cadernos ditos literários dos jornais? Não. Em guetos? Talvez.
Mapear a realidade
Um gueto parece vir, nos nossos dias, para abalar a estrutura tradicional do mercado editorial: a internet. É verdade que há muito entulho na rede binária, mas há também qualidade. Revistas literárias, jornais de poesia, blogs. São tantas as iniciativas na contracorrente. Algumas editoras pequenas já olham com atenção o que se faz na internet, dispostas a encontrar e publicar novos talentos.
Leitores também embarcam nessa contracorrente, insatisfeitos com o que é apresentado como literatura pelas grandes editoras e pelos veículos de imprensa, e buscam na rede alternativas.
As grandes editoras estão prestes a sofrer danos consideráveis, semelhantes aos sofridos pelas gravadoras anos atrás, se continuarem com a visão limitada e deformada pelas regras econômicas de mercado do sistema vigente. E a imprensa perderá a oportunidade de ter o papel próprio a ela de mapear a realidade nascente da nossa literatura neste começo de século, sem contar a credibilidade sob risco com os leitores.
RODRIGO NOVAES DE ALMEIDAhttp://vorticefamigerado.blogspot.com/
Transcrição do artigo “Lugar de novos autores é nos guetos”, Observatório da Imprensa, ano 12, edição nº 431, dia 1 de maio de 2007:
MÍDIA E LITERATURA"Lugar de novos autores é nos guetos"Por Rodrigo Novaes de Almeida em 1/5/2007
As listas de livros mais vendidos no Brasil divulgadas nos jornais dão a falsa aparência de que não se faz literatura no nosso país. É uma coleção de livros importados de qualidade duvidosa, com raríssimas exceções. E isso apenas no que se refere à ficção, visto que existem dois outros tipos de listas – não-ficção e auto-ajuda – que também padecem do mesmo mal.
O argumento que diz ser a demanda dos leitores a causa dessa situação é incorreto. Existe um mecanismo perverso, entre grandes editoras e imprensa, que dita o consumo, ou, como preferem os defensores do sistema – hegemônico – do capital, o mercado. Grupos que controlam veículos de mídia também têm editoras, além do que existe uma troca de interesses e de favores entre imprensa e editoras para divulgar publicações e publicar "autores midiáticos", tudo visando ao objetivo final da lógica do mercado: o lucro. E na lógica desse sistema, a literatura brasileira contemporânea (que existe!) não seria lucrativa. Lançar novos escritores nacionais, então, seria um descalabro, prejuízo certo.
Contudo, se existe uma literatura brasileira contemporânea, por onde ela anda? Em mega-livrarias das metrópoles? E onde ela é apresentada? Nos cadernos ditos literários dos jornais? Não. Em guetos? Talvez.
Mapear a realidade
Um gueto parece vir, nos nossos dias, para abalar a estrutura tradicional do mercado editorial: a internet. É verdade que há muito entulho na rede binária, mas há também qualidade. Revistas literárias, jornais de poesia, blogs. São tantas as iniciativas na contracorrente. Algumas editoras pequenas já olham com atenção o que se faz na internet, dispostas a encontrar e publicar novos talentos.
Leitores também embarcam nessa contracorrente, insatisfeitos com o que é apresentado como literatura pelas grandes editoras e pelos veículos de imprensa, e buscam na rede alternativas.
As grandes editoras estão prestes a sofrer danos consideráveis, semelhantes aos sofridos pelas gravadoras anos atrás, se continuarem com a visão limitada e deformada pelas regras econômicas de mercado do sistema vigente. E a imprensa perderá a oportunidade de ter o papel próprio a ela de mapear a realidade nascente da nossa literatura neste começo de século, sem contar a credibilidade sob risco com os leitores.
RODRIGO NOVAES DE ALMEIDAhttp://vorticefamigerado.blogspot.com/
Pequena notícia sem importância
Resolvi pedir divórcio do mundo corporativo. Afinal, melhor vender meu corpo que vender minha dignidade ( a pouca que resta, diga-se de passagem) ...
9 de maio de 2007
Refresco
Sei que vocês que me lêem gostam de calor e tal e coisa. Mas nada me deixou mais feliz hoje que sair de casa com chuva e frio. Acho que é só esse clima que combina com uma cidade como São Paulo...
8 de maio de 2007
Olha:
infelizmente não tem luz no fim do túnel. Aliás, nem há final do túnel. E, caso houvesse, ele terminaria num abismo sem fundo onde cairíamos até o último suspiro de existência do universo.
(Frase dita hoje, no final do expediente)
Experiências do mundo corporativo. E ainda me querem convencer de que existe outro inferno além deste em que vivemos (vivemos?)...
(Frase dita hoje, no final do expediente)
Experiências do mundo corporativo. E ainda me querem convencer de que existe outro inferno além deste em que vivemos (vivemos?)...
7 de maio de 2007
Tentei...
...escrever um poema esses dias, mas não deu em nada. Difícil escrever sob condições assim, sem saber de onde você vai tirar seu sustento, já que as portas parecem se fechar sobre você. E não há nada no horizonte nos próximos dois ou três meses, o que só faz preocupar. Daqui a pouco, vai ser melhor não sair de casa só para não gastar ainda mais...hehehe!
Meu pessimismo vai além: a censura à biografia de RC talvez tenha sido um dos acontecimentos mais violentos dos últimos 20 anos, pelo menos. Durante a ditadura, ter uma obra censurada era, por assim dizer, parte do jogo. Hoje, vivendo sob uma suposta democracia - que mais e mais se fragiliza, por conta da ausência de oposição e do aparelhamento absoluto do Estado - ver uma obra de caráter intelectual, de pesquisa exaustiva e séria (ainda que algo tendenciosa para o biografado) ser brindada com uma sentença que impede sua veiculação, e o pior, referendada por um juiz, diante de advogados e tudo o mais, faz pensar em que tempo vivemos. Tempo em que caciquezinhos impõem sua visão tosca e torta sobre tudo e todos. Tempo em que a ditadura do pensamento único se impõe pela força de um Estado cada vez mais policial e policialesco. Tempo em que, com medo de passarmos por pessoas "de direita", preferimos nos calar. E nos calamos.
Meu pessimismo vai além: a censura à biografia de RC talvez tenha sido um dos acontecimentos mais violentos dos últimos 20 anos, pelo menos. Durante a ditadura, ter uma obra censurada era, por assim dizer, parte do jogo. Hoje, vivendo sob uma suposta democracia - que mais e mais se fragiliza, por conta da ausência de oposição e do aparelhamento absoluto do Estado - ver uma obra de caráter intelectual, de pesquisa exaustiva e séria (ainda que algo tendenciosa para o biografado) ser brindada com uma sentença que impede sua veiculação, e o pior, referendada por um juiz, diante de advogados e tudo o mais, faz pensar em que tempo vivemos. Tempo em que caciquezinhos impõem sua visão tosca e torta sobre tudo e todos. Tempo em que a ditadura do pensamento único se impõe pela força de um Estado cada vez mais policial e policialesco. Tempo em que, com medo de passarmos por pessoas "de direita", preferimos nos calar. E nos calamos.
30 de abril de 2007
Aproveitando...
...o fato de eu ter ficado doente hoje e, por conseqüência, tão ter ido trabalhar, vamos atualizar este espaço de reflexões sem nexo e escritos sem fundo.
1. Muita coisa ruim aconteceu nesses últimos meses. Nenhuma tragédia familiar, moléstia incurável ou coisas afins - infelizmente. Mas as de sempre, as que tornam ainda mais aborrecida sua existência, o simples estar neste mundo miserável. E todos sabem o quanto isso é, a cada dia que passa, mais e mais insuportável.
2. O aumento em escala exponencial da estupidez é coisa de assustar. Não surpreende, contudo. Mas faz desacreditar que alguma coisa - qualquer coisa - vá melhorar nos próximos cinqüenta anos. E isso para ser otimista, o que eu não sou.
3. Desacredito de qualquer boa intenção vinda de quem quer que seja - mais ainda se a pessoa estiver em grau hierárquico superior ao seu. Se estiver abaixo, é ainda pior. E se estiver no mesmo nível, prepare-se para ter seu tapete puxado.
4. Um amigo me disse, tempos atrás, que meus escritos eram por demais "negativos". Faz uns dez anos que isso aconteceu, e até agora não tive um mísero motivo para modificar meu modo de ver os acontecimentos ao meu redor.
5. De quando em quando, existe uma chance de pequenos prazeres: um bom almoço, um filme legal, aquele DVD que você tanto queria, e por aí vai. Mas o saldo negativo na conta bancária sempre lembra que o "deserto do real" é o que nos espera...
6. Mas talvez tudo seja por conta da febre e da amigdalite que me pegaram hoje cedo...
1. Muita coisa ruim aconteceu nesses últimos meses. Nenhuma tragédia familiar, moléstia incurável ou coisas afins - infelizmente. Mas as de sempre, as que tornam ainda mais aborrecida sua existência, o simples estar neste mundo miserável. E todos sabem o quanto isso é, a cada dia que passa, mais e mais insuportável.
2. O aumento em escala exponencial da estupidez é coisa de assustar. Não surpreende, contudo. Mas faz desacreditar que alguma coisa - qualquer coisa - vá melhorar nos próximos cinqüenta anos. E isso para ser otimista, o que eu não sou.
3. Desacredito de qualquer boa intenção vinda de quem quer que seja - mais ainda se a pessoa estiver em grau hierárquico superior ao seu. Se estiver abaixo, é ainda pior. E se estiver no mesmo nível, prepare-se para ter seu tapete puxado.
4. Um amigo me disse, tempos atrás, que meus escritos eram por demais "negativos". Faz uns dez anos que isso aconteceu, e até agora não tive um mísero motivo para modificar meu modo de ver os acontecimentos ao meu redor.
5. De quando em quando, existe uma chance de pequenos prazeres: um bom almoço, um filme legal, aquele DVD que você tanto queria, e por aí vai. Mas o saldo negativo na conta bancária sempre lembra que o "deserto do real" é o que nos espera...
6. Mas talvez tudo seja por conta da febre e da amigdalite que me pegaram hoje cedo...
28 de abril de 2007
27 de abril de 2007
News of the world
Lembram que eu escrevi, lá pelos idos de fevereiro ou março, que eu ainda descobriria o lado bom do trabalho corporativo, de bater cartão de ponto e coisa e tal? Pois é, ainda não achei.
23 de abril de 2007
Rapidíssimas
Se eu tivesse um romance prontinho, já tinha até um título pra ele: O Embusteiro de Cabul. Afinal, quem é que agüenta mais um lançamento nessa linha? Eu, que não tinha ne-nhum interesse no Afeganistão ou na p... da cidade de Cabul, peguei até bode daquele país, da capital e do povo que mora lá. Que culpa eles têm no cartório? A mesma que temos por sermos conhecidos como o paraíso do turismo sexual, ora essa.
Última semana de encontros encorajadores: Kuka e Ana Paula. Faltou a Julia, com quem me encontrei de relance hoje mesmo - valeu o dia, diga-se de passagem! Pessoas assim me fazem acreditar que ainda é possível ter alguma esperança nesta bosta de mundo, afinal...
Última semana de encontros encorajadores: Kuka e Ana Paula. Faltou a Julia, com quem me encontrei de relance hoje mesmo - valeu o dia, diga-se de passagem! Pessoas assim me fazem acreditar que ainda é possível ter alguma esperança nesta bosta de mundo, afinal...
18 de abril de 2007
Filmes, livros e farsantes
Alguém aí foi assistir ao filme O cheiro do ralo ? Sinceramente, depois de O ano em que meus pais saíram de férias, talvez seja o melhor filme brasileiro dos últimos anos. Um petardo nas consciências anestesiadas deste país miserável. E depois ainda há quem prefira coisas como Cidade de Deus ou Carandiru... Nesses dois filmes, a bosta lat(r)ina-americana passa ao largo, nas células isoladas da violência contida na periferia, na favela e na prisão. Em O cheiro do ralo, o fedor que sai dos esgotos impregna nossas roupas, nossos cabelos e o pouco que nos resta de humanidade - no sentido idealista do termo. Tudo tem um preço: a dignidade, as lembranças, o corpo, a ética. Nesse sentido, lembra por demais a atitude de certos indivíduos que se metem a escrever resenhas apontando na obra de um escritor todos os defeitos que o próprio resenhador apresenta em sua "grande obra". E "obra", aqui, está nos dois sentidos - o sublime e, principalmente, o escatológico. Há quem se venda por ninharia e ainda pose de bacana - mas, qual a novidade disso, não é mesmo?
16 de abril de 2007
Ainda não...mas...
Não, ainda não tem romance. Mas tem isso, ó:
semana passada revi uma amiga. Pelo menos considero-a assim. Na verdade, ela foi minha aluna, num tempo em que ainda havia alunas realmente desafiadoras. E era o caso dela. Já disse isso inúmeras vezes, mas não custa repetir: nada tenho contra pessoas pacatas, que entram na sala de aula, ouvem tudo o que você diz com ar meio embevecido (as que gostam de você) ou meio aborrecido (as que não gostam), e saem tão logo chega a hora. Mas essas pessoas passam. E, mais dia, menos dia, você acaba se esquecendo delas. Isso não acontece com as desafiadoras. Não, não me refiro aos mal-educados, grossos, estúpidos que estão ali apenas para descarregar suas frustrações sexuais na figura do professor. Falo de gente que quer saber o porquê das coisas, que exige do professor mais que a decorebazinha de sempre. Esse tipo de pessoa é inesquecível. Porque a gente sabe que elas não passaram pela faculdade só para pegar um diploma, mas que fizeram dela um trampolim para vôos maiores, tão grandes quanto a inteligência e a capacidade que elas possuem. E que eu, como professor delas, devo ter tido uma parcelazinha de culpa no aumento de horizonte que elas passaram a ter. Isso já vale todos os reveses pelos quais já passei e ainda vou passar nesta vida de magistério. E não direi seu nome (e seus nomes): elas sabem que é delas que estou tratando aqui.
semana passada revi uma amiga. Pelo menos considero-a assim. Na verdade, ela foi minha aluna, num tempo em que ainda havia alunas realmente desafiadoras. E era o caso dela. Já disse isso inúmeras vezes, mas não custa repetir: nada tenho contra pessoas pacatas, que entram na sala de aula, ouvem tudo o que você diz com ar meio embevecido (as que gostam de você) ou meio aborrecido (as que não gostam), e saem tão logo chega a hora. Mas essas pessoas passam. E, mais dia, menos dia, você acaba se esquecendo delas. Isso não acontece com as desafiadoras. Não, não me refiro aos mal-educados, grossos, estúpidos que estão ali apenas para descarregar suas frustrações sexuais na figura do professor. Falo de gente que quer saber o porquê das coisas, que exige do professor mais que a decorebazinha de sempre. Esse tipo de pessoa é inesquecível. Porque a gente sabe que elas não passaram pela faculdade só para pegar um diploma, mas que fizeram dela um trampolim para vôos maiores, tão grandes quanto a inteligência e a capacidade que elas possuem. E que eu, como professor delas, devo ter tido uma parcelazinha de culpa no aumento de horizonte que elas passaram a ter. Isso já vale todos os reveses pelos quais já passei e ainda vou passar nesta vida de magistério. E não direi seu nome (e seus nomes): elas sabem que é delas que estou tratando aqui.
9 de abril de 2007
Novidades!
Sentem-se que lá vem história: resolvi escrever um romance. Não sei se vai sair, se o que sair não será uma merda, se vai ser publicado ou vai fazer sucesso e me tornar conhecido pelo mundinho literário afora. Acho que, se vingar, o certo é que aumentará o ódio que algumas criaturas têm de mim. Não, nenhuma delas será personagem - justamente o motivo do ódio...hehehe! Por enquanto é só entusiasmo; veremos o que me reserva as próximas semanas... Prometo publicar alguns capítulos aqui, até para os amigos comentarem o que acham. Os inimigos, esses deixo para o dia da eventual publicação da bagaça.
5 de abril de 2007
Descansem em paz!
Todo mundo já comprou (ganhou) seu ovinho de Páscoa? Dessalgaram o bacalhau? Receberam o salariozinho do mês? Então vamos aproveitar esses três dias de pausa em nossa existência insana, nem que seja para não fazer nada. Eu, infelizmente, tenho de fazer minha declaração de Imposto de Renda... ô mico!
4 de abril de 2007
Nota ligeiríssima
Alguém reparou o quanto estamos perto de um pedido de impeachment de "sua majestade barbuda", como dizia a Heloísa Helena? Golpe? Pior é que não...
2 de abril de 2007
A semana
Semana que promete ser mais curta, embora não menos intensa. Poucas novidades, entretanto. O apagão aéreo talvez seja a notícia mais contundente, dadas as repercussões. O problema é que nem isso fará com que os defensores de Lula e seus asseclas mudem de opinião a respeito de seu (sic) governo. Talvez seja o calor que tenha anestesiado as pessoas. Ou a impressão - fortemente justificada, acrescento - de que todos são "farinha do mesmo saco". Não são. Verdade é que "nunca na história deste país" se roubou tanto e tão descaradamente. E pior: sob o argumento de que se faz "justiça social". Onde, por todos os deuses? No aumento desavergonhado das ONGs de fachada? Na ousadia fora-da-lei do MST e dos movimentos-dos-sem-qualquer-coisa? Na absoluta falta de noção da ministra da "Igualdade Racial", seja lá isso o que for? A economia vai bem? Por enquanto, e a despeito da incompetência da quadrilha petista, sim. Mas nada dura para sempre, principalmente os ventos favoráveis, que, aliás, já estão soprando para outra direção...
Enquanto isso, seguimos aqui, "só de birra e só de sarro"...
Enquanto isso, seguimos aqui, "só de birra e só de sarro"...
Assinar:
Postagens (Atom)
