22 de maio de 2009

Devo, não nego.

Estou escrevendo um poema que também não termina nunca. Mas, nesse caso, é falta de tempo mesmo.

Para não ficar em branco 4

Viver, já disse Riobaldo (Grande sertão: veredas), é muito perigoso. Ultimamente, entretanto, está ficando mais e mais complicado. E chato. Somos massacrados por imposições politicamente corretas, advogados chicaneiros, achacadores em geral, chantagistas, vendedores de bala e chiclete, administradores incompetentes, motoristas alucinados, governantes pessimamente intencionados, relacionamentos amorosos frustrados e/ou desastrosos, contas e mais contas, impostos de todos os tipos, invejosos, ciumentos, gente "fofa", bichinhos cor-de-rosa, acordos ortográficos, obrigações profissionais e acadêmicas, doenças, e a lista não teria fim se este escriba não a terminasse agora. Bem dizem que a existência é um oceano de provações e uma e outra ilhota de prazeres, mas pergunto: e quando seu existir se resume a um remar infindável num mar sem qualquer horizonte?

19 de maio de 2009

Sempre tem um mas...

Mas ela é tão bonita que até as luzes da cidade brilham mais quando ela aparece com seu sorriso de miríades e os olhos ligeiramente tristes. E não tem dia nem noite que eu não pense nela e queira me afogar naquela morena pele e de tudo esquecer. O amor é sempre uma forma de esquecimento, mesmo quando nele nos lembramos.

Pequenas observações cotidianas

- Não há paixão, amor ou qualquer sentimento semelhante que resista a uma joanete.
- Uma amiga observa que a profusão de malucos(as) aumenta exponencialmente. Eu replico dizendo que, na verdade, tudo é fruto da onda politicamente correta, que chama de preconceituoso os que colam no outro a tarja de "maluco(a)".
- Sim, estive e estou doente. Mas eu acho que se trata mesmo de fadiga do material.
- Vou começar um livro que começa assim: "Numa linda madrugada primaveril..." Do jeito que andam as coisas, ainda é capaz de eu ganhar um prêmio de originalidade.
- Sabe dono de perua tipo kombi e assemelhadas? Pois é, deviam prender todos e fuzilá-los pelo crime de extremo mau gosto e atentado à decência.
- O interesse das pessoas pela literatura, salvo raras exceções, é nenhum. Nada mais demonstrativo da miséria em que vivemos.

13 de maio de 2009

Cansaço

E uma faringite/amigdalite pra atazanar. De quebra, um resfriado, com direito ao pacote inteiro (coriza, leseira etc.). Fiz o de praxe: médico, farmácia. Por enquanto, o anti-inflamatório curou tudo, menos o probleminha na garganta. Mas acho que ainda não vai ser desta vez que vou morrer. Bom, mas vai saber, não é mesmo?

10 de maio de 2009

Um quase êxtase

A despeito do montão de coisas urgentes, uma parada pra assistir a Star Trek, que estreou na última sexta-feira. Ok, J.J.Abrams destrói Vulcano, mas o filme, per si, é muito bom. Para não ficar no mero impressionismo, posso dizer que o diretor conseguiu de fato realizar um misto bem temperado entre um filme para fãs e outro para quem não conhecia a série. As cenas de ação, tanto as humanas quanto as digitais, são de prender o fôlego. E, claro, a emoção de ver dois Spocks contracenando (Leonard Nimoy e Zachary Quinto) supera em muito a que tive em ver Kirk e Picard um mesmo filme. Os ortodoxos sempre terão motivos para criticar o que eles chamam de "heresias", mas mesmo isso, quer me parecer, ficou bem resolvido no roteiro. (Observação última: ver Jennifer Morrison, a dra. Cameron de House, no papel de mãe do Kirk já teria valido o ingresso...hehehe!)

8 de maio de 2009

Frases felizes

- Quem não tem nada o que fazer arruma rapidinho problemas para os outros.
- A beleza está nos olhos de quem come.
- Por que certas pessoas fazem questão de confirmar a frase rodrigueana "bonitinha(o) mas ordinária(o)"?
- Tem gente que merecia levar surra de mangueira - palavras de meu amigo Fernando. Acrescento: de mangueira e de fio elétrico.
- Altruísmo é para os trouxas.
- Tente ser bom para com as pessoas. O melhor é pode acontecer é você levar uma cadeirada nas costas. E dê-se por felizardo.
- Repito um de meus mantras: nada está tão ruim que não possa ficar ainda pior. Se você viver no Brasil, então...
- Outro: ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência alheia. Vale para outros objetos e circustãncias. E nunca esteve tão atual.

7 de maio de 2009

Pensamentos felizes

- Depois, quando eu digo que a única solução para o problema da humanidade é jogar veneno nos reservatórios as pessoas acham engraçado e pensam que tudo não passa de brincadeira de minha parte...
- Alguém, tendo lido o post de ontem, pode me interpelar dizendo: "Mas, então, por que você continua vivendo?" Já respondi a essa indagação alguns posts antes, mas acrescento o seguinte: viver sabendo que nada tem sentido pode ser insuportável para a maioria, mas para mim é da condição de qualquer ser vivo. Nós, humanos, é que achamos que a existência tem alguma razão de ser.

5 de maio de 2009

Amenidades

- Quanto mais eu vivo, mais me dou conta que o emburrecimento se alastra. Daqui a pouco até eu, que me vacinei, posso ser contaminado.
- Essa conversa mole de chamar retardado de deficiente só serve mesmo pra encher o bolso dos pedagogos, dos especialistas em educação e do pessoal dos direitos humanos.
- O próximo passo é estabelecer cotas para os que não têm cotas. Sugestão: vamos criar uma cota nas passagens de avião também. Dez por cento ficariam com os afrodescendentes; 15% com os índios; 25% para os sem renda; mais 10% para os brancos de olhos azuis, e assim por diante. O passo seguinte é fazer o mesmo nos hospitais de ponta, nos consultórios odontológicos e na pedicure.
- No fundo mesmo eu quero é saber qual vai ser a minha parte. Afinal também sou minoria.
- Lembre sempre que o ser humano só é movido por duas coisas: dinheiro e sexo. Se ambos vierem juntos, melhor. Senão, o dinheiro já basta. O resto é papo pra boi se suicidar de tanto tédio.
- Ainda estou esperando quem me prove o contrário.
- A última: viver não tem sentido algum, assim como a morte. Criamos deuses, mundos outros, religiões, tudo para conferir algum senso nisto que é somente contrasenso. A desgraça de alguém não é nada, em escala universal, nem tem qualquer significado plausível. Nós é precisamos disso tudo para seguirmos minimamente civilizados e tenuamente sãos. Mas é um barbante apenas isso com o qual amarramos a ilusão de que somos mais que ínfimas partículas de coisa alguma.

4 de maio de 2009

Menos uma semana...

- Na minha idade, passamos a contar o tempo que falta, ou melhor, subtraímos semanas do tempo que nos resta.
- Tenho um impulso fatal de desprezar qualquer um(a) que admita não querer saber mais do que aprendeu até ali. Sabe aquele tipo de gente que se contenta com o que tem? Pois é. Creio (sim, acredito em alguma coisa) que sempre é possível aprender mais, salvo em casos particulares (limitações neurológicas ou coisas do tipo), e admitir desinteresse por um e outro assunto "porque não servem pra minha carreira" é chamar a si próprio de idiota. Mas, pensando melhor, que seria dos gênios não fosse a existência dos imbecis? Não, melhor deixar tudo como está mesmo.
- Não fui a nenhum evento da Virada Cultural. E não me sinto mal por isso. Esse tipo de coisa, na verdade, me causa pavor. Se bem que, ultimamente, até ir ao cinema causa esse efeito em mim. Aliás, também não fui ao cinema. Esta cidade tem ficado mais e mais insuportável, e realmente não tenho a menor vontade de sair de casa pra me confraternizar com um bando de primatas. Se é pra ficar irritado, melhor ficar em casa e ouvir o pagode que os vizinhos insistem em ouvir. Não muda nada, mas pelo menos posso assistir a um filme no DVD e abrir a geladeira na hora em que eu quiser.

30 de abril de 2009

Redundâncias

Acabei de ler: deputados aprovam cota de 10% para deficientes nas universidades. Isso vale dois comentários, um sério e outro mais sério ainda.
1. É muito fácil dar esmola com o bolso alheio.
2. Vale deficiente mental? Porque, se valer, essa cota já foi preenchida, ó, faz muuuito tempo!

29 de abril de 2009

Amor

O que há são afetos desencontrados.
De resto, não é o explodir de fogos,
Mas aquele lugar vazio em sua mesa de jantar.
Não é correr sob a chuva,
Mas gritar desconexas palavras
Para estátuas de pétreo riso,
Ao lado de pessoas em passeios
Que você nunca mais verá.
Amor é meio isso: um cisto
No pescoço que é preciso lancetar.

Tontices

Trabalhar muito e "descobrir" que, feitas as contas, você continua tão endividado quanto antes e ainda vai pagar mais imposto ao governo. Claro que estou muito feliz em contribuir para a manutenção das atividades do MST, dos "cumpanheiros" e das demais mamatas da politicalha deste país.

28 de abril de 2009

Barbas de molho

Pode ser teoria da conspiração demais, mas alguém parou para pensar que o tal linfoma na ministra-candidata pode ser golpe? Sabe, desses que aparecem por aí envolvendo celebridades que precisam alavancar sua audiência na TV e, de repente, surgem com um câncer gravíssimo que, meses depois, presto!, são "curados"? Pois é. Mas digamos que haja mesmo o tal problema. Nesse caso, sua gravidade pode ter sido... agravada só para aumentar a dramaticidade do negócio e a figura angariar simpatia e solidariedade da população, que veria nela um "exemplo de superação" e blá-blá-blá. Pode ser só paranoia demais deste escriba. Mas, neste mundo sem deus, nunca é demais botar as barbas e outras coisas de molho. Até para, constatado o golpe, não ficarmos todos com cara de trouxas. Que somos.

Ser social

Não me convidem, nunca, para duas coisas: casamento e funeral. Acho ambos um saco, quase nunca conheço os demais convidados e é quase certo que acabo dizendo alguma coisa bastante inconveniente.
Para as demais ocasiões sociais, vocês podem até me convidar - o que não significa que eu vá. Afinal: detesto multidões e gente em geral; só consigo conversar com duas pessoas ao mesmo tempo; mais que seis pessoas numa só mesa é algo que me deixa deprimido; gosto de comida quente e bebida gelada (e festas geralmente trazem o contrário disso); sempre há o risco de encontrar um desafeto; odeio estacionar o carro na rua; só saio em caso por absoluta necessidade e por conta de uma enorme amizade.

24 de abril de 2009

Frase do dia

Há coisa mais sem graça que gente sem (senso de) humor? (Eu até diria que há, mas a lista seria enorme. Pouparei as pessoas que me leem de mais essa.)

23 de abril de 2009

Haja!

Nada mais me surpreende, mas uma porrada de coisas me irritam. Por exemplo: gente autocomplacente, autoajuda (livros, CDs e DVDs, programas de rádio e TV, palestras etc.), autoindulgentes em geral, os falsos modestos, coisas fofinhas, coitadinhos(as), diminutivos de qualquer espécie e matiz, detalhistas, os que "se acham", os que "não se acham", os que não têm curiosidade alguma, pessoas felizes, pagodeiro (e correlatos), educadores, gente que acredita em alguma forma de justiça, os que gostam de picolé de limão, os que empacam na fila, os que prometem mas não cumprem, os que se dizem sinceros, os que se irritam com tudo.

17 de abril de 2009

Frases soltas

Não acredite em sujeitos e/ou sujeitas de boa estampa. Quase sempre o conteúdo é nenhum. E, se houver algum, não presta.

Nunca perdi nada por subestimar as pessoas. Aliás, como já disse o capitalista, nunca ninguém perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia.

Artigo em falta, por sinal. A inteligência. E o dinheiro.

Como tem gente trouxa nesse mundo! Bom, no mundo não sei, mas neste país, com certeza! Só aqui um desinfeliz consegue enganar todo mundo o tempo todo. E os idiotas ainda acham que o cabra trabalha direito. Pois a verdade é que nem uma coisa nem outra.

A filhadaputice é a única constante universal.

16 de abril de 2009

Reflexão irrefletida - 6

Quando passamos a considerar que tudo que aí está "faz parte" da natureza dessa existência porca em que chafurdamos nós e os f.d.p., aí mesmo é que tudo está perdido. E, pelo que vi ontem, nada me convence do contrário - de que ainda existe uma luz no fim do túnel que não seja um caminhão vindo direto sobre a gente.
Não que haja alguma novidade nisso, mas os que ainda temos estômago, ficamos mais e mais com a sensação do desamparo, de que vale mesmo ser canalha vendendo todo e qualquer escrúpulo por uns trocados. E fazendo pessoas dignas sofrerem e se sentirem imprestáveis para o trabalho.
Desculpem o azedume, mas há horas que não dá mesmo.

14 de abril de 2009

O pó

Algumas decepções, tristezas aqui e acolá, pessoas que se vão e deixam boas lembranças, outras que somem, outras ainda que saem batendo as portas. Faíscas cortam o ar de tensões e gritarias histéricas. Pessoas se descabelam, mas algumas há que mantêm o siso e seguem portando sorrisos (confesso ter receios dessas últimas). O que fica, enfim, nem sempre é o que queremos e desejamos. Aliás, quase nunca é. Mas, no fundo, bem lá no fundo, gostaria de algum alento para o futuro, que só promete mesmo a ruína. Esperarei deitado.

9 de abril de 2009

Passou!

Nada como o tempo, a distância, uma e outra tentativa de conversar e uma joanete que não curem uma recaída de paixão. Em frase mais curta: não há ilusão que resista a uma mínima dose de razão. Se não por mais nada, ajuda você a poupar um dinheirão com jantares, flores, cinema etc. na expectativa de coisa alguma. Sim, porque é o máximo que você vai conseguir.

8 de abril de 2009

Pausa

Desculpem a ausência - se é que alguém notou isso -, mas estou trabalhando muito. Mais do que deveria e poderia, levando em conta a idade e as condições físicas, que já não são as mesmas de uns vinte anos antes. Se bem que, nesse tempo, eu tinha de me virar dando aulas para um bando de chucros cujo grau de civilidade os aproximava, talvez, dos orangotangos (ok, estes são mais educados!). Mas, como desgraça nunca vem sozinha, basta dizer que tanta labuta ainda não rendeu um mísero dinheirinho para minhas combalidas finanças. A coisa funciona assim: a entrega de sua força de trabalho é imediata, mas a contrapartida sempre será a prazo - se possível em prestações. Não que em algum momento eu acreditasse que seria diferente, por favor, não me tomem por ingênuo. Enfim, como escrevi na abertura de meu perfil orkutiano: "O trabalho empobrece o homem."

Aliás, qual era mesmo a frase que encimava os portões de um daqueles campos de concentração nazistas? Posso e devo estar enganado, mas era algo no espírito "O trabalho liberta." Ah bom; e depois dizem que os alemães não têm senso de humor...

Falando um humor, aquele comercial daquela famosa marca alemã de automóveis, com os dois atores falando da excelência e da tecnologia do produto deles, ambos com sotaque germânico (com a graça sendo tirada justamente da confusão entre os gêneros das palavras), a peça é ótima. O produto em si não aparece (nem precisa), e o essencial está dito ali, na mistura entre "o" qualidade dos carros fabricados ali e a malandragem de um dos engenheiros alemães em brincar com a "germanidade" do outro. Politicamente incorreto, como quase tudo que essa empresa tem feito em termos de comerciais televisivos, mas dessa vez, muito mais simpático.

Momento "garoto enxaqueca": caminhamos, a passos largos, para a implantação de uma ditadura das supostas minorias. Ora, se a culpa pela crise é dos "brancos de olhos azuis", quanto falta para começarem a dizer, nas ruas, que "aquele japonês está tirando o meu emprego."? Ou "aquele judeu está me roubando"? É o ovo da serpente. E pior: incentivado por alguém que se diz o tempo todo ter sido discriminado por isso ou por aquilo - o que é mentira, por ser verdade.

3 de abril de 2009

Mais mau gosto

Olha, se é para ser ridículo, melhor andar por aí com um chapéu com penas de pavão do que exibir na cintura uma pochete bananinha. (O Fernando, no entanto, acha que usá-la pendurada no ombro é ainda pior. Devo concordar.)

Calça "santropeito", daquelas que vêm puxadas quase até o pescoço. Só devem ser permitidas após os 90 anos de idade. (Da calça ou da pessoa. O que vier primeiro.)

Cena na Rebouças outro dia: um sujeito de idade mais ou menos provecta, usando mocassim, bermuda até a metade do peito, chapéu com peninha e meias que vinham até o início do joelho. Vermelhas.

Aliás, sobre o uso de mocassins: deviam ser proibidos do nascimento até a pós-morte. Com meias, então, seria caso de fuzilamento.

Ternos que não em cor preta ou azul-marinho. E com sapatos pretos, por favor.

Agora, usar terno e carregar mochila, sinto muito, mas é evidência cabal de ausência de noção de ridículo. É a mesma coisa que calça de moletom com salto alto.

Do ponto de vista masculino, nada como a visão das mulheres usando calças justinhas, de cintura baixa, daquelas que você vê quase tudo. É vulgar, mas nem por isso é feio. Agora, exibir a faixa de gaza abundando em sobras e pelancas é dessas coisas que mereceriam a morte na fogueira, por uso de magia negra, ops, por uso de magia desprovida de luz.

Não acabou, não. Mas vocês não acham que eu tenho tempo para ficar mais que trinta minutos por dia escrevendo essas bobagens, acham?

2 de abril de 2009

Reflexão irrefletida - 5

Os "especialistas" desatavam a dizer, anos atrás, que o uso de walkman (e seus similares) representava o caráter de isolamento característico da cultura pós-moderna (ou coisa do tipo), e que isso era negativo, já que apontava para um mundo individualista e coisa e tal. Pois bem, passados pouco mais de dez anos, a última moda é carregar celular ao pescoço emitindo notas distorcidas de variações dos grunhidos praticados pelos homens das cavernas. Ou nhéns-nhéns-nhéns do funk-fuck, o que dá no mesmo. E a porcaria vem em tão alto volume que é possível ouvi-la mesmo na balbúrdia dos ônibus. Quer dizer: não basta ter mau gosto; há de se compartilhá-lo com os demais. Depois dizem não saber os motivos do aumento da violência urbana. Celular no pescoço, e com música (sic) alta é um deles.

Adendo: no ônibus, ontem, entrou o louquinho do transporte coletivo. Sabe, sempre tem um desses justamente naquele em que você está. Eu sentado, o vivente parou de pé, um pouco atrás de mim. E, como todo louquinho, falava sozinho. Às vezes ficava em silêncio, para logo voltar à ladainha sem sentido. Mas havia uma coisa recorrente, que era o verso inicial de uma canção (cuja autoria desconheço e quero continuar assim): "Estou aqui pra te agradar...". O resto não captei, já que o louquinho, a partir daí, mastigava as palavras, diminuía o volume e retornava à fala desarticulada. Vou dizer uma coisa: o infeliz, além de mala, ainda era gozador. Pena que eu não achei engraçado.

1 de abril de 2009

Verdades

1. Eu acredito na existência de uma entidade superior, que rege nossa vida e nosso destino, e que é a bondade infinita em toda misericórdia;
2. Tenho fé na capacidade humana de superar seus defeitos e problemas rumo a um futuro de paz e harmonia entre todos;
3. A necessidade de sobrevivermos como espécie vai se sobrepor à ganância;
4. A justiça acabará prevalecendo em todas as situações;
5. Se eu ganhar na loteria dividirei tudo com os mais necessitados;
6. O amor é o sentimento mais puro e mais verdadeiro;
7. Sim, nós podemos.

31 de março de 2009

25 de março de 2009

Para guardar no caderninho preto III

Uma coisa que foge a qualquer parâmetro de bom senso: por que diabos um(a) camarada compra um carrão, desses com motor 2.0 pra cima, que ocupa duas faixas e meia de pista, e faz questão de andar devagar? Calma, eu já tenho a resposta: é que só assim mesmo pro(a) infeliz sobrepujar os outros, já que em casa e no trabalho a frustração deve ser constante.
O mesmo vale para homens que compram máquinas potentes e barulhentas que só servem mesmo para tirar o sono e o sossego dos demais. Com o adendo que, nesse caso, o tamanho do brinquedo serve para compensar outro tipo de privação (ao menos na cabeça do indivíduo).

Sintoma: a quantidade de malucos à solta diz muito de nosso tempo, não?

Última: mostre-me um ser humano verdadeiramente altruísta e eu mostrarei o caminhho da jaula onde ele deve ser preso. Esse tipo de gente deve ser eliminada do convívio social, sob pena de destruir a harmonia tão dificilmente construída entre os demais - divididos entre a aniquilação alheia e a autodestruição sem adjetivos.

24 de março de 2009

Para guardar no caderninho preto II

Frase que ainda vai entrar na História:
"Não falo mal dos outros; apenas comento fatos ocorridos e presenciados."

Mais esta, para arrematar o dia:
"Já disse que a vida alheia não me interessa, a não ser que eu possa tirar algum proveito disso. Aliás, nem assim."

20 de março de 2009

Contudo...

(para J.M.)
Apanhar um sorriso no ar, a frase exata, a chuva que molha pés e cabelos, aquela risada, um pedaço de chocolate, uma fatia de bolo, "memórias no velho computador", uma canção antiga, um seriado novo de TV, as unhas delicadamente coloridas, o sorriso outra vez, as palavras em inglês, a promessa de um talvez, sanduíche repartido e um prato colorido, a noite que se espreguiça, um silêncio de vozes se cruzando, as estrelas desejando, um branco na folha, um rabisco.

19 de março de 2009

Ô raça!

Detesto poetas. Sobretudo os que acreditam que o são e declaram isso. Costumo fugir deles mais do que fujo de bêbados e doidos de rua. Poetas são insuportáveis. Concretos, neoconcretos ou nada disso, muito pelo contrário. Piores que eles, só os religiosos. E os políticos. E os políticos religiosos. E professores do ensino fundamental e do médio. Poetas são seres perigosos, mas tornam-se armas mortais quando desandam a falar de sua própria obra e de seu processo "criativo". Aí, só mesmo uma lobotomia para resolver. Em você, não nele. Mas sempre é tempo de pegar uma chave de fenda e enfiar na cabeça, escarafunchando bem o cérebro. Não se preocupe, depois de ouvir o poeta não ia sobrar nada que prestasse mesmo. Mas eu, do baixo de minha impaciência imensurável, só fiz mesmo fazer caras e bocas de enooorrrme interesse e tentar fazer com que o poeta se mancasse da caceteação a que ele me submetia - o que não deu certo, já que o ego dessa gente impede que elas enxerguem uma jamanta em direção delas, quanto mais um pobre ouvinte desprevenido. O bom é que sobrevivi para contar isso a vocês...

Não mesmo!

Olha e escuta: juro que não caio numa dessas de novo. É fora de propósito a capacidade que temos de reiterar nossos atos estúpidos, idiotas e completamente despidos de qualquer senso de ridículo. Isso é o que dá quando a gente confunde morbidez com carência. A verdade é que preciso com urgência tomar um antidepressivo.

E, no entanto (parafraseando Galileu)...

18 de março de 2009

Para não ficar em branco 3

Já disse o quanto gosto de dar aulas de Literatura? Não sei se as pessoas entendem minimamente minhas elocubrações estético-ideológicas, mas vou em frente, discutindo o dualismo na poesia de Álvares de Azevedo, o conflito entre história e mito na obra de Gonçalves Dias etc. De quando em quando olho a cara das pessoas para ver se alguém pegou no sono. Na segunda-feira, ninguém - mas uma moça saiu (antes) com cara mal-humorada. Diga-se de passagem que ela ficou com a mesma cara o tempo todo. Acho que era TPM, mas de repente ela não gostou muito de ver seus poetas prediletos serem massacrados, vai saber. Mas eu também cansei de tentar entender essa gente. Retificando: é que já entendi demais, e o que descobri não é nada que encha de orgulho a humanidade. Mas mesmo assim continuo gostando muito de dar aulas de Literatura. É um dos poucos momentos de minha vida presente em que me sinto menos mal.

17 de março de 2009

Não

Juro que não é paixão; está mais parecido com um treco esquisito, um estar sem conforto. Mas sempre gostei de coisas assim, fora do meu esquadro. No fundo, é uma forma de suicídio, mas sem o veneno, o gás aberto ou o pulo no vazio.

12 de março de 2009

Notas ligeiríssimas

1. A coisa está mais ou menos assim: ou resolvo minha vida este ano ou vou fugir para escapar dos credores.
Já pensei no suicídio, mas concluí que minha morte não traria nenhum benefício a ninguém; ademais, alguns talvez até ficassem contentes, e como não quero trazer alegria para pessoa alguma neste planeta, melhor permanecer vivo.

2. Sabe um tipo de pessoa que não me apetece de forma alguma? As que não têm humor, seguidas daquelas que acham que têm.

3. Toda beleza é uma forma de loucura.

4. Lidar com malas é uma questão de contêineres.

Well...

Gente, fui até ali e já volto.

5 de março de 2009

Um poema

"Nem isso"

Não sei se é o que penso,
Se amor ou qualquer forma de atropelo,
As ruas da cidade estão intensas
De gente de olhos abertos e mentiras idem,
E nossos ombros sempre esbarram em outros,
Enquanto ouvimos rock and roll
Sozinhos
Em meio à gritaria usual e pressas e pés sem dono.
Em repetidos momentos olho para a rua
E me lembro do que não tivemos,
Meus olhos buscando os seus, que ficavam
E fugiam enquanto pousava sobre nós a noite
Com seus sussurros. Um jazz ao fundo,
Algumas vozes, um tinir de pratos na cozinha.
Talvez amor, um gostar que entra pela fresta
Da porta entreaberta, um livro repartido,
Talvez minha mão em seus cabelos,
Meus lábios nos seus, talvez nem isso.

4 de março de 2009

Reflexão irrefletida - 4

A respeito do post de ontem: um dos lugares-comuns mais irritantes é esse, de dizer-se "sincero" e de, por conseguinte, "odiar falsidade". Tudo bem, mas experimente ser sincero com essa gente. No mínimo você será processado. Sem falsidade, não atravessaríamos a rua (parafraseando Nelson Rodrigues), não conseguiríamos trabalhar, não comeríamos nenhuma mulher, não viveríamos em sociedade. Nesse sentido, nada há mais verdadeiro que afirmar sua condição de insincero e de falso. É isso que mantém seus dentes em sua boca, em suma.

3 de março de 2009

27 de fevereiro de 2009

Reflexões para o dia de hoje e para os seguintes

- Nada como uma mesa após a outra.
- O fato de eu ser um calhorda antissocial não me impede de gostar da companhia das pessoas. De poucas, reconheço, mas nem por isso vou me sentar no cantinho do quarto e ficar lamentando o quanto sou insuportável. Cada um arca com aquilo que plantou, ora essa!
- Não se armazena pólvora em casa impunemente. Uma hora a coisa explode.
- A diferença entre a paixão e o amor é a seguinte: na primeira, você sofre enquanto ela existe; no segundo, você sofre depois que ele acabou (se é que um dia houve). Mas, sinceramente, quase tudo se resume a duas coisas básicas: dinheiro e sexo, não necessariamente nessa ordem. O resto é o medo que temos de ficar sozinhos. Solidão é um peso insuportável para muitos.
- Os(As) jovens que me desculpem, mas não há mais ilusão alguma no horizonte que nosso tempo não tenha feito em pedaços. E não há cola que dê jeito.

26 de fevereiro de 2009

Pós-o-de-sempre

A única coisa boa do carnaval: a cidade vazia. O ruim é que estão todos de volta, inclusive o Exalta Samba (ou seja lá como se escreve o nome dessa trupe).

20 de fevereiro de 2009

17 de fevereiro de 2009

Nuvens de tempestade

A cena política não promete nada que não o costumeiro: ditaduras aqui e ali, disfarçadas de "democracia"; a corrupção em todos os níveis e nas formas mais escandalosas; o aparelhamento do Estado em função dos "amigos"; a rapinagem de sempre, numa repetição nauseante "disso que está aí". Pode até ser que nos safemos do diabo da crise, ainda que os mortos sejam contados aos milhares, mas nem isso nos salvará de políticos mais e mais embriagados pelo poder a ponto de perderem todos - eu disse TODOS - os tênues freios morais que ainda sustentavam as encenações de alguma dignidade. E não há para onde ir, já que "oposição" virou termo obsceno - aqui e alhures. Bom, mas nem nisso há qualquer novidade, há?

Tem coisa mais odiosa que gente que defende "a moral e os bons costumes"? Esses fazem par com os que adoram defender os "oprimidos", mas não abrem mão de seus próprios confortos burgueses. É por isso que não defendo nem uns nem outros, ora essa. Afinal, alguém por aí me defende? Pois é, nem precisam responder...

Só uma palavra: cáspite!

14 de fevereiro de 2009

Sim, mas...

A paixão é uma merda. E apaixonar-se, por consequência, é mergulhar de cabeça numa piscina de bosta. Eu escrevi piscina? Corrijo-me: um oceano. No entanto, o que faríamos sem ela, a paixão? Claro que estou me referindo a ela em seu conceito mais comezinho, banal, de sentimento supostamente amoroso. E, ao mesmo tempo, sagrado - pelo que ela nos leva a fazer, coisa que só os doidos imbuídos da certeza da fé são capazes de levar adiante. E a paixão envolve, no mais das vezes, o impossível, pois embute o desejo, a condição desejosa. Enfim, uma merda mesmo.

12 de fevereiro de 2009

Eu não disse?

Remeto as pessoas que porventura leem este blogue para meu post de 13 de novembro passado (grato, Fernando!). Nada, nada de novo no front...

10 de fevereiro de 2009

Mais reflexões distendidas

- Não fossem os idiotas, imbecis, calhordas e fdps em geral, que seria de nós, os perfeitos?
- Cada maluco tem seu par correspondente, em gênero e grau de periculosidade. Ou, para usar um chavão, todo pé - por pior que seja - sempre encontra seu sapato velho.
- Tudo é uma questão de método e de rotina. Não deixe os desorganizados tomarem conta da mesa. E, sobretudo, mantenha sempre a expressão de serenidade. Aquela, das samambaias...
- Sabe quando esse país vai tomar rumo? Só quando o "rumo" for o fundo do poço. Que, para nosso azar, estará repleto de merda. Bom, olhando o cenário político, acho que não falta muito para isso se concretizar...

5 de fevereiro de 2009

Frase do dia

O moralismo empedernido esconde um ser devasso; este, por seu turno, se pendura no mais arraigado moralismo. Ou, em outras palavras: nada mais moralista que um devasso e nada mais devasso que um moralista.

Bizarrices

Acho que tudo deve ter um limite, mesmo a dita "normalidade". Quer gente mais chata que as "normais"? Vale o mesmo para o reverso da medalha. Insanos, em geral, me incomodam muito. Psicopatas mais ainda. Ok, não sou nenhum modelo comportamental, tenho manias insuportáveis (para os outros), tiques irritantes, uma certa necessidade de enxergar tudo em tons de cinza ou de ser do contra (que alguns chamam, gentilmente, de "pessimismo"), gosto de camisas polo e calças jeans, ouço música brega, sou contra a pirataria de produtos e obras de arte - enfim, sou louco à minha maneira. Mas ao menos uso escadas rolantes, não imagino ser o melhor escritor do mundo, muito menos fico me gabando de minha suposta formação escolar sofisticada. Também não saio às ruas defendendo moradores de rua, sem terra ou coisa do tipo. Sou uma contradição ambulante, claro. Mas todos somos. (E, sim, este post é só um desabafo.)

3 de fevereiro de 2009

Volta

As aulas na faculdade onde leciono recomeçaram. Cheguei esbaforido, já que o tempo que tenho entre um trabalho e outro é bastante curto. Pela experiência de ontem concluí que se ocorrer qualquer imprevisto, posso não conseguir chegar em tempo. Mas, voltando ao principal, fazia tempo que eu não via tanta gente lá. Ok, o fato é algum gênio bagunçou as listas e havia aluno de um campus indo para outro, professores perdidos, funcionários atarantados - sem contar o trote, que acontecia lá na rua: cabelos cortados, tinta no rosto, nas roupas, o diabo.
No fim, acabei dando minha aula para uma pequena plateia de pessoas atentas. Estava sentindo falta disso. Dar aulas para gente interessada é sempre estimulante. Fazê-las sentir interesse, mais ainda. Ainda existe algo de bom nessa vida, afinal (mesmo que muito relativa, evidentemente!).

28 de janeiro de 2009

Pequena lista de coisas abomináveis

1.Mais dois anos de Lula;
2.A gestão Serra na Cultura (OSESP, TV Cultura etc.);
3.Justificativas "divinas" diante do injustificável;
4.Sandices em nome da fé (qualquer uma);
5.Os juros no cartão de crédito e no cheque especial;
6.(Indi)Gestão do ensino neste país (em todos os níveis, na rede pública e na privada... ops!);
7.Gestão de qualquer coisa;
8.Cursos superiores (sic) de curta duração;
9.Burocratas;
10.Um terceiro mandato ou a continuidade "disso que aí está";
11.Ditadores de países vizinhos (ou não);
12.Salário que atrasa;
13.Empregos que não há;
14.Listas, sobretudo as pequenas.

24 de janeiro de 2009

16 de janeiro de 2009

Ligeira

Sobre o conflito Israel-Palestina: melhor não opinar. Não há racionalidade nesse assunto. Mas sou contra. Nesse negócio ($$$) de guerra, acho que os líderes de ambos os lados deveriam ser trancados, nus, em uma sala, e só deveriam sair de lá quando chegassem a um acordo. Só que, nesse caso, é melhor acreditar em coelhinho da páscoa.

Sobre a economia: alguma novidade no cenário?

Sobre literatura: início de ano sempre é um período meio devagar quase parando.

Mas uma coisa eu posso dizer: o barco não vai afundar, mas muita gente vai morrer afogada. Isso se não começarmos a nos jogar uns aos outros para sobrar mais comida a bordo.

11 de janeiro de 2009

Tempus fugit

Amanhã é dia de lembrar que fiquei mais velho um ano. Um brinde a isso, já que não se sabe quando será o último...

1 de janeiro de 2009

Que 2009 nos seja leve ( breve)!

Não viajar quando todo mundo resolve fazê-lo traz a comodidade de ver os infelizes sofendo nas filas do pedágio, na estrada, nas padarias para comprar pão e leite de quinta categoria, enquanto você desfruta do desconforto de seu próprio lar. Por outro lado, ficar em casa obriga você a ouvir o pagode que os idiotas do condomínio vizinho resolvem tocar a todo volume. Nessas horas sempre me vem à cabeça uma frase de minha autoria que diz o seguinte: todos têm direito ao mau gosto, mas, por favor, não queira compartilhá-lo comigo. Sartre estava certo: o inferno são os outros.

23 de dezembro de 2008

O fim

Olha, não quero estragar as festas de ninguém, mas alguém já parou para se dar conta do tsunami de coisas ruins que vem chegando? Não se trata nem mais de inflação, ou recessão. O que vem é uma depressão terrível, talvez pior que a de 1929, e que não vai deixar pedra sobre pedra. Há quem prefira fechar os olhos, fazer piadinhas com sapatos alheios, dizer que a gente "sifu" e depois dizer que não, mas que a coisa está e vai ficar brava, ah, não duvidem que vai.
Há alguns meses, quando a crise começou a explodir, este que vos escreve já dizia algo semelhante, embora torcesse para que nada daquilo se confirmasse. Mas não deu outra: por empáfia, imprudência ou incompetência, esse governo (sic) que aí está, que se diz tão diferente daquele que o antecedeu, nada fez para conter o impacto, que por ora não causou maiores estragos justamente porque copiou ou manteve tudo aquilo que já "estava lá": política econômica, políticas sociais etc. Com a desfaçatez de dizer que aquilo era criação dos gênios do partido. Agora já se vê que a blindagem não vai ser suficiente e que tempos ruins nos esperam. Será que nem assim as pessoas deste país irão acordar? Nosso passado histórico diz que não, que continuaremos pastando bovinamente, esperando que "o governo" nos resgate e nos coloque no caminho da salvação. Diante disso, nada resta a dizer senão... um feliz 2009!

17 de dezembro de 2008

Melhor não...

Ainda bem que a semana está acabando e eu não vou mais precisar sair de casa até o início do ano que vem. Está cada vez mais difícil suportar as ruas cheias de gente. Aliás, tudo cheio de gente. Nem pro banheiro você pode mais ir sem ter de esperar na fila. Devem todos estar à procura do emprego que perderam com a crise, que o Lula chamou de "marolinha". Já estou vendo muitos esticando o pescoço pra não morrerem afogados. Boas festas? Ah, vão esperando!

13 de dezembro de 2008

Depende do ângulo

Tudo pode ser uma questão de ponto de vista: há quem diga que o otimista é aquele que vê oportunidade na crise, enquanto o pessimista vê na crise o início do abismo. Mas bem pode ser o oposto: o otimista é aquele que se recusa a acreditar que o poço tem fundo, ao passo que pessimista não apenas tem certeza de que há como vai demorar muito para se chegar lá só para aumentar a angústia e o desespero. Aqui, a lembrança da velha piada: se só tivermos merda para comer, o otimista vai erguer as mãos para o céu porque ao menos não vai morrer de fome; o pessimista dirá que não haverá merda para todo mundo... A visão corporativa tende a vender a imagem positiva do sujeito que não se deixa entregar e não se conforma com a situação. Mas quem disse que o pessimista se deixa levar pela inação? O bom pessimista é aquele que, já prevendo o pior, se prepara para isso e não se deixa surpreender pela desgraça (que virá, com certeza). Verdade é que, neste mundo do pensamento único, ninguém mais pode dizer nada negativo que se torna vítima de suspeitas de pertencer à "direita" e à "elite branca e conservadora". E assim vamos.

11 de dezembro de 2008

Sabedorias sem sal

Você sabe que está perto de morrer quando nada - absolutamente nada - causa espanto. Só tédio.

6 de dezembro de 2008

Reflexão irrefletida - 3

A melhor frase a respeito da relatividade do conceito de deus me foi dada pela Lúcia, lá da editora Saraiva: "Quando o paciente é curado da doença, os parentes todos dizem 'Graças a Deus!'; se o infeliz morre, a culpa é do médico incompetente que cuidou dele." Por que não pode ser o contrário? Outros dirão que ambas as ocorrências são fruto da vontade divina - no que, pelo menos, terão alguma coerência. Mas como eu já disse há tempos, "coerência é para as máquinas". Assim, sendo, voltamos ao velho problema de que a divindade foi erguida à nossa imagem e semelhança, e não o oposto, como dizem alguns textos sagrados. Digo isso porque, entre outras, depois de passar incólume por todas as viroses do ano, acabei de pegar uma, daquelas ótimas. Não tem nada a ver, mas é um excelente pretexto para afirmar, mais uma vez, uma de minhas descrenças básicas.

3 de dezembro de 2008

Receita para enlouquecer

Trabalhe, com necessidade de presença, em pelo menos dois lugares. Pegue três, quatro, cinco outros trabalhos eventuais para fazer em casa. Tente manter a vida afetiva, familiar e social. Vale a pena tentar terminar aquele livro. E escrever mais outros dois. Por fim, peça a uma amiga que faça um favor a você e torça para ela não fazer ou atrasar todos os prazos. O resultado não tardará a surgir. Sirva quente.

28 de novembro de 2008

Reflexão irrefletida - 2

Mesmo entre pessoas de meu relacionamento, espalha-se a praga da crença em deus. Em qualquer tipo de, embora o cristão seja o mais disseminado. As justificativas são várias, mas o denominador comum é a necessidade que os crentes têm de justificar o que ocorre com elas e com o mundo ao redor. "Tudo se explica por Deus" talvez fosse a frase mais adequada para atitudes assim. O que de bom ocorre é obra de Deus. O de ruim também, já que "Ele escreve por linhas tortas" e blábláblá... Se assim for, então a divindade não apenas é sádica, mas é gozadora. De um humor cruel, mas nem por isso desprovido de atributos. O que talvez mostre o quanto qualquer deus sempre está próximo da sociedade e do tempo que o criou e o venera. Tenho de dar o braço a torcer, nesse sentido. Deus existe, mas só como representação de nosso pensamento - como quase tudo que fazemos, alíás. Como somos incapazes, pela natureza autodestruidora que nos define, de fazer qualquer coisa que não seja em nosso próprio benefício, então a desgraça fica assim. De qualquer modo, sempre me decepciono quando pessoas inteligentes buscam na religião alívio para suas mazelas...

26 de novembro de 2008

Retificando

Não foi apenas um dia perdido: foi um fim de semana todo. E a saga continua... O que não fazemos por uns trocados...

21 de novembro de 2008

Arre!

Um dia perdido revisando um texto que ninguém vai ler. E se ler, não vai entender. (E do jeito que a coisa vai, estou quase entrando com uma denúncia na OIT contra trabalho escravo, ou quase.)

18 de novembro de 2008

Baladas no cérebro

Para que este blogue não deixe em branco: a partir desta quinta-feira, mais uma edição da Balada Literária, capitaneada pelo agitador cultural-mor Marcelino Freire. Prometo sair de minha habitual letargia e comparecer ao menos em alguns dos eventos. Mais informações, clique aqui.

13 de novembro de 2008

Acontece que...

Ok, Obama venceu as eleições, fato histórico em si por ser um negro (aliás, nem tanto assim, sejamos francos) que passará a habitar a Casa Branca. Mas, ao contrário do que imaginam os ingênuos e os tolos, não é isso que vai mudar alguma coisa - nem lá, e muito menos cá. Por sinal, a vitória de Obama confirma a tese do bode na sala: o essencial permanece o mesmo, mas o aroma melhorou bastante. Em outras palavras, entre Bush e Obama, não há termo de comparação. E, entre McCain (e sua candidata a vice, uma das figuras mais grotescas e hediondas a surgir no mundo político desde pelo menos Hitler) e Obama, o bom senso - matéria-prima escassa em nossos tempos - diria que o segundo tem menos chances de cometer um desastre. Ou, quem sabe, um desastre de menores proporções.
Fora isso, não vejo a razão de tanto entusiasmo. O cara vai governar os Estados Unidos, e tudo fará para defender os interesses da nação. A dele, não a nossa (a não ser que a sobrevivência deles dependa, de alguma maneira, da do Brasil). Não botem muita fé, porque, na hora H, não há dúvidas para que lado o barco vai virar. Agora, acreditar que o sujeito, por ser negro, vá mudar um milímetro a política e a economia daquele país, é ser tolo, demagogo ou um rematado filho-da-mãe. Façam suas apostas.

11 de novembro de 2008

Depois de muito tempo...

"Da consciência"

A madrugada é de sobressaltos:
Motos disparam tiros no meio dos sonhos
Gatos gemem sirenes cantam sua canção
De sílabas que nos rasgam a carne. A mulher grita
Na casa ao lado e, na dúvida, ficamos
Com a TV, a distância que nos aparta
A consicência de que é assim mesmo.
E a certidão de dormirmos sem rolar
Pela cama e pela sala - que mantemos
De luz acesa - olhos e ouvidos abertos -
E trancas de aço reforçadas.

9 de novembro de 2008

Hoje é um bom dia para morrer

Lema klingon (de Jornada nas Estrelas) para abrir mais uma semana de trabalho insano e tormentas pessoais.
Mais uma pro caderno de promessas que não serão cumpridas: se eu me livrar dos trabalhos que tenho de entregar esta semana, juro que vou diminuir o ritmo, sob risco de cair morto na frente do computador ou sobre um livro que eu estiver revisando...
Tenho uns poemas que eu queria publicar aqui, mas vou deixar pra outro dia. Agora estou morrendo de sono.

7 de novembro de 2008

A verdade é que...

...a velhice (ou maturidade, como queiram) é só aquele tempo e que você mais e mais se aproxima da possibilidade de morrer de repente. Não da forma mais besta, que isso é para os jovens. Mas não poder mais comer o que se deseja, beber o que apetece, dormir pouco etc. sem que isso cause desarranjos infindáveis. Ou, por nada, contrair uma doença idiota que vai dar cabo rapidinho de suas últimas ilusões. Envelhecer é isso.

4 de novembro de 2008

Recado

Olha, fui até ali e volto logo. Quer dizer, tão logo a necessidade de sobrevivência me permita.

28 de outubro de 2008

Não bastasse isso ainda tem mais aquilo...

O ano está horrível para todo mundo, eu sei. Quer dizer, quase todo mundo. Projetos abortados, iniciativas postas a pique, revistas fechadas, livros que não serão editados, e assim vamos. Tudo até seria suportável - dentro dos parâmetros da economia de mercado - se não fosse o império da canalhice. Imagine a situação: um dia você está ali, trabalhando duro por uma revista ou por uma editora. No outro dia, você chega para trabalhar e, como dizia a canção, encontra outro em seu lugar. Assim, sem mais essa. Sem telefonema, sem aviso prévio, sem um mísero e-mail. Que vem depois que você escreve um, pedindo explicações. E aí, segue o balaio de desculpas esfarrapadas, incluindo um "se eu soubesse que você tinha interesse em continuar conosco..." Ah, então tá. Era o caso de perguntar isso diretamente para mim, não? Se bem que, sejamos francos, isso nem passou pela cabeça da dona fulana e seu jeito tosco de administrar uma empresa. E, sem querer rogar praga, que eu nem acredito nisso, mas tudo indica que aquela publicação não dura muito mais. Pena, pois já foi uma das mais importantes em sua área. Agora nem sabe para que lado atira, e quando o faz, faz errado. Perde colaboradores, perde amigos e vai cavando sua cova no cemitério das revistas memoráveis. Eu disse memoráveis? Sim, mas não por seus últimos anos...

22 de outubro de 2008

Das aprendizagens

Duas ocasiões em que as pessoas se revelam como realmente são: dirigindo (automóvel, moto, tanto faz) e no dia-a-dia do trabalho. Na verdade, tem mais uma: quando entra dinheiro na jogada. Tirando isso, somos socialmente contidos em tudo. (Eu ia dizer "hipócritas", "falsos", coisas assim, mas, pensando direito, o que restaria da civilização - qualquer uma - se todos nos revelássemos como somos?)

20 de outubro de 2008

Rapidíssima

Do porquê eu não acreditar na humanidade (o que inclui, apesar dos paradoxos, os advogados, economistas, jornalistas, políticos, escritores paranóicos e professores)

Porque não.

17 de outubro de 2008

Ninguém aprende mesmo...

Algumas coisas nunca mudam:
- nasce um trouxa a cada segundo;
- ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia;
- só há duas certezas na vida: a de que vamos morrer e a de que alguém vai nos sacanear (frase que encabeça meu perfil orkuteano, e que devo à colaboração de meu colega de editora, Fernando);
- pior que cabeças de melancia só mesmo cobras criadas que não sobem escadas rolantes;
- não existe almoço grátis.

Tudo isso a propósito de uma campanha que tem mobilizado muita gente que ambiciona ter um serviço supostamente "de graça". E o povo ainda acredita nisso!

14 de outubro de 2008

Small potatoes

A respeito do último lance da campanha de Marta Suplicy, o que se pode dizer? Trata-se, sem dúvida, de um golpe baixo. Tão baixo quanto os desferidos por seus ex-adversários, em disputas anteriores. Ou quanto o de Collor contra Lula, quando ambos disputaram a presidência da República. Mas como se sabe, pimenta nos olhos dos outros... E, para completar a infâmia, vem a candidata afirmar, com a maior candura, que "não sabia de nada", que isso é "decisão do marqueteiro". Ah, me engana que eu gosto!
O teor da embrulhada faz-me lembrar de um fato ocorrido já há algum tempo, quando um colega professor teria dito a seus alunos que ele era "o único professor heterossexual do curso" (confrontado, ele teria negado tudo, como de praxe). Cabe perguntar qual a relevância disso: a homossexualidade faria um professor (ou seja lá o que for) pior? Homossexuais seriam incompetentes para exercer cargos de qualquer natureza? Para muita gente que se diz progressista, nada como um pequeno confronto para fazer cair a máscara do recalque, do preconceituoso internalizado na figura pública de pessoa "da esquerda", cujo passatempo é sair por aí acusando os desafetos de pertencerem à "direita". Assim, até eu.

10 de outubro de 2008

Dos reencontros

Prometi que ia falar de reencontros, pois eis-me aqui conforme o prometido.
Depois de ter feito Letras, resolvi cursar outra graduação, em Comunicação Social. Não foi a melhor experiência de minha vida, mas o saldo foi, direi bastante positivo. Conheci pessoas legais lá - ainda que eu mesmo não tenha sido uma pessoa legal, mas isso não chega a ser nenhuma novidade para quem me conhece -, travei contatos com bons professores (e muitos picaretas também), acabei tendo uma formação que hoje me permite desempenhar até que bem algumas das atividades das quais retiro meu ganha-pão. Mas o melhor, de fato, foram as pessoas. Duas, em particular, são de minha maior estima, respeito e consideração: Érica e Cris (Moá, como a chamamos até hoje). Todos eram mais novos que eu, e plenos de uma juventude que me remoçava sempre que os encontrava (daí, talvez, meus arroubos adolescentes em plena idade do juízo...hehehe!). Enfim, o tempo passou, todos ou quase todos se formaram e, em 2006, a Cris resolveu agitar em reencontro em comemoração aos 10 anos da turma. Claro que nem todos foram, o que foi uma decepção, mas nem por isso inesperada. Neste ano, marcamos outro. E mais uma vez, só um terço da turma de reviu, praticamente os mesmos de 2006. Não obstante isso, pensamos em marcar um churrasco, desta vez na casa da Érica. Trocamos e-mails e, nessa troca, algo no mínimo bizarro aconteceu...
Um de nossos ex-colegas, cujo nome prefiro declinar aqui, resolveu entrar na conversa fazendo algumas gracinhas do tipo "sempre que ouço falar em encontrar pessoas que não vejo há tempos, sinto algo dentro de mim que não sei se é saudade ou falta de dramim..." Não me recordo das palavras exatas, mas o tom era mais ou menos esse. Ok, muitos vão dizer que, sendo eu mesmo um sujeito sarcástico, eu deveria ter entendido o rapaz, mas não foi mesmo o caso. Primeiro que esse tipo de coisa a gente diz "ao vivo", na cara das pessoas, até para deixar claro que é "somente uma brincadeira", ou coisa que o valha. Por escrito, em e-mails, geralmente soa mal. Segundo que, para mim, há coisas com as quais não se brinca, e a mais importante delas é a amizade. Nada é mais valioso que isso. E manifestar desprezo, por mais que tenha sido apenas uma forma jocosa de se dirigir a nós, soou - ao menos em meu entender - desrespeitoso. Sinto muito, meu caro, mas você podia ter nos poupado dessa, sinceramente. Pior é que, com essas e outras, nem sei mais se esse churrasco vai, afinal, acontecer. Talvez o tempo tenha separado definitivamente alguns de nós, não sei. Talvez tenhamos feito de nossas vidas algo tão insano que só reste mesmo lembrar de um tempo em que fomos mais felizes, pondo de lado qualquer possibilidade de reencontro. Talvez envelhecer seja isso, encarar o passado com as tintas de um sarcasmo que só confirma o quanto estamos despreparados para o presente...

8 de outubro de 2008

Vocês não viram nada...

E a crise, que o Lula dizia que era "problema do Bush", chegou. Acresce que quase todo mundo acreditou em mais esse embuste, de onde se conclui que somos mesmo um país de bananas. Nanicas. Mas não fiquem felizes, porque o pior ainda não veio: a depressão em escala mundial, que vai levar à bancarrota muita gente e muito país. Espero, para variar, estar errado, mas não sei não...
Agora, o que poucos se perguntam é quem, afinal, está ganhando com essa barafunda toda? Sim, porque só um imbecil ingênuo pode acreditar que TODOS sairão perdendo com essa zona econômica. Não, queridos(as): alguém sempre ganha, e muito. E também não precisa ser muito esperto para saber quem: os especuladores de sempre. E não são os administradores da Sadia e da Aracruz, como o estúpido falastrão declarou. Essas empresas acreditaram na valorização do Real sob o império lulista. Cairam na real, finalmente. Talvez, no fundo, tenha sido merecido; afinal, quem mandou acreditar neste país e em quem o "governa"?

26 de setembro de 2008

Diálogos imponderáveis

Exemplos de conversas hipotéticas, mas plausíveis:

1
- Oi, lembra de mim? (Sem dizer o nome, nem de onde nos conhecemos.)
- Não.
- Ah, vai dizer que não lembra; faz um esforço!
- Se eu fizer um esforço nem vou dizer o que vai sair.
- ...

2
- Oi, lembra de mim?
- E como eu poderia esquecer? Você foi aquela pessoa que apareceu, disse que me amava etc. etc. e que, de repente, depois que eu desgracei toda minha vida por você - ou seja, depois que me apaixonei - resolveu sumir, alegando que estava confusa, que tinha uma outra pessoa, com quem você inclusive ia casar, e o resto a gente já sabe. E como você está?
- Não, estou melhor, fiz terapia, e coisa e tal, agora estou bem. Mas só estou te ligando pra pedir desculpas pelo que fiz, que não foi legal nem pra mim nem pra você, e que espero que a gente possa ser amigos daqui pra frente...
- Ah, bom. Então vamos tomar um café para...
- Não, nem pensar! Sou uma pessoa casada, não quero retomar aquilo tudo, impossível a gente se ver!
(Pensamento: trata-se de uma pessoa que leva a expressão "amizade virtual" à últimas conseqüências. Ou é maluca mesmo. Tendo à segunda hipótese.)

3
- Oi, você não me conhece, mas eu conheço uma pessoa que te conhece e que diz que gosta muito de você e que você é muito legal.
- Sei. E quem é essa pessoa? (Quem, neste mundo sem deus, pode achar isso de mim?)
- Ah, adivinha!
(Nada mais boçal que essa coisa estúpida de ficar fazendo joguinho de adivinhação. Pior que isso, só mesmo a onda do politicamente correto.)
- Olha, não tenho a menor idéia. Mas espera um pouco que vou consultar a lista telefônica. Vou ditar nome por nome e, quando o nome dessa pessoa aparecer, você grita "achou!!!!". Combinado?

Faltou, como deve ter percebido o(a) leitor(a) mais arguto(a), o comentário a respeito de encontros com ex-colegas de faculdade. Vou deixar vocês na expectativa mais uma vez, sinto muito.

22 de setembro de 2008

Mensagem na garrafa

Querida E.:
que bom que você veio aqui, leu alguma coisa e se deu ao trabalho de me mandar um e-mail comentando um de meus posts. Acho que você é a primeira pessoa, daquele pessoal da faculdade, que visitou meu blogue - a despeito de eu o manter já faz um certo tempo. Não vou negar que foi uma grata surpresa, eu que não gosto delas. E vindo de você, a quem muito admiro e respeito, foi particularmente especial.
Dito isso, reitero o que já dissera: muito do que este blogue traz é triste, menos por mim, e muito mais pelo mundo - que só faz nos deprimir mais e mais. Talvez a essência seja isso: não me permito o luxo da alegria - ainda que sejam as pequenas felicidades cotidianas, os instantes domésticos de plenitude - porque seria compactuar com a idéia de que nos espera alguma coisa que não seja a destruição, o aniquilamento, a decepção. Não sou assim; nunca fui. Acresce que, pela vias comuns do existir, tomamos contato com pessoas que nunca nos deixam esquecer a condição humana, essa capacidade infinita da crueldade, da vilania, da calhordice. Salvam-se, contudo, umas poucas, justamente aquelas que me fazem acreditar que ainda é possível adiar o lamaçal no qual chafurdaremos mais dia, menos dia. Você é uma dessas pessoas. E é por isso que escrevo esta carta, coloco-a numa garrafa e jogo-a neste mar virtual em que (ainda) conseguimos nos encontrar e nos falar. Talvez um dia você a leia. Talvez outros o façam. E eu, aqui, mesmo descrente da humanidade e de suas escolhas, pararei de teclar no computador e olharei pela janela, esperando que o dia que nasce ao menos não me traga as notícias cinzentas de sempre.

21 de setembro de 2008

Sobre rever pessoas

Os últimos dias, à parte a endoidecedora rotina de passar de um trabalho a outro, sem descanso, incluíram rever pessoas que eu não via há algum tempo e ensaiar uma tentativa de encontro entre ex-colegas de faculdade. No geral, gosto dessas ocasiões. Claro que só revemos pessoas de quem gostamos, a não ser em caos fortuitos como restaurantes e locais públicos, nos quais sempre existe a chance de esbarrar em gente desagradável. Assim sendo, e apesar de sempre premidos pelo tempo que não temos, são momentos em que você retorna a épocas menos infelizes, constata a passagem dos anos em você e nas pessoas, lembra situações cômicas ou nem tanto etc. Foi assim com a Renata, a Juliana e a Taty, questão de duas semanas atrás. Com a Fátima e a Kátia, no mesmo período. Com a Dani e a Janete, semana passada. Mais que mosaicos do passado, são e serão sempre presenças indeléveis, pelo que compartilhamos, pela amizade que fomos construindo - aos poucos e pacientemente. A elas, minha pequena homenagem neste blogue.
P.S.: valeria um post a respeito do acima citado encontro de ex-colegas. Mas deixo isso para uma próxima vez.

15 de setembro de 2008

Diretamente do inferno

A maturidade não traz sabedoria alguma. Também não proporciona epifanias, uma vida melhor, menos preocupações, essas coisas que a mídia faz questão de divulgar só para que tenhamos a ilusão de que, velhos, prestamos para alguma coisa que não seja azucrinar os novos. O que a maturidade traz, certamente, é uma saúde pior, a certeza de que seu corpo já não agüenta os trancos que o existir nos proporciona, o desalento, nenhum encanto.

6 de setembro de 2008

Hahaha

Imaginem a cena: lotação subindo ruas íngremes na zona leste. O motorista, ao que parece, tem vocação para assassino, daqueles psicopatas. Acelera, freia com força, passa por lombadas sem diminuir, faz curvas sem tirar o pé do acelerador. E a desgraça ali, lotada, um calor de cozinhar até galo velho, pessoas com o desodorante vencido. Para completar, o som berrando nos alto-falantes: "rebola, rebola, rebola... é assim que você gosta? rebola, rebola..." ou coisa do gênero. Não há mesmo nenhuma esperança pra essa gente. Eu disse gente? Esqueçam.

4 de setembro de 2008

Cultura isenta? Nem pensar!

E depois, quando eu digo que o mundo é composto de gente que f... e gente que é f... - e que a maior parte, incluindo eu mesmo, está no segundo grupo, ainda me dizem que sou pessimista. Acabei de ter mais uma prova, hoje mesmo, de que nem chego perto da verdade, quando o assunto é o mundo calhorda.

3 de setembro de 2008

Muito engraçado

O presidente, em mais uma de suas aparições públicas, desta vez fazendo demagogia com o petróleo que ninguém sabe se pode realmente ser extraído, soltou o verbo e pôs na avenida seu repertório infinito de gracinhas. A platéia que lá estava, toda ela composta de acólitos, deu risada. Não achei graça alguma. Na verdade até eu, com cólica renal, sou capaz de tiradas melhores e, diga-se, menos vulgares. Mas a pérola ficou para o trecho em que o grande líder iluminado disse que, do jeito que a Petrobras "vai fundo", daqui a pouco a broca vai puxar um "japonesinho" e aí teremos um problema internacional. Juro, estou com dor de estômago de tanto rir. Valem lembrar que, há pouco, o mesmo sujeito participava das cerimônias em comemoração ao centenário da imigração... japonesa. Diplomatas ririam, bajuladores rirão, a massa rirá. Mas, é claro, ninguém admitirá que discriminamos pessoas, tudo não passou de uma brincadeira, eu é que não tenho bom humor, sou um representante da direita etc. etc. Enquanto isso, a caravana passa...

1 de setembro de 2008

Para guardar no caderninho preto

Pesquisa recentemente divulgada mostra que parcela considerável do público de cinema prefere assistir a filmes dublados. Da pespectiva de quem gosta de ver tudo cor-de-rosa, nada mais animador, já que, assim, estamos nos igualando aos norte-americanos, que também preferem assistir aos filmes estrangeiros dublados no idioma deles. Estaríamos nos tornando menos colonizados, livrando-nos, desse modo, do jugo do imperialismo ianque? Nem pensar, já que 90% do que assistimos nos cinemas é produto de lá mesmo. O que a pesquisa mostra, de maneira quase cristalina, é que continuamos analfabetos, cada vez mais, e que não há estatística governamental que consiga mascarar a farsa que é o ensino neste país. Preferir a dublagem não é afirmar o idioma local, a marca de nossa nacionalidade capenga, mas simplesmente é uma forma de disfarçar a incapacidade de ler as legendas e acompanhar o filme ao mesmo tempo. Um problema que pode ser, também, coisa de limítrofe. Neste caso, concordo: estamos bem próximos aos norte-americanos.

27 de agosto de 2008

Reiteração necessária

Já disse mais de uma vez, mas não custa repetir - até para que eu mesmo não esqueça: não acredito em nada a não ser na infinita capacidade do ser humano ser um calhorda f.d.p. com qualquer um que não seja ele mesmo. Ou, como já escreveu Machado de Assis: "suporta-se com paciência a cólica alheia". Mas eu acho que nem isso.

18 de agosto de 2008

Das novidades meio antigas

Fui cobrado por não haver noticiado aqui minhas mais recentes atividades no campo da cultura, ou melhor, no campo da divulgação dela. Correndo o risco de ver quem eu não quero ou ler coisas desagradáveis escritas pelo desafeto habitual que insiste em achar que pode ser meu inimigo, vamos a elas:
- desde o último sábado (16 de agosto), estou ministrando uma oficina de literatura para o vestibular. Na verdade, são encontros em que este que vos escreve fala, por quase duas horas, sobre cada uma das obras que constam da lista de livros obrigatórios da Fuvest/Unicamp. A iniciativa é da Coordenadoria de Bibliotecas do Município de São Paulo, a quem agradeço a confiança depositada. Essas oficinas estão acontecendo em diversas bibliotecas da cidade, mas as minhas são a da Vila Prudente e a da Penha, onde fui muito bem recebido, tanto pelos funcionários quanto pelo público presente (só na Penha eram cerca de 100 inscritos).
- nas bancas, desde o último dia 15, o novo número da Biblioteca EntreLivros - Especial Literatura e Jornalismo, no qual escrevi sobre a crônica e particularmente sobre Nelson Rodrigues cronista esportivo. Acho que ficou pior que o anterior, sobre Machado de Assis, mas ficou assim, então não vou chorar sobre o leite derramado. Comprem, divulguem - se forem amigos(as). Se não forem, vão para o raio que os parta, que a vida já está chata o suficiente sem vocês, os invejosos...hehehe!

13 de agosto de 2008

Todo dia...

A rotina, em si, não é ruim. Nociva é a rotina que se torna a única alternativa em sua vida. Esta, por seu turno, mais e mais expõe sua face descarnada. A agonia nos arrasta para o fundo de seu poço seco...

8 de agosto de 2008

Chove...

Alguns pesadelos se confirmam. Outros só adiam - para nossa agonia - sua chegada. Ao fim e ao cabo, para usar uma expressão bem desgastada, que bem-aventurança é possível e plausível em país escuso? Enquanto isso, sentimos os vermos roerem nossa carne, lentamente, sem descanso.

4 de agosto de 2008

O que nos espera...

Semana começando, volta às aulas, nenhuma expectativa a não ser o pior do pior. O caso da inglesa que foi morta e esquartejada pelo "namorado" dá o que pensar. Por exemplo: disseram que ela era apaixonada pelo Brasil. Ah, se era isso mesmo, bem-feito! Quem mandou achar que isso aqui (ô-ô) seria um lugar aprazível? Nem lá, nem cá: a verdade é que o mundo inteiro tornou-se insuportável e, para onde quer que a gente se volte, tem um mala para nos torrar o saco e/ou tornar nossa existência um inferno.

31 de julho de 2008

Reflexão irrefletida

Há horas em que penso se há algum motivo para continuar. E, sinceramente, fico cada vez mais convicto de que não. Não neste mundo. Não nessas condições.

29 de julho de 2008

Para não ficar em branco

Assim: permaneço nessa cruzada insana pela sobrevivência, de modo que este blogue nem sempre será atualizado. O bom é que, no mês de julho, ninguém lê nada mesmo, e assim poucas pessoas ficaram descontentes. E em agosto - por sinal, mês do cachorro louco - sai outro número da Biblioteca EntreLivros com um artigo meu, desta vez sobre Jornalismo, Literatura e as Crônicas de Nelson Rodrigues. Está tão ruim que vocês vão ter de comprar a revista só para descer o malho.

20 de julho de 2008

De volta, ou quase...

Fato é que não existe vida intelectual quando você é obrigado a passar metade de sua vida tentando sobreviver, ou melhor, trabalhando somente para pagar suas contas...

Mas, para que não digam que morri e esqueci de me enterrar, tem poema meu publicado no Palavra, do Le Monde Diplomatique. Podem clicar aqui.

4 de julho de 2008

Entrevista

Ninguém perguntou, mas como o blogue é meu mesmo, segue a entrevista que concedi à jornalista Francis Neves, publicada, em parte, no jornal laboratório do curso de Jornalismo da Unesp. O texto original foi modificado e aumentado, não alterando, contudo, sua essência. Boa leitura.

Pergunta: Qual parente seu veio diretamente do Japão? Como ele relata esta experiência?
R.: Meus avós, tanto os paternos quanto os maternos, vieram do Japão. Infelizmente, todos já faleceram. Os relatos que ficaram, sujeitos evidentemente às distorções de memória e acidentes de percurso, não diferem dos demais depoimentos de outros imigrantes. Falam dos tempos difíceis de adaptação à alimentação, clima, costumes e idioma. Meu avô paterno teria sido um dos fundadores da cidade de Assaí-PR, e lá ele teria sido uma espécie de micro-empresário na época, com fábricas de sorvete e refrigerantes (em épocas distintas). A repressão surgida principalmente durante a 2ª. Guerra parece ter sido mais intensa na região interiorana do Brasil, pelo que pude ouvir quando era criança. Aqui em São Paulo, onde minha mãe nasceu, ela teria sido um pouco menos explícita – uma de minhas tias casou-se com um descendente de alemães, e isso no final dos anos de 1950, quando esse comportamento não era dos mais aceitos entre os nipo-brasileiros.
P.: Como foi a adaptação do imigrante?
R.: Conforme disse antes, teria sido difícil. Não bastasse a má vontade das autoridades locais em relação aos japoneses, as diferenças eram enormes em relação a todos os aspectos da vida social. Ainda hoje, de certo modo, essas particularidades permanecem.
P.: Neste ano de 2008, duas escolas de samba (a Unidos da Vila Maria, em SP, e a Porto da Pedra, no RJ) retrataram o Japão no Carnaval. O que o senhor acha destes desfiles? Qual a importância deles para a comunidade nipônica no Brasil?
R.: Da minha perspectiva, a apropriação do tema por duas escolas de samba só se explica por conta do marketing em torno disso, a tal comemoração em torno dos 100 anos da imigração e o dinheiro que isso pode gerar. Claro que contribui para essa visão o fato de eu ter ojeriza pelo Carnaval, ainda que veja nele a plena expressão de um modo de ser "nosso" - para o bem e para o mal. Veja que o simples fato de eu dizer “nosso” já levantaria, por parte de muita gente, uma série de manifestações indignadas, primeiro por eu não gostar de Carnaval – o que confirmaria minha condição alienígena; segundo, por tomar como “meu” algo que os nacionais (como se eu não tivesse essa condição também) desejam exclusivamente para eles. A expressão “tem japonês no samba”, apesar de preconceituosa aos olhos de hoje, ainda diz muito do que muitos pensam a respeito dos nipo-brasileiros. Sinceramente, não vejo nisso nenhuma importância para a dita comunidade nipônica, a não ser fomentar a farsa ilusória de nossa "integração", que nunca – e friso o “nunca” – será plena, é bom reiterar.
P.: Como é a vida dos descendentes? No que difere dos brasileiros "comuns"?
R.: A pergunta, em si, já diz muito, embora eu saiba não ter sido sua intenção fomentar a desavença. Salvo os casos mais peculiares, não me parece haver grandes diferenças. No meu caso em particular, a única coisa que permanece é o hábito de comer arroz feito à moda japonesa – sem óleo nem sal. Me parece, contudo, que a garotada mais nova está voltando a assumir determinados hábitos, mas do Japão moderno, em função dos mangas e dos animes. Isso tem a ver com o fenômeno já velho da globalização, cujos efeitos deletérios ainda não foram totalmente sentidos por nós. Aqui em São Paulo, pelo menos, não vejo diferenças significativas, embora eu saiba haver comunidades no interior do estado que pautam sua vida em manter os costumes tradicionais do Japão, coisa que nem os próprios japoneses de lá mais sabem do que se trata.
P.: Houve alguma discriminação por ser japonês?
R.: Sempre, embora de maneira velada na maior parte das vezes. O que não torna a discriminação menos odiosa, pelo contrário. Veja que só o ato de chamar alguém de "japonês" (como escrevi numa daquelas crônicas no site da Abril) já é, em si, uma forma de discriminação. O que você diria se alguém chegasse numa roda de pessoas e chamasse o rapaz mais moreno de "ô, africano", ou coisa similar? Pois é assim que eu encaro o problema. Muitos dizem que é exagero de minha parte, ao que sempre respondo que, no começo, Hitler era só um sujeito mais excêntrico do que os demais. As desgraças da humanidade nunca começam de uma só vez. E acho hipocrisia os descendentes dizerem, como disseram em algumas reportagens recentemente veiculadas, que não sofreram discriminação ou que levam tudo na brincadeira. Com esse tipo de comportamento não se deveria brincar muito menos relevar.
P.: Em um dos seus textos no site da Abril, o senhor diz que "nunca serei considerado brasileiro - está na cara. Mas também não sou nem nunca serei japonês - e isto está no coração". Eu gostaria que o senhor explorasse essa realidade, que não é exclusividade sua (outros entrevistados meus disseram algo bem parecido!). Como é, então, se sentir assim, meio sem nacionalidade definida? Há coisas boas nesse sentido? R.: Se o mundo fosse um lugar menos injusto, talvez o fato de não pertencer a lugar algum fosse de fato uma vantagem. Mas não é, e cada vez mais parece que as coisas caminham para o aumento dos nacionalismos, dos extremismos, do ódio étnico e tribal. Curioso é que essa "sensação" não ocorre com os demais membros do caldo étnico-cultural brasileiro, não sei se você já reparou nisso. Um negro ou um branco sentem-se perfeitamente "brasileiros", e ninguém contesta a legitimidade disso. Agora, um oriental (e não me refiro aos árabes ou indianos, embora mesmo eles possam ser discriminados, e são), pelas características físicas, está sempre fadado a ser visto como estrangeiro. O fato de eu não saber o idioma japonês, por outro lado, me faria ser discriminado no Japão também, onde eu seria categorizado como "fracassado". Como declarei no texto citado por você, minha dedicação está voltada ao Brasil, pela perspectiva de um olhar crítico sobre nossa sociedade, o que talvez me dê uma visada menos usual, que mestres como Roberto Schwarz (austríaco) e Anatol Rosenfeld (alemão) tiveram a respeito do mesmo assunto. Claro que a comparação é descabida, pela desproporção intelectual entre mim e eles, mas serve como indicação a respeito do que estou tentando dizer. Não faz muito tempo, falei com um conhecido, Jiro Takahashi, a respeito da ausência do assunto "japonês" em meus poemas. Na verdade, foi falta de percepção de minha parte, porque esse assunto sempre esteve ali, e só depois dessa conversa é que me dei conta disso. No caso, sob a forma de textos que sempre falavam do divórcio entre o sujeito e o mundo onde ele vive. Nada mais nipônico do que isso: o sujeito que se isola – e o Japão é uma ilha. Tudo temperado pela experiência do convívio – nem sempre pacífico – com o diferente (e nada mais "brasileiro", no mesmo sentido). Em suma, o deslocamento/descolamento permite enxergar com muita propriedade as contradições irresolvíveis de nossa formação social, mas, ao mesmo tempo, faz com que esse olhar seja o tempo deslegitimado por conta de minha condição “estrangeira”. Isso também diz muito de nosso tempo, em que os nacionalismos temperados por visões fascistóides ou pseudo-socialistas pululam aqui e acolá, esfacelando a suposta integração que a internet e as bolsas de valores trariam, como vaticinaram os ideólogos do neoliberalismo. Aqui no Brasil, como tentei demonstrar, não tem sido muito diferente, e não é essa conversa a respeito do “mútuo respeito” entre os japoneses e os brasileiros que vai mudar minha avaliação. A esse respeito, aliás, li uma carta enviada pelo leitor de uma importante revista semanal, na qual ele reclamava da “falta de agradecimento” da comunidade nipo-brasileira por conta de matéria publicada em “homenagem” aos 100 anos da imigração e à contribuição dos japoneses na vida cultural brasileira. Afinal, disse o leitor, “não me lembro da revista ter feito o mesmo em relação às comunidades italiana, portuguesa etc.” Me perdoe a expressão, mas isso é o primor da grossura e do preconceito embutido sob a forma de civilidade. Civilidade essa que o tal leitor cobra de pessoas que foram vistas, até o início da década de 1950, como “incapazes”, “imprestáveis”, “nocivos à sociedade” e por aí vai. Então, ou se trata de desconhecimento histórico (o que nem por isso redime o leitor de sua grosseria) ou é canalhice mesmo. Acho que são as duas coisas.

21 de junho de 2008

Cansaço

Sumi, não? Nessa labuta para pagar contas e saldar dívidas impagáveis, acabei excedendo todos o limites do bom-senso e peguei todos os trabalhos que atravessaram meu caminho. Insanidade total. Claro que até agora não recebi um tostão. É sempre assim: para cobrar a entrega do material todo mundo é rápido; para pagar o que nos devem, pra que tanta pressa? E ainda tenho de ver gente dizendo que o marxismo está superado.

Sabem aquela notícia boa que eu dizia que talvez pudesse dar? Pois então: não vai ser dessa vez. No fundo de meus intestinos eu já imaginava isso, mas vocês sabem que ninguém resiste a uma ilusãozinha no fim do poço, não é mesmo?

A quem gosta de mim: acabou de sair um número da Biblioteca Entrelivros que trata de Machado de Assis. Este que vos escreve contribuiu com um artigo chinfrim, lá no final da revista, que é quando todo mundo já está de saco cheio e nem presta mais atenção ao amontoado de asneiras impressas ali. Mas tem coisa boa na publicação, à venda nas boas bancas de jornal deste país. Comprem e divulguem.

4 de junho de 2008

Rápido!

Atulhado de trabalho. Outra vez: se a relação entre a quantidade de coisas a fazer e a remuneração correspondente fosse direta, eu estaria vivendo em Paris, flanando por uns trinta anos. Mas a coisa é inversamente proporcional: quanto mais se trabalha, menos se ganha. A não ser que você seja o dono do negócio. Mas o melhor de tudo mesmo é virar político profissional. O problema é que não tenho estômago pra isso. Muito menos tenho vocação para calhorda. Até tento, mas jamais chegarei ao nível de quem já rodou por praças e roeu nervos pelas calçadas da Vila Madalena.

1 de junho de 2008

Ah...

Alguns dias de frio, o que trouxe - por breves instantes - a ilusão de que isto aqui (ô,ô) poderia chegar perto de ser um país civilizado. Ainda bem que as imagens de Lula e seus comparsas sempre desfazem qualquer vã esperança nesse sentido. Esta semana promete. Horrores, como não poderia deixar de ser. Peguei um trabalho meio chato, mas que vai pagar até que bem. Como desgraça nunca vem sozinha, recebi uma ligação dizendo que um outro livro, que eu havia revisado faz mais de um mês, voltou para a segunda prova e, agora, eu teria de pegar essa segunda parte. E entregar em duas semanas. Simples assim. Quer dizer: além de ter de ficar mendigando o pagamento de meus serviços naquela editora caloteira, é só descolar um outro trabalho que tudo o que não veio quando deveria ter vindo acaba chegando de uma só vez. Alegria de pobre é assim mesmo.
As boas notícias continuam em compasso de espera. Como existe um ditado que diz que "coisa ruim vem a galope" (ditado, claro, do tempo em que o cavalo era o meio de transporte mais veloz), espero que a lentidão seja sinônimo de coisas positivas. Não é, nem será, mas não custa nada se iludir nem que seja um pouquinho...