28 de fevereiro de 2010

Minuto de silêncio para José Mindlin

O dono deste blogue lamenta profundamente a perda de um dos poucos homens dignos que ainda havia neste país.

18 de fevereiro de 2010

Desculpas. As de sempre.

Pois é, começo de ano é sempre a lesma lerda. A gente acha que vai estar com tudo preparadinho, já que "teve tempo nas férias" e, quando percebe, tudo está por se fazer. Nem a papelada do imposto de renda eu separei, e na hora H vai ser a correria costumeira. O mesmo se deu com o material das aulas, que até estava pronto, mas muita coisa teve que ser alterada às vésperas do início por conta das coisas de sempre que cercam a burocracia acadêmica. Em outros termos: a ladainha costumeira. Mas tudo começa mesmo pra valer a partir de hoje. Quer dizer, na próxima segunda-feira, já que, neste país, "ninguém é de ferro". Se bem que, com as chuvas que caíram, até os mais resistentes devem ter enferrujado. Claro, o calor continua, para júbilo dos friorentos e dos extrema e doentiamente magros. Para quem não veio do Senegal, contudo...

Em tempo: o mundo em que vivemos está mais e mais sem graça. Imaginem se seria possível, hoje, uma marchinha do tipo "Alá laô ô ô ô ô ô ô". No mínimo a turma da censura ia implicar com o "desrespeito aos símbolos sagrados de outra cultura". E olhem que nem citei as "Touradas de Madri". Se não fosse uma desgraça, seria hilariante. E nem por isso deixamos, todos, de ser extremamente preconceituosos. Aliás, as intolerâncias mais e mais têm aumentado em número e intensidade.

12 de fevereiro de 2010

Bom humor

A única coisa boa do Carnaval, que era poder dormir até não mais poder, até isso me foi vedado, e não por conselho médico.
Para completar, esse calor que teima em aqui ficar.
E ainda me perguntam o porquê de meu humor peculiar.

31 de janeiro de 2010

Quase de volta

Sumi, sim. Trabalho até o tampo. Mas aos poucos volto. Até porque amanhã recomeça a temporada no inferno.

16 de janeiro de 2010

Senso prático

Costumo separar as pessoas em duas categorias: as que veem graça no meu (mau) humor peculiar, e as imbecis.

13 de janeiro de 2010

Das datas comemorativas

Pois ontem completei 4,8 décadas de existência atribulada e atrapalhada. Recebi os cumprimentos de praxe, de gente que gosta de mim, de quem não gosta muito e de quem mais ou menos me suporta. Retribuí com as tiradas usuais, as que tratam da decrepitude, da queda inevitável de cabelos e outras coisas de maior importância etc. Dá pra dizer que a separação entre as pessoas inteligentes e as demais se faz no grau de escândalo que minhas declarações ainda possam provocar, o que se dá em escala inversamente proporcional. Mas o que dizer das sensações que a idade provecta me trouxe? No fundo e no raso, sente-se aos 48 a mesma coisa que sentimos ao completar 40: a percepção do início da derrocada, de que nos salvamos aqui e ali pelas ínfimas alegrias que algumas poucas pessoas queridas ainda conseguem nos trazer, o que não é pouco, dado o imenso mar de desgraças cotidianas. O restante a gente vai chutando enquanto pudermos.

1 de janeiro de 2010

2010

Não quero estragar a festa de ninguém, mas este ano promete ser o começo de uma série de períodos desastrosos. Esperem 2014 e 2016 pra ver se eu não estou certo. Claro, espero não viver pra comprovar isso...

25 de dezembro de 2009

É verdade

É verdade que eu podia morar nas áreas que alagaram; é verdade que eu podia passar fome e sede e frio debaixo de um viaduto qualquer; é verdade que eu podia estar há dias sem banho, vestindo roupas rotas e sujas e fétidas; é verdade que eu podia ganhar a vida expondo minhas chagas e aleijões numa calçada do centro da cidade; é verdade que eu podia ter sido órfão e passado necessidades e privações de todos os tipos; é verdade que eu podia ser beneficiário de uma bolsa-qualquer e, assim, ser eleitor do farsante do Lula ou de seus candidatos; é verdade que eu podia não ter estudado em universidade pública e, no máximo, ter me formado numa dessas uniqualquer coisa. Tudo podia ser verdade, mas não é. Nem por isso me sinto desprovido do direito de ser infeliz, de ter minhas tristezas, minhas angústias e minhas frustrações miúdas de classe mé(r)dia. Como se apenas os pobres, negros e fudidos pudessem reclamar do que a vida não lhes deu. Como se a tristeza fosse propriedade privada dos que de quase tudo foram privados. Essa demagogiazinha, ela sim, me cansa profundamente.
Um bom 2010, se ainda for possível.

15 de dezembro de 2009

Rápida outra vez

O que me espanta na dita intelectualidade brasileira é sua capacidade quase insana de se deixar levar por ídolos de barro, ou melhor, de graxa. Isso, a maioria. Os demais se locupletam.

5 de dezembro de 2009

Desastres

Para não perder o costume, desastres cometidos a granel. Falta-me o senso da medida e do ridículo. Verdade é que a idade pesa mais que saco de arroz de cinco quilos depois de quinze andares subindo pelas escadas. Mas eu sempre tive comigo essa condição exagerada, hiperbólica e apaixonada. Doença de que tento me curar com doses cavalares de observações amargas, tiradas irônicas, olhares cínicos e ceticismo sob as unhas. A régua da descrença se faz com toneladas de uma fé no que não pode ser. Nem todo mundo pode ter aquilo que deseja. Na verdade, quase ninguém. E o que nos move senão essa ilusão no porvir? Estou vivo, decerto. Mas há tempos que isso não me serve de consolo. Face a isso, pouco resta, senão o sono. E que ele não demore a vir e a me levar.

1 de dezembro de 2009

Adendo

Que tempos esses os nossos nos quais temos de explicar TUDO o que dizemos... O próximo passo, como dizem por aí, é começar a desenhar, já que ninguém é capaz de fazer uma abstraçãozinha que seja.
Você tem dinheiro para comprar um celular. Um bom celular. Desses que tiram foto, tocam MP3, filmam, levam o cachorro pra passear etc. Mas o que você queria mesmo era aquele outro, que faz as mesmas coisas mas manda e recebe e-mails, permite navegação na internet, lava, passa e cozinha. E custa três vezes mais. O que você, pessoa sensata, faz? Gasta o que não tem para ter o aparelho mais moderno só para descobrir que não tem a menor condição de mantê-lo. O mesmo vale para outras situações assemelhadas: carro, cargo político, lugar para morar, emprego e por aí afora.
Isso tudo para deixar claro que este que aqui escreve mente (no sentido literário) o tempo todo, e que nada aqu deve ser levado de forma tão explícita quanto algumas pessoas fizeram.
Aguardem cenas do próximo capítulo.

28 de novembro de 2009

Pensamentos desconexos

- Sabe aquela sua colega de trabalho que até que é bonita, mas tem aquele algo menos que estraga tudo? E aquela outra que é linda, é quase perfeita, mas não tem o menor interesse em você? Pois é.
- Olha, esse negócio de paixão, quando pega, derruba o sujeito, por mais marrudo que ele queira ser ou parecer. Se você estiver achando que vai cair nessa, saia correndo. Ou fique e aproveite. As consequências não se farão tardar.
- Está chegando a época em que toda a humanidade parece se irmanar numa única atitude hipócrita: acreditar na bondade alheia. E, sobretudo, sorrir, ainda que sua dor venha de uma cólica renal.
- O que dezoito anos trabalhando como professor me ensinaram foi que... deixa pra lá, para que enfrentar um processo nessa altura da vida?
- Alguém pode me dizer por que diabos, neste país, desenho animado TEM DE SER destinado ao público infantil, ainda que não obrigatoriamente o seja? Trocando em miúdos: por que os distribuidores idiotas (pleonasmo, eu sei) só enfiam cópias dubladas desse gênero? Se ainda fossem boas dublagens, mas nem isso. Claro, a taxa de analfabetismo é de tal ordem que, daqui a pouco, vamos ficar como os norte-americanos, que também não sabem assistir a filmes com legendas.
- Até dezembro.

P.S.: antes que os(as) apressadinhos tirem conclusões apressadas, reitero: tudo aqui é mentira.

27 de novembro de 2009

Não acredito

Ao fim, o que resta é apenas uma carreira de frustrações, becos sem saída, decisões equivocadas, pequenas ruínas de uma existência medíocre. Enquanto isso, mais uma vez, o sol cozinha consciências na rua barulhenta.

21 de novembro de 2009

Uma notícia nova, por favor!

- Nunca na história deste país caminhamos tão decididamente para a abertura de um fosso social em que serão atirados todos os que discordarem do pensamento imposto pelos que se apoderaram do Estado. Mais ou menos como os nazistas faziam com os corpos dos judeus que eram massacrados nos campos de concentração. Qualquer semelhança não é banal coincidência.
- Sinto pelos que acreditam nisto que aí está - muitos, inclusive, gente pela qual nutro admiração -, mas não tenho como acreditar na propaganda oficial de um país melhor. Onde, cara pálida? Para os amigos do poder, até pode ser; para os que se opõem (de verdade, não essa mentirinha que chamam de "oposição", ela própria comprometida com o esgoto da politicalha), os restos - e talvez nem isso.
- Justiça? É de chorar encontrar quem ainda tenha alguma esperança nela. Ela não existe, nunca existiu e, quando dá as caras, é apenas para proteger os poderosos, os que podem pagar para advogados chicaneiros extorquir suas vítimas em processos insanos, os que compram juízes para emissão de sentenças favoráveis. A censura, que nunca morreu, está aí de volta para provar isso.
- Consciência negra? Ok, não nego a necessidade disso. Mas digamos, em tese, que alguém proponha um dia da "consciência oriental". Isso receberá a pecha de "manifestação racista"? Serei (mais) discriminado nas ruas? Terei de usar burka? Ou, pior: teremos festividades nas quais vocês verão a "verdadeira manifestação da arte e da sabedoria oriental" etc. etc.? O próximo passo é exigir cotas para os orientais em novelas, publicidade e nas universidades. E não venham me dizer que "com vocês foi diferente", porque não foi e não é.
- E vocês ainda me vêm falar nas previsões maias do fim do mundo? Começa que, se os oráculos daquela civilização fossem tão bons assim, teriam previsto sua própria destruição. Depois, para que prever o que é mais do que óbvio? Nós, que trazemos embutido germe de nossa condição predadora, não deixaremos senão nossos prédios, nossas conquistas tecnológicas, tudo apodrecendo, entregue às baratas. Mas eu nem preciso ser feiticeiro ou o escambau para "prever" isso...

18 de novembro de 2009

Rotinas rotineiras

Sempre que acontece algo que possa me suscitar esperança na humanidade logo aparece outro fato que nega de forma radical qualquer abertura para isso. É por isso que sempre digo: jamais deixem de ter fé no potencial humano de sempre poder ser mais e mais pior.

O problema de ficar velho é que tudo o que antes era motivo de prazer passa a ser razão para doenças e preocupações. Eu disse TUDO.

Eu devia arranjar emprego como consultor de recursos humanos. É botar o olho na figura para ver se ela presta ou não. Chamem isso de preconceito; eu chamo de faro para encrenca. Até agora não errei uma.

Alguém aí foi ver esse último filme-catástrofe que anda atraindo o público? Se pretendem ir, por favor, não me convidem. Só me avisem que é para eu riscar de vez seu(s) nome(s) da minha agenda. Obrigado.

14 de novembro de 2009

O fim

Este planeta vai mesmo terminar numa imensa bola de fogo, a se repetirem dias como o de hoje...

13 de novembro de 2009

Não deixem de ir!


O grande Marcelino Freire pediu, a gente divulga: olha, de 19 a 22 de novembro acontecerá a Balada Literária, já em sua quarta edição. Mesas-redondas, bate-papos, shows - tudo girando em torno dessa arte desprezada que é a literatura. Mais informações, incluindo a programação completa, você encontra clicando aqui.

12 de novembro de 2009

Os últimos acontecimentos

E o apagão, heim? Uma série de desastres um após o outro. Declarações contraditórias, explicações sem sustentação nos fatos e, ao fim, a culpa cabe a quem não tem como se defender - como, aliás, já é praxe no reinado lulopetista -: a natureza. A mesma desculpa usada pelo governo FHC, na época chamado de imprevidente, incompetente e outros adjetivos menos qualificados ainda. Sem entrar na defesa do governo do PSDB, é de se lamentar que nem mesmo no quesito "desculpa esfarrapada" os "cumpanhêiros" têm alguma originalidade. No fundo, no fundo, parece mesmo mais uma manifestação de inveja de Lula, que queria ter um apagão só dele. Afinal, por que só o FHC pode ter?

No rol das asneiras tupiniquins, o caso da moça de minissaia foi o melhor dessas últimas semanas. Ocorre que, em tempos como os nossos, de um maniqueísmo perturbador, dizer que a Uniban coroou a sua trajetória de "universidade" com algo que só poderia ser do feitio dela, significa, nos miolos da gentinha, que eu seria "defensor" da Geisy. Nada mais falso. Mesmo porque a moça tem seus próprios defensores, e não seria eu a pessoa mais qualificada para fazer isso. No entanto, é preciso dizer quantas vezes for necessário para que os trogloditas saiam de vez do cenário: qualquer que tenha sido a indumentária usada, e qualquer que tenha sido a atitude da moça, ficou claro que ela não incorreu em nenhum ato atentatório ao pudor, no sentido criminal do termo. E, ainda assim, nada, eu disse NADA justifica o comportamento de seus "colegas". Pior mesmo foi a decisão (depois revogada) de expulsar a aluna, após "deliberação do conselho universitário" (leia-se, decisão unilateral do dono da universidade). Em outras palavras, confirmou-se a máxima patriarcalista, muito típica nossa, por sinal, de atribuir a culpa do estupro ao "comportamento insinuante" da vítima, tornada ré. Justificar uma expulsão com esse tipo de "argumento" é assinar atestado de estupidez, de comportamento discriminatório. Trata-se de chocar mais uma vez o ovo da serpente. Começa assim, depois alcança outros setores. Hoje é a moça de comportamento "incondizente"; amanhã é o judeu, depois o negro, o oriental, o homossexual. De certo modo, aos olhos do discriminador, de preconceituoso, qualquer um pode ser inconveniente e, portanto, passível de punição, linchamento, estupro. Mas, sinceramente, nada disso me surpreende, vindo ou não da Uniban. Nem ela nem seus alunos são o problema; eles são apenas o sintoma.

6 de novembro de 2009

Poema

Na minha cabeça senil havia um poema antigo que tinha o mesmo nome do que foi postado aqui anteriormente. Não o achei, contudo, em meus arquivos desorganizados. Ainda assim, me é nítida a existência dele - Freud certamente explicaria... Fiquem, pois, com este outro, também de minha dileta predileção. Otimismo é comigo mesmo! (hehehe!)


"Não existe amor com final feliz"

A imagem em branco e preto me atormenta,
Nenhum beijo se despega do desejo
Urgente que traçaste com um giz:
Não existe amor com final feliz.

E ao fundo luzes gritam da agonia
Que se esmeram teus dedos em esmagar,
Ao som de uma canção que apenas diz:
Não existe amor com final feliz.

E mesmo quando sopram teus cabelos
Brisa de flores e vento de mar,
Tu te ocultas no ser que desdiz
O enlevo armado – sal de pesadelos,
História que arrancaste com raiz:
Não existe amor, nem final feliz.