Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
7 de outubro de 2010
Odeio
Odeio criança engraçadinha. Odeio velhos cheios de sabedoria. Odeio gente incoerente, mas não suporto os coerentes demais. Odeio dias quentes. Odeio quem gosta de dias quentes. Odeio gente que se acha demais e desprezo os que se acham de menos. Odeio manos. Odeio pagode. Sobretudo, odeio pagodeiros, principalmente os que batem em mulher e posam de bacanas. Odeio gente alegre demais. Odeio quem fala em cidadania, ética e moralidade. Odeio quem se diz livre de preconceitos. Odeio quem acha que preconceituoso é sempre o outro. Odeio quem exige sinceridade. Odeio mentirosos. Odeio os bajuladores e os apaniguados com o poder. Odeio quem se acha dono do poder. Odeio gente barbuda. Odeio quem faz de sua ignorância uma virtude a ser seguida. Odeio quem não odeia nada nem ninguém, pois estes são os piores entre todos os farsantes. Odeio farsantes.
1 de outubro de 2010
Uma canção que não saiu de moda nem perdeu a atualidade
Gravada por Elvis Presley em seu último álbum em vida. Tenho minhas dúvidas quanto à fidelidade da letra, mas pesquisei em vários sites e todos parecem ter bebido na mesma fonte. No mínimo, todos estão errados. Mas a letra diz muito a mim, agora, principalmente os trechos em negrito.
Moody Blue (James)
Well, it's hard to be a gambler
Bettin' on the number
That changes ev'ry time
Well, you think you're gonna win
Think she's givin' in
A stranger's all you find
Yeah, it's hard to figure out
What she's all about
That she's a woman through and through
She's a complicated lady, so color my baby moody blue,
Oh, Moody blue
Tell me am I gettin' through
I keep hangin' on
Try to learn the song
But I never do
Oh, Moody blue,
Tell me who I'm talkin' to
You're like the night and day
And it's hard to say
Which one is you.
Well, when Monday comes she's Tuesday,
When Tuesday comes she's Wednesday,
Into another day again
Her personality unwinds
Just like a ball of twine
On a spool that never ends
Just when I think I know her well
Her emotions reveal,
She's not the person that
I though I knew
She's a complicated lady, so color my baby moody blue,
Oh, Moody blue
Tell me am I gettin' through
I keep hangin' on
Try to learn the song
But I never do
Oh, Moody blue,
Tell me who I'm talkin' to
You're like the night and day
And it's hard to say
Which one is you.
Moody Blue (James)
Well, it's hard to be a gambler
Bettin' on the number
That changes ev'ry time
Well, you think you're gonna win
Think she's givin' in
A stranger's all you find
Yeah, it's hard to figure out
What she's all about
That she's a woman through and through
She's a complicated lady, so color my baby moody blue,
Oh, Moody blue
Tell me am I gettin' through
I keep hangin' on
Try to learn the song
But I never do
Oh, Moody blue,
Tell me who I'm talkin' to
You're like the night and day
And it's hard to say
Which one is you.
Well, when Monday comes she's Tuesday,
When Tuesday comes she's Wednesday,
Into another day again
Her personality unwinds
Just like a ball of twine
On a spool that never ends
Just when I think I know her well
Her emotions reveal,
She's not the person that
I though I knew
She's a complicated lady, so color my baby moody blue,
Oh, Moody blue
Tell me am I gettin' through
I keep hangin' on
Try to learn the song
But I never do
Oh, Moody blue,
Tell me who I'm talkin' to
You're like the night and day
And it's hard to say
Which one is you.
28 de setembro de 2010
Relatividade
Quando a notícia é boa, nossa imprensa é a melhor do mundo. Quando ela é contrária aos interesses do molusco presidente e sua quadrilha, trata-se de mentira, de imprensa golpista, de "gente que me odeia" e começa-se a falar mais alto em controle das mídias. Assim é fácil, caros nazipetistas.
24 de setembro de 2010
Pragas
Para que não me acusem de pertencer à "direita golpista" ou coisa que o valha, esclareço que já votei no pt. Várias vezes. Mais até do que pedia a prudência e a inteligência. Isso até a ocasião em que o molusco finalmente ganhou uma eleição presidencial. Naquela campanha, a máscara caiu. Chega a ser inacreditável como gente que até considero relativamente dotada de miolos ainda permaneceu acreditando na "pureza" do partido e de seus candidatos. Acho que a perspectiva de chegar ao poder cegou todo mundo, e a ambição mesquinha sobrepujou qualquer escrúpulo. Daquele tempo para cá, as atitudes dos petistas - os nazipetistas em particular - só fizeram confirmar minhas certezas. Mas tem gente que prefere continuar fingindo que está tudo bem, que vivemos numa plena democracia. Não vivemos. Pode ainda não ser uma ditadura, mas está bastante perto.
23 de setembro de 2010
Mamatas
Qualquer possibilidade de a educação neste país dar certo fica inteiramente naufragada por conta da ausência de seriedade de quase todos, do comodismo de muitos e da falta de escrúpulos de outros tantos.
22 de setembro de 2010
Da ausência de humor
O que mata realmente qualquer possibilidade de relacionamento é a falta de humor. Sem ele nada acontece e, se acontece, tem tudo para dar errado. Humor é tudo nesta vida, e até isso estão querendo tirar da gente. Seremos, a partir de 03 de outubro, uma nação desgraçada, um país de piada sem graça, um povo a quem será vedado rir, pois o poder instituído só sabe dar risada de seus inimigos, quando estes, porventura, se dão mal. Um povo sem humor terá suas engrenagens corroídas pelo ódio, pelo rancor, pela democracia assumidamente de fachada que se instalará em definitivo a partir do ano que vem, se não antes. Não gozaremos como antes. Aliás, vai demorar muito antes que possamos gozar de novo. Definitivamente, é hora de pedir asilo político. Ou fazer parte da turma que vai mamar nas tetas do Estado. Não será este o meu caso, até porque sou alérgico a esse compadrio de gente sem nenhum caráter.
20 de setembro de 2010
Pouco
Falta pouco para todo mundo perceber a roubada na qual estamos entrando. Mas aí será tarde demais.
9 de setembro de 2010
Vergonha
Tenho vergonha de nossos artistas, de nossos intelectuais, de nossos juízes, de nossa imprensa. Mas tenho profundo asco de nossos políticos, dos advogados deles, dos chicaneiros, dos chefetes que se nutrem da angústia de seus subordinados, das mães devotadas, dos filhos da mãe que infestam este país e promovem o roubo do fruto de nosso trabalho e de nossas abnegações. Mas, sobretudo, pudera eu viver num lugar onde tudo isso fosse uma saudável exceção, e não a regra cotidiana e aviltante de um país tropical acanalhado por algum deus gozador e fodido até na natureza.
2 de setembro de 2010
Leseira
Alguém aí pode me dizer quando esse inferno vai acabar? Calma, a pergunta é retórica. Nunca - é a resposta. A partir de 10 de outubro, então, a coisa só fará piorar. Sim, ainda pode ficar pior, como sempre faço questão de lembrar aos eventuais leitores.
28 de agosto de 2010
Alívio
A despeito da secura generalizada, não tem nada melhor do que poder acordar na hora em que você quiser, principalmente num sábado. Quer dizer, até tem coisa melhor, mas não está à mão. Ou melhor, até está. Ou não. Melhor não.
27 de agosto de 2010
Sem tempo
Quando achamos que finalmente teremos tempo para as coisas realmente importantes da vida, eis que a idiotia burocrática trata de inventar uma imbecilidade a mais para emperrar nossas vidas.
21 de agosto de 2010
14 de agosto de 2010
The horror, the horror...
Imagine uma coisa horrível, só não vale você ou eu. Imaginou? Pois nem chega perto do que será o governo da Dilma.
9 de agosto de 2010
6 de agosto de 2010
Idiossincrasias
Tenho pavor de reencontrar amigos que não vejo há tempos. Principalmente quando os encontros são casuais. Raramente a impressão é boa. Pior mesmo é achar que eles podem ter pensado o mesmo de mim.
5 de agosto de 2010
4 de agosto de 2010
Pelo menos isso...
Está tudo uma merda, mas pelo menos deu uma esfriadinha no clima. Ah, você não gosta de frio? Então vá morar na Bahia, em Pernambuco ou na Líbia. Pra mim tanto faz.
3 de agosto de 2010
Motivos e mais motivos
Vocês sabem o motivo de essa joça de país não ir pra lugar algum que não a desgraceira habitual? Entre outros, porque ninguém mais quer aprender nada, mas apenas levar um diplominha pra casa. Queridos e queridas, deixa eu explicar uma coisa: sem conhecimento de verdade, um certificado ou um diploma não vale sequer o papel no qual foi impresso. É o píncaro da obviedade, mas num país que pode eleger uma luminária sem lâmpada para presidente, até o óbvio tem de ser explicado.
2 de agosto de 2010
Mais de coisa alguma
E recomeça, logo mais à noite, o inferno da imbecilidade coletiva. Eu disse "recomeça"? Desculpem, foi engano meu. De fato, é impossível recomeçar o que nunca sofreu uma pausa sequer na história deste país.
31 de julho de 2010
Incompreensível
Imaginem a figura: pede para ser amada, mas se você esboça algo nessa direção ela diz que nunca quis isso. Se você descarta o emocional e se restringe à parte física, ela cobra sentimento de sua parte. E assim em tudo, do sabor do pastel ao recheio da torta; do programa de fim de semana ao trabalho de todos os dias. Quanto quente, quer o frio; quando frio, deseja o nordeste. De tudo se queixa um muito, mas não admite um isso de boca alheia. E ainda diz que o doente sou eu. Engano dela: sou descrente.
30 de julho de 2010
Curto e grosso 4
As relações humanas podem ser resumidas na seguinte divisão: um entra com a bunda e outro com o pontapé. (Já pensaram que seria outra coisa, não é?)
29 de julho de 2010
Das férias - 2
Toda vez que vocês comprarem um pacote de viagem e, na última hora, a agência chegar com uma conversa de que você recebeu um upgrade, liguem todos os alarmes. É certo que vocês caíram no golpe do realocamento. Às vezes é isso mesmo, mudaram vocês de um hotel mais distante do centro para outro mais próximo, o que foi nosso caso. Isso não significa que o hotel seja melhor, como também comprovamos. Começa que não tinha restaurante. Bom, vocês vão perguntar pra que cargas d'água quereríamos comer comida de hotel, que é quase sempre mequetrefe. Respondo: sempre tem aquela noite na qual você está com preguiça de se deslocar até o centro da cidade, daí a importância dessa pequena comodidade. Também não tinha piscina. Ok, eu não iria a Gramado pra entrar na piscina, mas no hotel anteriormente reservado havia uma. De modo que, se upgrade houve, ele ficou apenas na localização do novo hotel, de fato bem mais perto do centro da cidade, o que tem lá sua comodidade. Mas eu falava de restaurantes...
De um modo ou de outro, quase todos os lugares razoáveis de lá buscam o hóspede e o levam de volta ao hotel. E de graça. Quer dizer, embutindo o custo dessa mordomia no preço da refeição. Mas só uma vez fizemos uso disso, quando saímos uma noite pra comer fondue, ou melhor, uma sequência de fondue. Na ótica dos entendidos, isso significa uma espécie de trucidação do ritual "fonduelístico", já que se trata de comer, numa única noite, uma rodada de fondue de queijo, outra de carne, arrematando tudo com um de chocolate. O de queijo até que é bom, embora faltasse sabor à mistura (faltou alho e kirsch) e os queijos não fossem lá aquela maravilha. O de carne estava bem razoável, mesmo porque o básico são os molhos (e havia uns dez potinhos de molhos diferentes - provei quase todos). O de chocolate podia ser melhor se eles limitassem as frutas a apenas duas: morango e banana. Definitivamente, melão, laranja, mamão e kiwi não combinam com chocolate. Mas o ponto alto da noite era o cantor da casa. Acho que ele devia ser amigo, irmão, camarada, cunhado ou credor do dono. Ou o próprio dono. Ele se acompanhava de um sintetizador mal tocado e desfilou, nas duas horas que ali ficamos, um vasto e eclético repertório de canções. Em inglês, francês, espanhol e português. De Elton John a Tom Jobim. E assassinou todas elas. Todas. O sujeito não alcançava notas agudas, não chegava aos tons graves, mastigava as letras em idioma estrangeiro e pronunciava alguma coisa ininteligível quando o repertório era em português. O cara era tão ruim que seria capaz de errar o tom até pra tocar a campainha de casa. Ainda bem que não estragou o jantar. Mas foi por pouco.
De um modo ou de outro, quase todos os lugares razoáveis de lá buscam o hóspede e o levam de volta ao hotel. E de graça. Quer dizer, embutindo o custo dessa mordomia no preço da refeição. Mas só uma vez fizemos uso disso, quando saímos uma noite pra comer fondue, ou melhor, uma sequência de fondue. Na ótica dos entendidos, isso significa uma espécie de trucidação do ritual "fonduelístico", já que se trata de comer, numa única noite, uma rodada de fondue de queijo, outra de carne, arrematando tudo com um de chocolate. O de queijo até que é bom, embora faltasse sabor à mistura (faltou alho e kirsch) e os queijos não fossem lá aquela maravilha. O de carne estava bem razoável, mesmo porque o básico são os molhos (e havia uns dez potinhos de molhos diferentes - provei quase todos). O de chocolate podia ser melhor se eles limitassem as frutas a apenas duas: morango e banana. Definitivamente, melão, laranja, mamão e kiwi não combinam com chocolate. Mas o ponto alto da noite era o cantor da casa. Acho que ele devia ser amigo, irmão, camarada, cunhado ou credor do dono. Ou o próprio dono. Ele se acompanhava de um sintetizador mal tocado e desfilou, nas duas horas que ali ficamos, um vasto e eclético repertório de canções. Em inglês, francês, espanhol e português. De Elton John a Tom Jobim. E assassinou todas elas. Todas. O sujeito não alcançava notas agudas, não chegava aos tons graves, mastigava as letras em idioma estrangeiro e pronunciava alguma coisa ininteligível quando o repertório era em português. O cara era tão ruim que seria capaz de errar o tom até pra tocar a campainha de casa. Ainda bem que não estragou o jantar. Mas foi por pouco.
27 de julho de 2010
Frase do dia
Quer provar o caráter (ou a ausência disso) em uma pessoa? Dê um cargozinho qualquer a ela. O resultado é quase imediato.
Das férias
Viajar, apesar das atribulações costumeiras (dinheiro gasto, voos atrasados, passageiros estressados, conexões perdidas, micos etc.), tem lá alguma coisa de bom. Como não gosto de calor, alegria coletiva e praia, tomei o rumo de sempre: para o alto e avante, no caso, uns 800 metros acima do nível do mar, na cidade de Gramado, Rio Grande do Sul. Demos sorte, se é que isso existe: na semana anterior a nossa chegada, fizera calor; na semana posterior, aquele vendaval que destruiu um mundo de coisas por lá. Pegamos quase tudo o que fomos buscar: frio (embora com alguns dias de chuva), comida razoável e passeios pra lá e pra cá. Como sempre, os micos de turista que viaja com pacotes das agências: um "tour" por Canela e Gramado. Detalhe: sob chuva. Aí foi aquela profusão de parques temáticos, um mais constrangedor que o outro. Abro exceção ao Minimundo, mas quem já foi uma vez só precisa voltar lá após cinco anos, o que não era o meu caso. De resto, levaram a gente pra um museu de cera que parecia ter saído direto daqueles filmes "Bs" dos anos 1950. Talvez ainda pior. Olha, de todo o primeiro dia, só o que valeu a pena foi voltado a provar o apfstrudel do Castelinho do Caracol. Se eu pudesse, repetiria, mas a programação daquele dia foi tão exdrúxula que a guia nos levou para almoçar (na pior churrascaria do planeta) para DEPOIS irmos ao Castelinho. Os demais turistas não se deram conta da m..., mas eu, claro, o reclamão, achei o fim do pastoreio.
Mas isso foi apenas o começo.
Mas isso foi apenas o começo.
22 de julho de 2010
Voltei
Muitas aventuras e fatos curiosos, bizarros e consternantes na viagem que fiz semana passada. Mas aguardem; ainda estou desfazendo as malas e arrumando o apartamento.
10 de julho de 2010
2 de julho de 2010
Fim de partida
Acabou. E já foi tarde. Adeus patriotismo de ocasião, adeus camisas amarelas, adeus vuvuzelas, adeus dias de trabalho perdidos, adeus vida alterada por conta dos jogos, adeus Dunga, adeus "jogadores-soldados da pátria amada", adeus medíocres da bola, adeus oportunismo político. Agora só em 2014. Mas eu ainda espero que não tenhamos essa "honra". Se já foi essa desgraça agora, imaginem quando e se os jogos forem aqui. A roubalheira, que já é enorme, será imensurável.
26 de junho de 2010
Só por Jesus!
Estava eu voltando para casa, hoje, de metrô. Vagão cheio. No meio do trajeto, entra um camarada de camisa listrada (tenho um pé atrás com camisas listradas, já acho que é coisa de festa junina, o que também odeio), fone de ouvido pendurado no pescoço e falando alto, bem alto: "Não, meu querido, você vai ver, ela vai acabar se convencendo que está no caminho do pecado. Porque Jesus vai salvar ela. Sim, por Jesus!", e dava um murro na porta do vagão. Fez isso mais duas ou três vezes. Desligou o celular. Teclou outro número. E tornou a vociferar: "É, porque hoje está um dia lindo, um dia de Jesus. Um sol bonito, calor. Sim, porque eu acho que quando o sábado fica cinzento, é até coisa do...", e hesitou por um segundo. "...acho que deus (sim, para mim é minúsculo), nesses dias nublados, deus está de mau humor. Por Jesus!" E mais um murro na porta.
Pensei comigo: que espécie de divindade é essa que tem bom e mau humor, que faz dias cinzentos ou ensolarados conforme lhe dê na veneta de ter dormido de traseiro de fora da coberta ou não? Que deus é esse em que figuras assim acreditam? O que senti, ali, foi somente ódio e intolerância a quem fosse diferente do molde cristão; um fundamentalismo raivoso, de precisar andar com focinheira e rédea curta. Pior é constatar que ele não é o único, não será o último, mas que sua miopia é compartilhada entre milhões, incluindo gente poderosa e de prestígio, jogadores de futebol e políticos. É esse mundo que está chocando o ovo da serpente. E, sinceramente, não sei que quero estar vivo e fazer parte desse cenário que se desenha mais e mais no horizonte ensolarado de uma divindade tão excessivamente humana.
Pensei comigo: que espécie de divindade é essa que tem bom e mau humor, que faz dias cinzentos ou ensolarados conforme lhe dê na veneta de ter dormido de traseiro de fora da coberta ou não? Que deus é esse em que figuras assim acreditam? O que senti, ali, foi somente ódio e intolerância a quem fosse diferente do molde cristão; um fundamentalismo raivoso, de precisar andar com focinheira e rédea curta. Pior é constatar que ele não é o único, não será o último, mas que sua miopia é compartilhada entre milhões, incluindo gente poderosa e de prestígio, jogadores de futebol e políticos. É esse mundo que está chocando o ovo da serpente. E, sinceramente, não sei que quero estar vivo e fazer parte desse cenário que se desenha mais e mais no horizonte ensolarado de uma divindade tão excessivamente humana.
Primeira edição esgotada!
E não é que a coisa acabou dando certo? Pois a tiragem inicial do Retratos japoneses do Brasil, antologia de narrativas nikkeis da qual tive a honra de participar, esgotou no lançamento. De acordo com a Marília, a organizadora, mais de duzentas pessoas compareceram (meus amigos, minhas amigas, ex-alunos e alunas etc. entre esse público - a quem agradeço publicamente) e prestigiaram o pequeno evento. Para quem não teve mesmo como ir, um aviso: há exemplares à venda na Livraria da Vila, na Saraiva e, sob encomenda, na Livraria Cultura. Para quem podia ter ido e não foi por preguiça, raiva de mim ou coisa de pequena monta, reitero que estão todos(as) devidamente marcados em meu livro de capa preta. Não que isso modifique em nada o que vocês já acham de mim, mas não custa reforçar o recado.
22 de junho de 2010
Carta a meu desafeto
(Atenção: o texto a seguir é ficcional. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência. É preciso dizer isso sempre, que saco!)
Z:
olha, cansou. Nunca entendi bem essa sua necessidade de que eu reparasse em sua existência. Talvez seja complexo de inferioridade, alguma forma de compensar a ausência, em você, de atributos físicos e/ou intelectuais dos quais só você mesmo se convenceu. Quando, finalmente, percebo que você existe, me dou conta de que eu era apenas um objeto de suas neuroses, que você via em mim algo que com certeza você nunca seria nem será. Até tentei ser seu amigo, mas desde o início você me enfiou numa rede de mentiras e de histórias enviesadas das quais até hoje não sei separar o falso do eventualmente verdadeiro. Quando achei que você havia desistido de vez em tentar me sacanear, eis que recebo um recado seu dizendo que queria meu e-mail para que você pudesse bloqueá-lo. Como coisa que eu, em algum momento insano, iria escrever alguma coisa para você, ainda mais levando em conta que eu havia bloqueado você bem antes. Mais engraçado é eu fornecer meu e-mail - que você tem ou tinha - para sua finalidade amalucada. Quer me parecer que, na verdade, você ainda queria me atazanar a vida mais um pouco e inventou esse pretexto com esse único fim. Não posso dizer que não fico aborrecido, pois talvez tivéssemos alguma possibilidade de configurar algum trabalho conjunto, quiçá uma amizade. Mas você, como sempre, conseguiu destruir tudo com sua paranoia, sua neurose, seu orgulho de pseudopensador das esquerdas e das classes oprimidas. Fiquemos assim: guarde-se para seus raros amigos, aqueles que entendem seu complexo de feiúra e sua mania de grandeza. E, por favor, não me procure mais, não entre em meu blogue, não me mande mensagens, e-mails, o diabo. Viver já está complicado demais, e eu realmente não preciso de mais uma figura maluca a cruzar meu caminho.
Atenciosamente,
R.
Z:
olha, cansou. Nunca entendi bem essa sua necessidade de que eu reparasse em sua existência. Talvez seja complexo de inferioridade, alguma forma de compensar a ausência, em você, de atributos físicos e/ou intelectuais dos quais só você mesmo se convenceu. Quando, finalmente, percebo que você existe, me dou conta de que eu era apenas um objeto de suas neuroses, que você via em mim algo que com certeza você nunca seria nem será. Até tentei ser seu amigo, mas desde o início você me enfiou numa rede de mentiras e de histórias enviesadas das quais até hoje não sei separar o falso do eventualmente verdadeiro. Quando achei que você havia desistido de vez em tentar me sacanear, eis que recebo um recado seu dizendo que queria meu e-mail para que você pudesse bloqueá-lo. Como coisa que eu, em algum momento insano, iria escrever alguma coisa para você, ainda mais levando em conta que eu havia bloqueado você bem antes. Mais engraçado é eu fornecer meu e-mail - que você tem ou tinha - para sua finalidade amalucada. Quer me parecer que, na verdade, você ainda queria me atazanar a vida mais um pouco e inventou esse pretexto com esse único fim. Não posso dizer que não fico aborrecido, pois talvez tivéssemos alguma possibilidade de configurar algum trabalho conjunto, quiçá uma amizade. Mas você, como sempre, conseguiu destruir tudo com sua paranoia, sua neurose, seu orgulho de pseudopensador das esquerdas e das classes oprimidas. Fiquemos assim: guarde-se para seus raros amigos, aqueles que entendem seu complexo de feiúra e sua mania de grandeza. E, por favor, não me procure mais, não entre em meu blogue, não me mande mensagens, e-mails, o diabo. Viver já está complicado demais, e eu realmente não preciso de mais uma figura maluca a cruzar meu caminho.
Atenciosamente,
R.
Das hipocrisias
Olha, não tem coisa que me deixa mais emputecido que gente fingida, mentirosa. E nem preciso lembrar que são esses que fazem questão de cobrar de nós a sinceridade absoluta. Se isso existisse simplesmente não haveria vida social possível.
Não quero ser pessimista, mas...
... acho que ainda não vimos o pior do que está por vir. E eu me refiro a tudo.
Dos traumas
Podem duvidar, mas nunca mais misturo comida com remédio, bebida e noites sem dormir. Estou com azia até agora. Isso se não for um tumor no intestino, estômago ou em lugar pior.
Das doenças
Nas minhas andanças por aí conheci um bocado de pessoas doentes. No caso, doentes mentais. No geral, entre esquizofrênicos, psicóticos e paranoicos, a incidência maior está entre os últimos. No fundo, creio que todos somos um pouco cada um desses, em maior ou menor grau, o que possibilita ou impede a convivência social, conforme o caso. O problema é que alguns desses andam por aí, frequentando os bancos escolares. Há os que, inclusive, ministram aulas. Complicado quando esses duas figuras se encontram no mesmo tempo e espaço. Pior ainda: um não reconhece no outro sua própria doença. De modo que qualquer possibilidade de haver sociabilidade ali torna-se impossível. O encontro entre egos semelhantes, na cegueira e na insegurança, pode gerar incidentes irremediáveis. Melhor não misturar.
15 de junho de 2010
Bizarrices - 2
Cena 1, 14h30: um congestionamento dos infernos. Carros, ônibus, buzinas. Bares lotados. padarias idem. Nem um pastelzinho dava pra comer. Com fome mesmo, resolvi entrar no meu carro, que estava no estacionamento, e esperar até um pouco após o início do maldito jogo.
Cena 2, 15h45: quase nenhum carro na rua. Saí tranquilo e voltei pra casa. A coisa só ficou chata quando fui chegando perto do bairro onde moro. Os idiotas motorizados, bandeirinhas balançando ao vento, um braço pra fora da janela, coisa de pobre (e não de bolso) mesmo. Entrei no apartamento e tranquei a porta. Ufa, sobrevivi ao primeiro dia de jogo da "seleção" do anão, ops, do ser humano verticalmente prejudicado.
Cena 2, 15h45: quase nenhum carro na rua. Saí tranquilo e voltei pra casa. A coisa só ficou chata quando fui chegando perto do bairro onde moro. Os idiotas motorizados, bandeirinhas balançando ao vento, um braço pra fora da janela, coisa de pobre (e não de bolso) mesmo. Entrei no apartamento e tranquei a porta. Ufa, sobrevivi ao primeiro dia de jogo da "seleção" do anão, ops, do ser humano verticalmente prejudicado.
11 de junho de 2010
24 de maio de 2010
Uma antologia antológica!
Vou divulgar em outros lugares também, mas fica o lembrete: faço parte dessa antologia e ficarei feliz (até onde isso me é possível, claro! Rsrs) com a presença dos(as) amigos(as) no local. Se comprarem o livro, então, sou capaz até de me sentir otimista. Dia 25 de junho, a partir das 19 horas. Local? Casa das Rosas, ali no comecinho da avenida Paulista, em São Paulo.
22 de maio de 2010
Máximas diminutas
- Não existe incompreensão que não seja piorada por mais incompreensão ainda.
- A cada passo rumo ao topo da montanha mais perto você fica de se esborrachar lá embaixo.
- Pior que uma azia só mesmo somando a ela uma dor de cabeça de ver luzinhas à frente.
- Diga-me com quem andas e eu direi que deves sair em disparada na direção contrária.
- Gente que se contenta com menos inevitavelmente terá menos ainda. O mundo odeia a mediocridade. Bom, eu pelo menos odeio.
- Toda generalização é perigosa. Incluindo esta.
- O problema nem é trabalhar com esquizofrênicos. O difícil mesmo é suportar o odor.
- A cada passo rumo ao topo da montanha mais perto você fica de se esborrachar lá embaixo.
- Pior que uma azia só mesmo somando a ela uma dor de cabeça de ver luzinhas à frente.
- Diga-me com quem andas e eu direi que deves sair em disparada na direção contrária.
- Gente que se contenta com menos inevitavelmente terá menos ainda. O mundo odeia a mediocridade. Bom, eu pelo menos odeio.
- Toda generalização é perigosa. Incluindo esta.
- O problema nem é trabalhar com esquizofrênicos. O difícil mesmo é suportar o odor.
20 de maio de 2010
18 de maio de 2010
Aula básica
Quantas vezes tenho de dizer: não confundam minhas manifestações literárias com algo que encerre alguma verdade. Absolutamente tudo aqui é invenção de uma mente doentia. Mas isso qualquer estudante, de Letras ou não, deveria saber. Não tenho culpa se a burrice ou a maldade imperam por aí. É por essas é outras que desisti de escrever prosa ficcional. As pessoas acham que a personagem é alguém que eu conheça realmente, e aí a perversão corre solta. Então no dia em que eu escrever usando uma voz feminina significa que eu virei travesti, transformista ou mulher? Minhas personagens bebem; isso significa que eu sou um bebum inveterado? Vamos deixar claro de uma vez: tudo aqui é mentira. Eu mesmo não existo, sou uma personagem inventada por um sujeito que se esconde na alcunha de "O arquiteto das palavras". Por acaso vocês também acham que as opiniões de Brás Cubas eram as do Machado de Assis? Se acham, então peço que revejam tudo o que supostamente aprenderam, porque não aprenderam nadinha de nada. É irritante ter de voltar o tempo todo a essa mesma ladainha, que inferno!
Frases soltas
- A diferença entre ser insistente e ser inconveniente está ligada ao quanto o outro lado esteja ou não interessado em você.
- Nem tudo está carregado de segundas intenções, mas quase tudo é suspeito até prova em contrário.
- Não existe bondade que não envolva algum tipo de interesse. Sórdido ou não.
- Ninguém ama ninguém, esse é o fato. Buscamos no outro apenas uma boia para nos salvarmos de nosso próprio desespero.
- Se eu tivesse um único minuto a mais de vida, eu o gastaria lembrando de tudo o que não fiz por medo, conveniência ou estupidez. Negativismo até o momento final, este é meu lema.
- A morte não me amedronta. O que me apavora é não saber quando e como ela virá.
- Nem tudo está carregado de segundas intenções, mas quase tudo é suspeito até prova em contrário.
- Não existe bondade que não envolva algum tipo de interesse. Sórdido ou não.
- Ninguém ama ninguém, esse é o fato. Buscamos no outro apenas uma boia para nos salvarmos de nosso próprio desespero.
- Se eu tivesse um único minuto a mais de vida, eu o gastaria lembrando de tudo o que não fiz por medo, conveniência ou estupidez. Negativismo até o momento final, este é meu lema.
- A morte não me amedronta. O que me apavora é não saber quando e como ela virá.
17 de maio de 2010
Vazio
Não tenho certeza, mas acho que perdi alguma coisa que acabou. Ou foi o começo disso que eu deixei escapar.
13 de maio de 2010
A vida em seu ritmo
Aos poucos volto à vida mais ou menos normal. Mil pendências, entretanto, a que darei conta nas próximas semanas, antes de entrar em férias, as primeiras depois de três anos.
11 de maio de 2010
Coisinhas
Seja louco: trabalhe doze ou dezesseis horas por dia, arrume frilas para complementar o orçamento, leve trabalhos de alunos pra corrigir (mas só porque a instituição OBRIGA seus docentes a fazerem isso), prepare provas, ministre oficinas de literatura aos sábados e outras coisinhas mais que você ainda arruma para as horas vagas. É insano, mas não troco esta vida que levo agora por nada. Quer dizer: nada, propriamente não; talvez por um prêmio da megasena, sozinho. Eu disse TALVEZ. Afinal, depois eu teria de aguentar o assédio familiar e dos "amigos" que apareceriam aos borbotões.
Por um instante
Por um instante, o recinto onde estávamos ficou mais gelado que a tarde uivando lá fora.
10 de maio de 2010
Pílulas de sabedoria sem rumo
Numa relação qualquer, quem confunde dor pela perda com manifestação do "verdadeiro eu" do outro realmente é um se desprovido de qualquer tipo de inteligência.
6 de maio de 2010
4 de maio de 2010
Das gentilezas
- Jamais ceda lugar na fila, seja do que for. Ninguém ganha nada com isso e você, certamente, perde muito mais.
- Dirigir palavras gentis a alguém significa angariar o despeito de quem não as recebeu ou de quem acha que recebeu menos que a outra. E acredite: você nunca vai acertar na dosagem.
- Em hipótese alguma acredite em pessoas que dizem que jamais esquecerão do ato de bondade que você exerceu em benefício delas. Vão esquecer sim, tão logo você faça alguma besteira ou elas encontrem alguém que faça algo melhor.
- Homens são seres parvos, mas as mulheres não ficam atrás - notadamente aquelas que gostam dos mais parvos entre os homens. Homens gentis são candidatos a um chapéu de touro.
- Nada como um dia após o outro. Para provar que nada mudou de um dia para o outro. Com sorte, não piorou.
- Palavras são coisas perigosas. Por isso, quando for elogiar alguém, seja claro(a), explícito(a) se for o caso. Tudo, hoje em dia, pode ser interpretado para o lado negativo. Notadamente se a parte que ouve sofrer de surdez mental ou qualquer outro distúrbio semelhante.
- Dirigir palavras gentis a alguém significa angariar o despeito de quem não as recebeu ou de quem acha que recebeu menos que a outra. E acredite: você nunca vai acertar na dosagem.
- Em hipótese alguma acredite em pessoas que dizem que jamais esquecerão do ato de bondade que você exerceu em benefício delas. Vão esquecer sim, tão logo você faça alguma besteira ou elas encontrem alguém que faça algo melhor.
- Homens são seres parvos, mas as mulheres não ficam atrás - notadamente aquelas que gostam dos mais parvos entre os homens. Homens gentis são candidatos a um chapéu de touro.
- Nada como um dia após o outro. Para provar que nada mudou de um dia para o outro. Com sorte, não piorou.
- Palavras são coisas perigosas. Por isso, quando for elogiar alguém, seja claro(a), explícito(a) se for o caso. Tudo, hoje em dia, pode ser interpretado para o lado negativo. Notadamente se a parte que ouve sofrer de surdez mental ou qualquer outro distúrbio semelhante.
3 de maio de 2010
Lembretes desnecessários
- Se tiver de trabalhar num fim de semana, nunca deixe para sair na hora do almoço ou depois dela; é nesse horário em que todos os que são (ou acham que são) mais felizes que você costumam infestar as ruas com suas futilidades.
- Gente estranha não significa necessariamente gente perigosa. Mas nunca é demais tomar as devidas precauções. Colete a prova de balas e capacete são sempre úteis.
- Se sexo é sexo e amor é amor, como vocês me explicam o sentido de frases como "fazer amor", que algumas pessoas insistem em usar?
- Muito sol pode causar câncer de pele. Pouco sol pode levar a uma osteoporose. O problema, aí, é definir o quanto é "muito" ou "pouco". Isso vale também para a exposição de sua vida pessoal para outrem.
- Seja gentil com as pessoas e leve uma rasteira. Ou um safanão. Ou um tiro.
- Gente estranha não significa necessariamente gente perigosa. Mas nunca é demais tomar as devidas precauções. Colete a prova de balas e capacete são sempre úteis.
- Se sexo é sexo e amor é amor, como vocês me explicam o sentido de frases como "fazer amor", que algumas pessoas insistem em usar?
- Muito sol pode causar câncer de pele. Pouco sol pode levar a uma osteoporose. O problema, aí, é definir o quanto é "muito" ou "pouco". Isso vale também para a exposição de sua vida pessoal para outrem.
- Seja gentil com as pessoas e leve uma rasteira. Ou um safanão. Ou um tiro.
13 de abril de 2010
Pensamentos desconexos
- Reparei que a quantidade de malucos à solta por aí tem aumentado de maneira exponencial. Quando eu digo "malucos" estou me referindo a gente sem a menor capacidade de conviver socialmente - gente como eu, por exemplo. Eu sabia que essa onda deo politicamente correto ia dar em desastre. Como agora ninguém mais é doido, ficam todos soltos por aí até um deles matar alguém ou agredir desavisados com tacos de beisebol.
- Um dos tipos de gente que detesto consiste na figura escorregadia, que nunca tem opinião a respeito de nada, muito pelo contrário, e sempre fica à espera de uma brecha sua para usar seus argumentos contra você. São pessoas de muito sorriso e nenhum juízo. Se vir uma pela frente, fuja.
- Eu ia publicar um poema hoje, homenagem singela a uma amiga muito querida. Deu preguiça, fica pra outro dia.
- Um dos tipos de gente que detesto consiste na figura escorregadia, que nunca tem opinião a respeito de nada, muito pelo contrário, e sempre fica à espera de uma brecha sua para usar seus argumentos contra você. São pessoas de muito sorriso e nenhum juízo. Se vir uma pela frente, fuja.
- Eu ia publicar um poema hoje, homenagem singela a uma amiga muito querida. Deu preguiça, fica pra outro dia.
10 de abril de 2010
Sabedorias sem sal - 2
- Não existe um sentimento de amor que não tenha como resposta um pé na bunda ou um coice na cara. Ou ambos.
- Entre um sanduíche ruim mas que mata a fome e um repasto de alta gastronomia que só pode ser contemplado pela vitrine, melhor o primeiro - ainda que a azia não tarde a se manifestar.
- Esquecer é a coisa mais fácil do mundo se você não tiver o menor interesse na coisa em si.
- Na impossibilidade de ganhar o jogo, mude as regras. Esta é uma máxima que o jogo político atual só faz confirmar.
- Entre um sanduíche ruim mas que mata a fome e um repasto de alta gastronomia que só pode ser contemplado pela vitrine, melhor o primeiro - ainda que a azia não tarde a se manifestar.
- Esquecer é a coisa mais fácil do mundo se você não tiver o menor interesse na coisa em si.
- Na impossibilidade de ganhar o jogo, mude as regras. Esta é uma máxima que o jogo político atual só faz confirmar.
4 de abril de 2010
Poema
Era para ser postado na quinta-feira, mas a vida anda muito corrida...
"Das afinidades"
para M.
O que separa o rio do mar que ruge
É da mesma substância que em nós mata
Seja o caldo do espírito, seja o sal
Dos corpos após o amor, suor, refluxo.
No dentro de nós a escuridão vem
E oscila entre quereres desfolhados
Ao claro nossos rostos - sós - revelam
Um sol gelado e dedos descuidados.
E o que de ti me emana - um amor
De farpas e trilhas acidentadas
Reflui em acres lagos e folhagens
Ácidas - fruto verde de futuros
Obscuros, mas plenos de ventos prenhes
Repousos, sono sob o lodo e o limo.
"Das afinidades"
para M.
O que separa o rio do mar que ruge
É da mesma substância que em nós mata
Seja o caldo do espírito, seja o sal
Dos corpos após o amor, suor, refluxo.
No dentro de nós a escuridão vem
E oscila entre quereres desfolhados
Ao claro nossos rostos - sós - revelam
Um sol gelado e dedos descuidados.
E o que de ti me emana - um amor
De farpas e trilhas acidentadas
Reflui em acres lagos e folhagens
Ácidas - fruto verde de futuros
Obscuros, mas plenos de ventos prenhes
Repousos, sono sob o lodo e o limo.
29 de março de 2010
Poema
"Do hedonismo"
para M.
Que assim queiramos, ao menos no calor
Dos humores que na penumbra trocamos,
É líquido desvão nos caminhos que desenhamos
Com giz e carvão sobre o solo seco.
Breve é nosso existir - isso não se nega -
E nao há flor que não se despetale
E sob a terra não apodreça, é regra.
Mas o humano desafio se interpõe
Ante as estrelas e o sal que nos come
Carne, sangue e alguma coisa insentida.
E por mais que assaz queiramos, a fresta
De um sentir perene ali se planta
A deitar raiz, corpo e frutos
De um sabor que sabemos ser amargo
(E nem por isso sequer recuamos).
para M.
Que assim queiramos, ao menos no calor
Dos humores que na penumbra trocamos,
É líquido desvão nos caminhos que desenhamos
Com giz e carvão sobre o solo seco.
Breve é nosso existir - isso não se nega -
E nao há flor que não se despetale
E sob a terra não apodreça, é regra.
Mas o humano desafio se interpõe
Ante as estrelas e o sal que nos come
Carne, sangue e alguma coisa insentida.
E por mais que assaz queiramos, a fresta
De um sentir perene ali se planta
A deitar raiz, corpo e frutos
De um sabor que sabemos ser amargo
(E nem por isso sequer recuamos).
23 de março de 2010
22 de março de 2010
Começa tudo de novo
Sabe aquelas ocasiões em que você tem vontade de ser gentil com as pessoas, achar que um dia de sol é maravilhoso, que tudo é belo e que você precisa abraçar as pessoas com quem você se relaciona? Pois é: não vai ser hoje. Nem tampouco amanhã.
19 de março de 2010
Jamais seja sincero
Das inúmeras coisas que detesto além de quiabo e miúdos: pessoas que acham que a sinceridade é uma virtude. Não é. Como eu já disse aqui, vá tentar ser sincero com essa gente. No mínimo você vai levar uma pedrada.
6 de março de 2010
Gente feliz
Sexta-feira de manhã. Parei para tomar um café numa loja de uma grande rede de supermercados. Fui fazer o pedido, mas o caixa do setor ainda não abrira. "Moço, o senhor vai lá no caixa normal, paga e faz o pedido aqui, depois." Vi a fila dos idosos (sim, porque idoso é o ser mais madrugador que existe. Antes das galinhas acordarem, lá estão eles nos pontos de ônibus, nos supermercados e nos cafés.) no único caixa que funcionava, suspirei, já prevendo aonde essa história iria me levar, mas pensei que naquele dia poderia haver uma exceção. Com a demora de praxe, chegou minha vez, pedi um café e um pão de queijo. A atendente: "Fulano, cadê a lista de códigos do café?" O outro: "Não sei, aqui não está!" E a fila atrás de mim aumentando. E lá se foi a moça a procurar. Pergunta daqui, fala com a encarregada dali. Depois de um tempo, e após todo mundo que me segui ter desistido de pagar suas compras ali, diz a moça: "Olha, senhor, faça o pedido direito no café e depois você acerta lá mesmo, quando eles abrirem o caixa deles." Já havia desistido mesmo, mas segui adiante, só pra ver se a coisa chegava aonde eu imaginara. Fiz o pedido. O rapaz do café - depois de ter atendido uma senhora, evidentemente freguesa habitual - olhou pra mim e meio que bradou: "O caixa está fechado, o senhor tem que fazer o pedido nos caixas normais!" Respondi: "Acabei de vir de lá e me mandaram vir aqui. Eles perderam a ficha com os códigos." "Não, está com eles! Aqui não ficou!" Um diálogo non sense às 6 da manhã era tudo de que eu precisava para deixar meu dia feliz. Nem preciso dizer como terminou, preciso? Achei melhor tomar o bendito café no balcão da padaria mesmo. Apertado, desconfortável, sem nenhum sossego, mas pelo menos já sabendo que, naquele lugar, ninguém fica alardeando uma alegria que não tem como existir. Não aqui, não agora. Talvez nunca.
28 de fevereiro de 2010
Minuto de silêncio para José Mindlin
O dono deste blogue lamenta profundamente a perda de um dos poucos homens dignos que ainda havia neste país.
18 de fevereiro de 2010
Desculpas. As de sempre.
Pois é, começo de ano é sempre a lesma lerda. A gente acha que vai estar com tudo preparadinho, já que "teve tempo nas férias" e, quando percebe, tudo está por se fazer. Nem a papelada do imposto de renda eu separei, e na hora H vai ser a correria costumeira. O mesmo se deu com o material das aulas, que até estava pronto, mas muita coisa teve que ser alterada às vésperas do início por conta das coisas de sempre que cercam a burocracia acadêmica. Em outros termos: a ladainha costumeira. Mas tudo começa mesmo pra valer a partir de hoje. Quer dizer, na próxima segunda-feira, já que, neste país, "ninguém é de ferro". Se bem que, com as chuvas que caíram, até os mais resistentes devem ter enferrujado. Claro, o calor continua, para júbilo dos friorentos e dos extrema e doentiamente magros. Para quem não veio do Senegal, contudo...
Em tempo: o mundo em que vivemos está mais e mais sem graça. Imaginem se seria possível, hoje, uma marchinha do tipo "Alá laô ô ô ô ô ô ô". No mínimo a turma da censura ia implicar com o "desrespeito aos símbolos sagrados de outra cultura". E olhem que nem citei as "Touradas de Madri". Se não fosse uma desgraça, seria hilariante. E nem por isso deixamos, todos, de ser extremamente preconceituosos. Aliás, as intolerâncias mais e mais têm aumentado em número e intensidade.
Em tempo: o mundo em que vivemos está mais e mais sem graça. Imaginem se seria possível, hoje, uma marchinha do tipo "Alá laô ô ô ô ô ô ô". No mínimo a turma da censura ia implicar com o "desrespeito aos símbolos sagrados de outra cultura". E olhem que nem citei as "Touradas de Madri". Se não fosse uma desgraça, seria hilariante. E nem por isso deixamos, todos, de ser extremamente preconceituosos. Aliás, as intolerâncias mais e mais têm aumentado em número e intensidade.
12 de fevereiro de 2010
Bom humor
A única coisa boa do Carnaval, que era poder dormir até não mais poder, até isso me foi vedado, e não por conselho médico.
Para completar, esse calor que teima em aqui ficar.
E ainda me perguntam o porquê de meu humor peculiar.
Para completar, esse calor que teima em aqui ficar.
E ainda me perguntam o porquê de meu humor peculiar.
31 de janeiro de 2010
Quase de volta
Sumi, sim. Trabalho até o tampo. Mas aos poucos volto. Até porque amanhã recomeça a temporada no inferno.
16 de janeiro de 2010
Senso prático
Costumo separar as pessoas em duas categorias: as que veem graça no meu (mau) humor peculiar, e as imbecis.
13 de janeiro de 2010
Das datas comemorativas
Pois ontem completei 4,8 décadas de existência atribulada e atrapalhada. Recebi os cumprimentos de praxe, de gente que gosta de mim, de quem não gosta muito e de quem mais ou menos me suporta. Retribuí com as tiradas usuais, as que tratam da decrepitude, da queda inevitável de cabelos e outras coisas de maior importância etc. Dá pra dizer que a separação entre as pessoas inteligentes e as demais se faz no grau de escândalo que minhas declarações ainda possam provocar, o que se dá em escala inversamente proporcional. Mas o que dizer das sensações que a idade provecta me trouxe? No fundo e no raso, sente-se aos 48 a mesma coisa que sentimos ao completar 40: a percepção do início da derrocada, de que nos salvamos aqui e ali pelas ínfimas alegrias que algumas poucas pessoas queridas ainda conseguem nos trazer, o que não é pouco, dado o imenso mar de desgraças cotidianas. O restante a gente vai chutando enquanto pudermos.
1 de janeiro de 2010
2010
Não quero estragar a festa de ninguém, mas este ano promete ser o começo de uma série de períodos desastrosos. Esperem 2014 e 2016 pra ver se eu não estou certo. Claro, espero não viver pra comprovar isso...
25 de dezembro de 2009
É verdade
É verdade que eu podia morar nas áreas que alagaram; é verdade que eu podia passar fome e sede e frio debaixo de um viaduto qualquer; é verdade que eu podia estar há dias sem banho, vestindo roupas rotas e sujas e fétidas; é verdade que eu podia ganhar a vida expondo minhas chagas e aleijões numa calçada do centro da cidade; é verdade que eu podia ter sido órfão e passado necessidades e privações de todos os tipos; é verdade que eu podia ser beneficiário de uma bolsa-qualquer e, assim, ser eleitor do farsante do Lula ou de seus candidatos; é verdade que eu podia não ter estudado em universidade pública e, no máximo, ter me formado numa dessas uniqualquer coisa. Tudo podia ser verdade, mas não é. Nem por isso me sinto desprovido do direito de ser infeliz, de ter minhas tristezas, minhas angústias e minhas frustrações miúdas de classe mé(r)dia. Como se apenas os pobres, negros e fudidos pudessem reclamar do que a vida não lhes deu. Como se a tristeza fosse propriedade privada dos que de quase tudo foram privados. Essa demagogiazinha, ela sim, me cansa profundamente.
Um bom 2010, se ainda for possível.
Um bom 2010, se ainda for possível.
15 de dezembro de 2009
Rápida outra vez
O que me espanta na dita intelectualidade brasileira é sua capacidade quase insana de se deixar levar por ídolos de barro, ou melhor, de graxa. Isso, a maioria. Os demais se locupletam.
12 de dezembro de 2009
5 de dezembro de 2009
Desastres
Para não perder o costume, desastres cometidos a granel. Falta-me o senso da medida e do ridículo. Verdade é que a idade pesa mais que saco de arroz de cinco quilos depois de quinze andares subindo pelas escadas. Mas eu sempre tive comigo essa condição exagerada, hiperbólica e apaixonada. Doença de que tento me curar com doses cavalares de observações amargas, tiradas irônicas, olhares cínicos e ceticismo sob as unhas. A régua da descrença se faz com toneladas de uma fé no que não pode ser. Nem todo mundo pode ter aquilo que deseja. Na verdade, quase ninguém. E o que nos move senão essa ilusão no porvir? Estou vivo, decerto. Mas há tempos que isso não me serve de consolo. Face a isso, pouco resta, senão o sono. E que ele não demore a vir e a me levar.
1 de dezembro de 2009
Adendo
Que tempos esses os nossos nos quais temos de explicar TUDO o que dizemos... O próximo passo, como dizem por aí, é começar a desenhar, já que ninguém é capaz de fazer uma abstraçãozinha que seja.
Você tem dinheiro para comprar um celular. Um bom celular. Desses que tiram foto, tocam MP3, filmam, levam o cachorro pra passear etc. Mas o que você queria mesmo era aquele outro, que faz as mesmas coisas mas manda e recebe e-mails, permite navegação na internet, lava, passa e cozinha. E custa três vezes mais. O que você, pessoa sensata, faz? Gasta o que não tem para ter o aparelho mais moderno só para descobrir que não tem a menor condição de mantê-lo. O mesmo vale para outras situações assemelhadas: carro, cargo político, lugar para morar, emprego e por aí afora.
Isso tudo para deixar claro que este que aqui escreve mente (no sentido literário) o tempo todo, e que nada aqu deve ser levado de forma tão explícita quanto algumas pessoas fizeram.
Aguardem cenas do próximo capítulo.
Você tem dinheiro para comprar um celular. Um bom celular. Desses que tiram foto, tocam MP3, filmam, levam o cachorro pra passear etc. Mas o que você queria mesmo era aquele outro, que faz as mesmas coisas mas manda e recebe e-mails, permite navegação na internet, lava, passa e cozinha. E custa três vezes mais. O que você, pessoa sensata, faz? Gasta o que não tem para ter o aparelho mais moderno só para descobrir que não tem a menor condição de mantê-lo. O mesmo vale para outras situações assemelhadas: carro, cargo político, lugar para morar, emprego e por aí afora.
Isso tudo para deixar claro que este que aqui escreve mente (no sentido literário) o tempo todo, e que nada aqu deve ser levado de forma tão explícita quanto algumas pessoas fizeram.
Aguardem cenas do próximo capítulo.
28 de novembro de 2009
Pensamentos desconexos
- Sabe aquela sua colega de trabalho que até que é bonita, mas tem aquele algo menos que estraga tudo? E aquela outra que é linda, é quase perfeita, mas não tem o menor interesse em você? Pois é.
- Olha, esse negócio de paixão, quando pega, derruba o sujeito, por mais marrudo que ele queira ser ou parecer. Se você estiver achando que vai cair nessa, saia correndo. Ou fique e aproveite. As consequências não se farão tardar.
- Está chegando a época em que toda a humanidade parece se irmanar numa única atitude hipócrita: acreditar na bondade alheia. E, sobretudo, sorrir, ainda que sua dor venha de uma cólica renal.
- O que dezoito anos trabalhando como professor me ensinaram foi que... deixa pra lá, para que enfrentar um processo nessa altura da vida?
- Alguém pode me dizer por que diabos, neste país, desenho animado TEM DE SER destinado ao público infantil, ainda que não obrigatoriamente o seja? Trocando em miúdos: por que os distribuidores idiotas (pleonasmo, eu sei) só enfiam cópias dubladas desse gênero? Se ainda fossem boas dublagens, mas nem isso. Claro, a taxa de analfabetismo é de tal ordem que, daqui a pouco, vamos ficar como os norte-americanos, que também não sabem assistir a filmes com legendas.
- Até dezembro.
P.S.: antes que os(as) apressadinhos tirem conclusões apressadas, reitero: tudo aqui é mentira.
- Olha, esse negócio de paixão, quando pega, derruba o sujeito, por mais marrudo que ele queira ser ou parecer. Se você estiver achando que vai cair nessa, saia correndo. Ou fique e aproveite. As consequências não se farão tardar.
- Está chegando a época em que toda a humanidade parece se irmanar numa única atitude hipócrita: acreditar na bondade alheia. E, sobretudo, sorrir, ainda que sua dor venha de uma cólica renal.
- O que dezoito anos trabalhando como professor me ensinaram foi que... deixa pra lá, para que enfrentar um processo nessa altura da vida?
- Alguém pode me dizer por que diabos, neste país, desenho animado TEM DE SER destinado ao público infantil, ainda que não obrigatoriamente o seja? Trocando em miúdos: por que os distribuidores idiotas (pleonasmo, eu sei) só enfiam cópias dubladas desse gênero? Se ainda fossem boas dublagens, mas nem isso. Claro, a taxa de analfabetismo é de tal ordem que, daqui a pouco, vamos ficar como os norte-americanos, que também não sabem assistir a filmes com legendas.
- Até dezembro.
P.S.: antes que os(as) apressadinhos tirem conclusões apressadas, reitero: tudo aqui é mentira.
27 de novembro de 2009
Não acredito
Ao fim, o que resta é apenas uma carreira de frustrações, becos sem saída, decisões equivocadas, pequenas ruínas de uma existência medíocre. Enquanto isso, mais uma vez, o sol cozinha consciências na rua barulhenta.
21 de novembro de 2009
Uma notícia nova, por favor!
- Nunca na história deste país caminhamos tão decididamente para a abertura de um fosso social em que serão atirados todos os que discordarem do pensamento imposto pelos que se apoderaram do Estado. Mais ou menos como os nazistas faziam com os corpos dos judeus que eram massacrados nos campos de concentração. Qualquer semelhança não é banal coincidência.
- Sinto pelos que acreditam nisto que aí está - muitos, inclusive, gente pela qual nutro admiração -, mas não tenho como acreditar na propaganda oficial de um país melhor. Onde, cara pálida? Para os amigos do poder, até pode ser; para os que se opõem (de verdade, não essa mentirinha que chamam de "oposição", ela própria comprometida com o esgoto da politicalha), os restos - e talvez nem isso.
- Justiça? É de chorar encontrar quem ainda tenha alguma esperança nela. Ela não existe, nunca existiu e, quando dá as caras, é apenas para proteger os poderosos, os que podem pagar para advogados chicaneiros extorquir suas vítimas em processos insanos, os que compram juízes para emissão de sentenças favoráveis. A censura, que nunca morreu, está aí de volta para provar isso.
- Consciência negra? Ok, não nego a necessidade disso. Mas digamos, em tese, que alguém proponha um dia da "consciência oriental". Isso receberá a pecha de "manifestação racista"? Serei (mais) discriminado nas ruas? Terei de usar burka? Ou, pior: teremos festividades nas quais vocês verão a "verdadeira manifestação da arte e da sabedoria oriental" etc. etc.? O próximo passo é exigir cotas para os orientais em novelas, publicidade e nas universidades. E não venham me dizer que "com vocês foi diferente", porque não foi e não é.
- E vocês ainda me vêm falar nas previsões maias do fim do mundo? Começa que, se os oráculos daquela civilização fossem tão bons assim, teriam previsto sua própria destruição. Depois, para que prever o que é mais do que óbvio? Nós, que trazemos embutido germe de nossa condição predadora, não deixaremos senão nossos prédios, nossas conquistas tecnológicas, tudo apodrecendo, entregue às baratas. Mas eu nem preciso ser feiticeiro ou o escambau para "prever" isso...
- Sinto pelos que acreditam nisto que aí está - muitos, inclusive, gente pela qual nutro admiração -, mas não tenho como acreditar na propaganda oficial de um país melhor. Onde, cara pálida? Para os amigos do poder, até pode ser; para os que se opõem (de verdade, não essa mentirinha que chamam de "oposição", ela própria comprometida com o esgoto da politicalha), os restos - e talvez nem isso.
- Justiça? É de chorar encontrar quem ainda tenha alguma esperança nela. Ela não existe, nunca existiu e, quando dá as caras, é apenas para proteger os poderosos, os que podem pagar para advogados chicaneiros extorquir suas vítimas em processos insanos, os que compram juízes para emissão de sentenças favoráveis. A censura, que nunca morreu, está aí de volta para provar isso.
- Consciência negra? Ok, não nego a necessidade disso. Mas digamos, em tese, que alguém proponha um dia da "consciência oriental". Isso receberá a pecha de "manifestação racista"? Serei (mais) discriminado nas ruas? Terei de usar burka? Ou, pior: teremos festividades nas quais vocês verão a "verdadeira manifestação da arte e da sabedoria oriental" etc. etc.? O próximo passo é exigir cotas para os orientais em novelas, publicidade e nas universidades. E não venham me dizer que "com vocês foi diferente", porque não foi e não é.
- E vocês ainda me vêm falar nas previsões maias do fim do mundo? Começa que, se os oráculos daquela civilização fossem tão bons assim, teriam previsto sua própria destruição. Depois, para que prever o que é mais do que óbvio? Nós, que trazemos embutido germe de nossa condição predadora, não deixaremos senão nossos prédios, nossas conquistas tecnológicas, tudo apodrecendo, entregue às baratas. Mas eu nem preciso ser feiticeiro ou o escambau para "prever" isso...
18 de novembro de 2009
Rotinas rotineiras
Sempre que acontece algo que possa me suscitar esperança na humanidade logo aparece outro fato que nega de forma radical qualquer abertura para isso. É por isso que sempre digo: jamais deixem de ter fé no potencial humano de sempre poder ser mais e mais pior.
O problema de ficar velho é que tudo o que antes era motivo de prazer passa a ser razão para doenças e preocupações. Eu disse TUDO.
Eu devia arranjar emprego como consultor de recursos humanos. É botar o olho na figura para ver se ela presta ou não. Chamem isso de preconceito; eu chamo de faro para encrenca. Até agora não errei uma.
Alguém aí foi ver esse último filme-catástrofe que anda atraindo o público? Se pretendem ir, por favor, não me convidem. Só me avisem que é para eu riscar de vez seu(s) nome(s) da minha agenda. Obrigado.
O problema de ficar velho é que tudo o que antes era motivo de prazer passa a ser razão para doenças e preocupações. Eu disse TUDO.
Eu devia arranjar emprego como consultor de recursos humanos. É botar o olho na figura para ver se ela presta ou não. Chamem isso de preconceito; eu chamo de faro para encrenca. Até agora não errei uma.
Alguém aí foi ver esse último filme-catástrofe que anda atraindo o público? Se pretendem ir, por favor, não me convidem. Só me avisem que é para eu riscar de vez seu(s) nome(s) da minha agenda. Obrigado.
14 de novembro de 2009
O fim
Este planeta vai mesmo terminar numa imensa bola de fogo, a se repetirem dias como o de hoje...
13 de novembro de 2009
Não deixem de ir!

O grande Marcelino Freire pediu, a gente divulga: olha, de 19 a 22 de novembro acontecerá a Balada Literária, já em sua quarta edição. Mesas-redondas, bate-papos, shows - tudo girando em torno dessa arte desprezada que é a literatura. Mais informações, incluindo a programação completa, você encontra clicando aqui.
12 de novembro de 2009
Os últimos acontecimentos
E o apagão, heim? Uma série de desastres um após o outro. Declarações contraditórias, explicações sem sustentação nos fatos e, ao fim, a culpa cabe a quem não tem como se defender - como, aliás, já é praxe no reinado lulopetista -: a natureza. A mesma desculpa usada pelo governo FHC, na época chamado de imprevidente, incompetente e outros adjetivos menos qualificados ainda. Sem entrar na defesa do governo do PSDB, é de se lamentar que nem mesmo no quesito "desculpa esfarrapada" os "cumpanhêiros" têm alguma originalidade. No fundo, no fundo, parece mesmo mais uma manifestação de inveja de Lula, que queria ter um apagão só dele. Afinal, por que só o FHC pode ter?
No rol das asneiras tupiniquins, o caso da moça de minissaia foi o melhor dessas últimas semanas. Ocorre que, em tempos como os nossos, de um maniqueísmo perturbador, dizer que a Uniban coroou a sua trajetória de "universidade" com algo que só poderia ser do feitio dela, significa, nos miolos da gentinha, que eu seria "defensor" da Geisy. Nada mais falso. Mesmo porque a moça tem seus próprios defensores, e não seria eu a pessoa mais qualificada para fazer isso. No entanto, é preciso dizer quantas vezes for necessário para que os trogloditas saiam de vez do cenário: qualquer que tenha sido a indumentária usada, e qualquer que tenha sido a atitude da moça, ficou claro que ela não incorreu em nenhum ato atentatório ao pudor, no sentido criminal do termo. E, ainda assim, nada, eu disse NADA justifica o comportamento de seus "colegas". Pior mesmo foi a decisão (depois revogada) de expulsar a aluna, após "deliberação do conselho universitário" (leia-se, decisão unilateral do dono da universidade). Em outras palavras, confirmou-se a máxima patriarcalista, muito típica nossa, por sinal, de atribuir a culpa do estupro ao "comportamento insinuante" da vítima, tornada ré. Justificar uma expulsão com esse tipo de "argumento" é assinar atestado de estupidez, de comportamento discriminatório. Trata-se de chocar mais uma vez o ovo da serpente. Começa assim, depois alcança outros setores. Hoje é a moça de comportamento "incondizente"; amanhã é o judeu, depois o negro, o oriental, o homossexual. De certo modo, aos olhos do discriminador, de preconceituoso, qualquer um pode ser inconveniente e, portanto, passível de punição, linchamento, estupro. Mas, sinceramente, nada disso me surpreende, vindo ou não da Uniban. Nem ela nem seus alunos são o problema; eles são apenas o sintoma.
No rol das asneiras tupiniquins, o caso da moça de minissaia foi o melhor dessas últimas semanas. Ocorre que, em tempos como os nossos, de um maniqueísmo perturbador, dizer que a Uniban coroou a sua trajetória de "universidade" com algo que só poderia ser do feitio dela, significa, nos miolos da gentinha, que eu seria "defensor" da Geisy. Nada mais falso. Mesmo porque a moça tem seus próprios defensores, e não seria eu a pessoa mais qualificada para fazer isso. No entanto, é preciso dizer quantas vezes for necessário para que os trogloditas saiam de vez do cenário: qualquer que tenha sido a indumentária usada, e qualquer que tenha sido a atitude da moça, ficou claro que ela não incorreu em nenhum ato atentatório ao pudor, no sentido criminal do termo. E, ainda assim, nada, eu disse NADA justifica o comportamento de seus "colegas". Pior mesmo foi a decisão (depois revogada) de expulsar a aluna, após "deliberação do conselho universitário" (leia-se, decisão unilateral do dono da universidade). Em outras palavras, confirmou-se a máxima patriarcalista, muito típica nossa, por sinal, de atribuir a culpa do estupro ao "comportamento insinuante" da vítima, tornada ré. Justificar uma expulsão com esse tipo de "argumento" é assinar atestado de estupidez, de comportamento discriminatório. Trata-se de chocar mais uma vez o ovo da serpente. Começa assim, depois alcança outros setores. Hoje é a moça de comportamento "incondizente"; amanhã é o judeu, depois o negro, o oriental, o homossexual. De certo modo, aos olhos do discriminador, de preconceituoso, qualquer um pode ser inconveniente e, portanto, passível de punição, linchamento, estupro. Mas, sinceramente, nada disso me surpreende, vindo ou não da Uniban. Nem ela nem seus alunos são o problema; eles são apenas o sintoma.
6 de novembro de 2009
Poema
Na minha cabeça senil havia um poema antigo que tinha o mesmo nome do que foi postado aqui anteriormente. Não o achei, contudo, em meus arquivos desorganizados. Ainda assim, me é nítida a existência dele - Freud certamente explicaria... Fiquem, pois, com este outro, também de minha dileta predileção. Otimismo é comigo mesmo! (hehehe!)
"Não existe amor com final feliz"
A imagem em branco e preto me atormenta,
Nenhum beijo se despega do desejo
Urgente que traçaste com um giz:
Não existe amor com final feliz.
E ao fundo luzes gritam da agonia
Que se esmeram teus dedos em esmagar,
Ao som de uma canção que apenas diz:
Não existe amor com final feliz.
E mesmo quando sopram teus cabelos
Brisa de flores e vento de mar,
Tu te ocultas no ser que desdiz
O enlevo armado – sal de pesadelos,
História que arrancaste com raiz:
Não existe amor, nem final feliz.
"Não existe amor com final feliz"
A imagem em branco e preto me atormenta,
Nenhum beijo se despega do desejo
Urgente que traçaste com um giz:
Não existe amor com final feliz.
E ao fundo luzes gritam da agonia
Que se esmeram teus dedos em esmagar,
Ao som de uma canção que apenas diz:
Não existe amor com final feliz.
E mesmo quando sopram teus cabelos
Brisa de flores e vento de mar,
Tu te ocultas no ser que desdiz
O enlevo armado – sal de pesadelos,
História que arrancaste com raiz:
Não existe amor, nem final feliz.
3 de novembro de 2009
Poema
"Dois continentes (II)"
para J.M.
No rigor da palavra o que sei de ti é nada
- Mina de virgem lavra - salvo uma seara
De frestas entreaberta onde deixaste
Teu rastro de perfume adolescente
De mulher que és no que fazes e pressentes
- O vale que nos aparta: dois continentes.
Nada saber, eis meu dilema - problema
Sem resolução e horizonte que se aviste.
Nada saber de teus saberes e sabores
E obscuros caminhos que em ímpeto abriste
Expõe-me à claridade do que me é próximo:
O saber que em ti prometo se projeta
Qual imagem sobre fundo transparente
E se perde no espaço, entre astros distraída
- Tu em meus poemas - travessia construída.
para J.M.
No rigor da palavra o que sei de ti é nada
- Mina de virgem lavra - salvo uma seara
De frestas entreaberta onde deixaste
Teu rastro de perfume adolescente
De mulher que és no que fazes e pressentes
- O vale que nos aparta: dois continentes.
Nada saber, eis meu dilema - problema
Sem resolução e horizonte que se aviste.
Nada saber de teus saberes e sabores
E obscuros caminhos que em ímpeto abriste
Expõe-me à claridade do que me é próximo:
O saber que em ti prometo se projeta
Qual imagem sobre fundo transparente
E se perde no espaço, entre astros distraída
- Tu em meus poemas - travessia construída.
31 de outubro de 2009
23 de outubro de 2009
Notícias neutras
1. O bastardo ameaça, vocifera, roga pragas. E precisa usar três elevadores para carregar seu ego até o quinto andar.
2. Um importante livro foi lançado. Resta apenas saber de que altura.
3. Na próxima terça, dia 27, participarei de uma mesa-redonda em comemoração ao dia do Livro. Será na Biblioteca do Senai da Vila Alpina, a partir das 20h30. O endereço, para quem puder e quiser ir:
Escola SENAI “Humberto Reis Costa” CFP 1.02
www.sp.senai.br/vilaalpina
Rua Aracati Mirim, 115 – Vila Alpina –São Paulo
Tel.(11)2154-1300 ramal 228. Mais informações, cliquem aqui.
Peço apenas que não atirem pedras.
4. Sabe quando você percebe que precisa tomar um rumo na vida? Nem eu.
2. Um importante livro foi lançado. Resta apenas saber de que altura.
3. Na próxima terça, dia 27, participarei de uma mesa-redonda em comemoração ao dia do Livro. Será na Biblioteca do Senai da Vila Alpina, a partir das 20h30. O endereço, para quem puder e quiser ir:
Escola SENAI “Humberto Reis Costa” CFP 1.02
www.sp.senai.br/vilaalpina
Rua Aracati Mirim, 115 – Vila Alpina –São Paulo
Tel.(11)2154-1300 ramal 228. Mais informações, cliquem aqui.
Peço apenas que não atirem pedras.
4. Sabe quando você percebe que precisa tomar um rumo na vida? Nem eu.
20 de outubro de 2009
13 de outubro de 2009
Poema
"Da vida natural" (I)
Sobre a água lodosa uma ave patinha
Indiferente aos olhares estúpidos dos que passam
Ao largo do lago com que flerta o sol
Entre nuvens e alguma vã promessa de dia claro.
Em meio a crianças que gritam o deslumbre
Ante a teimosia daquilo que sobre a água
Ou sob ela permanece, em quase sobressalto
E sem perspectiva alguma que não a de um verme
Brotando aqui ou um inseto acolá
Que lhe sacie sede e fome e lhe traga outro dia
De olhos abertos, largos lagos e porvires aziagos.
Sobre a água lodosa uma ave patinha
Indiferente aos olhares estúpidos dos que passam
Ao largo do lago com que flerta o sol
Entre nuvens e alguma vã promessa de dia claro.
Em meio a crianças que gritam o deslumbre
Ante a teimosia daquilo que sobre a água
Ou sob ela permanece, em quase sobressalto
E sem perspectiva alguma que não a de um verme
Brotando aqui ou um inseto acolá
Que lhe sacie sede e fome e lhe traga outro dia
De olhos abertos, largos lagos e porvires aziagos.
A respeito dos últimos acontecimentos...
Sediar competições esportivas não implica melhoria alguma para ninguém, exceto para aqueles (de sempre) que lucrarão muito com a empreitada. Preparem-se para uma década de gastança generalizada e propinas até não mais poder.
10 de outubro de 2009
8 de outubro de 2009
Nada espere
A pretensão de ser preterido pela condição de "diferente" é tão miserável quanto a de ser escolhido pelas mesmas razões.
6 de outubro de 2009
Sem tempo
No fundo, tudo é uma questão de simpatia mesmo. Digamos que meritocracia é palavra de baixo calão nesta nossa terra.
2 de outubro de 2009
Incompetências
Duas frases a respeito do Enem:
"...nunca antes na história deste país..."
E alguém imaginava algo diferente?
"...nunca antes na história deste país..."
E alguém imaginava algo diferente?
1 de outubro de 2009
Frase do dia
Melhor a miséria alheia que a própria. O mesmo raciocínio, evidentemente, não se aplica às fortunas.
29 de setembro de 2009
26 de setembro de 2009
Pensamento do dia
Amor e sexo são iguais: ambos começam fortes e pujantes, duram pouco e terminam murchos e melancólicos. Melhor dizendo: sexo dura um pouquinho mais.
24 de setembro de 2009
22 de setembro de 2009
Outro poema
"Das incompatibilidades"
Como nasce o dia com sua chuva
Ou o sol e seus prenúncios secos
Teus olhos me encaram sem piscar
Fixa que estás no monitor que ora contemplo.
Difícil o amor em tempos como os nossos,
Difícil o amanhecer de teu olhar entreaberto,
Enredados os atalhos, embaralhados os trabalhos,
E, embora sejam iguais nossas agendas
Diversos são os ritmos que empreendemos
E quase nada caiba no que sobra
E eu me arraste em redor do que me resta
O amor (ou no que seja) feito código e virtualidade
Enquanto cai a chuva ou o sol se mostra
Mas é lá fora - onde a vida em si desacontece.
Como nasce o dia com sua chuva
Ou o sol e seus prenúncios secos
Teus olhos me encaram sem piscar
Fixa que estás no monitor que ora contemplo.
Difícil o amor em tempos como os nossos,
Difícil o amanhecer de teu olhar entreaberto,
Enredados os atalhos, embaralhados os trabalhos,
E, embora sejam iguais nossas agendas
Diversos são os ritmos que empreendemos
E quase nada caiba no que sobra
E eu me arraste em redor do que me resta
O amor (ou no que seja) feito código e virtualidade
Enquanto cai a chuva ou o sol se mostra
Mas é lá fora - onde a vida em si desacontece.
19 de setembro de 2009
Poema
"Apenas sobras"
Há momentos assim: ao nascer do dia
Ou no apagar as luzes só um buraco
Sem fundo te olha sem urgência
E, movas um dedo ou arrisques um riso,
Não haverá chuva para que brotem
As sementes que tão ciosa pousaste
Sobre o solo ainda de verde cobrindo.
Somente um sol calado e cálido
Arrastará teus dias e empedrará a seiva
E nada farás, a favor ou contra,
Porque há momentos assim, de uma
Inteira existência, de apenas sobras
Das mortas sementes que tão cuidosa lançaste.
Há momentos assim: ao nascer do dia
Ou no apagar as luzes só um buraco
Sem fundo te olha sem urgência
E, movas um dedo ou arrisques um riso,
Não haverá chuva para que brotem
As sementes que tão ciosa pousaste
Sobre o solo ainda de verde cobrindo.
Somente um sol calado e cálido
Arrastará teus dias e empedrará a seiva
E nada farás, a favor ou contra,
Porque há momentos assim, de uma
Inteira existência, de apenas sobras
Das mortas sementes que tão cuidosa lançaste.
18 de setembro de 2009
Toleima
Tem coisa mais idiota que gente que se comporta "rebeldemente" só para mostrar o quanto é transgressor?
15 de setembro de 2009
Um quase post e um poema
Pensei, num primeiro momento, em relatar algo que soube hoje, envolvendo minha pessoa e determinados conceitos que certas criaturas têm a meu respeito (ou falta de). Não que tenha sido surpresa, conhecendo a humanidade como a conheço, mas não deixa de ser chato. Desisti de escrever o post, em grande medida por conta de eu já o ter escrito alguns dias atrás, quando tratei de pessoas que precisam de atenção. Pois é, não mudou quase nada, a não ser que, no caso de hoje, talvez seja mesmo questão de aumentar a dosagem dos remédios ou internar-se de vez e jogar a chave fora. Repito: odeio (melhor: desprezo) gente que se acha tão importante que considere que EU me importe ou me incomode com elas.
Mas vamos ao poema:
Das esperas
(para M.)
Em chumbo as janelas saudaram o dia:
Arrastas teu corpo entre plúmbeas pombas
E teus pulmões se enchem das fezes e pó
Por asas e rodas trazidas de lá e cá.
O que desejas aqui não se encontra
Nem onde não esperas, muito menos quando.
Te deitas, esperando chegar o sono
Ou o gozo afogado em teu pleno escuro.
Resta-te a melodia torta que entoas
Ao fundo da sala, no ocaso do que não foi
Enquanto um jazz de desencontrado ritmo
Desanda sonhos, porvires - algum futuro.
Mas vamos ao poema:
Das esperas
(para M.)
Em chumbo as janelas saudaram o dia:
Arrastas teu corpo entre plúmbeas pombas
E teus pulmões se enchem das fezes e pó
Por asas e rodas trazidas de lá e cá.
O que desejas aqui não se encontra
Nem onde não esperas, muito menos quando.
Te deitas, esperando chegar o sono
Ou o gozo afogado em teu pleno escuro.
Resta-te a melodia torta que entoas
Ao fundo da sala, no ocaso do que não foi
Enquanto um jazz de desencontrado ritmo
Desanda sonhos, porvires - algum futuro.
12 de setembro de 2009
10 de setembro de 2009
Pensamento do dia
Se eu gostasse de igrejinhas, mudaria imediatamente para uma dessas cidades interioranas onde não acontece nada, ou melhor, onde o que acontece É nada. E não aconteceu nada. Nem vai.
5 de setembro de 2009
Reflexão irrefletida - 7
Há certos tipos que têm a necessidade doentia de manter relações de amizade ou coleguismo com todo mundo. Não é o meu caso. De uns tempos pra cá, sobretudo, ando prescindindo disso e radicalizando. Em bom português: ou gosto ou desgosto. Não sei se é a idade ou o ceticismo, mas ocorre que, tão logo eu ponha os olhos na figura, já posso dizer se presta ou não. Raramento erro. E, de quem eu gosto, sou capaz de mover o mundo. Claro que a contraparte é a de eu sequer tomar conhecimento daqueles de quem não gosto.
Esse preâmbulo todo (e o Fernando vai achar alguma verdade nisso, que eu sei) é para manifestar meu asco em relação a gente que precisa de atenção. Da sua. Ou melhor, da minha. São capazes de qualquer coisa: esbarrar com você em praças (esbarrar mesmo), falar mal de você para todo mundo, gritar por aí que você não dá atenção à insignificância do desprezado e por aí vai. Muitos poderão objetar que bastaria eu responder ao apelos da figura, quem sabe respondendo ao "bom dia" altissonante, que a chatice terminaria. Mas não. Gente assim, tão logo você abra a brecha da porta, já entra na sua sala, deita no sofá, tira os sapatos, abre sua geladeira, urina fora do vaso e ainda chama você por um apelido que ele mesmo criou. Ou seja, manifesta sua verdadeira face de folgado. E não duvido que, pelas suas costas, continuaria falando mal de você, da bagunça da sua casa e da cerveja pouco gelada. Há quem ache tipos assim engraçados. Eu não, até porque já conheço o enredo do pastelão que virá.
Esse preâmbulo todo (e o Fernando vai achar alguma verdade nisso, que eu sei) é para manifestar meu asco em relação a gente que precisa de atenção. Da sua. Ou melhor, da minha. São capazes de qualquer coisa: esbarrar com você em praças (esbarrar mesmo), falar mal de você para todo mundo, gritar por aí que você não dá atenção à insignificância do desprezado e por aí vai. Muitos poderão objetar que bastaria eu responder ao apelos da figura, quem sabe respondendo ao "bom dia" altissonante, que a chatice terminaria. Mas não. Gente assim, tão logo você abra a brecha da porta, já entra na sua sala, deita no sofá, tira os sapatos, abre sua geladeira, urina fora do vaso e ainda chama você por um apelido que ele mesmo criou. Ou seja, manifesta sua verdadeira face de folgado. E não duvido que, pelas suas costas, continuaria falando mal de você, da bagunça da sua casa e da cerveja pouco gelada. Há quem ache tipos assim engraçados. Eu não, até porque já conheço o enredo do pastelão que virá.
1 de setembro de 2009
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