18 de maio de 2010

Frases soltas

- A diferença entre ser insistente e ser inconveniente está ligada ao quanto o outro lado esteja ou não interessado em você.
- Nem tudo está carregado de segundas intenções, mas quase tudo é suspeito até prova em contrário.
- Não existe bondade que não envolva algum tipo de interesse. Sórdido ou não.
- Ninguém ama ninguém, esse é o fato. Buscamos no outro apenas uma boia para nos salvarmos de nosso próprio desespero.
- Se eu tivesse um único minuto a mais de vida, eu o gastaria lembrando de tudo o que não fiz por medo, conveniência ou estupidez. Negativismo até o momento final, este é meu lema.
- A morte não me amedronta. O que me apavora é não saber quando e como ela virá.

17 de maio de 2010

Vazio

Não tenho certeza, mas acho que perdi alguma coisa que acabou. Ou foi o começo disso que eu deixei escapar.

13 de maio de 2010

A vida em seu ritmo

Aos poucos volto à vida mais ou menos normal. Mil pendências, entretanto, a que darei conta nas próximas semanas, antes de entrar em férias, as primeiras depois de três anos.

11 de maio de 2010

Coisinhas

Seja louco: trabalhe doze ou dezesseis horas por dia, arrume frilas para complementar o orçamento, leve trabalhos de alunos pra corrigir (mas só porque a instituição OBRIGA seus docentes a fazerem isso), prepare provas, ministre oficinas de literatura aos sábados e outras coisinhas mais que você ainda arruma para as horas vagas. É insano, mas não troco esta vida que levo agora por nada. Quer dizer: nada, propriamente não; talvez por um prêmio da megasena, sozinho. Eu disse TALVEZ. Afinal, depois eu teria de aguentar o assédio familiar e dos "amigos" que apareceriam aos borbotões.

Por um instante

Por um instante, o recinto onde estávamos ficou mais gelado que a tarde uivando lá fora.

10 de maio de 2010

Pílulas de sabedoria sem rumo

Numa relação qualquer, quem confunde dor pela perda com manifestação do "verdadeiro eu" do outro realmente é um se desprovido de qualquer tipo de inteligência.

6 de maio de 2010

Frase do dia

Não há crise (existencial ou de outra natureza) que resista a uma trepada bem dada.

4 de maio de 2010

Das gentilezas

- Jamais ceda lugar na fila, seja do que for. Ninguém ganha nada com isso e você, certamente, perde muito mais.
- Dirigir palavras gentis a alguém significa angariar o despeito de quem não as recebeu ou de quem acha que recebeu menos que a outra. E acredite: você nunca vai acertar na dosagem.
- Em hipótese alguma acredite em pessoas que dizem que jamais esquecerão do ato de bondade que você exerceu em benefício delas. Vão esquecer sim, tão logo você faça alguma besteira ou elas encontrem alguém que faça algo melhor.
- Homens são seres parvos, mas as mulheres não ficam atrás - notadamente aquelas que gostam dos mais parvos entre os homens. Homens gentis são candidatos a um chapéu de touro.
- Nada como um dia após o outro. Para provar que nada mudou de um dia para o outro. Com sorte, não piorou.
- Palavras são coisas perigosas. Por isso, quando for elogiar alguém, seja claro(a), explícito(a) se for o caso. Tudo, hoje em dia, pode ser interpretado para o lado negativo. Notadamente se a parte que ouve sofrer de surdez mental ou qualquer outro distúrbio semelhante.

3 de maio de 2010

Lembretes desnecessários

- Se tiver de trabalhar num fim de semana, nunca deixe para sair na hora do almoço ou depois dela; é nesse horário em que todos os que são (ou acham que são) mais felizes que você costumam infestar as ruas com suas futilidades.
- Gente estranha não significa necessariamente gente perigosa. Mas nunca é demais tomar as devidas precauções. Colete a prova de balas e capacete são sempre úteis.
- Se sexo é sexo e amor é amor, como vocês me explicam o sentido de frases como "fazer amor", que algumas pessoas insistem em usar?
- Muito sol pode causar câncer de pele. Pouco sol pode levar a uma osteoporose. O problema, aí, é definir o quanto é "muito" ou "pouco". Isso vale também para a exposição de sua vida pessoal para outrem.
- Seja gentil com as pessoas e leve uma rasteira. Ou um safanão. Ou um tiro.

13 de abril de 2010

Pensamentos desconexos

- Reparei que a quantidade de malucos à solta por aí tem aumentado de maneira exponencial. Quando eu digo "malucos" estou me referindo a gente sem a menor capacidade de conviver socialmente - gente como eu, por exemplo. Eu sabia que essa onda deo politicamente correto ia dar em desastre. Como agora ninguém mais é doido, ficam todos soltos por aí até um deles matar alguém ou agredir desavisados com tacos de beisebol.
- Um dos tipos de gente que detesto consiste na figura escorregadia, que nunca tem opinião a respeito de nada, muito pelo contrário, e sempre fica à espera de uma brecha sua para usar seus argumentos contra você. São pessoas de muito sorriso e nenhum juízo. Se vir uma pela frente, fuja.
- Eu ia publicar um poema hoje, homenagem singela a uma amiga muito querida. Deu preguiça, fica pra outro dia.

10 de abril de 2010

Sabedorias sem sal - 2

- Não existe um sentimento de amor que não tenha como resposta um pé na bunda ou um coice na cara. Ou ambos.
- Entre um sanduíche ruim mas que mata a fome e um repasto de alta gastronomia que só pode ser contemplado pela vitrine, melhor o primeiro - ainda que a azia não tarde a se manifestar.
- Esquecer é a coisa mais fácil do mundo se você não tiver o menor interesse na coisa em si.
- Na impossibilidade de ganhar o jogo, mude as regras. Esta é uma máxima que o jogo político atual só faz confirmar.

4 de abril de 2010

Poema

Era para ser postado na quinta-feira, mas a vida anda muito corrida...

"Das afinidades"

para M.

O que separa o rio do mar que ruge
É da mesma substância que em nós mata
Seja o caldo do espírito, seja o sal
Dos corpos após o amor, suor, refluxo.

No dentro de nós a escuridão vem
E oscila entre quereres desfolhados
Ao claro nossos rostos - sós - revelam
Um sol gelado e dedos descuidados.

E o que de ti me emana - um amor
De farpas e trilhas acidentadas
Reflui em acres lagos e folhagens

Ácidas - fruto verde de futuros
Obscuros, mas plenos de ventos prenhes
Repousos, sono sob o lodo e o limo.

29 de março de 2010

Poema

"Do hedonismo"

para M.

Que assim queiramos, ao menos no calor
Dos humores que na penumbra trocamos,
É líquido desvão nos caminhos que desenhamos
Com giz e carvão sobre o solo seco.
Breve é nosso existir - isso não se nega -
E nao há flor que não se despetale
E sob a terra não apodreça, é regra.
Mas o humano desafio se interpõe
Ante as estrelas e o sal que nos come
Carne, sangue e alguma coisa insentida.
E por mais que assaz queiramos, a fresta
De um sentir perene ali se planta
A deitar raiz, corpo e frutos
De um sabor que sabemos ser amargo
(E nem por isso sequer recuamos).

23 de março de 2010

Novas

Ah, tenho novidades, sim. Pena que elas não interessam a ninguém, a não ser a mim, e olhe lá.

22 de março de 2010

Começa tudo de novo

Sabe aquelas ocasiões em que você tem vontade de ser gentil com as pessoas, achar que um dia de sol é maravilhoso, que tudo é belo e que você precisa abraçar as pessoas com quem você se relaciona? Pois é: não vai ser hoje. Nem tampouco amanhã.

19 de março de 2010

Jamais seja sincero

Das inúmeras coisas que detesto além de quiabo e miúdos: pessoas que acham que a sinceridade é uma virtude. Não é. Como eu já disse aqui, vá tentar ser sincero com essa gente. No mínimo você vai levar uma pedrada.

6 de março de 2010

Gente feliz

Sexta-feira de manhã. Parei para tomar um café numa loja de uma grande rede de supermercados. Fui fazer o pedido, mas o caixa do setor ainda não abrira. "Moço, o senhor vai lá no caixa normal, paga e faz o pedido aqui, depois." Vi a fila dos idosos (sim, porque idoso é o ser mais madrugador que existe. Antes das galinhas acordarem, lá estão eles nos pontos de ônibus, nos supermercados e nos cafés.) no único caixa que funcionava, suspirei, já prevendo aonde essa história iria me levar, mas pensei que naquele dia poderia haver uma exceção. Com a demora de praxe, chegou minha vez, pedi um café e um pão de queijo. A atendente: "Fulano, cadê a lista de códigos do café?" O outro: "Não sei, aqui não está!" E a fila atrás de mim aumentando. E lá se foi a moça a procurar. Pergunta daqui, fala com a encarregada dali. Depois de um tempo, e após todo mundo que me segui ter desistido de pagar suas compras ali, diz a moça: "Olha, senhor, faça o pedido direito no café e depois você acerta lá mesmo, quando eles abrirem o caixa deles." Já havia desistido mesmo, mas segui adiante, só pra ver se a coisa chegava aonde eu imaginara. Fiz o pedido. O rapaz do café - depois de ter atendido uma senhora, evidentemente freguesa habitual - olhou pra mim e meio que bradou: "O caixa está fechado, o senhor tem que fazer o pedido nos caixas normais!" Respondi: "Acabei de vir de lá e me mandaram vir aqui. Eles perderam a ficha com os códigos." "Não, está com eles! Aqui não ficou!" Um diálogo non sense às 6 da manhã era tudo de que eu precisava para deixar meu dia feliz. Nem preciso dizer como terminou, preciso? Achei melhor tomar o bendito café no balcão da padaria mesmo. Apertado, desconfortável, sem nenhum sossego, mas pelo menos já sabendo que, naquele lugar, ninguém fica alardeando uma alegria que não tem como existir. Não aqui, não agora. Talvez nunca.

28 de fevereiro de 2010

Minuto de silêncio para José Mindlin

O dono deste blogue lamenta profundamente a perda de um dos poucos homens dignos que ainda havia neste país.

18 de fevereiro de 2010

Desculpas. As de sempre.

Pois é, começo de ano é sempre a lesma lerda. A gente acha que vai estar com tudo preparadinho, já que "teve tempo nas férias" e, quando percebe, tudo está por se fazer. Nem a papelada do imposto de renda eu separei, e na hora H vai ser a correria costumeira. O mesmo se deu com o material das aulas, que até estava pronto, mas muita coisa teve que ser alterada às vésperas do início por conta das coisas de sempre que cercam a burocracia acadêmica. Em outros termos: a ladainha costumeira. Mas tudo começa mesmo pra valer a partir de hoje. Quer dizer, na próxima segunda-feira, já que, neste país, "ninguém é de ferro". Se bem que, com as chuvas que caíram, até os mais resistentes devem ter enferrujado. Claro, o calor continua, para júbilo dos friorentos e dos extrema e doentiamente magros. Para quem não veio do Senegal, contudo...

Em tempo: o mundo em que vivemos está mais e mais sem graça. Imaginem se seria possível, hoje, uma marchinha do tipo "Alá laô ô ô ô ô ô ô". No mínimo a turma da censura ia implicar com o "desrespeito aos símbolos sagrados de outra cultura". E olhem que nem citei as "Touradas de Madri". Se não fosse uma desgraça, seria hilariante. E nem por isso deixamos, todos, de ser extremamente preconceituosos. Aliás, as intolerâncias mais e mais têm aumentado em número e intensidade.

12 de fevereiro de 2010

Bom humor

A única coisa boa do Carnaval, que era poder dormir até não mais poder, até isso me foi vedado, e não por conselho médico.
Para completar, esse calor que teima em aqui ficar.
E ainda me perguntam o porquê de meu humor peculiar.