Olha, não quero estragar as festas de ninguém, mas alguém já parou para se dar conta do tsunami de coisas ruins que vem chegando? Não se trata nem mais de inflação, ou recessão. O que vem é uma depressão terrível, talvez pior que a de 1929, e que não vai deixar pedra sobre pedra. Há quem prefira fechar os olhos, fazer piadinhas com sapatos alheios, dizer que a gente "sifu" e depois dizer que não, mas que a coisa está e vai ficar brava, ah, não duvidem que vai.
Há alguns meses, quando a crise começou a explodir, este que vos escreve já dizia algo semelhante, embora torcesse para que nada daquilo se confirmasse. Mas não deu outra: por empáfia, imprudência ou incompetência, esse governo (sic) que aí está, que se diz tão diferente daquele que o antecedeu, nada fez para conter o impacto, que por ora não causou maiores estragos justamente porque copiou ou manteve tudo aquilo que já "estava lá": política econômica, políticas sociais etc. Com a desfaçatez de dizer que aquilo era criação dos gênios do partido. Agora já se vê que a blindagem não vai ser suficiente e que tempos ruins nos esperam. Será que nem assim as pessoas deste país irão acordar? Nosso passado histórico diz que não, que continuaremos pastando bovinamente, esperando que "o governo" nos resgate e nos coloque no caminho da salvação. Diante disso, nada resta a dizer senão... um feliz 2009!
Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
23 de dezembro de 2008
17 de dezembro de 2008
Melhor não...
Ainda bem que a semana está acabando e eu não vou mais precisar sair de casa até o início do ano que vem. Está cada vez mais difícil suportar as ruas cheias de gente. Aliás, tudo cheio de gente. Nem pro banheiro você pode mais ir sem ter de esperar na fila. Devem todos estar à procura do emprego que perderam com a crise, que o Lula chamou de "marolinha". Já estou vendo muitos esticando o pescoço pra não morrerem afogados. Boas festas? Ah, vão esperando!
13 de dezembro de 2008
Depende do ângulo
Tudo pode ser uma questão de ponto de vista: há quem diga que o otimista é aquele que vê oportunidade na crise, enquanto o pessimista vê na crise o início do abismo. Mas bem pode ser o oposto: o otimista é aquele que se recusa a acreditar que o poço tem fundo, ao passo que pessimista não apenas tem certeza de que há como vai demorar muito para se chegar lá só para aumentar a angústia e o desespero. Aqui, a lembrança da velha piada: se só tivermos merda para comer, o otimista vai erguer as mãos para o céu porque ao menos não vai morrer de fome; o pessimista dirá que não haverá merda para todo mundo... A visão corporativa tende a vender a imagem positiva do sujeito que não se deixa entregar e não se conforma com a situação. Mas quem disse que o pessimista se deixa levar pela inação? O bom pessimista é aquele que, já prevendo o pior, se prepara para isso e não se deixa surpreender pela desgraça (que virá, com certeza). Verdade é que, neste mundo do pensamento único, ninguém mais pode dizer nada negativo que se torna vítima de suspeitas de pertencer à "direita" e à "elite branca e conservadora". E assim vamos.
11 de dezembro de 2008
Sabedorias sem sal
Você sabe que está perto de morrer quando nada - absolutamente nada - causa espanto. Só tédio.
6 de dezembro de 2008
Reflexão irrefletida - 3
A melhor frase a respeito da relatividade do conceito de deus me foi dada pela Lúcia, lá da editora Saraiva: "Quando o paciente é curado da doença, os parentes todos dizem 'Graças a Deus!'; se o infeliz morre, a culpa é do médico incompetente que cuidou dele." Por que não pode ser o contrário? Outros dirão que ambas as ocorrências são fruto da vontade divina - no que, pelo menos, terão alguma coerência. Mas como eu já disse há tempos, "coerência é para as máquinas". Assim, sendo, voltamos ao velho problema de que a divindade foi erguida à nossa imagem e semelhança, e não o oposto, como dizem alguns textos sagrados. Digo isso porque, entre outras, depois de passar incólume por todas as viroses do ano, acabei de pegar uma, daquelas ótimas. Não tem nada a ver, mas é um excelente pretexto para afirmar, mais uma vez, uma de minhas descrenças básicas.
3 de dezembro de 2008
Receita para enlouquecer
Trabalhe, com necessidade de presença, em pelo menos dois lugares. Pegue três, quatro, cinco outros trabalhos eventuais para fazer em casa. Tente manter a vida afetiva, familiar e social. Vale a pena tentar terminar aquele livro. E escrever mais outros dois. Por fim, peça a uma amiga que faça um favor a você e torça para ela não fazer ou atrasar todos os prazos. O resultado não tardará a surgir. Sirva quente.
28 de novembro de 2008
Reflexão irrefletida - 2
Mesmo entre pessoas de meu relacionamento, espalha-se a praga da crença em deus. Em qualquer tipo de, embora o cristão seja o mais disseminado. As justificativas são várias, mas o denominador comum é a necessidade que os crentes têm de justificar o que ocorre com elas e com o mundo ao redor. "Tudo se explica por Deus" talvez fosse a frase mais adequada para atitudes assim. O que de bom ocorre é obra de Deus. O de ruim também, já que "Ele escreve por linhas tortas" e blábláblá... Se assim for, então a divindade não apenas é sádica, mas é gozadora. De um humor cruel, mas nem por isso desprovido de atributos. O que talvez mostre o quanto qualquer deus sempre está próximo da sociedade e do tempo que o criou e o venera. Tenho de dar o braço a torcer, nesse sentido. Deus existe, mas só como representação de nosso pensamento - como quase tudo que fazemos, alíás. Como somos incapazes, pela natureza autodestruidora que nos define, de fazer qualquer coisa que não seja em nosso próprio benefício, então a desgraça fica assim. De qualquer modo, sempre me decepciono quando pessoas inteligentes buscam na religião alívio para suas mazelas...
26 de novembro de 2008
Retificando
Não foi apenas um dia perdido: foi um fim de semana todo. E a saga continua... O que não fazemos por uns trocados...
21 de novembro de 2008
Arre!
Um dia perdido revisando um texto que ninguém vai ler. E se ler, não vai entender. (E do jeito que a coisa vai, estou quase entrando com uma denúncia na OIT contra trabalho escravo, ou quase.)
18 de novembro de 2008
Baladas no cérebro
Para que este blogue não deixe em branco: a partir desta quinta-feira, mais uma edição da Balada Literária, capitaneada pelo agitador cultural-mor Marcelino Freire. Prometo sair de minha habitual letargia e comparecer ao menos em alguns dos eventos. Mais informações, clique aqui.
13 de novembro de 2008
Acontece que...
Ok, Obama venceu as eleições, fato histórico em si por ser um negro (aliás, nem tanto assim, sejamos francos) que passará a habitar a Casa Branca. Mas, ao contrário do que imaginam os ingênuos e os tolos, não é isso que vai mudar alguma coisa - nem lá, e muito menos cá. Por sinal, a vitória de Obama confirma a tese do bode na sala: o essencial permanece o mesmo, mas o aroma melhorou bastante. Em outras palavras, entre Bush e Obama, não há termo de comparação. E, entre McCain (e sua candidata a vice, uma das figuras mais grotescas e hediondas a surgir no mundo político desde pelo menos Hitler) e Obama, o bom senso - matéria-prima escassa em nossos tempos - diria que o segundo tem menos chances de cometer um desastre. Ou, quem sabe, um desastre de menores proporções.
Fora isso, não vejo a razão de tanto entusiasmo. O cara vai governar os Estados Unidos, e tudo fará para defender os interesses da nação. A dele, não a nossa (a não ser que a sobrevivência deles dependa, de alguma maneira, da do Brasil). Não botem muita fé, porque, na hora H, não há dúvidas para que lado o barco vai virar. Agora, acreditar que o sujeito, por ser negro, vá mudar um milímetro a política e a economia daquele país, é ser tolo, demagogo ou um rematado filho-da-mãe. Façam suas apostas.
Fora isso, não vejo a razão de tanto entusiasmo. O cara vai governar os Estados Unidos, e tudo fará para defender os interesses da nação. A dele, não a nossa (a não ser que a sobrevivência deles dependa, de alguma maneira, da do Brasil). Não botem muita fé, porque, na hora H, não há dúvidas para que lado o barco vai virar. Agora, acreditar que o sujeito, por ser negro, vá mudar um milímetro a política e a economia daquele país, é ser tolo, demagogo ou um rematado filho-da-mãe. Façam suas apostas.
11 de novembro de 2008
Depois de muito tempo...
"Da consciência"
A madrugada é de sobressaltos:
Motos disparam tiros no meio dos sonhos
Gatos gemem sirenes cantam sua canção
De sílabas que nos rasgam a carne. A mulher grita
Na casa ao lado e, na dúvida, ficamos
Com a TV, a distância que nos aparta
A consicência de que é assim mesmo.
E a certidão de dormirmos sem rolar
Pela cama e pela sala - que mantemos
De luz acesa - olhos e ouvidos abertos -
E trancas de aço reforçadas.
A madrugada é de sobressaltos:
Motos disparam tiros no meio dos sonhos
Gatos gemem sirenes cantam sua canção
De sílabas que nos rasgam a carne. A mulher grita
Na casa ao lado e, na dúvida, ficamos
Com a TV, a distância que nos aparta
A consicência de que é assim mesmo.
E a certidão de dormirmos sem rolar
Pela cama e pela sala - que mantemos
De luz acesa - olhos e ouvidos abertos -
E trancas de aço reforçadas.
9 de novembro de 2008
Hoje é um bom dia para morrer
Lema klingon (de Jornada nas Estrelas) para abrir mais uma semana de trabalho insano e tormentas pessoais.
Mais uma pro caderno de promessas que não serão cumpridas: se eu me livrar dos trabalhos que tenho de entregar esta semana, juro que vou diminuir o ritmo, sob risco de cair morto na frente do computador ou sobre um livro que eu estiver revisando...
Tenho uns poemas que eu queria publicar aqui, mas vou deixar pra outro dia. Agora estou morrendo de sono.
Mais uma pro caderno de promessas que não serão cumpridas: se eu me livrar dos trabalhos que tenho de entregar esta semana, juro que vou diminuir o ritmo, sob risco de cair morto na frente do computador ou sobre um livro que eu estiver revisando...
Tenho uns poemas que eu queria publicar aqui, mas vou deixar pra outro dia. Agora estou morrendo de sono.
7 de novembro de 2008
A verdade é que...
...a velhice (ou maturidade, como queiram) é só aquele tempo e que você mais e mais se aproxima da possibilidade de morrer de repente. Não da forma mais besta, que isso é para os jovens. Mas não poder mais comer o que se deseja, beber o que apetece, dormir pouco etc. sem que isso cause desarranjos infindáveis. Ou, por nada, contrair uma doença idiota que vai dar cabo rapidinho de suas últimas ilusões. Envelhecer é isso.
4 de novembro de 2008
Recado
Olha, fui até ali e volto logo. Quer dizer, tão logo a necessidade de sobrevivência me permita.
28 de outubro de 2008
Não bastasse isso ainda tem mais aquilo...
O ano está horrível para todo mundo, eu sei. Quer dizer, quase todo mundo. Projetos abortados, iniciativas postas a pique, revistas fechadas, livros que não serão editados, e assim vamos. Tudo até seria suportável - dentro dos parâmetros da economia de mercado - se não fosse o império da canalhice. Imagine a situação: um dia você está ali, trabalhando duro por uma revista ou por uma editora. No outro dia, você chega para trabalhar e, como dizia a canção, encontra outro em seu lugar. Assim, sem mais essa. Sem telefonema, sem aviso prévio, sem um mísero e-mail. Que vem depois que você escreve um, pedindo explicações. E aí, segue o balaio de desculpas esfarrapadas, incluindo um "se eu soubesse que você tinha interesse em continuar conosco..." Ah, então tá. Era o caso de perguntar isso diretamente para mim, não? Se bem que, sejamos francos, isso nem passou pela cabeça da dona fulana e seu jeito tosco de administrar uma empresa. E, sem querer rogar praga, que eu nem acredito nisso, mas tudo indica que aquela publicação não dura muito mais. Pena, pois já foi uma das mais importantes em sua área. Agora nem sabe para que lado atira, e quando o faz, faz errado. Perde colaboradores, perde amigos e vai cavando sua cova no cemitério das revistas memoráveis. Eu disse memoráveis? Sim, mas não por seus últimos anos...
22 de outubro de 2008
Das aprendizagens
Duas ocasiões em que as pessoas se revelam como realmente são: dirigindo (automóvel, moto, tanto faz) e no dia-a-dia do trabalho. Na verdade, tem mais uma: quando entra dinheiro na jogada. Tirando isso, somos socialmente contidos em tudo. (Eu ia dizer "hipócritas", "falsos", coisas assim, mas, pensando direito, o que restaria da civilização - qualquer uma - se todos nos revelássemos como somos?)
20 de outubro de 2008
Rapidíssima
Do porquê eu não acreditar na humanidade (o que inclui, apesar dos paradoxos, os advogados, economistas, jornalistas, políticos, escritores paranóicos e professores)
Porque não.
Porque não.
17 de outubro de 2008
Ninguém aprende mesmo...
Algumas coisas nunca mudam:
- nasce um trouxa a cada segundo;
- ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia;
- só há duas certezas na vida: a de que vamos morrer e a de que alguém vai nos sacanear (frase que encabeça meu perfil orkuteano, e que devo à colaboração de meu colega de editora, Fernando);
- pior que cabeças de melancia só mesmo cobras criadas que não sobem escadas rolantes;
- não existe almoço grátis.
Tudo isso a propósito de uma campanha que tem mobilizado muita gente que ambiciona ter um serviço supostamente "de graça". E o povo ainda acredita nisso!
- nasce um trouxa a cada segundo;
- ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia;
- só há duas certezas na vida: a de que vamos morrer e a de que alguém vai nos sacanear (frase que encabeça meu perfil orkuteano, e que devo à colaboração de meu colega de editora, Fernando);
- pior que cabeças de melancia só mesmo cobras criadas que não sobem escadas rolantes;
- não existe almoço grátis.
Tudo isso a propósito de uma campanha que tem mobilizado muita gente que ambiciona ter um serviço supostamente "de graça". E o povo ainda acredita nisso!
14 de outubro de 2008
Small potatoes
A respeito do último lance da campanha de Marta Suplicy, o que se pode dizer? Trata-se, sem dúvida, de um golpe baixo. Tão baixo quanto os desferidos por seus ex-adversários, em disputas anteriores. Ou quanto o de Collor contra Lula, quando ambos disputaram a presidência da República. Mas como se sabe, pimenta nos olhos dos outros... E, para completar a infâmia, vem a candidata afirmar, com a maior candura, que "não sabia de nada", que isso é "decisão do marqueteiro". Ah, me engana que eu gosto!
O teor da embrulhada faz-me lembrar de um fato ocorrido já há algum tempo, quando um colega professor teria dito a seus alunos que ele era "o único professor heterossexual do curso" (confrontado, ele teria negado tudo, como de praxe). Cabe perguntar qual a relevância disso: a homossexualidade faria um professor (ou seja lá o que for) pior? Homossexuais seriam incompetentes para exercer cargos de qualquer natureza? Para muita gente que se diz progressista, nada como um pequeno confronto para fazer cair a máscara do recalque, do preconceituoso internalizado na figura pública de pessoa "da esquerda", cujo passatempo é sair por aí acusando os desafetos de pertencerem à "direita". Assim, até eu.
O teor da embrulhada faz-me lembrar de um fato ocorrido já há algum tempo, quando um colega professor teria dito a seus alunos que ele era "o único professor heterossexual do curso" (confrontado, ele teria negado tudo, como de praxe). Cabe perguntar qual a relevância disso: a homossexualidade faria um professor (ou seja lá o que for) pior? Homossexuais seriam incompetentes para exercer cargos de qualquer natureza? Para muita gente que se diz progressista, nada como um pequeno confronto para fazer cair a máscara do recalque, do preconceituoso internalizado na figura pública de pessoa "da esquerda", cujo passatempo é sair por aí acusando os desafetos de pertencerem à "direita". Assim, até eu.
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