13 de abril de 2010

Pensamentos desconexos

- Reparei que a quantidade de malucos à solta por aí tem aumentado de maneira exponencial. Quando eu digo "malucos" estou me referindo a gente sem a menor capacidade de conviver socialmente - gente como eu, por exemplo. Eu sabia que essa onda deo politicamente correto ia dar em desastre. Como agora ninguém mais é doido, ficam todos soltos por aí até um deles matar alguém ou agredir desavisados com tacos de beisebol.
- Um dos tipos de gente que detesto consiste na figura escorregadia, que nunca tem opinião a respeito de nada, muito pelo contrário, e sempre fica à espera de uma brecha sua para usar seus argumentos contra você. São pessoas de muito sorriso e nenhum juízo. Se vir uma pela frente, fuja.
- Eu ia publicar um poema hoje, homenagem singela a uma amiga muito querida. Deu preguiça, fica pra outro dia.

10 de abril de 2010

Sabedorias sem sal - 2

- Não existe um sentimento de amor que não tenha como resposta um pé na bunda ou um coice na cara. Ou ambos.
- Entre um sanduíche ruim mas que mata a fome e um repasto de alta gastronomia que só pode ser contemplado pela vitrine, melhor o primeiro - ainda que a azia não tarde a se manifestar.
- Esquecer é a coisa mais fácil do mundo se você não tiver o menor interesse na coisa em si.
- Na impossibilidade de ganhar o jogo, mude as regras. Esta é uma máxima que o jogo político atual só faz confirmar.

4 de abril de 2010

Poema

Era para ser postado na quinta-feira, mas a vida anda muito corrida...

"Das afinidades"

para M.

O que separa o rio do mar que ruge
É da mesma substância que em nós mata
Seja o caldo do espírito, seja o sal
Dos corpos após o amor, suor, refluxo.

No dentro de nós a escuridão vem
E oscila entre quereres desfolhados
Ao claro nossos rostos - sós - revelam
Um sol gelado e dedos descuidados.

E o que de ti me emana - um amor
De farpas e trilhas acidentadas
Reflui em acres lagos e folhagens

Ácidas - fruto verde de futuros
Obscuros, mas plenos de ventos prenhes
Repousos, sono sob o lodo e o limo.

29 de março de 2010

Poema

"Do hedonismo"

para M.

Que assim queiramos, ao menos no calor
Dos humores que na penumbra trocamos,
É líquido desvão nos caminhos que desenhamos
Com giz e carvão sobre o solo seco.
Breve é nosso existir - isso não se nega -
E nao há flor que não se despetale
E sob a terra não apodreça, é regra.
Mas o humano desafio se interpõe
Ante as estrelas e o sal que nos come
Carne, sangue e alguma coisa insentida.
E por mais que assaz queiramos, a fresta
De um sentir perene ali se planta
A deitar raiz, corpo e frutos
De um sabor que sabemos ser amargo
(E nem por isso sequer recuamos).

23 de março de 2010

Novas

Ah, tenho novidades, sim. Pena que elas não interessam a ninguém, a não ser a mim, e olhe lá.

22 de março de 2010

Começa tudo de novo

Sabe aquelas ocasiões em que você tem vontade de ser gentil com as pessoas, achar que um dia de sol é maravilhoso, que tudo é belo e que você precisa abraçar as pessoas com quem você se relaciona? Pois é: não vai ser hoje. Nem tampouco amanhã.

19 de março de 2010

Jamais seja sincero

Das inúmeras coisas que detesto além de quiabo e miúdos: pessoas que acham que a sinceridade é uma virtude. Não é. Como eu já disse aqui, vá tentar ser sincero com essa gente. No mínimo você vai levar uma pedrada.

6 de março de 2010

Gente feliz

Sexta-feira de manhã. Parei para tomar um café numa loja de uma grande rede de supermercados. Fui fazer o pedido, mas o caixa do setor ainda não abrira. "Moço, o senhor vai lá no caixa normal, paga e faz o pedido aqui, depois." Vi a fila dos idosos (sim, porque idoso é o ser mais madrugador que existe. Antes das galinhas acordarem, lá estão eles nos pontos de ônibus, nos supermercados e nos cafés.) no único caixa que funcionava, suspirei, já prevendo aonde essa história iria me levar, mas pensei que naquele dia poderia haver uma exceção. Com a demora de praxe, chegou minha vez, pedi um café e um pão de queijo. A atendente: "Fulano, cadê a lista de códigos do café?" O outro: "Não sei, aqui não está!" E a fila atrás de mim aumentando. E lá se foi a moça a procurar. Pergunta daqui, fala com a encarregada dali. Depois de um tempo, e após todo mundo que me segui ter desistido de pagar suas compras ali, diz a moça: "Olha, senhor, faça o pedido direito no café e depois você acerta lá mesmo, quando eles abrirem o caixa deles." Já havia desistido mesmo, mas segui adiante, só pra ver se a coisa chegava aonde eu imaginara. Fiz o pedido. O rapaz do café - depois de ter atendido uma senhora, evidentemente freguesa habitual - olhou pra mim e meio que bradou: "O caixa está fechado, o senhor tem que fazer o pedido nos caixas normais!" Respondi: "Acabei de vir de lá e me mandaram vir aqui. Eles perderam a ficha com os códigos." "Não, está com eles! Aqui não ficou!" Um diálogo non sense às 6 da manhã era tudo de que eu precisava para deixar meu dia feliz. Nem preciso dizer como terminou, preciso? Achei melhor tomar o bendito café no balcão da padaria mesmo. Apertado, desconfortável, sem nenhum sossego, mas pelo menos já sabendo que, naquele lugar, ninguém fica alardeando uma alegria que não tem como existir. Não aqui, não agora. Talvez nunca.

28 de fevereiro de 2010

Minuto de silêncio para José Mindlin

O dono deste blogue lamenta profundamente a perda de um dos poucos homens dignos que ainda havia neste país.

18 de fevereiro de 2010

Desculpas. As de sempre.

Pois é, começo de ano é sempre a lesma lerda. A gente acha que vai estar com tudo preparadinho, já que "teve tempo nas férias" e, quando percebe, tudo está por se fazer. Nem a papelada do imposto de renda eu separei, e na hora H vai ser a correria costumeira. O mesmo se deu com o material das aulas, que até estava pronto, mas muita coisa teve que ser alterada às vésperas do início por conta das coisas de sempre que cercam a burocracia acadêmica. Em outros termos: a ladainha costumeira. Mas tudo começa mesmo pra valer a partir de hoje. Quer dizer, na próxima segunda-feira, já que, neste país, "ninguém é de ferro". Se bem que, com as chuvas que caíram, até os mais resistentes devem ter enferrujado. Claro, o calor continua, para júbilo dos friorentos e dos extrema e doentiamente magros. Para quem não veio do Senegal, contudo...

Em tempo: o mundo em que vivemos está mais e mais sem graça. Imaginem se seria possível, hoje, uma marchinha do tipo "Alá laô ô ô ô ô ô ô". No mínimo a turma da censura ia implicar com o "desrespeito aos símbolos sagrados de outra cultura". E olhem que nem citei as "Touradas de Madri". Se não fosse uma desgraça, seria hilariante. E nem por isso deixamos, todos, de ser extremamente preconceituosos. Aliás, as intolerâncias mais e mais têm aumentado em número e intensidade.

12 de fevereiro de 2010

Bom humor

A única coisa boa do Carnaval, que era poder dormir até não mais poder, até isso me foi vedado, e não por conselho médico.
Para completar, esse calor que teima em aqui ficar.
E ainda me perguntam o porquê de meu humor peculiar.

31 de janeiro de 2010

Quase de volta

Sumi, sim. Trabalho até o tampo. Mas aos poucos volto. Até porque amanhã recomeça a temporada no inferno.

16 de janeiro de 2010

Senso prático

Costumo separar as pessoas em duas categorias: as que veem graça no meu (mau) humor peculiar, e as imbecis.

13 de janeiro de 2010

Das datas comemorativas

Pois ontem completei 4,8 décadas de existência atribulada e atrapalhada. Recebi os cumprimentos de praxe, de gente que gosta de mim, de quem não gosta muito e de quem mais ou menos me suporta. Retribuí com as tiradas usuais, as que tratam da decrepitude, da queda inevitável de cabelos e outras coisas de maior importância etc. Dá pra dizer que a separação entre as pessoas inteligentes e as demais se faz no grau de escândalo que minhas declarações ainda possam provocar, o que se dá em escala inversamente proporcional. Mas o que dizer das sensações que a idade provecta me trouxe? No fundo e no raso, sente-se aos 48 a mesma coisa que sentimos ao completar 40: a percepção do início da derrocada, de que nos salvamos aqui e ali pelas ínfimas alegrias que algumas poucas pessoas queridas ainda conseguem nos trazer, o que não é pouco, dado o imenso mar de desgraças cotidianas. O restante a gente vai chutando enquanto pudermos.

1 de janeiro de 2010

2010

Não quero estragar a festa de ninguém, mas este ano promete ser o começo de uma série de períodos desastrosos. Esperem 2014 e 2016 pra ver se eu não estou certo. Claro, espero não viver pra comprovar isso...

25 de dezembro de 2009

É verdade

É verdade que eu podia morar nas áreas que alagaram; é verdade que eu podia passar fome e sede e frio debaixo de um viaduto qualquer; é verdade que eu podia estar há dias sem banho, vestindo roupas rotas e sujas e fétidas; é verdade que eu podia ganhar a vida expondo minhas chagas e aleijões numa calçada do centro da cidade; é verdade que eu podia ter sido órfão e passado necessidades e privações de todos os tipos; é verdade que eu podia ser beneficiário de uma bolsa-qualquer e, assim, ser eleitor do farsante do Lula ou de seus candidatos; é verdade que eu podia não ter estudado em universidade pública e, no máximo, ter me formado numa dessas uniqualquer coisa. Tudo podia ser verdade, mas não é. Nem por isso me sinto desprovido do direito de ser infeliz, de ter minhas tristezas, minhas angústias e minhas frustrações miúdas de classe mé(r)dia. Como se apenas os pobres, negros e fudidos pudessem reclamar do que a vida não lhes deu. Como se a tristeza fosse propriedade privada dos que de quase tudo foram privados. Essa demagogiazinha, ela sim, me cansa profundamente.
Um bom 2010, se ainda for possível.

15 de dezembro de 2009

Rápida outra vez

O que me espanta na dita intelectualidade brasileira é sua capacidade quase insana de se deixar levar por ídolos de barro, ou melhor, de graxa. Isso, a maioria. Os demais se locupletam.

5 de dezembro de 2009

Desastres

Para não perder o costume, desastres cometidos a granel. Falta-me o senso da medida e do ridículo. Verdade é que a idade pesa mais que saco de arroz de cinco quilos depois de quinze andares subindo pelas escadas. Mas eu sempre tive comigo essa condição exagerada, hiperbólica e apaixonada. Doença de que tento me curar com doses cavalares de observações amargas, tiradas irônicas, olhares cínicos e ceticismo sob as unhas. A régua da descrença se faz com toneladas de uma fé no que não pode ser. Nem todo mundo pode ter aquilo que deseja. Na verdade, quase ninguém. E o que nos move senão essa ilusão no porvir? Estou vivo, decerto. Mas há tempos que isso não me serve de consolo. Face a isso, pouco resta, senão o sono. E que ele não demore a vir e a me levar.

1 de dezembro de 2009

Adendo

Que tempos esses os nossos nos quais temos de explicar TUDO o que dizemos... O próximo passo, como dizem por aí, é começar a desenhar, já que ninguém é capaz de fazer uma abstraçãozinha que seja.
Você tem dinheiro para comprar um celular. Um bom celular. Desses que tiram foto, tocam MP3, filmam, levam o cachorro pra passear etc. Mas o que você queria mesmo era aquele outro, que faz as mesmas coisas mas manda e recebe e-mails, permite navegação na internet, lava, passa e cozinha. E custa três vezes mais. O que você, pessoa sensata, faz? Gasta o que não tem para ter o aparelho mais moderno só para descobrir que não tem a menor condição de mantê-lo. O mesmo vale para outras situações assemelhadas: carro, cargo político, lugar para morar, emprego e por aí afora.
Isso tudo para deixar claro que este que aqui escreve mente (no sentido literário) o tempo todo, e que nada aqu deve ser levado de forma tão explícita quanto algumas pessoas fizeram.
Aguardem cenas do próximo capítulo.