23 de abril de 2008

Para vocês verem...

Ando tão assoberbado com meus problemas que sequer notei o terremoto que abalou São Paulo ontem. Terremoto? Que terremoto? Numa cidade como a nossa, onde ir de casa ao trabalho já é uma aventura épica, quem é que está ligando para uma porcariazinha de tremor de terra? Alguém morreu? Algum edifício desabou? Uma epidemia de tifo se espalhou pela metrópole? Não, nada. Somos um povo tão bunda que sequer temos o luxo dessas desgraças em grande escala. Para nós, componentes desta geléia malcheirosa, resta a comédia do linchamento moral e físico, a demagogia com o miserê alheio, as manifestações de solidariedade de tapinhas nas costas e missas campais. Terremoto? Oras, terremoto é tentar sobreviver honestamente neste país de sanguessugas e honrados fdps.

E vocês viram o padre voador? Sinceramente, quem se mete a uma aventura estúpida dessas, sem conhecimento algum, sem um mínimo controle das condições técnicas, sem saber sequer manejar um GPS, tem mais é que cair ao mar e por ele ser tragado. Não que o mar mereça isso, mas... Deus? Onde ele estava mesmo?

Vale dizer que hoje passei mal, mas ainda não morri. Torçam bastante vocês aí.

18 de abril de 2008

Feriado? Que feriado?

Eu devia fazer aqui uma lista das coisas que não fiz, dos filmes a que não assisti, dos livros que não pude ler, das pessoas queridas que não visitei, enfim, dos pequenos prazeres que tornam a vida menos insuportável. Desisti, é óbvio, para não cair numa depressão ainda maior. Enquanto isso, la nave va...

Mas nem tudo se resume a pequenas desgraças: há as enormes, mas essas nem preciso listar, já que aparecem nas manchetes dos jornais diários. De mim, creio que finalmente cheguei a uma decisão, não sei se equivocada (mas penso que não), sobre os rumos, por assim dizer, profissionais. Vou tentar viver um pouco. Só isso. Ou tudo, vai saber.

16 de abril de 2008

...

Vocês me desculpem, mas viver é um luxo ao qual não posso me dar nos últimos meses.

8 de abril de 2008

Outra novidade desinteressante

E eu que achava que nunca iria trabalhar na editora Abril... Quem diria! Ok, não é exatamente onde eu queria (na Playboy, como fotógrafo...rsrs), mas não vou dizer que é o pior dos mundos. Mas... e agora, pra que lado da encruzilhada eu devo seguir?

2 de abril de 2008

Liquidação

À primeira motivação para a vida, o sexo, o mundo do capital criou outro, o dinheiro. E ambos nunca mais se separaram.

31 de março de 2008

Notícias do front

É assim:
- acho que vou fazer doutorado. Não sei se no semestre que vem ou em 2009. Mas vou fazer.
- mandei algumas de minhas narrativas para uma coletânea que a Marília (do Micrópolis) está organizando. Espero que o projeto se concretize.
- fiz minha inscrição para o congresso da Abralic. Agora é torcer para ser aceito.
- de quebra, muito trabalho. Grana que é bom, ainda não é o suficiente para me salvar da bancarrota, mas já ajuda a não me afogar. Por enquanto.

E teve a comemoração pelos 20 anos do "renascimento" da Editora da USP. Um encontro memorável, ainda mais com o lançamento do milésimo título, o volume Épicos da coleção "Multiclássicos". Cumprimentos ao Plínio e ao Ivan Teixeira.

19 de março de 2008

Mais frases rápidas

- Se você acha que está ruim é porque não esperou o suficiente.
- Toda grande novidade nada mais é que o mesmo velho filme reprisado. Só mudam os efeitos especiais.
- Até gostaria de demonstrar mais compaixão, mas meu nojo supera tudo.
- O problema da juventude é que ela acha que vai durar para sempre.

17 de março de 2008

Para não esquecer

Já disse isso aqui mesmo e repito: jamais, nunca, em hipótese alguma subestime a estupidez alheia.

15 de março de 2008

Para fechar a semana

Se pensamento positivo resolvesse alguma coisa, o Flamengo e o Corínthians ganhariam todos os jogos que disputassem. E se pensamento negativo fosse tão decisivo quanto dizem que é, este país já deveria ter afundado num oceano de merda. Ok, está quase, mas ainda dá pra botar o nariz pra fora e respirar de vez em quando...

12 de março de 2008

Argumento estúpido

Frase lapidar entreouvida em meio à balbúrdia:
- Pois eu, quando alguém diz que não acredita em Deus, respondo sempre "que pena, porque Ele acredita em você!"
É possível argumentar com gente que acha algum sentido nessa besteira?

Em tempo: acho engraçado dizerem que os ateus são intolerantes com quem tem fé numa divindade, quando o mais comum é o contrário. Creio que excessos há de ambos os lados, mas recuso-me a aceitar que apenas "nós" sejamos a parte intransigente da pendenga. No fundo, o problema maior nem é com o dono do armazém, mas com os intermediários...

11 de março de 2008

Restos

... Mas a verdade (supondo que ela exista) é que me cansei desta vida. E duvido que alguém me convença de que algo ainda valha a pena de ver o sol nascer a cada dia, e a cada dia você se dar conta que as portas mais e mais se fecham.

5 de março de 2008

Frase rápida

Deus não existe, e as impressoras quebram justamente quando você mais precisa delas.

29 de fevereiro de 2008

O que não foi

(para MC, G e, principalmente, JM)

Certos amores só são eternos porque nunca se concretizaram.
O que ela e eu poderíamos ter sido talvez fosse apenas algumas horas na cama, quem sabe um cinema e um jantar, e o desprezo mútuo do instante depois. Melhor assim, cada qual com a lembrança do que nunca foi, das mãos que nunca se tocaram, dos corpos que nunca se conheceram, dos lábios que nunca se beijaram. Melhor apenas uma fotografia que ficou, com sorrisos que jamais se apagarão, memória daquilo que não viveremos em época alguma, mas que foi bom, assim, simplesmente.

28 de fevereiro de 2008

Dos tempos que nunca foram

O regime de escravidão nunca deixou de existir. Somente mudou de forma, mas a essência permanece a mesma.

22 de fevereiro de 2008

De ilusão também se vive

Diálogo real entre mim e um rapaz que me parou na rua:
- Oi, tio, pode me ajudar com um real?
- Pra começo de conversa, tio é a puta que te pariu. E pra que você quer um real?
- Não tá vendo? Entrei na faculdade!
De fato, eu havia visto. Cabelos picotados, pintados de roxo, amarelo, azul e fúcsia. Sem camisa. Um pouco mais e pareceria destaque de escola de samba. Espinhas no rosto, para completar o estereótipo.
- E qual o motivo de tanta alegria?, perguntei, olhando em torno e vendo a garotada esbanjando felicidade e hormônios por todos os poros.
-Ué, entramos na faculdade, tio! Entramos!
-Tá, você já disse isso. Mas eu pergunto de novo: e essa festa toda, é a propósito de quê?
Ele me olhou incrédulo. Olharia mais, se tivesse noção do que significa "incrédulo", mas não era o caso. Voltei a dizer:
- Vamos fazer o seguinte: se você me convencer que essa alegria toda tem razão de ser, te dou dez reais, pode ser?
O rapaz forçou os neurônios calculando quantas cervejas isso daria.
-Tá, concordou, emendando a seguir: então, entrar na faculdade é uma realização de vida, não é?
-Por quê?
-Ah, vou ter uma profissão, ganhar dinheiro, fortuna, essas coisas...
-Com a faculdade?
-É.
-E em qual faculdade você entrou.
E ele me disse o nome da instituição. Uma dessas "uni-qualquer coisa". Talvez nem isso.
-Sei, Você vai ficar dois, três anos pagando todo mês pra sair com uma profissão?
-É, mais ou menos.
-Como assim?
-Não, depois tem que batalhar pra arrumar o emprego, a concorrência tá brava, mas eu sei que vou ter condições de estar mostrando todo meu potencial mais pra frente.
-Quando?
-Durante a faculdade, no estágio, não sei.
-Então deixa eu ver se entendi. Você vai fazer um curso, pagar caro por ele, não ter garantia alguma que isso vai trazer alguma vantagem real em sua vida, mas acredita que isso vai te dar uma chance maior de "vencer na vida", é isso?
Ele balançou a cabeça colorida, não sei se concordando ou por mero reflexo.
-Daí você acredita que, neste mundo em que vivemos, as oportunidades aparecem para aqueles que se esforçam mais, ou são mais espertos, ou mais inteligentes, ou mais alguma coisa? Então deixa eu te dizer uma coisinha: este mundo só dá alguma coisa se receber algo em troca, e não é pouca coisa. Você vai ter de dar seu tempo, seu fiapo de algo que você imagina ser felicidade, sua dignidade e, se perigar, até mesmo sua bunda. Isso pra não passar fome. Se quiser tudo o que você está imaginando pra você, nem precisa fazer faculdade. Seja só um filho da puta, mas daqueles bons, capazes de fuder a mãe se precisar. Venda-se. A indecência é um princípio básico para a sobrevivência.
Continuei:
-Eu não sei de onde vocês tiraram essa idéia de que entrar na faculdade é motivo de alegria. Ok, você entrou. E o que vai fazer disso? Pendurar na parede? No pescoço? Digamos que você consiga terminar o curso sem entrar na lista de inadimplentes. E depois? Vai virar empregado? Vai abrir uma empresa? Qual vai ser sua opção? Ser fodido ou foder o outro? Não importa, já que você vai desenvolver uma úlcera, talvez um câncer, vai casar com uma mulher linda que logo vai virar uma baranga chata, depois vai ser chifrado e vai chifrar, vai gastar uma grana com prostitutas até ficar impotente por causa da próstata. Aí você vai poder parar e dizer: "Minha vida é um sucesso!"
O bom dessa história toda é que gastei os tais dez reais comprando uma tapioca na barraquinha da esquina. Não, não tenho cartão corporativo. Nem eu consigo ser tão f.d.p assim...

18 de fevereiro de 2008

Mas...

... o fato é que não estou encontrando tempo nem para engolir a saliva (sim, porque sou uma pessoa muito fina e não saio por aí cuspindo).

Segundona...

Não, não estou me referindo ao Corínthians...

12 de fevereiro de 2008

Novidades antigas

Para quem ainda se interessa pelo que eu escrevo, foram publicados alguns textos meus no site da CULT (link ao lado, please!). Um a respeito de MPB, na verdade um esboço de artigo pseudo-acadêmico sobre os paralelos entre os últimos 50 anos de História do Brasil e os (des)caminhos da música popular brasileira. O outro está no Blog da Redação: uma resenha minúscula sobre um livro que trata de livros. Boa leitura!

Para não deixar a peteca cair

Se pareceu a alguém que no post anterior eu fui tomado por alguma espécie de vírus de otimismo, esqueçam. Sinceramente mesmo, não acho que vá melhorar coisa alguma. Acho que escrevi aquilo sob a influência do cachorro-quente que comi numa lanchonete infecta no metrô Barra Funda... Vou ali tomar um sal de frutas e já volto.