11 de maio de 2010

Por um instante

Por um instante, o recinto onde estávamos ficou mais gelado que a tarde uivando lá fora.

10 de maio de 2010

Pílulas de sabedoria sem rumo

Numa relação qualquer, quem confunde dor pela perda com manifestação do "verdadeiro eu" do outro realmente é um se desprovido de qualquer tipo de inteligência.

6 de maio de 2010

Frase do dia

Não há crise (existencial ou de outra natureza) que resista a uma trepada bem dada.

4 de maio de 2010

Das gentilezas

- Jamais ceda lugar na fila, seja do que for. Ninguém ganha nada com isso e você, certamente, perde muito mais.
- Dirigir palavras gentis a alguém significa angariar o despeito de quem não as recebeu ou de quem acha que recebeu menos que a outra. E acredite: você nunca vai acertar na dosagem.
- Em hipótese alguma acredite em pessoas que dizem que jamais esquecerão do ato de bondade que você exerceu em benefício delas. Vão esquecer sim, tão logo você faça alguma besteira ou elas encontrem alguém que faça algo melhor.
- Homens são seres parvos, mas as mulheres não ficam atrás - notadamente aquelas que gostam dos mais parvos entre os homens. Homens gentis são candidatos a um chapéu de touro.
- Nada como um dia após o outro. Para provar que nada mudou de um dia para o outro. Com sorte, não piorou.
- Palavras são coisas perigosas. Por isso, quando for elogiar alguém, seja claro(a), explícito(a) se for o caso. Tudo, hoje em dia, pode ser interpretado para o lado negativo. Notadamente se a parte que ouve sofrer de surdez mental ou qualquer outro distúrbio semelhante.

3 de maio de 2010

Lembretes desnecessários

- Se tiver de trabalhar num fim de semana, nunca deixe para sair na hora do almoço ou depois dela; é nesse horário em que todos os que são (ou acham que são) mais felizes que você costumam infestar as ruas com suas futilidades.
- Gente estranha não significa necessariamente gente perigosa. Mas nunca é demais tomar as devidas precauções. Colete a prova de balas e capacete são sempre úteis.
- Se sexo é sexo e amor é amor, como vocês me explicam o sentido de frases como "fazer amor", que algumas pessoas insistem em usar?
- Muito sol pode causar câncer de pele. Pouco sol pode levar a uma osteoporose. O problema, aí, é definir o quanto é "muito" ou "pouco". Isso vale também para a exposição de sua vida pessoal para outrem.
- Seja gentil com as pessoas e leve uma rasteira. Ou um safanão. Ou um tiro.

13 de abril de 2010

Pensamentos desconexos

- Reparei que a quantidade de malucos à solta por aí tem aumentado de maneira exponencial. Quando eu digo "malucos" estou me referindo a gente sem a menor capacidade de conviver socialmente - gente como eu, por exemplo. Eu sabia que essa onda deo politicamente correto ia dar em desastre. Como agora ninguém mais é doido, ficam todos soltos por aí até um deles matar alguém ou agredir desavisados com tacos de beisebol.
- Um dos tipos de gente que detesto consiste na figura escorregadia, que nunca tem opinião a respeito de nada, muito pelo contrário, e sempre fica à espera de uma brecha sua para usar seus argumentos contra você. São pessoas de muito sorriso e nenhum juízo. Se vir uma pela frente, fuja.
- Eu ia publicar um poema hoje, homenagem singela a uma amiga muito querida. Deu preguiça, fica pra outro dia.

10 de abril de 2010

Sabedorias sem sal - 2

- Não existe um sentimento de amor que não tenha como resposta um pé na bunda ou um coice na cara. Ou ambos.
- Entre um sanduíche ruim mas que mata a fome e um repasto de alta gastronomia que só pode ser contemplado pela vitrine, melhor o primeiro - ainda que a azia não tarde a se manifestar.
- Esquecer é a coisa mais fácil do mundo se você não tiver o menor interesse na coisa em si.
- Na impossibilidade de ganhar o jogo, mude as regras. Esta é uma máxima que o jogo político atual só faz confirmar.

4 de abril de 2010

Poema

Era para ser postado na quinta-feira, mas a vida anda muito corrida...

"Das afinidades"

para M.

O que separa o rio do mar que ruge
É da mesma substância que em nós mata
Seja o caldo do espírito, seja o sal
Dos corpos após o amor, suor, refluxo.

No dentro de nós a escuridão vem
E oscila entre quereres desfolhados
Ao claro nossos rostos - sós - revelam
Um sol gelado e dedos descuidados.

E o que de ti me emana - um amor
De farpas e trilhas acidentadas
Reflui em acres lagos e folhagens

Ácidas - fruto verde de futuros
Obscuros, mas plenos de ventos prenhes
Repousos, sono sob o lodo e o limo.

29 de março de 2010

Poema

"Do hedonismo"

para M.

Que assim queiramos, ao menos no calor
Dos humores que na penumbra trocamos,
É líquido desvão nos caminhos que desenhamos
Com giz e carvão sobre o solo seco.
Breve é nosso existir - isso não se nega -
E nao há flor que não se despetale
E sob a terra não apodreça, é regra.
Mas o humano desafio se interpõe
Ante as estrelas e o sal que nos come
Carne, sangue e alguma coisa insentida.
E por mais que assaz queiramos, a fresta
De um sentir perene ali se planta
A deitar raiz, corpo e frutos
De um sabor que sabemos ser amargo
(E nem por isso sequer recuamos).

23 de março de 2010

Novas

Ah, tenho novidades, sim. Pena que elas não interessam a ninguém, a não ser a mim, e olhe lá.

22 de março de 2010

Começa tudo de novo

Sabe aquelas ocasiões em que você tem vontade de ser gentil com as pessoas, achar que um dia de sol é maravilhoso, que tudo é belo e que você precisa abraçar as pessoas com quem você se relaciona? Pois é: não vai ser hoje. Nem tampouco amanhã.

19 de março de 2010

Jamais seja sincero

Das inúmeras coisas que detesto além de quiabo e miúdos: pessoas que acham que a sinceridade é uma virtude. Não é. Como eu já disse aqui, vá tentar ser sincero com essa gente. No mínimo você vai levar uma pedrada.

6 de março de 2010

Gente feliz

Sexta-feira de manhã. Parei para tomar um café numa loja de uma grande rede de supermercados. Fui fazer o pedido, mas o caixa do setor ainda não abrira. "Moço, o senhor vai lá no caixa normal, paga e faz o pedido aqui, depois." Vi a fila dos idosos (sim, porque idoso é o ser mais madrugador que existe. Antes das galinhas acordarem, lá estão eles nos pontos de ônibus, nos supermercados e nos cafés.) no único caixa que funcionava, suspirei, já prevendo aonde essa história iria me levar, mas pensei que naquele dia poderia haver uma exceção. Com a demora de praxe, chegou minha vez, pedi um café e um pão de queijo. A atendente: "Fulano, cadê a lista de códigos do café?" O outro: "Não sei, aqui não está!" E a fila atrás de mim aumentando. E lá se foi a moça a procurar. Pergunta daqui, fala com a encarregada dali. Depois de um tempo, e após todo mundo que me segui ter desistido de pagar suas compras ali, diz a moça: "Olha, senhor, faça o pedido direito no café e depois você acerta lá mesmo, quando eles abrirem o caixa deles." Já havia desistido mesmo, mas segui adiante, só pra ver se a coisa chegava aonde eu imaginara. Fiz o pedido. O rapaz do café - depois de ter atendido uma senhora, evidentemente freguesa habitual - olhou pra mim e meio que bradou: "O caixa está fechado, o senhor tem que fazer o pedido nos caixas normais!" Respondi: "Acabei de vir de lá e me mandaram vir aqui. Eles perderam a ficha com os códigos." "Não, está com eles! Aqui não ficou!" Um diálogo non sense às 6 da manhã era tudo de que eu precisava para deixar meu dia feliz. Nem preciso dizer como terminou, preciso? Achei melhor tomar o bendito café no balcão da padaria mesmo. Apertado, desconfortável, sem nenhum sossego, mas pelo menos já sabendo que, naquele lugar, ninguém fica alardeando uma alegria que não tem como existir. Não aqui, não agora. Talvez nunca.

28 de fevereiro de 2010

Minuto de silêncio para José Mindlin

O dono deste blogue lamenta profundamente a perda de um dos poucos homens dignos que ainda havia neste país.

18 de fevereiro de 2010

Desculpas. As de sempre.

Pois é, começo de ano é sempre a lesma lerda. A gente acha que vai estar com tudo preparadinho, já que "teve tempo nas férias" e, quando percebe, tudo está por se fazer. Nem a papelada do imposto de renda eu separei, e na hora H vai ser a correria costumeira. O mesmo se deu com o material das aulas, que até estava pronto, mas muita coisa teve que ser alterada às vésperas do início por conta das coisas de sempre que cercam a burocracia acadêmica. Em outros termos: a ladainha costumeira. Mas tudo começa mesmo pra valer a partir de hoje. Quer dizer, na próxima segunda-feira, já que, neste país, "ninguém é de ferro". Se bem que, com as chuvas que caíram, até os mais resistentes devem ter enferrujado. Claro, o calor continua, para júbilo dos friorentos e dos extrema e doentiamente magros. Para quem não veio do Senegal, contudo...

Em tempo: o mundo em que vivemos está mais e mais sem graça. Imaginem se seria possível, hoje, uma marchinha do tipo "Alá laô ô ô ô ô ô ô". No mínimo a turma da censura ia implicar com o "desrespeito aos símbolos sagrados de outra cultura". E olhem que nem citei as "Touradas de Madri". Se não fosse uma desgraça, seria hilariante. E nem por isso deixamos, todos, de ser extremamente preconceituosos. Aliás, as intolerâncias mais e mais têm aumentado em número e intensidade.

12 de fevereiro de 2010

Bom humor

A única coisa boa do Carnaval, que era poder dormir até não mais poder, até isso me foi vedado, e não por conselho médico.
Para completar, esse calor que teima em aqui ficar.
E ainda me perguntam o porquê de meu humor peculiar.

31 de janeiro de 2010

Quase de volta

Sumi, sim. Trabalho até o tampo. Mas aos poucos volto. Até porque amanhã recomeça a temporada no inferno.

16 de janeiro de 2010

Senso prático

Costumo separar as pessoas em duas categorias: as que veem graça no meu (mau) humor peculiar, e as imbecis.

13 de janeiro de 2010

Das datas comemorativas

Pois ontem completei 4,8 décadas de existência atribulada e atrapalhada. Recebi os cumprimentos de praxe, de gente que gosta de mim, de quem não gosta muito e de quem mais ou menos me suporta. Retribuí com as tiradas usuais, as que tratam da decrepitude, da queda inevitável de cabelos e outras coisas de maior importância etc. Dá pra dizer que a separação entre as pessoas inteligentes e as demais se faz no grau de escândalo que minhas declarações ainda possam provocar, o que se dá em escala inversamente proporcional. Mas o que dizer das sensações que a idade provecta me trouxe? No fundo e no raso, sente-se aos 48 a mesma coisa que sentimos ao completar 40: a percepção do início da derrocada, de que nos salvamos aqui e ali pelas ínfimas alegrias que algumas poucas pessoas queridas ainda conseguem nos trazer, o que não é pouco, dado o imenso mar de desgraças cotidianas. O restante a gente vai chutando enquanto pudermos.

1 de janeiro de 2010

2010

Não quero estragar a festa de ninguém, mas este ano promete ser o começo de uma série de períodos desastrosos. Esperem 2014 e 2016 pra ver se eu não estou certo. Claro, espero não viver pra comprovar isso...

25 de dezembro de 2009

É verdade

É verdade que eu podia morar nas áreas que alagaram; é verdade que eu podia passar fome e sede e frio debaixo de um viaduto qualquer; é verdade que eu podia estar há dias sem banho, vestindo roupas rotas e sujas e fétidas; é verdade que eu podia ganhar a vida expondo minhas chagas e aleijões numa calçada do centro da cidade; é verdade que eu podia ter sido órfão e passado necessidades e privações de todos os tipos; é verdade que eu podia ser beneficiário de uma bolsa-qualquer e, assim, ser eleitor do farsante do Lula ou de seus candidatos; é verdade que eu podia não ter estudado em universidade pública e, no máximo, ter me formado numa dessas uniqualquer coisa. Tudo podia ser verdade, mas não é. Nem por isso me sinto desprovido do direito de ser infeliz, de ter minhas tristezas, minhas angústias e minhas frustrações miúdas de classe mé(r)dia. Como se apenas os pobres, negros e fudidos pudessem reclamar do que a vida não lhes deu. Como se a tristeza fosse propriedade privada dos que de quase tudo foram privados. Essa demagogiazinha, ela sim, me cansa profundamente.
Um bom 2010, se ainda for possível.

15 de dezembro de 2009

Rápida outra vez

O que me espanta na dita intelectualidade brasileira é sua capacidade quase insana de se deixar levar por ídolos de barro, ou melhor, de graxa. Isso, a maioria. Os demais se locupletam.

5 de dezembro de 2009

Desastres

Para não perder o costume, desastres cometidos a granel. Falta-me o senso da medida e do ridículo. Verdade é que a idade pesa mais que saco de arroz de cinco quilos depois de quinze andares subindo pelas escadas. Mas eu sempre tive comigo essa condição exagerada, hiperbólica e apaixonada. Doença de que tento me curar com doses cavalares de observações amargas, tiradas irônicas, olhares cínicos e ceticismo sob as unhas. A régua da descrença se faz com toneladas de uma fé no que não pode ser. Nem todo mundo pode ter aquilo que deseja. Na verdade, quase ninguém. E o que nos move senão essa ilusão no porvir? Estou vivo, decerto. Mas há tempos que isso não me serve de consolo. Face a isso, pouco resta, senão o sono. E que ele não demore a vir e a me levar.

1 de dezembro de 2009

Adendo

Que tempos esses os nossos nos quais temos de explicar TUDO o que dizemos... O próximo passo, como dizem por aí, é começar a desenhar, já que ninguém é capaz de fazer uma abstraçãozinha que seja.
Você tem dinheiro para comprar um celular. Um bom celular. Desses que tiram foto, tocam MP3, filmam, levam o cachorro pra passear etc. Mas o que você queria mesmo era aquele outro, que faz as mesmas coisas mas manda e recebe e-mails, permite navegação na internet, lava, passa e cozinha. E custa três vezes mais. O que você, pessoa sensata, faz? Gasta o que não tem para ter o aparelho mais moderno só para descobrir que não tem a menor condição de mantê-lo. O mesmo vale para outras situações assemelhadas: carro, cargo político, lugar para morar, emprego e por aí afora.
Isso tudo para deixar claro que este que aqui escreve mente (no sentido literário) o tempo todo, e que nada aqu deve ser levado de forma tão explícita quanto algumas pessoas fizeram.
Aguardem cenas do próximo capítulo.

28 de novembro de 2009

Pensamentos desconexos

- Sabe aquela sua colega de trabalho que até que é bonita, mas tem aquele algo menos que estraga tudo? E aquela outra que é linda, é quase perfeita, mas não tem o menor interesse em você? Pois é.
- Olha, esse negócio de paixão, quando pega, derruba o sujeito, por mais marrudo que ele queira ser ou parecer. Se você estiver achando que vai cair nessa, saia correndo. Ou fique e aproveite. As consequências não se farão tardar.
- Está chegando a época em que toda a humanidade parece se irmanar numa única atitude hipócrita: acreditar na bondade alheia. E, sobretudo, sorrir, ainda que sua dor venha de uma cólica renal.
- O que dezoito anos trabalhando como professor me ensinaram foi que... deixa pra lá, para que enfrentar um processo nessa altura da vida?
- Alguém pode me dizer por que diabos, neste país, desenho animado TEM DE SER destinado ao público infantil, ainda que não obrigatoriamente o seja? Trocando em miúdos: por que os distribuidores idiotas (pleonasmo, eu sei) só enfiam cópias dubladas desse gênero? Se ainda fossem boas dublagens, mas nem isso. Claro, a taxa de analfabetismo é de tal ordem que, daqui a pouco, vamos ficar como os norte-americanos, que também não sabem assistir a filmes com legendas.
- Até dezembro.

P.S.: antes que os(as) apressadinhos tirem conclusões apressadas, reitero: tudo aqui é mentira.

27 de novembro de 2009

Não acredito

Ao fim, o que resta é apenas uma carreira de frustrações, becos sem saída, decisões equivocadas, pequenas ruínas de uma existência medíocre. Enquanto isso, mais uma vez, o sol cozinha consciências na rua barulhenta.

21 de novembro de 2009

Uma notícia nova, por favor!

- Nunca na história deste país caminhamos tão decididamente para a abertura de um fosso social em que serão atirados todos os que discordarem do pensamento imposto pelos que se apoderaram do Estado. Mais ou menos como os nazistas faziam com os corpos dos judeus que eram massacrados nos campos de concentração. Qualquer semelhança não é banal coincidência.
- Sinto pelos que acreditam nisto que aí está - muitos, inclusive, gente pela qual nutro admiração -, mas não tenho como acreditar na propaganda oficial de um país melhor. Onde, cara pálida? Para os amigos do poder, até pode ser; para os que se opõem (de verdade, não essa mentirinha que chamam de "oposição", ela própria comprometida com o esgoto da politicalha), os restos - e talvez nem isso.
- Justiça? É de chorar encontrar quem ainda tenha alguma esperança nela. Ela não existe, nunca existiu e, quando dá as caras, é apenas para proteger os poderosos, os que podem pagar para advogados chicaneiros extorquir suas vítimas em processos insanos, os que compram juízes para emissão de sentenças favoráveis. A censura, que nunca morreu, está aí de volta para provar isso.
- Consciência negra? Ok, não nego a necessidade disso. Mas digamos, em tese, que alguém proponha um dia da "consciência oriental". Isso receberá a pecha de "manifestação racista"? Serei (mais) discriminado nas ruas? Terei de usar burka? Ou, pior: teremos festividades nas quais vocês verão a "verdadeira manifestação da arte e da sabedoria oriental" etc. etc.? O próximo passo é exigir cotas para os orientais em novelas, publicidade e nas universidades. E não venham me dizer que "com vocês foi diferente", porque não foi e não é.
- E vocês ainda me vêm falar nas previsões maias do fim do mundo? Começa que, se os oráculos daquela civilização fossem tão bons assim, teriam previsto sua própria destruição. Depois, para que prever o que é mais do que óbvio? Nós, que trazemos embutido germe de nossa condição predadora, não deixaremos senão nossos prédios, nossas conquistas tecnológicas, tudo apodrecendo, entregue às baratas. Mas eu nem preciso ser feiticeiro ou o escambau para "prever" isso...

18 de novembro de 2009

Rotinas rotineiras

Sempre que acontece algo que possa me suscitar esperança na humanidade logo aparece outro fato que nega de forma radical qualquer abertura para isso. É por isso que sempre digo: jamais deixem de ter fé no potencial humano de sempre poder ser mais e mais pior.

O problema de ficar velho é que tudo o que antes era motivo de prazer passa a ser razão para doenças e preocupações. Eu disse TUDO.

Eu devia arranjar emprego como consultor de recursos humanos. É botar o olho na figura para ver se ela presta ou não. Chamem isso de preconceito; eu chamo de faro para encrenca. Até agora não errei uma.

Alguém aí foi ver esse último filme-catástrofe que anda atraindo o público? Se pretendem ir, por favor, não me convidem. Só me avisem que é para eu riscar de vez seu(s) nome(s) da minha agenda. Obrigado.

14 de novembro de 2009

O fim

Este planeta vai mesmo terminar numa imensa bola de fogo, a se repetirem dias como o de hoje...

13 de novembro de 2009

Não deixem de ir!


O grande Marcelino Freire pediu, a gente divulga: olha, de 19 a 22 de novembro acontecerá a Balada Literária, já em sua quarta edição. Mesas-redondas, bate-papos, shows - tudo girando em torno dessa arte desprezada que é a literatura. Mais informações, incluindo a programação completa, você encontra clicando aqui.

12 de novembro de 2009

Os últimos acontecimentos

E o apagão, heim? Uma série de desastres um após o outro. Declarações contraditórias, explicações sem sustentação nos fatos e, ao fim, a culpa cabe a quem não tem como se defender - como, aliás, já é praxe no reinado lulopetista -: a natureza. A mesma desculpa usada pelo governo FHC, na época chamado de imprevidente, incompetente e outros adjetivos menos qualificados ainda. Sem entrar na defesa do governo do PSDB, é de se lamentar que nem mesmo no quesito "desculpa esfarrapada" os "cumpanhêiros" têm alguma originalidade. No fundo, no fundo, parece mesmo mais uma manifestação de inveja de Lula, que queria ter um apagão só dele. Afinal, por que só o FHC pode ter?

No rol das asneiras tupiniquins, o caso da moça de minissaia foi o melhor dessas últimas semanas. Ocorre que, em tempos como os nossos, de um maniqueísmo perturbador, dizer que a Uniban coroou a sua trajetória de "universidade" com algo que só poderia ser do feitio dela, significa, nos miolos da gentinha, que eu seria "defensor" da Geisy. Nada mais falso. Mesmo porque a moça tem seus próprios defensores, e não seria eu a pessoa mais qualificada para fazer isso. No entanto, é preciso dizer quantas vezes for necessário para que os trogloditas saiam de vez do cenário: qualquer que tenha sido a indumentária usada, e qualquer que tenha sido a atitude da moça, ficou claro que ela não incorreu em nenhum ato atentatório ao pudor, no sentido criminal do termo. E, ainda assim, nada, eu disse NADA justifica o comportamento de seus "colegas". Pior mesmo foi a decisão (depois revogada) de expulsar a aluna, após "deliberação do conselho universitário" (leia-se, decisão unilateral do dono da universidade). Em outras palavras, confirmou-se a máxima patriarcalista, muito típica nossa, por sinal, de atribuir a culpa do estupro ao "comportamento insinuante" da vítima, tornada ré. Justificar uma expulsão com esse tipo de "argumento" é assinar atestado de estupidez, de comportamento discriminatório. Trata-se de chocar mais uma vez o ovo da serpente. Começa assim, depois alcança outros setores. Hoje é a moça de comportamento "incondizente"; amanhã é o judeu, depois o negro, o oriental, o homossexual. De certo modo, aos olhos do discriminador, de preconceituoso, qualquer um pode ser inconveniente e, portanto, passível de punição, linchamento, estupro. Mas, sinceramente, nada disso me surpreende, vindo ou não da Uniban. Nem ela nem seus alunos são o problema; eles são apenas o sintoma.

6 de novembro de 2009

Poema

Na minha cabeça senil havia um poema antigo que tinha o mesmo nome do que foi postado aqui anteriormente. Não o achei, contudo, em meus arquivos desorganizados. Ainda assim, me é nítida a existência dele - Freud certamente explicaria... Fiquem, pois, com este outro, também de minha dileta predileção. Otimismo é comigo mesmo! (hehehe!)


"Não existe amor com final feliz"

A imagem em branco e preto me atormenta,
Nenhum beijo se despega do desejo
Urgente que traçaste com um giz:
Não existe amor com final feliz.

E ao fundo luzes gritam da agonia
Que se esmeram teus dedos em esmagar,
Ao som de uma canção que apenas diz:
Não existe amor com final feliz.

E mesmo quando sopram teus cabelos
Brisa de flores e vento de mar,
Tu te ocultas no ser que desdiz
O enlevo armado – sal de pesadelos,
História que arrancaste com raiz:
Não existe amor, nem final feliz.

3 de novembro de 2009

Poema

"Dois continentes (II)"

para J.M.

No rigor da palavra o que sei de ti é nada
- Mina de virgem lavra - salvo uma seara
De frestas entreaberta onde deixaste
Teu rastro de perfume adolescente
De mulher que és no que fazes e pressentes
- O vale que nos aparta: dois continentes.

Nada saber, eis meu dilema - problema
Sem resolução e horizonte que se aviste.
Nada saber de teus saberes e sabores
E obscuros caminhos que em ímpeto abriste
Expõe-me à claridade do que me é próximo:
O saber que em ti prometo se projeta
Qual imagem sobre fundo transparente
E se perde no espaço, entre astros distraída
- Tu em meus poemas - travessia construída.

23 de outubro de 2009

Notícias neutras

1. O bastardo ameaça, vocifera, roga pragas. E precisa usar três elevadores para carregar seu ego até o quinto andar.
2. Um importante livro foi lançado. Resta apenas saber de que altura.
3. Na próxima terça, dia 27, participarei de uma mesa-redonda em comemoração ao dia do Livro. Será na Biblioteca do Senai da Vila Alpina, a partir das 20h30. O endereço, para quem puder e quiser ir:
Escola SENAI “Humberto Reis Costa” CFP 1.02
www.sp.senai.br/vilaalpina
Rua Aracati Mirim, 115 – Vila Alpina –São Paulo
Tel.(11)2154-1300 ramal 228. Mais informações, cliquem aqui.
Peço apenas que não atirem pedras.
4. Sabe quando você percebe que precisa tomar um rumo na vida? Nem eu.

20 de outubro de 2009

Ausência

Provas para corrigir, trabalhos para ler, livros para revisar, oficinas para ministrar...

13 de outubro de 2009

Poema

"Da vida natural" (I)

Sobre a água lodosa uma ave patinha
Indiferente aos olhares estúpidos dos que passam
Ao largo do lago com que flerta o sol
Entre nuvens e alguma vã promessa de dia claro.
Em meio a crianças que gritam o deslumbre
Ante a teimosia daquilo que sobre a água
Ou sob ela permanece, em quase sobressalto
E sem perspectiva alguma que não a de um verme
Brotando aqui ou um inseto acolá
Que lhe sacie sede e fome e lhe traga outro dia
De olhos abertos, largos lagos e porvires aziagos.

A respeito dos últimos acontecimentos...

Sediar competições esportivas não implica melhoria alguma para ninguém, exceto para aqueles (de sempre) que lucrarão muito com a empreitada. Preparem-se para uma década de gastança generalizada e propinas até não mais poder.

8 de outubro de 2009

Nada espere

A pretensão de ser preterido pela condição de "diferente" é tão miserável quanto a de ser escolhido pelas mesmas razões.

6 de outubro de 2009

Sem tempo

No fundo, tudo é uma questão de simpatia mesmo. Digamos que meritocracia é palavra de baixo calão nesta nossa terra.

2 de outubro de 2009

Incompetências

Duas frases a respeito do Enem:
"...nunca antes na história deste país..."
E alguém imaginava algo diferente?

1 de outubro de 2009

Frase do dia

Melhor a miséria alheia que a própria. O mesmo raciocínio, evidentemente, não se aplica às fortunas.

26 de setembro de 2009

Pensamento do dia

Amor e sexo são iguais: ambos começam fortes e pujantes, duram pouco e terminam murchos e melancólicos. Melhor dizendo: sexo dura um pouquinho mais.

24 de setembro de 2009

22 de setembro de 2009

Outro poema

"Das incompatibilidades"

Como nasce o dia com sua chuva
Ou o sol e seus prenúncios secos
Teus olhos me encaram sem piscar
Fixa que estás no monitor que ora contemplo.
Difícil o amor em tempos como os nossos,
Difícil o amanhecer de teu olhar entreaberto,
Enredados os atalhos, embaralhados os trabalhos,
E, embora sejam iguais nossas agendas
Diversos são os ritmos que empreendemos
E quase nada caiba no que sobra
E eu me arraste em redor do que me resta
O amor (ou no que seja) feito código e virtualidade
Enquanto cai a chuva ou o sol se mostra
Mas é lá fora - onde a vida em si desacontece.

19 de setembro de 2009

Poema

"Apenas sobras"

Há momentos assim: ao nascer do dia
Ou no apagar as luzes só um buraco
Sem fundo te olha sem urgência
E, movas um dedo ou arrisques um riso,
Não haverá chuva para que brotem
As sementes que tão ciosa pousaste
Sobre o solo ainda de verde cobrindo.
Somente um sol calado e cálido
Arrastará teus dias e empedrará a seiva
E nada farás, a favor ou contra,
Porque há momentos assim, de uma
Inteira existência, de apenas sobras
Das mortas sementes que tão cuidosa lançaste.

18 de setembro de 2009

Toleima

Tem coisa mais idiota que gente que se comporta "rebeldemente" só para mostrar o quanto é transgressor?

15 de setembro de 2009

Um quase post e um poema

Pensei, num primeiro momento, em relatar algo que soube hoje, envolvendo minha pessoa e determinados conceitos que certas criaturas têm a meu respeito (ou falta de). Não que tenha sido surpresa, conhecendo a humanidade como a conheço, mas não deixa de ser chato. Desisti de escrever o post, em grande medida por conta de eu já o ter escrito alguns dias atrás, quando tratei de pessoas que precisam de atenção. Pois é, não mudou quase nada, a não ser que, no caso de hoje, talvez seja mesmo questão de aumentar a dosagem dos remédios ou internar-se de vez e jogar a chave fora. Repito: odeio (melhor: desprezo) gente que se acha tão importante que considere que EU me importe ou me incomode com elas.

Mas vamos ao poema:

Das esperas

(para M.)

Em chumbo as janelas saudaram o dia:
Arrastas teu corpo entre plúmbeas pombas
E teus pulmões se enchem das fezes e pó
Por asas e rodas trazidas de lá e cá.

O que desejas aqui não se encontra
Nem onde não esperas, muito menos quando.
Te deitas, esperando chegar o sono
Ou o gozo afogado em teu pleno escuro.

Resta-te a melodia torta que entoas
Ao fundo da sala, no ocaso do que não foi
Enquanto um jazz de desencontrado ritmo
Desanda sonhos, porvires - algum futuro.

10 de setembro de 2009

Pensamento do dia

Se eu gostasse de igrejinhas, mudaria imediatamente para uma dessas cidades interioranas onde não acontece nada, ou melhor, onde o que acontece É nada. E não aconteceu nada. Nem vai.

5 de setembro de 2009

Reflexão irrefletida - 7

Há certos tipos que têm a necessidade doentia de manter relações de amizade ou coleguismo com todo mundo. Não é o meu caso. De uns tempos pra cá, sobretudo, ando prescindindo disso e radicalizando. Em bom português: ou gosto ou desgosto. Não sei se é a idade ou o ceticismo, mas ocorre que, tão logo eu ponha os olhos na figura, já posso dizer se presta ou não. Raramento erro. E, de quem eu gosto, sou capaz de mover o mundo. Claro que a contraparte é a de eu sequer tomar conhecimento daqueles de quem não gosto.
Esse preâmbulo todo (e o Fernando vai achar alguma verdade nisso, que eu sei) é para manifestar meu asco em relação a gente que precisa de atenção. Da sua. Ou melhor, da minha. São capazes de qualquer coisa: esbarrar com você em praças (esbarrar mesmo), falar mal de você para todo mundo, gritar por aí que você não dá atenção à insignificância do desprezado e por aí vai. Muitos poderão objetar que bastaria eu responder ao apelos da figura, quem sabe respondendo ao "bom dia" altissonante, que a chatice terminaria. Mas não. Gente assim, tão logo você abra a brecha da porta, já entra na sua sala, deita no sofá, tira os sapatos, abre sua geladeira, urina fora do vaso e ainda chama você por um apelido que ele mesmo criou. Ou seja, manifesta sua verdadeira face de folgado. E não duvido que, pelas suas costas, continuaria falando mal de você, da bagunça da sua casa e da cerveja pouco gelada. Há quem ache tipos assim engraçados. Eu não, até porque já conheço o enredo do pastelão que virá.

29 de agosto de 2009

Da lógica deste mundo

- O trabalho não enobrece ninguém, mas enriquece o dono da empresa, que não liga para essa besteira de nobreza.
- Existe uma sutil diferença entre ser espontâneo e ser inconveniente. O problema é que quase ninguém sabe disso e, no dia a dia, resolvem que podem tratar você com a mesma "espontaneidade" com que tratam a curriola.
- Há os grossos autênticos e os calculistas. O que os separa é mais ou menos o que diferencia o imbecil do humorista. Um sabe o que está fazendo; o outro não tem a menor ideia.
- Uma infeliz chegou esses dias para mim e me contou ter encontrado um desafeto (comum, de acordo com ela). Melhor ainda: me perguntou se eu queria saber qual era o recado que ele me havia dado. Na hora, respondi que não tinha nem terei o menor interesse em saber nada a respeito dele, nem mesmo a data do sepultamento. Depois, porém, ponderei que devia ter perguntado a ela por que diabos ambos chegaram a conversar. Sim, porque desafeto meu sequer merece que eu olhe para ele, e a idiota trocou palavras com o mequetrefe. Desafeto dela? Sei, está mais me parecendo coisa de agente duplo.
- Já falei e repito: não me convidem para casamento nem para enterro. Também não me chamem para batizados e festas de aniversário com ingresso a ser pago pelo convidado. Aliás, repararam que, no caso dos dois primeiros, os únicos que não se divertem são os anfitriões?
- Quer minha inimizade? Não precisa fazer muito: basta respirar.

28 de agosto de 2009

Descanso

Os olhos funcionam pior que há alguns anos. Os ouvidos ainda dão para o gasto. A voz já era, reduzida a um fiapo. As costas doem, bem como o pescoço e adjacências. Ainda tenho cabelo, mas por quanto tempo? As rugas começam a surgir com mais ênfase. Não posso comer tudo do que gosto. Estou ganhando um cintura incômoda. E alergias antes inexistentes. Não suporto multidão nem filas. A alegria alheia me ofende. Sinceramente, diante de um quadro desses eu não teria muita esperança de poder aproveitar a vida depois da aposentadoria. Mesmo porque nem haverá uma. Vida. E aposentadoria, consequentemente.

27 de agosto de 2009

Balancete

Sabe quando você tem a impressão; não, mais que impressão, tem certeza de que sua vida está uma merda? Pois é assim que vejo o atual estágio de minha passagem por este mundo. Novidade alguma, é preciso dizer.

Mas sempre é possível um poema. E isso já resgata um pouco o que se perdeu (ou nunca se teve ou terá). Não é alento algum, embora traga um ânimo e permita ao menos um suspiro.

22 de agosto de 2009

Dias assim

É quando dela me lembro, ela tão tropical, tão afeita aos calores e aos verdes, sempre no fundo de seus olhos levemente tristes e ao mesmo tempo doando um não se contentar com ela própria, ela com seu afã de nunca estar, uma hora aqui outra acolá, ela com seu modo meio bruto e macias palavras, que eu saboreava como se estivéssemos apenas nós, corpos e desejos enlaçados, noites e dias a fio. É em dias assim, de melancolias pintando o céu, que dela faço questão de recordar, ainda que o coração sangre e doa, sem nada receber de volta.

18 de agosto de 2009

Tudo de bom

Semaninha do inferno esta que chega em sua metade. Nenhuma perspectiva de dinheiro, muito trabalho infrutífero, encontros compulsórios com gente lesada - enfim, a leseira habitual de quem vive neste país e neste planeta miserável.
A novidade é que pode ficar ainda pior, tendo em vista as notícias maravilhosas que lemos e vemos. Trambiques de todas as ordens. Falcatruas, roubalheiras, "eu-não-sei-de-nada" a rodo, desmentidos a cada segundo e, agora, censura prévia. Dos militares se pode dizer tudo, mas nem eles conseguiram levar o país ao estado de coisas a que chegamos. Nenhuma saudade deles no poder, mas que é triste ver que nada que vale a pena realmente mudou. E assim seguimos, sempre e mais bovinamente.

15 de agosto de 2009

Ora essa!

Sabe o que é pior? É essa conversinha besta de "poupar as crianças" da linguagem chula, da violência, da ausência de sentido em tudo. Cada vez que ouço um(a) babaca vir com esse discurso minha vontade é de pegar uma pá (ou uma picareta, para combinar o alvo com a arma) e dar muito na cabeça da figura. O resultado dessa imbecilidade "educacional" é criarmos esse bando de idiotas, sádicos a perder de vista, sem nenhum princípio ou moral ou o que seja para frear os instintos animalescos. Soa paradoxal, mas não é. Mas querer que as pessoas entendam isso é exigir muito delas.

12 de agosto de 2009

Francamente

O segredo para a boa convivência é manter uma distância segura de quem você gosta e uma distância mais segura ainda de quem você não gosta. Há quem discorde e diga, repetindo o velhíssimo ditado, de que é "preciso manter os amigos perto e os inimigos mais perto ainda". Acho, entretanto, masoquismo demais, embora reconheça que, em se tratando de inimigos, sempre é bom tê-los ao alcance dos olhos, já que nunca se sabe quando vão aprontar uma para cima de você. Como, no entanto, a vida anda curta e chata demais para cuidar da maluquice alheia, prefir cuidar da minha mesmo e deixar os conspiradores maquinando suas maldades pra lá. Por assim dizer, minha frase nem vai tão longe, e se refere mais a gente de quem não gosto mesmo, por idiossincrasias minhas ou delas. Então continua valendo o dito: de malucos eu mesmo me basto.

9 de agosto de 2009

Frases doloridas

- Não tenho mais paciência para jogos. Principalmente aqueles que envolvem outros seres humanos.
- Apesar do calor desgraçado, deu vontade comer fondue. O problema é que isso envolve convidar pessoas, aquela desgraça toda. Melhor fazer um sanduíche de queijo quente. O princípio é o mesmo e dá menos trabalho.

- Dez mil visitantes? Bom, que esses(as) abnegados(as), ao menos, tenham se divertido ao passar por aqui. De todo modo, meu muito obrigado.

2 de agosto de 2009

Poema

"Poema à direita"

É fácil assim: o branco não se mescla
À impureza do preto qual xadrez
Sem partições, de que resta o campo
Rubro onde boiam corpos putrefatos.

O passo seguinte é desconcordar
Das incrustradas jazidas oleosas
A prometer remissão e boa vontade
E uma caixa de sonhos bons.

Mas o ponto máximo da guinada
- Se foi isso, e não o natural fado -
É descrer do poder e da inocência

Do povo, essa forma desenformada
A quem tanto faz quem manda ou desmanda
Desde que o pão lhe pague e o circo traga.

Mais reflexões distendidas

O discurso que preconiza que a conversa ainda não chegou à cozinha, devia ter validade em sentido contrário, ou seja, certas conversas que surgem na cozinha jamais deveriam sair de lá. É preconceito de classe, sim. Cansei de ser politicamente hipócrita.
By the way, aos que me criticam por isso (e são muitos, minha paranoia não me deixa pensar o contrário), vale dizer que, ao menos, não finjo um interesse ou uma amizade que não tenho e nunca terei. Nesse sentido, sou autêntico até o limite do insuportável (para os outros).

1 de agosto de 2009

Receita para criar idiotas

Junte numa sala ampla, de preferência bem ventilada, um bando de pessoas que acham que sabem muito. Na hora de comprar, escolha pelo ego: quanto maior, melhor o resultado. Pague pelo que eles realmente valem (de graça). Ponha dois ou três para liderar, os mais vistosos. Recursos eletrônicos são de grande valia nessa hora. Faça todos falarem ao mesmo tempo, fazendo as perguntas as mais estúpidas. Não deixe que sejam respondidas. Aqueça o ambiente. Quando crescer, dividir em grupos e atribuir funções e tarefas um a um, sem que haja qualquer tipo de comunicação entre os participantes. Espalhe tudo em uma superfície inadequada. Sirva fervendo. O resultado sairá em um semestre. Ou, se o clima estiver propício, em três anos.

30 de julho de 2009

Da impaciência

Não bastasse ter de suportar as minhas idiossincrasias, ainda tenho de ser paciente com as dos outros? Mas nem pensar!

29 de julho de 2009

Experiências cinemalógicas

Fila para comprar ingresso. Sim, pois as torres que os vendem "antecipadamente" estavam desligadas. Minto: uma estava quebrada. Além disso, só aceitam uma bandeira de cartão de débito - aquela que não tínhamos. Na hora de comprar o bendito, mais problemas: não aceitam cartão de crédito. E o de débito, vocês já sabem.

Fila da pipoca. Se é que se pode chamar de pipoca aquele saco pantagruélico invariavelmente acompanhado de doses atordoantes de refrigerante. Reparem que tudo é superlativo, inclusive e principalmente os preços. E na hora de pagar, de novo ele: o cartão de débito daquela bandeira específica. Podia ser dinheiro, que ninguém mais carrega. Também podia ser vale-refeição, oba! Mas só se for de papel, os eletrônicos "nós não podemos estar aceitando". Para a imagem de modernidade que a rede de cinema projeta, foi um susto: é mais ou menos como dizer que "fazemos tudo para dificultar sua vida". E, levando em conta que o indivíduo não pode entrar com nenhum tipo de come ou bebe que não seja comercializado por eles, é coisa para se pensar longamente.

Tem mais, mas o tempo acabou.

28 de julho de 2009

De volta!

Mas assim: trabalhando muito. E sem receber, o que é mais divertido ainda. E sob o risco de levar um calote, o que torna tudo hilariante. Fora isso, está tudo a lesma lerda de sempre. Quer dizer, está pior, mas isso vocês já sabem.

P.S.: fomos ao cinema no último domingo. A experiência, que relatarei mais tarde, me fez relembrar alguns dos motivos de minha cada vez mais crescente misantropia.

19 de julho de 2009

Frase do dia

Todos querem ser felizes, mas ninguém suporta a felicidade quando, por acidente, tem de conviver com ela.

17 de julho de 2009

Conto Ligeiro

Quando percebi o olhar enviesado, não tive mais como desviar. Ela me pegou de jeito, no meio do peito.

8 de julho de 2009

Rápida de novo

Dos relacionamentos

Quando você acha que entendeu, aí é que não entendeu nada mesmo. Mas se achar que não entendeu, bem, aí você está totalmente certo.

6 de julho de 2009

Curto e grosso 3

Os únicos seres que acreditam em educação neste país são aqueles que ganham (muito) dinheiro com ela. Os que deveriam ser os principais interessados, claro, não estão nem aí. O importante é que haja merenda e um lugar sossegado para traficar drogas e armas.

2 de julho de 2009

Curto e grosso

Olha, até queria aparecer nesse encontro, mas tenho uma biópsia do fígado pra fazer amanhã e não tem como adiar.

30 de junho de 2009

28 de junho de 2009

Rápida

Não contente com as desgraças habituais, ainda deu pra fazer a barba com navalha. Um escorregão e zás!

27 de junho de 2009

20 de junho de 2009

Vamolá!



Minha amiga Ivana vai lançar seu primeiro romance nesta próxima terça-feira e eu estarei lá também, embora por pouco tempo. Queria muito comparecer à segunda parte da festa, que promete ser divertida, mas acho que não vai ter como. De todo modo, ficarei feliz em ver ou rever as pessoas amigas, e tenho certeza de que a Ivana vai gostar de ter possíveis novos leitores(as). E nem preciso dizer que a Livraria da Vila é um point obrigatório para quem deseja participar da vida cultural de São Paulo - bem como a Mercearia. Então, se sua personalidade tender mais pro lado etílico, apareça na segunda parte do evento, mas não se assuste com o caos lá reinante. Faz parte do programa, e não seria a mesma coisa se não fosse daquele jeito.

18 de junho de 2009

O mundo à revelia

Então deixa eu ver se entendi: milhares de pessoas vão às ruas protestando contra uma eleição fraudulenta, há mortes no confronto, o governo prende e arrebenta, expulsa jornalistas, impõe censura geral e tudo se resume a uma espécie de fla X flu? A sorte do Lula é que nós, aqui, somos desinformados demais, imbecis demais, estúpidos demais, cordeirinhos demais e f.d.ps além da conta para levarmos na devida conta mais essa declaração infeliz (e reveladora da verdadeira índole de nosso mandatário maior). Fôssemos sérios, isso dava no mínimo a abertura de um processo no Senado. Mas as pessoas, imersas na gelatina morna da inconsciência ou da ausência de caráter, preferem fazer ouvidos moucos e dizer que "se a economia está bem, que mal tem?". Pois nem esta se salvará, leiam o que aqui escrevo.

17 de junho de 2009

Registro rápido

O que mata não é o tédio, mas a expectativa de mais do mesmo no dia seguinte.

12 de junho de 2009

Dia dos namorados

Na verdade, dia dos enamorados. Mas é só pra felicitar a quem teve a boa sorte de achar companhia/um amor/um cacho/a metade de sua laranja/sua alma gêmea e outras denominações mais ou menos felizes para aquela pessoa que terá a impossível tarefa de manter acesa a esperança que todos temos de, sim, encontrar aquela condição impossível a que chamamos felicidade. Não vai durar para sempre, nem vai sobreviver às privações de nossa existência, nem irá crescer com o passar dos dias (e semanas, meses ou anos), mas nem por isso a maioria de nós deixa de - alguns desesperadamente - buscá-la onde quer que acreditemos que ela está. Claro que o fato de vocês crerem nisso não vai mudar um fio de cabelo da condição desgraçada do gênero humano, pelo contrário, só reforça isso. Mas o que seria da arte não fosse essa busca inútil e sempre inglória? E como eu teria material para escarnecer de vocês, que nem com todos os pés na bunda deixam de acreditar na possibidade do amor? Então, divirtam-se.

Aviso aos navegantes

O chavão do título se justifica: trata-se de esclarecer uma questão que já deveria ter ficado implícita nos pressupostos deste blogue, mas como vivemos tempos mais e mais explícitos (você tem de explicar tudo, absolutamente TUDO, já que falta inteligência - ou sobra má-fé - à maioria de seus interlocutores), convém novamente explicar.
Nem tudo o que aqui se escreve (melhor seria dizer quase nada) reflete necessariamente o que o dono do blogue realmente pensa a respeito de tal e qual assunto. É caso de discutir se o referido sujeito PENSA, mas aí já é outra história. Pra variar, confunde-se a persona, a personagem, com a pessoa - que não são uma e única coisa, embora possam compartilhar do mesmo corpo eventualmente.
A graça está aí, no jogo de incertezas que o texto estabelece. Por exemplo, quantos idiotas não acham que Brás Cubas reflete exatamente o que seu criador, Machado de Assis, achava de seu mundo e tempo? Nem por isso é impossível afirmar o contrário. Mas chega a ser engraçado saber que pessoas que leem este blogue tomem como verdade pessoal deste que aqui escreve a enxurrada de maledicências e comentários ligeiros que são aqui postadas. Nem mesmo as lamúrias pessoais, bem pesadas as coisas, são propriamente pessoais. Mas acho que não adianta argumentar com quem raciocine (?) de modo diverso.
Vou repetir: tudo aqui é mentira.

10 de junho de 2009

Cansaço II

Olha, nesse ritmo a coisa comigo vai acabar descambando é pra um ataque do coração ou falência múltipla dos órgãos. Por enquanto, apenas uma dor intermitente nas costas - que não me deixa dormir direito. E uma infelicidade constante. E um coração vazio e seco.
De resto vai tudo bem.

4 de junho de 2009

Não existe amor

O ser humano só se interessa por duas coisas: sexo e dinheiro. Historicamente, nessa ordem. Mais modernamente, o segundo sobrepujou o primeiro de forma quase exclusiva. Alguém vai dizer que faltou outro motivador: a comida. Não, ela está contida no dinheiro. Ou no sexo. Ou em ambos. E é isso que vocês costumam chamar - romanticamente - de amor.

2 de junho de 2009

Refresco

Um bom frio. Dá até pra imaginar que estamos no primeiro mundo. Mas vai durar pouco. Aliás, durou: foi só chegar à banca de jornais e ler as manchetes pra ter certeza que o inferno continua.

30 de maio de 2009

Comentário

Do jeito que anda esse mundo sem deus, com patrulhamentos de todos os matizes, espécies e inclinações, a saída será ficar dentro de casa, portas e janenas fechadas, deitados na cama ou sentados no sofá, sem fazer um movimento ou sequer respirar. Criança não pode ler livro com palavrão (nem mesmo dentro do contexto); você não pode criticar um livro, pois corre o risco de ser processado pelo autor; não pode comer sanduíche em grandes redes porque "faz mal à saúde" (e o das pequenas, pode?); não pode falar mal das pessoas; não pode ser politicamente incorreto; não pode ter humor negro (é "racismo"); não pode fazer comentários irônicos para não chocar as almas puras e hipocritamente inocentes, e a lista não tem fim. Verdade é que, por mim, não sairia mesmo de casa; tem gente que, às sete da manhã, já exala aromas desagradáveis por todos os orifícios - e mesmo depois de tomar banho; os transportes coletivos andam cada vez mais coletivos; dirigir pela cidade está se tornando uma aventura no mundo da barbárie; cafés e restaurantes estão sempre cheios e mais e mais inacessíveis a bolsos comuns... Assim, não demora muito e será melhor mesmo que todos fiquemos em casa, quando muito para não encher a paciência do próximo.

22 de maio de 2009

Devo, não nego.

Estou escrevendo um poema que também não termina nunca. Mas, nesse caso, é falta de tempo mesmo.

Para não ficar em branco 4

Viver, já disse Riobaldo (Grande sertão: veredas), é muito perigoso. Ultimamente, entretanto, está ficando mais e mais complicado. E chato. Somos massacrados por imposições politicamente corretas, advogados chicaneiros, achacadores em geral, chantagistas, vendedores de bala e chiclete, administradores incompetentes, motoristas alucinados, governantes pessimamente intencionados, relacionamentos amorosos frustrados e/ou desastrosos, contas e mais contas, impostos de todos os tipos, invejosos, ciumentos, gente "fofa", bichinhos cor-de-rosa, acordos ortográficos, obrigações profissionais e acadêmicas, doenças, e a lista não teria fim se este escriba não a terminasse agora. Bem dizem que a existência é um oceano de provações e uma e outra ilhota de prazeres, mas pergunto: e quando seu existir se resume a um remar infindável num mar sem qualquer horizonte?

19 de maio de 2009

Sempre tem um mas...

Mas ela é tão bonita que até as luzes da cidade brilham mais quando ela aparece com seu sorriso de miríades e os olhos ligeiramente tristes. E não tem dia nem noite que eu não pense nela e queira me afogar naquela morena pele e de tudo esquecer. O amor é sempre uma forma de esquecimento, mesmo quando nele nos lembramos.

Pequenas observações cotidianas

- Não há paixão, amor ou qualquer sentimento semelhante que resista a uma joanete.
- Uma amiga observa que a profusão de malucos(as) aumenta exponencialmente. Eu replico dizendo que, na verdade, tudo é fruto da onda politicamente correta, que chama de preconceituoso os que colam no outro a tarja de "maluco(a)".
- Sim, estive e estou doente. Mas eu acho que se trata mesmo de fadiga do material.
- Vou começar um livro que começa assim: "Numa linda madrugada primaveril..." Do jeito que andam as coisas, ainda é capaz de eu ganhar um prêmio de originalidade.
- Sabe dono de perua tipo kombi e assemelhadas? Pois é, deviam prender todos e fuzilá-los pelo crime de extremo mau gosto e atentado à decência.
- O interesse das pessoas pela literatura, salvo raras exceções, é nenhum. Nada mais demonstrativo da miséria em que vivemos.

13 de maio de 2009

Cansaço

E uma faringite/amigdalite pra atazanar. De quebra, um resfriado, com direito ao pacote inteiro (coriza, leseira etc.). Fiz o de praxe: médico, farmácia. Por enquanto, o anti-inflamatório curou tudo, menos o probleminha na garganta. Mas acho que ainda não vai ser desta vez que vou morrer. Bom, mas vai saber, não é mesmo?

10 de maio de 2009

Um quase êxtase

A despeito do montão de coisas urgentes, uma parada pra assistir a Star Trek, que estreou na última sexta-feira. Ok, J.J.Abrams destrói Vulcano, mas o filme, per si, é muito bom. Para não ficar no mero impressionismo, posso dizer que o diretor conseguiu de fato realizar um misto bem temperado entre um filme para fãs e outro para quem não conhecia a série. As cenas de ação, tanto as humanas quanto as digitais, são de prender o fôlego. E, claro, a emoção de ver dois Spocks contracenando (Leonard Nimoy e Zachary Quinto) supera em muito a que tive em ver Kirk e Picard um mesmo filme. Os ortodoxos sempre terão motivos para criticar o que eles chamam de "heresias", mas mesmo isso, quer me parecer, ficou bem resolvido no roteiro. (Observação última: ver Jennifer Morrison, a dra. Cameron de House, no papel de mãe do Kirk já teria valido o ingresso...hehehe!)

8 de maio de 2009

Frases felizes

- Quem não tem nada o que fazer arruma rapidinho problemas para os outros.
- A beleza está nos olhos de quem come.
- Por que certas pessoas fazem questão de confirmar a frase rodrigueana "bonitinha(o) mas ordinária(o)"?
- Tem gente que merecia levar surra de mangueira - palavras de meu amigo Fernando. Acrescento: de mangueira e de fio elétrico.
- Altruísmo é para os trouxas.
- Tente ser bom para com as pessoas. O melhor é pode acontecer é você levar uma cadeirada nas costas. E dê-se por felizardo.
- Repito um de meus mantras: nada está tão ruim que não possa ficar ainda pior. Se você viver no Brasil, então...
- Outro: ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência alheia. Vale para outros objetos e circustãncias. E nunca esteve tão atual.

7 de maio de 2009

Pensamentos felizes

- Depois, quando eu digo que a única solução para o problema da humanidade é jogar veneno nos reservatórios as pessoas acham engraçado e pensam que tudo não passa de brincadeira de minha parte...
- Alguém, tendo lido o post de ontem, pode me interpelar dizendo: "Mas, então, por que você continua vivendo?" Já respondi a essa indagação alguns posts antes, mas acrescento o seguinte: viver sabendo que nada tem sentido pode ser insuportável para a maioria, mas para mim é da condição de qualquer ser vivo. Nós, humanos, é que achamos que a existência tem alguma razão de ser.

5 de maio de 2009

Amenidades

- Quanto mais eu vivo, mais me dou conta que o emburrecimento se alastra. Daqui a pouco até eu, que me vacinei, posso ser contaminado.
- Essa conversa mole de chamar retardado de deficiente só serve mesmo pra encher o bolso dos pedagogos, dos especialistas em educação e do pessoal dos direitos humanos.
- O próximo passo é estabelecer cotas para os que não têm cotas. Sugestão: vamos criar uma cota nas passagens de avião também. Dez por cento ficariam com os afrodescendentes; 15% com os índios; 25% para os sem renda; mais 10% para os brancos de olhos azuis, e assim por diante. O passo seguinte é fazer o mesmo nos hospitais de ponta, nos consultórios odontológicos e na pedicure.
- No fundo mesmo eu quero é saber qual vai ser a minha parte. Afinal também sou minoria.
- Lembre sempre que o ser humano só é movido por duas coisas: dinheiro e sexo. Se ambos vierem juntos, melhor. Senão, o dinheiro já basta. O resto é papo pra boi se suicidar de tanto tédio.
- Ainda estou esperando quem me prove o contrário.
- A última: viver não tem sentido algum, assim como a morte. Criamos deuses, mundos outros, religiões, tudo para conferir algum senso nisto que é somente contrasenso. A desgraça de alguém não é nada, em escala universal, nem tem qualquer significado plausível. Nós é precisamos disso tudo para seguirmos minimamente civilizados e tenuamente sãos. Mas é um barbante apenas isso com o qual amarramos a ilusão de que somos mais que ínfimas partículas de coisa alguma.

4 de maio de 2009

Menos uma semana...

- Na minha idade, passamos a contar o tempo que falta, ou melhor, subtraímos semanas do tempo que nos resta.
- Tenho um impulso fatal de desprezar qualquer um(a) que admita não querer saber mais do que aprendeu até ali. Sabe aquele tipo de gente que se contenta com o que tem? Pois é. Creio (sim, acredito em alguma coisa) que sempre é possível aprender mais, salvo em casos particulares (limitações neurológicas ou coisas do tipo), e admitir desinteresse por um e outro assunto "porque não servem pra minha carreira" é chamar a si próprio de idiota. Mas, pensando melhor, que seria dos gênios não fosse a existência dos imbecis? Não, melhor deixar tudo como está mesmo.
- Não fui a nenhum evento da Virada Cultural. E não me sinto mal por isso. Esse tipo de coisa, na verdade, me causa pavor. Se bem que, ultimamente, até ir ao cinema causa esse efeito em mim. Aliás, também não fui ao cinema. Esta cidade tem ficado mais e mais insuportável, e realmente não tenho a menor vontade de sair de casa pra me confraternizar com um bando de primatas. Se é pra ficar irritado, melhor ficar em casa e ouvir o pagode que os vizinhos insistem em ouvir. Não muda nada, mas pelo menos posso assistir a um filme no DVD e abrir a geladeira na hora em que eu quiser.