"Nada de importante"
Você abre a porta de casa
E um cadáver lhe dá bom-dia.
Um odor de ferro e chumbo
Derrete o asfalto ao nascer do sol.
Um fulano fodido - e você dormindo
Depois de horas e horas de trabalho
Ou de falta dele, contando o que resta
Para lhe tirarem o prato e o teto.
Porque é isso mesmo:
Deus não existe, ou morreu,
Ou sequer sabe de sua existência.
E, seja como for, você é tão importante
Quanto o fiapo de baba que escorre
Da boca do cadáver que lhe dá bom-dia. Você pensa nisso
No justo momento em que um ônibus desgovernado
Faz paçoca de seus miolos.
Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
21 de agosto de 2007
20 de agosto de 2007
Já encheu
Mas não é que, de repente, voltamos a ser uma ilha de paz no meio da turbulência?
Longe de imaginar que isto aqui vai melhorar um dia. Não vai nunca. E não adianta ir pra esquerda ou pra direita. Nem aderir ao "Cansei", ao "Cansamos", ao "Caguei" ou a que verbo vocês quiserem. A sociedade nunca esteve tão explicitamente dividida (na verdade, sempre esteve, mas os últimos anos foram pródigos em desfazer a ilusão - o que pode ser bom ou um desastre). Ou você faz parte da curriola, ou você é faz parte da "direita golpista". Ou você está conosco ou está contra nós. Há os que se locupletam, há os que assumem a esquizofrenia. Não nos permitem ficar à meia-luz, ou à meia-sombra, sob a acusação de que a neutralidade ou o exercício da crítica apartidária são atitudes vis. Da minha perspectiva, estamos na merda, que fede do mesmo jeito não importa o matiz político do emissor. Desconfio de um movimento que se diz "apolítico" (se é um movimento contra qualquer coisa, já é político), mas me dou o direito de rejeitar um outro que se diz "das massas", mas que enriquece seus líderes, e isso pra dizer o mínimo. Nunca na história vivi tamanha desesperança, mais que isso, anomia. Não tenho vontade sequer de ter alguma vontade. E estou aqui, sentado, esperando que a morte me pegue e me poupe o trabalho de agir em nome dela. Mas acho que nem isso vai acontecer.
Longe de imaginar que isto aqui vai melhorar um dia. Não vai nunca. E não adianta ir pra esquerda ou pra direita. Nem aderir ao "Cansei", ao "Cansamos", ao "Caguei" ou a que verbo vocês quiserem. A sociedade nunca esteve tão explicitamente dividida (na verdade, sempre esteve, mas os últimos anos foram pródigos em desfazer a ilusão - o que pode ser bom ou um desastre). Ou você faz parte da curriola, ou você é faz parte da "direita golpista". Ou você está conosco ou está contra nós. Há os que se locupletam, há os que assumem a esquizofrenia. Não nos permitem ficar à meia-luz, ou à meia-sombra, sob a acusação de que a neutralidade ou o exercício da crítica apartidária são atitudes vis. Da minha perspectiva, estamos na merda, que fede do mesmo jeito não importa o matiz político do emissor. Desconfio de um movimento que se diz "apolítico" (se é um movimento contra qualquer coisa, já é político), mas me dou o direito de rejeitar um outro que se diz "das massas", mas que enriquece seus líderes, e isso pra dizer o mínimo. Nunca na história vivi tamanha desesperança, mais que isso, anomia. Não tenho vontade sequer de ter alguma vontade. E estou aqui, sentado, esperando que a morte me pegue e me poupe o trabalho de agir em nome dela. Mas acho que nem isso vai acontecer.
15 de agosto de 2007
O horror, o horror...
Detesto cachorros. Aliás, acho que qualquer espécie animal cuja boca tenha abertura suficiente para levar minha mão embora deveria ficar do lado de dentro da jaula. Não é isso, porém, que me faz odiá-los. O problema dos cães é que eles são submissos ao ser humano - a pior espécie viva deste planetinha em que tentamos existir. É até plausível dizer que tenho ojeriza maior aos donos que aos cachorros propriamente ditos. Quem, em sã consciência, pode achar um pitbull "bonitinho"? Ou um buldogue? Ou uma dessas bolas de pêlo cujos latidos ultrapassam qualquer nível decente de decibéis e fazem seu cérebro doer como se uma agulha o estivesse atravesando? Se não fosse passível de processo criminal, minha vontade seria praticar futebol com cachorros fofinhos e peludos. E tiro ao alvo com os grandes.
Dito isso, se existe uma coisa que me revolta as vísceras é ver o que muita gente considerada mais decente que eu faz com seus bichinhos de estimação tão logo eles começam a se tornar estorvos: abandonam os animais por aí. Isso quando não os matam de fome ou doença. Enquanto o danado do bicho for bonitinho e coisa e tal, tudo bem. A partir do momento em que ele passa a roer móveis, sapatos e a fazer suas necessidades pela casa, rua! Ninguém se lembra de que estão tratando com um ser vivo, que sangra e sente dor. Oras, é só uma "coisa" mesmo, não é? Essa irresponsabilidade, somada à total ausência de sentimentos, é que me enoja. Mas alguém aí liga para o que acontece com quem não pode(mais)falar?
Dito isso, se existe uma coisa que me revolta as vísceras é ver o que muita gente considerada mais decente que eu faz com seus bichinhos de estimação tão logo eles começam a se tornar estorvos: abandonam os animais por aí. Isso quando não os matam de fome ou doença. Enquanto o danado do bicho for bonitinho e coisa e tal, tudo bem. A partir do momento em que ele passa a roer móveis, sapatos e a fazer suas necessidades pela casa, rua! Ninguém se lembra de que estão tratando com um ser vivo, que sangra e sente dor. Oras, é só uma "coisa" mesmo, não é? Essa irresponsabilidade, somada à total ausência de sentimentos, é que me enoja. Mas alguém aí liga para o que acontece com quem não pode(mais)falar?
13 de agosto de 2007
Comentário atônito
Quem ainda acha que o mundo tem conserto deve urgentemente ler as páginas de Cultura dos jornais diários. Há um universo de acontecimentos de bastante relevância: cursos, palestras, saraus, lançamentos de livros etc. Só que nada disso aparece nos ditos órgãos de imprensa. Ou muito pouco. Na maior parte dos casos, as notícias sobre livros (só para ficar num dos meus campos de atuação) limitam-se a notinhas de rodapé cujos textos já estavam prontos nos releases enviados pelas editoras. Quando há uma resenha mais encorpada, é sempre de um autor que não precisa daquela resenha, a qual, no mais, dificilmente escapa do ramerrão impressionista sob disfarce técnico. Agora, infinitamente pior do que isso, só mesmo aquele texto em que o sujeito não tem NADA para comentar, fica dando voltas em torno de platitudes e lugares-comuns, e enche o espaço que falta (dois terços do total) acusando a crítica e os escritores de fazerem exatamente aquilo que ele, o resenhista, faz: propaganda de si próprio, autoproselitismo, aversão a quem pensa diferente. Não fosse o caderno de empregos, era o caso de pedir o cancelamento de todas as assinaturas dos jornais que leio.
9 de agosto de 2007
Resumo rápido
Semana difícil: nenhum trabalho novo, nada de grana na conta corrente, que já ameaça entrar no vermelho outra vez. E nenhuma perspectiva à vista. Muito menos a prazo. E ainda tem a amigdalite, que resolveu ficar mais um pouco e pediu outra intervenção, desta vez com injeção de Bezetacil, aquela maravilha. E mais três dias de antibiótico, antiinflamatório e mais outro medicamento que eu preferi nem perguntar pra que servia. Tem certas coisas que é melhor desconhecer mesmo. E houve o curso que era pra começar esta semana, mas só teve a primeira aula, e que só deve ser retomado em setembro. Muita gente que havia planejado ficar livre em outubro vai ter de repensar a agenda. Por fim, a corrida atrás de documentos e quejandos pra outra burocracia que vai redundar em nada. O problema é que - como diz o Zé Simão - "quem fica parado é poste", e ficar só reclamando não vai levar a lugar algum muito menos. Então, vale tirar o traseiro do sofá, como diria nosso impoluto chefe da Nação, e "correr atrás do prejuízo"...
De quebra, fiquei até agora dando aula e perdi o lançamento da Fósforo, do meu dileto parceiro Claudinei, dono do site Desconcertos. Outra lástima!
De quebra, fiquei até agora dando aula e perdi o lançamento da Fósforo, do meu dileto parceiro Claudinei, dono do site Desconcertos. Outra lástima!
8 de agosto de 2007
Um capítulo de um livro vindouro
Preciso corrigir esse defeito. Não é nada para se envergonhar, mas as pessoas não entendem o que eu digo, tenho de repetir, me repetir, eu que odeio isso mais que tudo, mais que o fato de eu usar óculos e ter a cara cheia de espinhas. Vou falar, então as palavras saem enroladas, umas sobre as outras, como putas de filme pornô, aí a pessoa me olha com aquela expressão de quem acha que você sofre de algum problema mental, então tento me explicar e o que consigo é manchar a roupa da pessoa com perdigotos e ver o riso amarelo e o cara enojada que ela faz antes de se afastar como se eu tivesse alguma doença contagiosa. Nada para me envergonhar, mas eu preciso corrigir ese defeito antes que me tomem por demente. E eu não sou. Tenho apenas esse defeito, um nada, que projeta meu maxilar inferior para além de seu eixo e me confere um ar meio agressivo. É másculo, mas em mim é defeito. Um defeitinho. Fora isso, sou perfeito. Minha mãe concorda comigo, tanto que vai me ajudar a pagar a operação. Daí todos terão de me agüentar falando o que me ter na telha. Não vejo a hora.
Ainda à beira da morte
Ou nem tanto. Mas a amígdala continua inchada, o que é mau sinal - ou seja, complicações advirão em breve. Menos mal que a temperatura do corpo baixou, o que pelo menos me permite sair à rua sem sentir frio com os termômetros marcando 26 graus. Se eu acreditasse nisso, diria que é praga. Mas é estresse mesmo. Do jeito que a coisa vai, acho que o melhor será pegar uma fazenda bem grande (se é que vai sobrar alguma depois que o MST finalmente implantar sua moderna política agrária) e carpir o mato até as mãos criarem calo (o que não vai demorar muito...hehehe!). Depois, criar uma sociedade alternativa, onde eu possa compor muitos rocks rurais, com meus livros, meus CDs e nada mais (bom, vale uma geladeira, uma TV a cabo, ar condicionado, banheiro limpo...). Pensando bem, vamos voltar à desgraceira cotidiana.
6 de agosto de 2007
Notícias do "front"
Claro que eu não podia passar um ano sem contrair uma amigdalite brava. Pois é: febre, garganta doendo, a sensação de que passaram um rolo compressor sobre você... Acompanhando o pacote, a dor renitente nas costas - indício claro do que será minha fase decrépita. Antes de cair doente, porém, escrevi alguns pequenos textos. Só não os publico hoje porque a preguiça e a leseira andam demais...
31 de julho de 2007
Curso sobre Poesia Moderna
A pedidos da Ana Rüsche, divulgo aqui um curso que ela e o Dirceu Villa vão ministrar em setembro. Até deu vontade de cursar, vendo o programa... Para quem se interessar, as inscrições podem ser feitas diretamente no site do b_arco.
Poetas da Modernidade: Um Panorama Internacional
espaço b_arco virgilio, oficinas de cultura
www.barcovirgilio.com.br
galeria virgilio, rua dr. virgilio de carvalho pinto, n° 422, pinheiros
(11) 3081.6986, contato@barcovirgilio.com.br
por Ana Rüsche & Dirceu Villa
Objetivos: Apresentar de forma agradável e próxima os principais poetas que produziram durante o século XIX e XX, cujo conhecimento se faz imprescindível para compreensão da arte moderna, como os nomes de Rimbaud, Baudelaire, Rilke, Hölderlin, Eliot, Pound e Pessoa, dentre outros.
Além do apanhado crítico e teórico que pressupõe o curso, os textos serão passados em forma de leitura, com detalhes bibliográficos, para que a apreensão do conteúdo seja interessante e atrativa a todos.
Destinado a: Interessados em poesia, literatura, filosofia e história da arte. Não são necessários conhecimentos prévios específicos sobre poesia.
Início: 01 de Setembro de 2007. Reserve sua vaga
Dias/Horário: De 01 a 29/09 (5 encontros). Sábados, das 11hs às 15hs. Cada encontro terá a duração 4 (quatro) horas com um intervalo de 30 (trinta) minutos
Programa proposto
(sujeito a alterações)
1° Encontro - Poetas de Língua Inglesa- T. S. Eliot
- Ezra Pound
- Emily Dickinson
Comentários sobre: William Blake, e.e. Cummings, William Butler Yeats e Gertrude Stein
2° Encontro - Poetas de Língua Francesa
- Arthur Rimbaud
- Stéphane Mallarmé
- Charles Baudelaire
Comentários sobre: Paul Éluard & André Breton, Guillaume Apollinaire, Jean Cocteau, Jules Laforgue e Tristan Corbière
3° Encontro - Poetas de Língua Alemã
- Rainer Maria Rilke
- Bertold Brecht
- Paul Celan
Comentários sobre: Friedrich Hölderlin, Georg Trakl, Else Lasker-Schüler e Kurt Schwitters
4° Encontro - Poetas de Línguas Italiana e Ibéricas
- Filippo Tommaso Marinetti
- Octavio Paz
- Fernando Pessoa
Comentários sobre: Giuseppe Ungaretti, Joan Brossa e Pablo Neruda
ANA RÜSCHE - Escritora, publicou Rasgada (Quinze & Trinta: 2005) e Sarabanda - Um Caderno de Estudos (Selo Demônio Negro: 2007). Vencedora do PAC - Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo em 2006, e do prêmio Versos Femininos, Prefeitura de São Paulo, 2004.Participou de diversas antologias, dentre elas Oitavas (Selo Demônio Negro: 2006) e foi traduzida para o catalão e o espanhol na Antologia Panamericana - Poetas nascidas após 1976, SérieAlfa por Joan Navarro (2005). Traduções publicadas: Expressionistas alemães, Revista Zunái (2005), Poetas sul-africanos, Revista Etcetera nº 8, Ed. Travessa dos Editores (2006).
Formada em Direito na Universidade de São Paulo (USP), cursa o 5° ano de Letras na USP. Escreve diariamente no blog convidado da UOL, Peixe de Aquário, http://peixedeaquario.zip.net.
DIRCEU VILLA - Poeta e tradutor, publicou MCMXCVIII (Badaró: 1998) e Descort (Hedra: 2003), vencedor do Prêmio Nascente (USP) em 2000. Publicado em revistas e antologias, dentre elas a nova-iorquina Rattapalax n°9, Ácaro e Ciência & Tecnologia. Prefaciou Contos Indianos, de Stéphane Mallarmé (Hedra, 2006); Fausto, de Christopher Marlowe (Hedra, 2006) e Pequenos Poemas em Prosa, de Charles Baudelaire (Hedra, 2007, no prelo).
Formado em Letras na Universidade de São Paulo (USP), concluiu em 2004 mestrado em Literaturas de Língua Inglesa, traduzindo e anotando Lustra, de Ezra Pound. Integra o conselho editorial dos Cadernos de Literatura em Tradução (FFLCH/USP). Ministrou cursos de poesia na Extensão Universitária da USP nos anos 2003, 2005 e 2006. Editor da revista Gargântua (1999), de literatura e arte. Publica, desde 2004, ensaios e traduções na revista digital Germina Literatura, criador de e responsável pelas páginas Officina Perniciosa, Thesaurus e Folha Elétrica, www.germinaliteratura.com.br
Poetas da Modernidade: Um Panorama Internacional
espaço b_arco virgilio, oficinas de cultura
www.barcovirgilio.com.br
galeria virgilio, rua dr. virgilio de carvalho pinto, n° 422, pinheiros
(11) 3081.6986, contato@barcovirgilio.com.br
por Ana Rüsche & Dirceu Villa
Objetivos: Apresentar de forma agradável e próxima os principais poetas que produziram durante o século XIX e XX, cujo conhecimento se faz imprescindível para compreensão da arte moderna, como os nomes de Rimbaud, Baudelaire, Rilke, Hölderlin, Eliot, Pound e Pessoa, dentre outros.
Além do apanhado crítico e teórico que pressupõe o curso, os textos serão passados em forma de leitura, com detalhes bibliográficos, para que a apreensão do conteúdo seja interessante e atrativa a todos.
Destinado a: Interessados em poesia, literatura, filosofia e história da arte. Não são necessários conhecimentos prévios específicos sobre poesia.
Início: 01 de Setembro de 2007. Reserve sua vaga
Dias/Horário: De 01 a 29/09 (5 encontros). Sábados, das 11hs às 15hs. Cada encontro terá a duração 4 (quatro) horas com um intervalo de 30 (trinta) minutos
Programa proposto
(sujeito a alterações)
1° Encontro - Poetas de Língua Inglesa- T. S. Eliot
- Ezra Pound
- Emily Dickinson
Comentários sobre: William Blake, e.e. Cummings, William Butler Yeats e Gertrude Stein
2° Encontro - Poetas de Língua Francesa
- Arthur Rimbaud
- Stéphane Mallarmé
- Charles Baudelaire
Comentários sobre: Paul Éluard & André Breton, Guillaume Apollinaire, Jean Cocteau, Jules Laforgue e Tristan Corbière
3° Encontro - Poetas de Língua Alemã
- Rainer Maria Rilke
- Bertold Brecht
- Paul Celan
Comentários sobre: Friedrich Hölderlin, Georg Trakl, Else Lasker-Schüler e Kurt Schwitters
4° Encontro - Poetas de Línguas Italiana e Ibéricas
- Filippo Tommaso Marinetti
- Octavio Paz
- Fernando Pessoa
Comentários sobre: Giuseppe Ungaretti, Joan Brossa e Pablo Neruda
ANA RÜSCHE - Escritora, publicou Rasgada (Quinze & Trinta: 2005) e Sarabanda - Um Caderno de Estudos (Selo Demônio Negro: 2007). Vencedora do PAC - Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo em 2006, e do prêmio Versos Femininos, Prefeitura de São Paulo, 2004.Participou de diversas antologias, dentre elas Oitavas (Selo Demônio Negro: 2006) e foi traduzida para o catalão e o espanhol na Antologia Panamericana - Poetas nascidas após 1976, SérieAlfa por Joan Navarro (2005). Traduções publicadas: Expressionistas alemães, Revista Zunái (2005), Poetas sul-africanos, Revista Etcetera nº 8, Ed. Travessa dos Editores (2006).
Formada em Direito na Universidade de São Paulo (USP), cursa o 5° ano de Letras na USP. Escreve diariamente no blog convidado da UOL, Peixe de Aquário, http://peixedeaquario.zip.net.
DIRCEU VILLA - Poeta e tradutor, publicou MCMXCVIII (Badaró: 1998) e Descort (Hedra: 2003), vencedor do Prêmio Nascente (USP) em 2000. Publicado em revistas e antologias, dentre elas a nova-iorquina Rattapalax n°9, Ácaro e Ciência & Tecnologia. Prefaciou Contos Indianos, de Stéphane Mallarmé (Hedra, 2006); Fausto, de Christopher Marlowe (Hedra, 2006) e Pequenos Poemas em Prosa, de Charles Baudelaire (Hedra, 2007, no prelo).
Formado em Letras na Universidade de São Paulo (USP), concluiu em 2004 mestrado em Literaturas de Língua Inglesa, traduzindo e anotando Lustra, de Ezra Pound. Integra o conselho editorial dos Cadernos de Literatura em Tradução (FFLCH/USP). Ministrou cursos de poesia na Extensão Universitária da USP nos anos 2003, 2005 e 2006. Editor da revista Gargântua (1999), de literatura e arte. Publica, desde 2004, ensaios e traduções na revista digital Germina Literatura, criador de e responsável pelas páginas Officina Perniciosa, Thesaurus e Folha Elétrica, www.germinaliteratura.com.br
27 de julho de 2007
De passagem...
Infelizmente não vai ser desta vez que ficarei famoso, mas minha pequena resenha a respeito do livro A Maldição da Moleira foi publicada no site do Entrelinhas. A limitação do espaço acaba obrigando a gente a deixar considerações importantes de lado, mas o exercício de escrever o essencial foi assaz interessante. Quem quiser conferir, clique aqui.
Diferentemente das demais criaturas deste planeta, gosto do frio. Quem me conhece já sabe disso, de modo que não vou ficar me repetindo além da conta. O calor, embora propicie a visão generosa das beldades femininas (e das masculinas, para quem prefere), também põe à mostra, em proporções muito acima do razoável, o horror das caras suadas, e das camisas manchadas nas axilas. Disgusting, no mínimo. No frio não há nada disso. De quando em quando, um casaco de pele fora do contexto, a estética da cebola, coisas assim. O melhor é que ninguém sai de casa. A cidade fica melhor e mais respirável.
Diferentemente das demais criaturas deste planeta, gosto do frio. Quem me conhece já sabe disso, de modo que não vou ficar me repetindo além da conta. O calor, embora propicie a visão generosa das beldades femininas (e das masculinas, para quem prefere), também põe à mostra, em proporções muito acima do razoável, o horror das caras suadas, e das camisas manchadas nas axilas. Disgusting, no mínimo. No frio não há nada disso. De quando em quando, um casaco de pele fora do contexto, a estética da cebola, coisas assim. O melhor é que ninguém sai de casa. A cidade fica melhor e mais respirável.
24 de julho de 2007
Paroles, parolagens...
Correu tudo bem na sessão de comunicações da Abralic, ontem. Para quem não sabe, explico: a Abralic (Associação Brasileira de Literatura Comparada) organiza encontros regionais e congressos internacionais que reúnem professores mestres e doutores para falar sobre... Literatura sob a perspectiva comparativista, embora não só por ela. Nessas ocasiões, além das mesas-redondas, há um espaço para a divulgação de trabalhos (em andamento ou concluídos) dos professores titulados, sob a forma de comunicações breves. Em geral, cada um lê um texto previamente escrito - embora sempre haja quem ensaie uma fala mais ou menos improvisada na hora -, a que se segue um tempo para debates entre os expositores e o público eventualmente presente. É, é bem acadêmico - no bom e no mau sentido. Mas o mais divertido é ter a oportunidade de perceber que há uma quantidade enorme de trabalhos que não valem o papel em que foram escritos, assim como também há outros cujo brilhantismo causa inveja, a boa inveja. Além do que os contatos que se estabelecem nessas ocasiões são sempre interessantes, pelo menos do ponto de vista acadêmico e intelectual. Ah, meu trabalho foi bem recebido, mas fiquei com o forte impressão de que metade da audiência não tinha a menor idéia do que eu estava falando...rsrsr! Nada muito diferente de "dar aulas", afinal...
Gastei o que não tenho e comprei três livros: Diálogos com Leucó, de Cesare Pavese; Belverede, do Chacal; e Cemitério, do Paulo Emílio Salles Gomes. Dos três, o do Chacal tem lançamento amanhã, a partir das 19h00, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. Dos demais, comento depois.
Gastei o que não tenho e comprei três livros: Diálogos com Leucó, de Cesare Pavese; Belverede, do Chacal; e Cemitério, do Paulo Emílio Salles Gomes. Dos três, o do Chacal tem lançamento amanhã, a partir das 19h00, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. Dos demais, comento depois.
19 de julho de 2007
Conversas convertidas
Minha parceira de Literatura, a Marília, do delicioso blogue Micrópolis (link ao lado, please!), escreveu para mim solidarizando-se quanto ao fato de minha condição isolada e isolacionista. Mas ainda assim ela é menos dominada pela misantropia do que eu, já que lançou uma obra coletiva com a Ana Rüshe, a Silvana Guimarães, a Andrea Catropa, entre outras. Eu, nem isso. Ou melhor, somente um livro muito mal divulgado, por minha própria culpa. A última festa que lembro de ter ido foi uma na qual quase me peguei com o então cunhado de um amigo porque ele encanou com o fato de eu não beber cerveja. Aliás, não beber nada alcoólico. Diga-se de passagem, isso valeria uma tese: os motivos sóciopsicofenomenológicos da agressividade contra os não-bebedores. Como se fôssemos uma espécie de ETs, ou portadores de alguma doença contagiosa. Virgens e de pau pequeno. Agentes da polícia secreta das elites ou da direita que não deseja o sucesso das classes trabalhadoras do país. Delatores. Disfuncionais. Chatos. Próceres da moral e dos bons costumes. E por aí vai...
Acresce que escrevo poemas. Ou pelo menos tento. E, como eu já disse aqui, não existe nada mais esquisito do que poetas (ou candidatos a). Deve ser genético. Mais ou menos como os X-Men ou as personagens de Heroes. E sem nenhuma das vantagens.
Gracejos à parte, escrevi uma pequena resenha do recente livro da Índigo - A Maldição da Moleira (editora Girafinha). Ia publicá-la aqui, mas resolvi, antes, mandar o texto para um site especializado em Literatura - vai que eles se deixam enganar e me dão uma pequena alegria (sim, porque grana que é bom...)
Semana que vem, segunda-feira, vou apresentar uma comunicação sobre um conto de Marçal Aquino. Vai ser no Encontro Regional da Abralic, que este ano acontece na USP. Mais informações, clique aqui. Espero não ser massacrado...
Acresce que escrevo poemas. Ou pelo menos tento. E, como eu já disse aqui, não existe nada mais esquisito do que poetas (ou candidatos a). Deve ser genético. Mais ou menos como os X-Men ou as personagens de Heroes. E sem nenhuma das vantagens.
Gracejos à parte, escrevi uma pequena resenha do recente livro da Índigo - A Maldição da Moleira (editora Girafinha). Ia publicá-la aqui, mas resolvi, antes, mandar o texto para um site especializado em Literatura - vai que eles se deixam enganar e me dão uma pequena alegria (sim, porque grana que é bom...)
Semana que vem, segunda-feira, vou apresentar uma comunicação sobre um conto de Marçal Aquino. Vai ser no Encontro Regional da Abralic, que este ano acontece na USP. Mais informações, clique aqui. Espero não ser massacrado...
18 de julho de 2007
Palavras ao vento.
Ia escrever alguma coisa sobre o livro da Índigo, de que gostei demais, mas não há como. A morte de tanta gente, por algo que deveria ter sido evitado facilmente, poderia coroar os desastres de que temos sido vítimas, como "nunca na história deste pais", não fosse o seguinte: não acabou aí. Como dizem os americanos, "the cherry on the cake" ainda não foi posta, e esta geração de políticos ainda tem muito a nos apresentar. Os sobreviventes verão. E pior: nem poderão vaiar, já que até isso será proibido.
Os problemas da Educação no Brasil nunca serão resolvidos enquanto a cláusula constitucional que a torna um direito de todos não for suprimida. O Estado faliu, não por falta de dinheiro, mas pela incompetência de quem o administra. Mas nada neste e em qualquer outro mundo salvaria a Educação, cujas contradições irresolvíveis são o alfa e o ômega de seu fracasso, ou melhor, de seu sucesso. Sucesso? Sim, se levarmos em conta que o objetivo é esse mesmo, o de demonstrar sua inutilidade para as massas. "Precisamos adaptar a escola aos novos tempos" é frase de quem já se rendeu ao mercado, à deformação utilitarista que molda tudo e todos. O que seria essa adaptação? Computadores na escola? Aulas dinâmicas? Ênfase na prática? Oras, isso é o mais do mesmo, é fazer da escola uma extensão piorada da própria casa. Quem aprende alguma coisa assim? Melhor: o que se aprende em lugares desse tipo? A mesma coisa que vemos nas ruas, nas delegacias, nos palácios, nas favelas. Criamos monstros que, crentes de sua onipotência, voltam suas garras e armas para nós.
Não, isto que escrevi não é solução pra nada - antes que me venham cobrar alguma coisa. É só um desabafo diante de tanta coisa fora do lugar - de qualquer lugar.
Os problemas da Educação no Brasil nunca serão resolvidos enquanto a cláusula constitucional que a torna um direito de todos não for suprimida. O Estado faliu, não por falta de dinheiro, mas pela incompetência de quem o administra. Mas nada neste e em qualquer outro mundo salvaria a Educação, cujas contradições irresolvíveis são o alfa e o ômega de seu fracasso, ou melhor, de seu sucesso. Sucesso? Sim, se levarmos em conta que o objetivo é esse mesmo, o de demonstrar sua inutilidade para as massas. "Precisamos adaptar a escola aos novos tempos" é frase de quem já se rendeu ao mercado, à deformação utilitarista que molda tudo e todos. O que seria essa adaptação? Computadores na escola? Aulas dinâmicas? Ênfase na prática? Oras, isso é o mais do mesmo, é fazer da escola uma extensão piorada da própria casa. Quem aprende alguma coisa assim? Melhor: o que se aprende em lugares desse tipo? A mesma coisa que vemos nas ruas, nas delegacias, nos palácios, nas favelas. Criamos monstros que, crentes de sua onipotência, voltam suas garras e armas para nós.
Não, isto que escrevi não é solução pra nada - antes que me venham cobrar alguma coisa. É só um desabafo diante de tanta coisa fora do lugar - de qualquer lugar.
17 de julho de 2007
Algumas palavras
Para não dizer que a vida tem sido improdutiva: aproveitei o tempo mais ou menos livre para botar algumas leituras em dia e ir ao cinema. Por exemplo: por um desses desvios malucos de nossa existência, só fui tomar conhecimento da poesia de Ana Rusche há pouco tempo. E ela estava ali, bem perto, já que transitamos pelos mesmos blogues e sites de Literatura. Mas, nessa minha idiossincrasia anti-social, voltava e girava sempre pelos menos lugares, sem me aventurar em descobrir o que havia por trás (no bom sentido) daqueles outros nomes. Li o 8 femmes, antologia da qual ela e outras poetas participam e, além dos nomes que eu já conhecia, pude tomar contato com outras propostas poéticas - nem todas na linha do meu gosto pessoal, vale dizer -, o que é sempre uma forma de enriquecimento. Um amigo, agora distante, já me havia alertado para a necessidade de, nas palavras dele, "sair do escritório", como se meu isolamento fosse parte de uma atitude algo blasé diante dos colegas escritores. Não é o caso, e ele, mais do que ninguém, deveria saber disso. Mas convenhamos: sou tímido, não bebo, não fumo, e acho que qualquer grupo acima de quatro pessoas já se configura uma ameaça a minha integridade física. Fica difícil, não? Acresce que, quando todo mundo se reúne, normalmente estou trabalhando. Aliás, nem sei porque ainda estou vivo.
MInto: sei. E é para ter a oportunidade de ler bons poemas, descobrir pessoas legais e perder um pouco da descrença na redenção da humanidade. Mas só um pouco.
MInto: sei. E é para ter a oportunidade de ler bons poemas, descobrir pessoas legais e perder um pouco da descrença na redenção da humanidade. Mas só um pouco.
13 de julho de 2007
Poema!
"Nem as paredes confessam"
Há tempos eu não via o sol se pôr
E hoje ele estava ali onde me refugio
Qual uma chapa de ferro esquecida sobre o fogo
Sob o manto de sólida sombra e sangue.
De onde estou vejo ruas esgueirando-se
Nas entranhas e em mortos morros
Onde vozes gritam no afã de se fazerem ouvir.
Mas o barulho das britadeiras as abafa
Junto com o caldo escuro extraído
Do asfalto - onde carros blindados rosnam.
Quem sangra, afinal, posta-se do outro lado
Da tela de TV em surdez de cristal líquido.
E atrás das paredes, no canto escuro delas,
Mastigo os ossos que me foram ofertados.
Há tempos eu não via o sol se pôr
E hoje ele estava ali onde me refugio
Qual uma chapa de ferro esquecida sobre o fogo
Sob o manto de sólida sombra e sangue.
De onde estou vejo ruas esgueirando-se
Nas entranhas e em mortos morros
Onde vozes gritam no afã de se fazerem ouvir.
Mas o barulho das britadeiras as abafa
Junto com o caldo escuro extraído
Do asfalto - onde carros blindados rosnam.
Quem sangra, afinal, posta-se do outro lado
Da tela de TV em surdez de cristal líquido.
E atrás das paredes, no canto escuro delas,
Mastigo os ossos que me foram ofertados.
Dia do Rock!
Efemérides são um porre quase sempre. Mas esta eu não posso deixar passar em branco: I know, it´s only rock and roll but I like it!
12 de julho de 2007
De volta, mas aos poucos...
Depois de dias e dias de calor insuportável, o frio bateu por aqui - embora sem chuva que amenizasse a secura e a poluição. Dá até pra acreditar que a vida vai dar uma melhorada - mas não vai. Enquanto a próxima desgraça não acontece, vamos levando essa joça como dá.
Escrevo diretamente de um macintosh da agência de propaganda onde exerço - como freelancer - a nobre arte da revisão. Adeus férias! E tudo pra ganhar um troco que me permita pagar as contas, que não param de chegar. O trabalho é bom, por enquanto não rolou nenhum stress, e acho que vai permanecer assim. Nesse meio tempo, escrevo e leio, já que a vida acadêmica - por pior que seja - ainda está em meu horizonte.
Pensei em postar um poema, mas deixei meu caderno em casa (sim, ainda escrevo textos em cadernos!),e, com isso, vou privar vocês de mais essa chateação. No mais, fora a dor nas costas e uma enxaqueca que não me largam, sobreviverei para escrever amanhã, se os deuses da informática me permitirem...
Até amanhã.
P.S.: hoje à noite tem lançamento na Livraria Cultura da avenida Paulista. Um livro do Tim Burton e outro da Índigo. Será às 19h00. Espero encontrar vocês.
Escrevo diretamente de um macintosh da agência de propaganda onde exerço - como freelancer - a nobre arte da revisão. Adeus férias! E tudo pra ganhar um troco que me permita pagar as contas, que não param de chegar. O trabalho é bom, por enquanto não rolou nenhum stress, e acho que vai permanecer assim. Nesse meio tempo, escrevo e leio, já que a vida acadêmica - por pior que seja - ainda está em meu horizonte.
Pensei em postar um poema, mas deixei meu caderno em casa (sim, ainda escrevo textos em cadernos!),e, com isso, vou privar vocês de mais essa chateação. No mais, fora a dor nas costas e uma enxaqueca que não me largam, sobreviverei para escrever amanhã, se os deuses da informática me permitirem...
Até amanhã.
P.S.: hoje à noite tem lançamento na Livraria Cultura da avenida Paulista. Um livro do Tim Burton e outro da Índigo. Será às 19h00. Espero encontrar vocês.
6 de julho de 2007
Não morri...ainda!
As eventuais pessoas que aparecem neste blogue fiquem sossegadas: não é o caso de procurarem meu obituário nos jornais. Estou bastante ocupado com um texto que tenho de entregar até terça-feira, por conta do Encontro Regional da Abralic, e nem dá pra pensar em postar nada aqui, por ora. Aguardem mais um pouco (até porque tenho de apagar um pouco a má impressão - sem trocadilho - deixada por minha última entrada neste blogue).
30 de junho de 2007
Últimas
Estive ontem na abertura da FLAP. Hoje, por conta de um mundo de coisas chatas, não pude ir aos debates. Depois, pensei melhor e achei bom não ter podido ir, já que havia o risco de encontrar gente de quem não gosto, e não preciso de mais essa pra estragar minha vida.
Devo estar ficando velho e (mais) chato. Não que eu tenha desgostado dos poemas lidos ontem, mas a Casa das Rosas meio que me deprime com aquelas luzes amareladas, aquele clima soturno, o ar de século passado. Junte-se a isso os poetas, os seres mais estranhos que habitam este planeta miserável. E, convenhamos, alguns poemas eram ruins, não havia café por perto para a gente beber enquanto ouvia as declamações, entrava um frio pelas janelas (que, fechadas, intensificavam o odor de mofo do lugar), essas coisas... Saí de lá quase na hora do intervalo programado, cansado, com a sensação de que devia ter ficado em casa. Mas, sei lá, de repente era eu mesmo o problema...
Devo estar ficando velho e (mais) chato. Não que eu tenha desgostado dos poemas lidos ontem, mas a Casa das Rosas meio que me deprime com aquelas luzes amareladas, aquele clima soturno, o ar de século passado. Junte-se a isso os poetas, os seres mais estranhos que habitam este planeta miserável. E, convenhamos, alguns poemas eram ruins, não havia café por perto para a gente beber enquanto ouvia as declamações, entrava um frio pelas janelas (que, fechadas, intensificavam o odor de mofo do lugar), essas coisas... Saí de lá quase na hora do intervalo programado, cansado, com a sensação de que devia ter ficado em casa. Mas, sei lá, de repente era eu mesmo o problema...
28 de junho de 2007
FLAP
Para quem ainda visita este blogue, fica o convite para nos encontrarmos na FLAP... Mais detalhes: http://flap2007.zip.net/Clique na imagem para vê-la maior.
27 de junho de 2007
O que não faz o desemprego...
Das coisas que a gente faz na internet... Mas não vou dizer que fiquei insatisfeito com o resultado...hehehe!
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You are Jean-Luc Picard
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| A lover of Shakespeare and other fine literature. You have a decisive mind and a firm hand in dealing with others. |
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25 de junho de 2007
Saldo
Assim como muitos, também tive uma fase de aderir a uma religião. Da perspectiva de quem me conhece hoje, um espanto. Mas na verdade nunca fui um religioso convicto. Ao contrário, tudo me parecia por demais duvidoso, embora eu fizesse força para acreditar. Por fim, saí daquela igreja, me afastei dos amigos que fiz por lá, fechei aquela porta. Aquilo cheirava demais a dinheiro, esse era o problema. Não que eu não goste dele; apenas achava que o discurso não combinava com a prática - sim, eu era mais ingênuo do que sou hoje. No fundo, eu estava em busca de algo que não me parecesse contraditório, ao menos não de forma tão escandalosa assim. Meu ateísmo, que parece inato, juntou-se ao anticlericalismo adquirido na prática social. A suprema ingenuidade, entretanto, residiu na ilusão de que o chamado "mundo real" fosse menos pior - o que, cedo, pude comprovar que não.
Difícil crer em alguma coisa, hoje em dia. A única que sobrou, para não cair no paroxismo absoluto, é a crença na inviabilidade do gênero humano. Infelizmente, esta se confirma a cada momento, em cada notícia, em cada passo que arrisco por aí.
Difícil crer em alguma coisa, hoje em dia. A única que sobrou, para não cair no paroxismo absoluto, é a crença na inviabilidade do gênero humano. Infelizmente, esta se confirma a cada momento, em cada notícia, em cada passo que arrisco por aí.
20 de junho de 2007
Com a devida licença...
18 de junho de 2007
Como fazer inimigos e atazanar as pessoas
Além do prometido romance - que, acreditem, está sendo escrito - eu deveria ocupar meu tempo livre com a redação de livros de auto-ajuda. Assim como meu querido parceiro Zé Mucinho teve seu O Sucesso Não Ocorre no Meu Caso, cujo título parodia esse tipo de publicação, também eu deveria investir no segmento, com enormes chances de sucesso. E, para que não saiam por aí dizendo que minha única preocupação é com o marketing pessoal, escreverei um híbrido de livro de memórias com manual do escoteiro-mirim, cujo nome encima este post. Em grande parte baseado em minhas experiências pessoais no trato diário com a humanidade, meu livro estará na cabeceira de todos os grandes líderes mundiais, dos regionais, dos locais e até mesmo dos suburbanos. Claro que um e outro prescindirão do material, visto serem craques na matéria. Penso, inclusive, na nobre classe dos escritores - em particular a dos poetas, embora isso valha para alguns prosadores - que certamente encontrarão no meu livro uma fonte quase inesgotável de inspiração para o exercício da arte literária brasileira. Não direi, contudo, que parte considerável dos conselhos veio da observação atenta do comportamento de alguns nobres colegas, que isso seria mentira caluniosa. Não, meu livro baseia-se apenas e tão somente em mim mesmo, a única pessoa capaz de ter semelhante grau de iluminação, como nunca na história deste país. Aguardem, pois, mais um produto de minha genialidade. Breve, em todas as sex-shops do planeta. Haverá tradução em catalão e iídiche, para quem quiser.
11 de junho de 2007
Vamos lá?
Sei que é dia dos Namorados e coisa e tal, mas valeria a pena prestigiar o evento. Conheço o texto de algumas das participantes, e garanto que é de altíssima qualidade.
Lançamento de coletânea de poesia Leitura e lançamento de coletânea, em que participam Ana Maria Ramiro, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Marília Kubota, Silvana Guimarães, Sílvia Chueire, Simone Homem de Mello e Virna Teixeira (organizadora). 12 de junho, 20h, Academia Internacional de Cinema. R. Dr. Gabriel dos Santos, nº 142, Higienópolis. Mais informações: http://8femmes.wordpress.com/
Lançamento de coletânea de poesia Leitura e lançamento de coletânea, em que participam Ana Maria Ramiro, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Marília Kubota, Silvana Guimarães, Sílvia Chueire, Simone Homem de Mello e Virna Teixeira (organizadora). 12 de junho, 20h, Academia Internacional de Cinema. R. Dr. Gabriel dos Santos, nº 142, Higienópolis. Mais informações: http://8femmes.wordpress.com/
8 de junho de 2007
Notas no meio do feriado
Fui aos Encontros de Interrogação na quarta-feira. Premido por um compromisso anteriormente agendado (que nem acabou acontecendo - viu Kuka? Hehehe!), acabei assistindo a apenas uma das conversas, que reuniu Marcelino Freire, Evandro Afonso Ferreira, Raimundo Carrero e Maria José Silveira. O debate girou em torno de uma questão que, sob meu ponto de vista, já deu o que tinha que dar: o (falso) dilema entre o privilégio à forma ou ao conteúdo na criação literária. "Forma", no caso, referindo-se ao trabalho com as palavras, com o material à disposição do escritor. Não obstante isso, não direi que a conversa foi ruim - pelo contrário. As intervenções desconcertantes do Evandro foram impagáveis, desmontando toda a argumentação em torno da "consciência criadora". O pior é que tanto Carrero quanto Maria José Silveira, talvez em virtude da natureza dos encontros - o academicismo parecia um corpo estranho lá -, tenham refreado as contestações à atitude provocativa do autor de Grogotó.
Outro ponto interessante foi a "chamada pro pau" que Raimundo Carrero impetrou contra Antonio Candido e a USP. No atual momento, em que todo mundo resolveu descer a cacete na universidade pública e, mais particularmente, na referida USP, soou desagradável. Mais: o ponto de vista de Carrero a respeito da obra de Candido estava mais do que equivocada. De duas uma: ou o sujeito leu mal, ou leu muito bem mas achou bonito posicionar-se contra para ser "dialético". As reações na platéia não eram exatamente favoráveis a Carrero, diga-se de passagem...
À saída, Marcelino Freire veio falar comigo, perguntar do texto que ele havia mandado para mim. Contei essa? Pois é: a meu pedido, ele havia ficado de escrever uma orelha ou apresentação para meu próximo livro de poemas. Demorou um tempo, eu enchi um pouco o saco dele, mas há alguns dias ele me enviou o arquivo. Confesso que me comovi, eu que tento ser imune a essas coisas. Nunca imaginei que meus poemas pudessem ter provocado tal reação num leitor, ainda que privilegiado. Agora só espero que o pessoal da editora pense o mesmo...hehehe!
Este blogue sofre de um problema sério: é restrito a um pequeno grupo de leitores. Da mais alta estirpe. Acontece que é da natureza dos blogues a plena acessibilidade, de modo que fico aqui nessa atitude esquizofrênica de querer ser lido e, ao mesmo tempo, ter de resguardar da invasão de indivíduos desprezíveis, que vêm me ofender anonimamente - embora eu saiba quem são eles. A idéia de acabar com os comentários já me foi sugerida, e voltou a ser avaliada. Talvez seja o caso. Quem quiser dizer alguma coisa, que me mande e-mails. Dá mais trabalho, mas não deixa de ser um filtro. Vamos ver.
Outro ponto interessante foi a "chamada pro pau" que Raimundo Carrero impetrou contra Antonio Candido e a USP. No atual momento, em que todo mundo resolveu descer a cacete na universidade pública e, mais particularmente, na referida USP, soou desagradável. Mais: o ponto de vista de Carrero a respeito da obra de Candido estava mais do que equivocada. De duas uma: ou o sujeito leu mal, ou leu muito bem mas achou bonito posicionar-se contra para ser "dialético". As reações na platéia não eram exatamente favoráveis a Carrero, diga-se de passagem...
À saída, Marcelino Freire veio falar comigo, perguntar do texto que ele havia mandado para mim. Contei essa? Pois é: a meu pedido, ele havia ficado de escrever uma orelha ou apresentação para meu próximo livro de poemas. Demorou um tempo, eu enchi um pouco o saco dele, mas há alguns dias ele me enviou o arquivo. Confesso que me comovi, eu que tento ser imune a essas coisas. Nunca imaginei que meus poemas pudessem ter provocado tal reação num leitor, ainda que privilegiado. Agora só espero que o pessoal da editora pense o mesmo...hehehe!
Este blogue sofre de um problema sério: é restrito a um pequeno grupo de leitores. Da mais alta estirpe. Acontece que é da natureza dos blogues a plena acessibilidade, de modo que fico aqui nessa atitude esquizofrênica de querer ser lido e, ao mesmo tempo, ter de resguardar da invasão de indivíduos desprezíveis, que vêm me ofender anonimamente - embora eu saiba quem são eles. A idéia de acabar com os comentários já me foi sugerida, e voltou a ser avaliada. Talvez seja o caso. Quem quiser dizer alguma coisa, que me mande e-mails. Dá mais trabalho, mas não deixa de ser um filtro. Vamos ver.
6 de junho de 2007
Encontros de Interrogação
Hoje, amanhã, sexta e sábado acontecem os debates dos Encontros de Interrogação, no Itaú Cultural. Para quem se interessa pela cena literária (em todos os sentidos, inclusive...hehehe!), vale a pena a visita. É grátis, mas convém chegar antes pra garantir um lugar. Mais informações, no site http://www.itaucultural.org.br
Nos vemos lá?
Nos vemos lá?
4 de junho de 2007
Nada a dizer.
Mas repararam que este blogue está cada vez mais cheio de adereços? Daqui a pouco dá até para entrar numa escola de samba...
1 de junho de 2007
30 de maio de 2007
Micronarrativa
Olhei o retrato dela e desejei com todas as forças do mundo que ela estivesse junto a mim, que me ligasse e dissesse um oi, qualquer coisa.
Naquele momento, ela hesitava com a navalha pensa na mão direita.
Naquele momento, ela hesitava com a navalha pensa na mão direita.
Bobagens, bobagens...
A notícia de que um político japonês cometeu suicídio por conta de suspeitas de que tenha participado de um esquema de corrupção deve ter feito muita gente pensar que essa moda deveria pegar por aqui nos tristes trópicos; quem sabe não tivéssemos um país melhor por conta disso? Mas é claro que é apenas um sonho. Diria mesmo que é impossível que isso ocorra, não importa quanto tempo passe. A não ser que troquemos de população: a do Japão aqui; a daqui, lá. Do mesmo modo, não acho plausível pensar nossos desacertos históricos por conta desta ou daquela nação, como se fosse possível a simples emulação, sem mais essa, como querem alguns. Por exemplo: é bonito chegar aqui e dizer que, em termos de acerto com o passado, a Argentina e o Chile estão melhores que nós. Quem diz isso ou é uma besta ou é mal-intencionado. Ou ambos. Primeiro que a formação sócio-histórica daqueles países é diversa da do Brasil, o que já determina muita coisa. Segundo que, a despeito de as ditaduras latino-americanas terem raízes semelhantes, seus descaminhos foram outros, bem como seus declínios. Querer que sigamos a Argentina ou o Chile implica uma ruptura de conseqüências quase certamente negativas para nós. Aliás, nessa conversa de seguirmos "los hermanos", nunca fomos tão vilipendiados. E velhas feridas voltaram a sangrar.
A bobagem tem ganhado, inclusive, páginas de alguns periódicos. E com ares de quem descobriu a pólvora. A nossa literatura, por exemplo, teria muito a ganhar se seguisse a da Argentina... Restaria saber como. Nossa história de conciliações, de jeitinhos, de favorecimentos e de rejeição quase doentia ao confronto não teria como dar forma a uma arte literária como a de nossos vizinhos - a não ser como farsa. Os exemplos mais recentes, entre nós, parecem desmentir o que aqui foi dito, mas... será mesmo? Pegue-se um livro como Cidade de Deus. À parte a temática, o que mais ali formaliza o fim da "malandragem" (nos termos de Antonio Candido, ao tratar de Memórias de um Sargento de Milícias)? Pouco, se o leitor prestar atenção.
O quadro, evidentemente, está mudando. Não porque os escritores tenham resolvido pegar em armas - salvo um e outro -, mas porque o jogo de forças sociais tem sofrido alterações drásticas nos últimos anos. A inconsciência política permanece entre os comuns mortais; o que tem mudado é o que chamaríamos outrora de "a marginalidade", incluindo os ditos movimentos sociais. E isso, ao contrário do que imaginavam as esquerdas, não nos levará a um país melhor e mais justo. E o confronto não será parte de um movimento dialético, mas de eliminação do outro, seja ele quem for. A literatura apenas formaliza essas contradições, nem sempre com resultados dos mais felizes - embora sempre representativos. Se os nossos desencontros históricos parecem nos levar para uma cilada, não será a imitação de modelos que melhorará o quadro, embora possa, sem dúvida, modificá-lo. Assim, seja a democracia norte-americana, seja o político japonês que prefere se suicidar a perder sua honra (aqui, eu diria que não se pode perder o que não se tem), nada tem efeito certo sobre a sociedade. Seria pretensão além da conta imaginar que "acertar as contas com nosso passado, como fizeram os chilenos" vai nos ajudar em algo que não seja a produção de outro desastre.
A bobagem tem ganhado, inclusive, páginas de alguns periódicos. E com ares de quem descobriu a pólvora. A nossa literatura, por exemplo, teria muito a ganhar se seguisse a da Argentina... Restaria saber como. Nossa história de conciliações, de jeitinhos, de favorecimentos e de rejeição quase doentia ao confronto não teria como dar forma a uma arte literária como a de nossos vizinhos - a não ser como farsa. Os exemplos mais recentes, entre nós, parecem desmentir o que aqui foi dito, mas... será mesmo? Pegue-se um livro como Cidade de Deus. À parte a temática, o que mais ali formaliza o fim da "malandragem" (nos termos de Antonio Candido, ao tratar de Memórias de um Sargento de Milícias)? Pouco, se o leitor prestar atenção.
O quadro, evidentemente, está mudando. Não porque os escritores tenham resolvido pegar em armas - salvo um e outro -, mas porque o jogo de forças sociais tem sofrido alterações drásticas nos últimos anos. A inconsciência política permanece entre os comuns mortais; o que tem mudado é o que chamaríamos outrora de "a marginalidade", incluindo os ditos movimentos sociais. E isso, ao contrário do que imaginavam as esquerdas, não nos levará a um país melhor e mais justo. E o confronto não será parte de um movimento dialético, mas de eliminação do outro, seja ele quem for. A literatura apenas formaliza essas contradições, nem sempre com resultados dos mais felizes - embora sempre representativos. Se os nossos desencontros históricos parecem nos levar para uma cilada, não será a imitação de modelos que melhorará o quadro, embora possa, sem dúvida, modificá-lo. Assim, seja a democracia norte-americana, seja o político japonês que prefere se suicidar a perder sua honra (aqui, eu diria que não se pode perder o que não se tem), nada tem efeito certo sobre a sociedade. Seria pretensão além da conta imaginar que "acertar as contas com nosso passado, como fizeram os chilenos" vai nos ajudar em algo que não seja a produção de outro desastre.
28 de maio de 2007
Outro poema.
Poema bastante contemporâneo
Sapatos de verniz riscam o assoalho
Onde se projetam as pernas das senhoras
E suas varizes que deixam rastros
Entre o verde e o marrom - qual bosta
Que evito, o asco me subindo a garganta.
Ao canto, vêm-me falar de amor
Como crer em deuses ou em borras de café
Sujando os pires. Mas esses morrem
Tarde e comem grama nascida no asfalto,
Enquanto concertam suas mandíbulas travadas
Em ré menor - celulares aos ouvidos.
Mas não há quem ouça senão a si próprio,
Senão o roncar de suas entranhas,
O torcer dos intestinos até a volúpia das fezes
Nas quais deslizamos, quase felizes.
Sapatos de verniz riscam o assoalho
Onde se projetam as pernas das senhoras
E suas varizes que deixam rastros
Entre o verde e o marrom - qual bosta
Que evito, o asco me subindo a garganta.
Ao canto, vêm-me falar de amor
Como crer em deuses ou em borras de café
Sujando os pires. Mas esses morrem
Tarde e comem grama nascida no asfalto,
Enquanto concertam suas mandíbulas travadas
Em ré menor - celulares aos ouvidos.
Mas não há quem ouça senão a si próprio,
Senão o roncar de suas entranhas,
O torcer dos intestinos até a volúpia das fezes
Nas quais deslizamos, quase felizes.
23 de maio de 2007
Finalmente um poema!
As curvas
para Vv.
Ontem à tarde o sol sumia entre os prédios,
Num vermelho quase líquido escorrendo,
Tal as ondas de teus cabelos
Sobre os ombros, onde carregas mares
De pesadelos e sombras secas,
Em que varetas e folhas vêm brincar.
Ontem à tarde tentei te ver
Nas ruas plenas de pessoas e pressas,
Nas páginas dos jornais, nas fotos
Impressas, nas telas dos cinemas,
No computador que não ligava,
Por ti busquei onde tu não estavas.
Hoje tenho junto a mim um céu
De chumbo e o papel em branco
Em que tento rabiscar o que de ti
Restou: as palavras destes versos
Sem medida, as curvas de teu corpo
Em minha retina, o gosto que não sei
De tua saliva.
para Vv.
Ontem à tarde o sol sumia entre os prédios,
Num vermelho quase líquido escorrendo,
Tal as ondas de teus cabelos
Sobre os ombros, onde carregas mares
De pesadelos e sombras secas,
Em que varetas e folhas vêm brincar.
Ontem à tarde tentei te ver
Nas ruas plenas de pessoas e pressas,
Nas páginas dos jornais, nas fotos
Impressas, nas telas dos cinemas,
No computador que não ligava,
Por ti busquei onde tu não estavas.
Hoje tenho junto a mim um céu
De chumbo e o papel em branco
Em que tento rabiscar o que de ti
Restou: as palavras destes versos
Sem medida, as curvas de teu corpo
Em minha retina, o gosto que não sei
De tua saliva.
22 de maio de 2007
O que falta...
Está faltando mais Literatura aqui, não? Só lamúria ninguém merece nem agüenta...(hehehe!) Na verdade, tenho um poema novo, mas ainda quero dar uma última olhada nele antes de postar aqui. Então, aguardem mais um pouquinho...
21 de maio de 2007
Que tempo esse o nosso!
Não se pode dizer que minha última semana tenha sido das mais agradáveis. Pedi demissão daquele emprego ridículo, o que desfalcará minha conta bancária de modo considerável. No momento, estou apenas com uma aulinhas, que mal dão para pagar as contas de um quinto (dos infernos) do mês, o que dirá dele inteiro. Como se sabe, escolas não abrem vagas nesta época do ano, a não ser para contratar a partir de agosto. E por aí vamos.
O mar, portanto, não está pra peixe. Os moluscos, entretanto, se esbaldam. E, nesse meio tempo, fico sem poder assistir aos filmes que desejo, comprar os livros que encontro e adquirir os DVDs que almejo. Não sou jornalista pra receber, em minha casa, os últimos lançamentos - com release e tudo - para que eu possa tecer comentários mais ou menos inócuos ou mais ou menos tendenciosos, conforme minhas conveniências inconfessáveis. Não vivo das eventuais resenhas que possa escrever. E este blogue, em linhas gerais, só me dá prejuízo financeiro.
Resta ficar com o já sabido: os clássicos. Ou finalmente sentar e escrever aquele romance prometido. Ou a tese de doutorado. Ou ambos. Porque, de resto, só as migalhas mesmo.
O mar, portanto, não está pra peixe. Os moluscos, entretanto, se esbaldam. E, nesse meio tempo, fico sem poder assistir aos filmes que desejo, comprar os livros que encontro e adquirir os DVDs que almejo. Não sou jornalista pra receber, em minha casa, os últimos lançamentos - com release e tudo - para que eu possa tecer comentários mais ou menos inócuos ou mais ou menos tendenciosos, conforme minhas conveniências inconfessáveis. Não vivo das eventuais resenhas que possa escrever. E este blogue, em linhas gerais, só me dá prejuízo financeiro.
Resta ficar com o já sabido: os clássicos. Ou finalmente sentar e escrever aquele romance prometido. Ou a tese de doutorado. Ou ambos. Porque, de resto, só as migalhas mesmo.
15 de maio de 2007
Pausa lírica
Tenho amigas lindas, talvez as mais lindas do mundo, se é que posso exagerar. E guardo o maior carinho por todas, tenho ciúmes delas, sempre quero ajudá-las, ainda que isso implique sacrifícios imensos de minha parte. Gosto de ver o sorriso no rosto delas. Diferente de alguns, não tenciono fazer sexo com elas, embora não desgoste da idéia em si - que fica, entretanto, restrita às fantasias ou devaneios que todos temos. Gosto delas. Simples assim. Algumas são engraçadas, outras mais singelas. Umas são tímidas, outras atiradas. Mas todas são amigas, dessas que ajudam a gente nas horas difíceis, e que a gente ajuda, idem, idem. Difícil dizer de quem gosto mais.
Há uma, porém, que me chama mais a atenção. Por ser difícil, por ser dúctil, por sua líquida presença que se esvai no seguinte instante. Demoramos para nos encontrar, o que se fez numa noite ligeira, de palavras mais ligeiras ainda, e eu tentando escavar - a pá e picareta - uma gema que fosse que se comparasse ao brilho daqueles olhos a um tempo riso e tristeza, da boca que mostrava os dentes perfeitos e o voz que era mel e melodia. E eu medindo aquela moça alta, de corpo esguio e de luz, tertúlia, perfume. Essa moça é minha amiga. E nem sabe que é tanto assim. Talvez se assuste, talvez derrube o prato do almoço, talvez me esmurre e me derrube no meio da rua. Mas nem me importo, porque é tão difícil acreditar que pessoas como ela existam, e que não precisamos nos matar, porque ainda existe um sentido cujo alcance nem sei, mas minha amiga é a prova - agora concreta - de que sim. Que sim. Sim.
Há uma, porém, que me chama mais a atenção. Por ser difícil, por ser dúctil, por sua líquida presença que se esvai no seguinte instante. Demoramos para nos encontrar, o que se fez numa noite ligeira, de palavras mais ligeiras ainda, e eu tentando escavar - a pá e picareta - uma gema que fosse que se comparasse ao brilho daqueles olhos a um tempo riso e tristeza, da boca que mostrava os dentes perfeitos e o voz que era mel e melodia. E eu medindo aquela moça alta, de corpo esguio e de luz, tertúlia, perfume. Essa moça é minha amiga. E nem sabe que é tanto assim. Talvez se assuste, talvez derrube o prato do almoço, talvez me esmurre e me derrube no meio da rua. Mas nem me importo, porque é tão difícil acreditar que pessoas como ela existam, e que não precisamos nos matar, porque ainda existe um sentido cujo alcance nem sei, mas minha amiga é a prova - agora concreta - de que sim. Que sim. Sim.
14 de maio de 2007
Mais uma semana...
Começando mal, naquela leseira de sempre. E com notícias ruins. Tem uma hora que cansa viver assim, dando murro em ponta de faca, girando em falso, e vendo o horizonte mais e mais se afastar - por mais que se esforce, tudo parece puxar você para trás. Dá vontade de desistir. Entregar o bastão. Deitar e esperar a noite chegar. Porque é sempre isso. Não há amigos, não há tapinhas nas costas, não há nada em lugar algum. Faz frio, mas e daí? O máximo que se tem é um instante ilusório de que a moeda vai cair do lado certo. Mas ela não cai. Só você, que tropeça e fratura o maxilar, a cabeça, o pouco que resta de algo que chamavam dignidade. Quem pode ser digno em um país como este?
13 de maio de 2007
Manifesto
A pedidos de minha nova orkut-amiga, Beatriz Bajo, publico o manifesto abaixo. Nem preciso dizer que concordo com o que está escrito, não?
Transcrição do artigo “Lugar de novos autores é nos guetos”, Observatório da Imprensa, ano 12, edição nº 431, dia 1 de maio de 2007:
MÍDIA E LITERATURA"Lugar de novos autores é nos guetos"Por Rodrigo Novaes de Almeida em 1/5/2007
As listas de livros mais vendidos no Brasil divulgadas nos jornais dão a falsa aparência de que não se faz literatura no nosso país. É uma coleção de livros importados de qualidade duvidosa, com raríssimas exceções. E isso apenas no que se refere à ficção, visto que existem dois outros tipos de listas – não-ficção e auto-ajuda – que também padecem do mesmo mal.
O argumento que diz ser a demanda dos leitores a causa dessa situação é incorreto. Existe um mecanismo perverso, entre grandes editoras e imprensa, que dita o consumo, ou, como preferem os defensores do sistema – hegemônico – do capital, o mercado. Grupos que controlam veículos de mídia também têm editoras, além do que existe uma troca de interesses e de favores entre imprensa e editoras para divulgar publicações e publicar "autores midiáticos", tudo visando ao objetivo final da lógica do mercado: o lucro. E na lógica desse sistema, a literatura brasileira contemporânea (que existe!) não seria lucrativa. Lançar novos escritores nacionais, então, seria um descalabro, prejuízo certo.
Contudo, se existe uma literatura brasileira contemporânea, por onde ela anda? Em mega-livrarias das metrópoles? E onde ela é apresentada? Nos cadernos ditos literários dos jornais? Não. Em guetos? Talvez.
Mapear a realidade
Um gueto parece vir, nos nossos dias, para abalar a estrutura tradicional do mercado editorial: a internet. É verdade que há muito entulho na rede binária, mas há também qualidade. Revistas literárias, jornais de poesia, blogs. São tantas as iniciativas na contracorrente. Algumas editoras pequenas já olham com atenção o que se faz na internet, dispostas a encontrar e publicar novos talentos.
Leitores também embarcam nessa contracorrente, insatisfeitos com o que é apresentado como literatura pelas grandes editoras e pelos veículos de imprensa, e buscam na rede alternativas.
As grandes editoras estão prestes a sofrer danos consideráveis, semelhantes aos sofridos pelas gravadoras anos atrás, se continuarem com a visão limitada e deformada pelas regras econômicas de mercado do sistema vigente. E a imprensa perderá a oportunidade de ter o papel próprio a ela de mapear a realidade nascente da nossa literatura neste começo de século, sem contar a credibilidade sob risco com os leitores.
RODRIGO NOVAES DE ALMEIDAhttp://vorticefamigerado.blogspot.com/
Transcrição do artigo “Lugar de novos autores é nos guetos”, Observatório da Imprensa, ano 12, edição nº 431, dia 1 de maio de 2007:
MÍDIA E LITERATURA"Lugar de novos autores é nos guetos"Por Rodrigo Novaes de Almeida em 1/5/2007
As listas de livros mais vendidos no Brasil divulgadas nos jornais dão a falsa aparência de que não se faz literatura no nosso país. É uma coleção de livros importados de qualidade duvidosa, com raríssimas exceções. E isso apenas no que se refere à ficção, visto que existem dois outros tipos de listas – não-ficção e auto-ajuda – que também padecem do mesmo mal.
O argumento que diz ser a demanda dos leitores a causa dessa situação é incorreto. Existe um mecanismo perverso, entre grandes editoras e imprensa, que dita o consumo, ou, como preferem os defensores do sistema – hegemônico – do capital, o mercado. Grupos que controlam veículos de mídia também têm editoras, além do que existe uma troca de interesses e de favores entre imprensa e editoras para divulgar publicações e publicar "autores midiáticos", tudo visando ao objetivo final da lógica do mercado: o lucro. E na lógica desse sistema, a literatura brasileira contemporânea (que existe!) não seria lucrativa. Lançar novos escritores nacionais, então, seria um descalabro, prejuízo certo.
Contudo, se existe uma literatura brasileira contemporânea, por onde ela anda? Em mega-livrarias das metrópoles? E onde ela é apresentada? Nos cadernos ditos literários dos jornais? Não. Em guetos? Talvez.
Mapear a realidade
Um gueto parece vir, nos nossos dias, para abalar a estrutura tradicional do mercado editorial: a internet. É verdade que há muito entulho na rede binária, mas há também qualidade. Revistas literárias, jornais de poesia, blogs. São tantas as iniciativas na contracorrente. Algumas editoras pequenas já olham com atenção o que se faz na internet, dispostas a encontrar e publicar novos talentos.
Leitores também embarcam nessa contracorrente, insatisfeitos com o que é apresentado como literatura pelas grandes editoras e pelos veículos de imprensa, e buscam na rede alternativas.
As grandes editoras estão prestes a sofrer danos consideráveis, semelhantes aos sofridos pelas gravadoras anos atrás, se continuarem com a visão limitada e deformada pelas regras econômicas de mercado do sistema vigente. E a imprensa perderá a oportunidade de ter o papel próprio a ela de mapear a realidade nascente da nossa literatura neste começo de século, sem contar a credibilidade sob risco com os leitores.
RODRIGO NOVAES DE ALMEIDAhttp://vorticefamigerado.blogspot.com/
Pequena notícia sem importância
Resolvi pedir divórcio do mundo corporativo. Afinal, melhor vender meu corpo que vender minha dignidade ( a pouca que resta, diga-se de passagem) ...
9 de maio de 2007
Refresco
Sei que vocês que me lêem gostam de calor e tal e coisa. Mas nada me deixou mais feliz hoje que sair de casa com chuva e frio. Acho que é só esse clima que combina com uma cidade como São Paulo...
8 de maio de 2007
Olha:
infelizmente não tem luz no fim do túnel. Aliás, nem há final do túnel. E, caso houvesse, ele terminaria num abismo sem fundo onde cairíamos até o último suspiro de existência do universo.
(Frase dita hoje, no final do expediente)
Experiências do mundo corporativo. E ainda me querem convencer de que existe outro inferno além deste em que vivemos (vivemos?)...
(Frase dita hoje, no final do expediente)
Experiências do mundo corporativo. E ainda me querem convencer de que existe outro inferno além deste em que vivemos (vivemos?)...
7 de maio de 2007
Tentei...
...escrever um poema esses dias, mas não deu em nada. Difícil escrever sob condições assim, sem saber de onde você vai tirar seu sustento, já que as portas parecem se fechar sobre você. E não há nada no horizonte nos próximos dois ou três meses, o que só faz preocupar. Daqui a pouco, vai ser melhor não sair de casa só para não gastar ainda mais...hehehe!
Meu pessimismo vai além: a censura à biografia de RC talvez tenha sido um dos acontecimentos mais violentos dos últimos 20 anos, pelo menos. Durante a ditadura, ter uma obra censurada era, por assim dizer, parte do jogo. Hoje, vivendo sob uma suposta democracia - que mais e mais se fragiliza, por conta da ausência de oposição e do aparelhamento absoluto do Estado - ver uma obra de caráter intelectual, de pesquisa exaustiva e séria (ainda que algo tendenciosa para o biografado) ser brindada com uma sentença que impede sua veiculação, e o pior, referendada por um juiz, diante de advogados e tudo o mais, faz pensar em que tempo vivemos. Tempo em que caciquezinhos impõem sua visão tosca e torta sobre tudo e todos. Tempo em que a ditadura do pensamento único se impõe pela força de um Estado cada vez mais policial e policialesco. Tempo em que, com medo de passarmos por pessoas "de direita", preferimos nos calar. E nos calamos.
Meu pessimismo vai além: a censura à biografia de RC talvez tenha sido um dos acontecimentos mais violentos dos últimos 20 anos, pelo menos. Durante a ditadura, ter uma obra censurada era, por assim dizer, parte do jogo. Hoje, vivendo sob uma suposta democracia - que mais e mais se fragiliza, por conta da ausência de oposição e do aparelhamento absoluto do Estado - ver uma obra de caráter intelectual, de pesquisa exaustiva e séria (ainda que algo tendenciosa para o biografado) ser brindada com uma sentença que impede sua veiculação, e o pior, referendada por um juiz, diante de advogados e tudo o mais, faz pensar em que tempo vivemos. Tempo em que caciquezinhos impõem sua visão tosca e torta sobre tudo e todos. Tempo em que a ditadura do pensamento único se impõe pela força de um Estado cada vez mais policial e policialesco. Tempo em que, com medo de passarmos por pessoas "de direita", preferimos nos calar. E nos calamos.
30 de abril de 2007
Aproveitando...
...o fato de eu ter ficado doente hoje e, por conseqüência, tão ter ido trabalhar, vamos atualizar este espaço de reflexões sem nexo e escritos sem fundo.
1. Muita coisa ruim aconteceu nesses últimos meses. Nenhuma tragédia familiar, moléstia incurável ou coisas afins - infelizmente. Mas as de sempre, as que tornam ainda mais aborrecida sua existência, o simples estar neste mundo miserável. E todos sabem o quanto isso é, a cada dia que passa, mais e mais insuportável.
2. O aumento em escala exponencial da estupidez é coisa de assustar. Não surpreende, contudo. Mas faz desacreditar que alguma coisa - qualquer coisa - vá melhorar nos próximos cinqüenta anos. E isso para ser otimista, o que eu não sou.
3. Desacredito de qualquer boa intenção vinda de quem quer que seja - mais ainda se a pessoa estiver em grau hierárquico superior ao seu. Se estiver abaixo, é ainda pior. E se estiver no mesmo nível, prepare-se para ter seu tapete puxado.
4. Um amigo me disse, tempos atrás, que meus escritos eram por demais "negativos". Faz uns dez anos que isso aconteceu, e até agora não tive um mísero motivo para modificar meu modo de ver os acontecimentos ao meu redor.
5. De quando em quando, existe uma chance de pequenos prazeres: um bom almoço, um filme legal, aquele DVD que você tanto queria, e por aí vai. Mas o saldo negativo na conta bancária sempre lembra que o "deserto do real" é o que nos espera...
6. Mas talvez tudo seja por conta da febre e da amigdalite que me pegaram hoje cedo...
1. Muita coisa ruim aconteceu nesses últimos meses. Nenhuma tragédia familiar, moléstia incurável ou coisas afins - infelizmente. Mas as de sempre, as que tornam ainda mais aborrecida sua existência, o simples estar neste mundo miserável. E todos sabem o quanto isso é, a cada dia que passa, mais e mais insuportável.
2. O aumento em escala exponencial da estupidez é coisa de assustar. Não surpreende, contudo. Mas faz desacreditar que alguma coisa - qualquer coisa - vá melhorar nos próximos cinqüenta anos. E isso para ser otimista, o que eu não sou.
3. Desacredito de qualquer boa intenção vinda de quem quer que seja - mais ainda se a pessoa estiver em grau hierárquico superior ao seu. Se estiver abaixo, é ainda pior. E se estiver no mesmo nível, prepare-se para ter seu tapete puxado.
4. Um amigo me disse, tempos atrás, que meus escritos eram por demais "negativos". Faz uns dez anos que isso aconteceu, e até agora não tive um mísero motivo para modificar meu modo de ver os acontecimentos ao meu redor.
5. De quando em quando, existe uma chance de pequenos prazeres: um bom almoço, um filme legal, aquele DVD que você tanto queria, e por aí vai. Mas o saldo negativo na conta bancária sempre lembra que o "deserto do real" é o que nos espera...
6. Mas talvez tudo seja por conta da febre e da amigdalite que me pegaram hoje cedo...
28 de abril de 2007
27 de abril de 2007
News of the world
Lembram que eu escrevi, lá pelos idos de fevereiro ou março, que eu ainda descobriria o lado bom do trabalho corporativo, de bater cartão de ponto e coisa e tal? Pois é, ainda não achei.
23 de abril de 2007
Rapidíssimas
Se eu tivesse um romance prontinho, já tinha até um título pra ele: O Embusteiro de Cabul. Afinal, quem é que agüenta mais um lançamento nessa linha? Eu, que não tinha ne-nhum interesse no Afeganistão ou na p... da cidade de Cabul, peguei até bode daquele país, da capital e do povo que mora lá. Que culpa eles têm no cartório? A mesma que temos por sermos conhecidos como o paraíso do turismo sexual, ora essa.
Última semana de encontros encorajadores: Kuka e Ana Paula. Faltou a Julia, com quem me encontrei de relance hoje mesmo - valeu o dia, diga-se de passagem! Pessoas assim me fazem acreditar que ainda é possível ter alguma esperança nesta bosta de mundo, afinal...
Última semana de encontros encorajadores: Kuka e Ana Paula. Faltou a Julia, com quem me encontrei de relance hoje mesmo - valeu o dia, diga-se de passagem! Pessoas assim me fazem acreditar que ainda é possível ter alguma esperança nesta bosta de mundo, afinal...
18 de abril de 2007
Filmes, livros e farsantes
Alguém aí foi assistir ao filme O cheiro do ralo ? Sinceramente, depois de O ano em que meus pais saíram de férias, talvez seja o melhor filme brasileiro dos últimos anos. Um petardo nas consciências anestesiadas deste país miserável. E depois ainda há quem prefira coisas como Cidade de Deus ou Carandiru... Nesses dois filmes, a bosta lat(r)ina-americana passa ao largo, nas células isoladas da violência contida na periferia, na favela e na prisão. Em O cheiro do ralo, o fedor que sai dos esgotos impregna nossas roupas, nossos cabelos e o pouco que nos resta de humanidade - no sentido idealista do termo. Tudo tem um preço: a dignidade, as lembranças, o corpo, a ética. Nesse sentido, lembra por demais a atitude de certos indivíduos que se metem a escrever resenhas apontando na obra de um escritor todos os defeitos que o próprio resenhador apresenta em sua "grande obra". E "obra", aqui, está nos dois sentidos - o sublime e, principalmente, o escatológico. Há quem se venda por ninharia e ainda pose de bacana - mas, qual a novidade disso, não é mesmo?
16 de abril de 2007
Ainda não...mas...
Não, ainda não tem romance. Mas tem isso, ó:
semana passada revi uma amiga. Pelo menos considero-a assim. Na verdade, ela foi minha aluna, num tempo em que ainda havia alunas realmente desafiadoras. E era o caso dela. Já disse isso inúmeras vezes, mas não custa repetir: nada tenho contra pessoas pacatas, que entram na sala de aula, ouvem tudo o que você diz com ar meio embevecido (as que gostam de você) ou meio aborrecido (as que não gostam), e saem tão logo chega a hora. Mas essas pessoas passam. E, mais dia, menos dia, você acaba se esquecendo delas. Isso não acontece com as desafiadoras. Não, não me refiro aos mal-educados, grossos, estúpidos que estão ali apenas para descarregar suas frustrações sexuais na figura do professor. Falo de gente que quer saber o porquê das coisas, que exige do professor mais que a decorebazinha de sempre. Esse tipo de pessoa é inesquecível. Porque a gente sabe que elas não passaram pela faculdade só para pegar um diploma, mas que fizeram dela um trampolim para vôos maiores, tão grandes quanto a inteligência e a capacidade que elas possuem. E que eu, como professor delas, devo ter tido uma parcelazinha de culpa no aumento de horizonte que elas passaram a ter. Isso já vale todos os reveses pelos quais já passei e ainda vou passar nesta vida de magistério. E não direi seu nome (e seus nomes): elas sabem que é delas que estou tratando aqui.
semana passada revi uma amiga. Pelo menos considero-a assim. Na verdade, ela foi minha aluna, num tempo em que ainda havia alunas realmente desafiadoras. E era o caso dela. Já disse isso inúmeras vezes, mas não custa repetir: nada tenho contra pessoas pacatas, que entram na sala de aula, ouvem tudo o que você diz com ar meio embevecido (as que gostam de você) ou meio aborrecido (as que não gostam), e saem tão logo chega a hora. Mas essas pessoas passam. E, mais dia, menos dia, você acaba se esquecendo delas. Isso não acontece com as desafiadoras. Não, não me refiro aos mal-educados, grossos, estúpidos que estão ali apenas para descarregar suas frustrações sexuais na figura do professor. Falo de gente que quer saber o porquê das coisas, que exige do professor mais que a decorebazinha de sempre. Esse tipo de pessoa é inesquecível. Porque a gente sabe que elas não passaram pela faculdade só para pegar um diploma, mas que fizeram dela um trampolim para vôos maiores, tão grandes quanto a inteligência e a capacidade que elas possuem. E que eu, como professor delas, devo ter tido uma parcelazinha de culpa no aumento de horizonte que elas passaram a ter. Isso já vale todos os reveses pelos quais já passei e ainda vou passar nesta vida de magistério. E não direi seu nome (e seus nomes): elas sabem que é delas que estou tratando aqui.
9 de abril de 2007
Novidades!
Sentem-se que lá vem história: resolvi escrever um romance. Não sei se vai sair, se o que sair não será uma merda, se vai ser publicado ou vai fazer sucesso e me tornar conhecido pelo mundinho literário afora. Acho que, se vingar, o certo é que aumentará o ódio que algumas criaturas têm de mim. Não, nenhuma delas será personagem - justamente o motivo do ódio...hehehe! Por enquanto é só entusiasmo; veremos o que me reserva as próximas semanas... Prometo publicar alguns capítulos aqui, até para os amigos comentarem o que acham. Os inimigos, esses deixo para o dia da eventual publicação da bagaça.
5 de abril de 2007
Descansem em paz!
Todo mundo já comprou (ganhou) seu ovinho de Páscoa? Dessalgaram o bacalhau? Receberam o salariozinho do mês? Então vamos aproveitar esses três dias de pausa em nossa existência insana, nem que seja para não fazer nada. Eu, infelizmente, tenho de fazer minha declaração de Imposto de Renda... ô mico!
4 de abril de 2007
Nota ligeiríssima
Alguém reparou o quanto estamos perto de um pedido de impeachment de "sua majestade barbuda", como dizia a Heloísa Helena? Golpe? Pior é que não...
2 de abril de 2007
A semana
Semana que promete ser mais curta, embora não menos intensa. Poucas novidades, entretanto. O apagão aéreo talvez seja a notícia mais contundente, dadas as repercussões. O problema é que nem isso fará com que os defensores de Lula e seus asseclas mudem de opinião a respeito de seu (sic) governo. Talvez seja o calor que tenha anestesiado as pessoas. Ou a impressão - fortemente justificada, acrescento - de que todos são "farinha do mesmo saco". Não são. Verdade é que "nunca na história deste país" se roubou tanto e tão descaradamente. E pior: sob o argumento de que se faz "justiça social". Onde, por todos os deuses? No aumento desavergonhado das ONGs de fachada? Na ousadia fora-da-lei do MST e dos movimentos-dos-sem-qualquer-coisa? Na absoluta falta de noção da ministra da "Igualdade Racial", seja lá isso o que for? A economia vai bem? Por enquanto, e a despeito da incompetência da quadrilha petista, sim. Mas nada dura para sempre, principalmente os ventos favoráveis, que, aliás, já estão soprando para outra direção...
Enquanto isso, seguimos aqui, "só de birra e só de sarro"...
Enquanto isso, seguimos aqui, "só de birra e só de sarro"...
28 de março de 2007
Reflexão rápida
O mundo corporativo é insensível. E exige cada vez mais, sem nada dar em troca. Não poderia ser diferente, já que o universo de trabalhadores sempre foi maior do que as vagas oferecidas. É da lógica do capitalismo, como sabe qualquer estudante recém-ingressado num curso superior razoável. Incrível mesmo é haver quem ainda ache existir espaço para qualquer coisa que não seja o interesse puro na exploração da mão-de-obra abundante (epa!) e na constituição da mais-valia em sua forma mais abjeta. Santa ingenuidade, diria Robin. Mas você sempre acha gente que pensa (sic) assim, que o patrão deveria levar em conta algo além do lucro, da otimização máxima da força de trabalho na geração de riquezas. Nunca foi diferente, por mais que empresários aparentemente bem intencionados digam o contrário, ou entoem a ladainha de sempre em torno do "espírito de equipe" e do "crescimento conjunto da empresa e do funcionário". É tudo muito bonito, principalmente quando o besteirol vem acompanhado de frases do tipo "tudo pelo social", "responsabilidade social", "qualidade etc. e tal", e platitudes do gênero. Mas é sempre a mesma velha exploração.
27 de março de 2007
Notícias do "front"
Foi no sábado, no decadente Clube de Regatas Tietê, a cerimônia do colação de grau das últimas turmas de Letras da faculdade onde trabalho. "Últimas", aqui, está no sentido literal. Não sei se haverá outras. E, se houver, creio que não se darão ao trabalho de fazer esse ritual todo - que é caro e muitas vezes aborrecido. Respirava-se um certo ar de fim de festa. Mas as meninas estavam lindas, felizes a despeito de todos os problemas enfrentados para realizar aquela festa, que, afinal, era delas. Lamento meus colegas terem tomado atitudes intempestivas de não prestigiar o evento, mas cada um sabe onde aperta o sapato - para ser elegante. Lamento não ter falado com todas elas naquela noite. Lamento ser obrigado a não ter mais aquelas moças por perto, me incentivando a tornar-me um professor melhor do que sou. E agradeço, mais uma vez, a honra de ter sido o paraninfo de uma turma de Letras - a última. A gente se vê por aí, pela vida...
20 de março de 2007
A gente se esbarra por aí...
Imaginem a cena: eu entrando no prédio "daquele lugar", tentando tirar um cisco do olho. Em direção oposta, o escritor ganhador de prêmios - futuro Nobel, essas coisas. No que me dou conta, recebo um safanão no ombro direito que quase me joga no chão. Três passos adiante, o escritor gritando bem alto, mas sem se aproximar e ver se tudo estava bem: "desculpa aí! Desculpa aí" Olhei para trás e vi o sorrisinho maroto de moleque que acabou de fazer arte, como se dizia antigamente. E ainda tem gente que acha que ele vale alguma coisa...
Não há o que fazer nesse tipo de caso. Poderia ter me jogado realmente ao chão, feito um escândalo, B.O., mas querem saber? É tudo o que ele quer: ser o centrinho das atenções. Melhor mesmo ignorar. Mas aí me vem o seguinte: se eu sou tão insignificante para ele, por que tanto trabalho em chamar minha atenção? É, eu sei a resposta...hehehe!
Por que divulgar tal notícia aqui? Porque é preciso, ao menos, registrar a baixeza de certos tipinhos. Para que isso não caia no esquecimento. Para que outros não sejam enganados.
Ah, não deixem de ler o poeminha abaixo, heim?
Não há o que fazer nesse tipo de caso. Poderia ter me jogado realmente ao chão, feito um escândalo, B.O., mas querem saber? É tudo o que ele quer: ser o centrinho das atenções. Melhor mesmo ignorar. Mas aí me vem o seguinte: se eu sou tão insignificante para ele, por que tanto trabalho em chamar minha atenção? É, eu sei a resposta...hehehe!
Por que divulgar tal notícia aqui? Porque é preciso, ao menos, registrar a baixeza de certos tipinhos. Para que isso não caia no esquecimento. Para que outros não sejam enganados.
Ah, não deixem de ler o poeminha abaixo, heim?
19 de março de 2007
Mais poema!
"Pequeno registro edificante"
para R.L.
Os ratos se recolhem cedo
Enquanto a tarde desaba esmagando
Pernas e cabelos colados ao vidro.
Olhos miúdos te acompanham
Na cegueira de intestinos ao léu
E te desvias do caldo de fezes
Sangue e sêmem - mas teus sapatos
Dançam um pouco ali sem que caias.
Nada que as moscas não. Que eretos
Dedos deixem de apontar. Que o sol
Não queima ou vermes não roam.
Precisas disso. E te gestas
Nos miúdos e nos restos.
Naquilo de que só tu és feito.
para R.L.
Os ratos se recolhem cedo
Enquanto a tarde desaba esmagando
Pernas e cabelos colados ao vidro.
Olhos miúdos te acompanham
Na cegueira de intestinos ao léu
E te desvias do caldo de fezes
Sangue e sêmem - mas teus sapatos
Dançam um pouco ali sem que caias.
Nada que as moscas não. Que eretos
Dedos deixem de apontar. Que o sol
Não queima ou vermes não roam.
Precisas disso. E te gestas
Nos miúdos e nos restos.
Naquilo de que só tu és feito.
13 de março de 2007
Poema, depois de muito tempo...
Dos trincos
Ando temeroso pelas ruas da cidade
Mesmo quando o sol nos esbofeteia
Ou à noite, desviando nas calçadas
Da merda nelas largada - suspensa
A respiração, enquanto pessoas aos
Grupos falam alto e seus gritos
Chegam às janelas onde me refugio.
E nos telhados gatos gemem e trepam
Aos guinchos e há um barro que a chuva
Leva aos baixos e aos canos.
Mas quem diz que pode ser diverso?
O que sussurram os beirais dos pesadelos
De privadas falas? Deus não existe
Mas tem inúmeros representantes
Na TV e em programas de rádio.
À parte isso, crianças são dilaceradas
E sempre é possível levar um tiro perdido
No meio da cara.
(Nesse momento tranco a porta
E verifico a trava das janelas.)
Ando temeroso pelas ruas da cidade
Mesmo quando o sol nos esbofeteia
Ou à noite, desviando nas calçadas
Da merda nelas largada - suspensa
A respiração, enquanto pessoas aos
Grupos falam alto e seus gritos
Chegam às janelas onde me refugio.
E nos telhados gatos gemem e trepam
Aos guinchos e há um barro que a chuva
Leva aos baixos e aos canos.
Mas quem diz que pode ser diverso?
O que sussurram os beirais dos pesadelos
De privadas falas? Deus não existe
Mas tem inúmeros representantes
Na TV e em programas de rádio.
À parte isso, crianças são dilaceradas
E sempre é possível levar um tiro perdido
No meio da cara.
(Nesse momento tranco a porta
E verifico a trava das janelas.)
9 de março de 2007
Voltei!
Apesar de terem anunciado minha morte, ela ainda não aconteceu. Os problemas de sempre: indefinições na vida profissional, acadêmica e que tais. Mas acho que até julho o panorama muda. Só espero que não para pior...
10 de fevereiro de 2007
Acertando os ponteiros
Alguém reparou em minha ausência? Pois é, os acontecimentos que se seguiram àquela seqüência de testes redundaram em minha - por assim dizer - contratação. O que não faz o desespero. Eu e mais quatro pessoas: um rapaz e três mulheres, todos com formação em Letras e nenhuma experiência com o trabalho que teríamos de fazer. Coisa básica: as pessoas que faziam aquele serviço demitiram-se coletivamente (ou foram demitidas) e nós entramos para segurar o rojão. E que já estava com o pavio aceso. Até agora não tenho idéia de como resolver todos os problemas que existiam, além dos que estão chegando. E isso tudo por um salário fe-no-me-nal. Fazia tempo que eu não me sentia assim, operário-padrão com direito a ticket-restaurante (de sete reais!!!!!) e vale-transporte. E convenhamos: é uma verdadeira m...
Mas há um lado bom nessa história, claro. Quando eu descobrir conto para vocês.
Até o próximo post!
Mas há um lado bom nessa história, claro. Quando eu descobrir conto para vocês.
Até o próximo post!
31 de janeiro de 2007
Pois é!
Sempre é tempo de recomeçar. Duro mesmo é fazer isso às 6 e meia da manhã, tomar um banho, tentar se arrumar mais ou menos decentemente e enfrentar o trânsito de São Paulo. Some-se o fato de eu não ter mais vinte anos, mas 45. E não ter mais saco para entrevistas, processos seletivos e quejandos. Mas eu fui, falei de mim, escrevi uma redaçãozinha chinfrim, respondi a um teste padrão. Tudo isso tomou uma manhã. Saí de lá, dei uma volta pela Livraria Cultura, atravessei a avenida e almocei no Wraps. Ou seja, só gastei o dinheiro que não terei. E não é que acabei de receber um telefonema dizendo que passei por essa primeira fase? Por todos os deuses, pensei, quantas serão? Haverá dinâmica de grupo? Jogos interativos? Terei de fazer papéis mais ridículos do que os que já faço? Olha, se depois de tudo eu ainda for um dos escolhidos, tomara que o pagamento dê pelo menos para eu sustentar meus luxos cotidianos, entre eles o de comprar DVDs de todas as séries de TV...
30 de janeiro de 2007
Explicações (des)necessárias
Uma leitora perguntou o motivo de eu ter abandonado os comentários jocosos a respeito de certa instituição de ensino (na verdade, um paradigma delas). Tudo se resume, na verdade, a uma pessoa - o tal do escritor premiado. Ele e seus acólitos xeretaram as versões anteriores deste blogue, devem ter copiado vários dos textos para guardar como prova do crime, e passaram a ameaçar este que vos escreve com promessas de denúncias e as coisas de praxe. Típico dele. Claro que, interpelado, o coisinha negou tudo, que aquilo seria coisa de "amigos" dele. Desconfio, inclusive, que comentários a respeito de eu saber ou não alemão, de eu não ter tarimba para escrever sobre tal e qual assunto, devem ter sido da lavra do rapaz. Não tenho como provar, daí eu não ter levado a questão adiante. Por essas e outras, tal como a Imprensa venezuelana, fui coagido a promover uma autocensura. Mas, do jeito que as coisas caminham naquela instituição, acho que daqui a pouco tempo vou poder soltar o verbo novamente...hehehe! Os motivos não são propriamente positivos, mas não diria que são negativos: aquilo vai fechar. Se não tudo, ao menos a parte que me cabe. Não cairia mal uma demissão, pensando bem - até porque são 15 anos de FGTS. Enfim, aguardemos o desfecho de mais esta comédia bufa protagonizada por uma instituição privada de ensino superior deste país de Chinaglias e Zés Dirceus...
Nada de amargura, portanto. O Carnaval vem aí e tudo será sufocado por confete e serpentina. Se é que ainda existe esse tipo de coisa.
Nada de amargura, portanto. O Carnaval vem aí e tudo será sufocado por confete e serpentina. Se é que ainda existe esse tipo de coisa.
19 de janeiro de 2007
Voltando aos poucos...
O bom das férias é que você pode colocar em dia as leituras atrasadas, os filmes que você não viu e as caminhadas que você não fez. Isso, fora os dias dedicados a botar as papeladas em ordem, fazer aquela limpeza geral em casa, jogar fora pilhas e pilhas de tristezas acumuladas. Nas horas livres, além dos excelentes O Céu de Suely e d'Os Infiltrados, fomos assistir ao Mais Estranho que a Ficção, filme bastante interessante, a despeito de seu desfecho infeliz.
O que chama a atenção, em primeiro lugar, é a premissa da trama: um auditor da Receita Federal, de vida rotineira e medíocre, que de repente passa a ouvir uma voz narrando todas as suas ações - mas de forma, por assim dizer "literária". Logo saberemos que se trata de uma narrativa mesmo, um romance que uma escritora tenta finalizar, mas sem sucesso. Não sabemos, de início, se a vida do funcionário público é ficcional ou não - se sua vida está determinada pela escritora ou haveria, por assim dizer, um "livre arbítrio" da parte do sujeito. Saberemos que não, e me parece que é nesse ponto que o filme desanda, pois a criatura encontra a criadora - depois de mudar radicalmente seu modo de vida, fazendo tudo aquilo que sempre desejou fazer, inclusive apaixonando-se, o sujeito descobre (pela narradora) que iria morrer. Mais que isso: deveria morrer - para manter a coerência interna do romance e para concretizar o que poderia ser a obra-prima da escritora. Não avanço no enredo para não estragar o prazer discutível de quem acha que "o final é importante", mas posso dizer que o desfecho (e a seqüência que leva a isso) estraga um filme que poderia ser muito mais do que é. Apesar de manter o paradoxo (não se explica como a vida do auditor e a narrativa da escritora se cruzam), a solução é pobre, bem ao gosto de um público acostumado ao ramerrão das tardes televisivas. Uma pena, pois o filme é engraçadíssimo - ao menos para quem tenha capacidade de entender a sutileza das piadas, o que não foi o caso da público presente na sessão em que estivemos - e as interpretações foram de primeira linha. Mas não deixa de ser um filme impressionantemente inteligente - nada mais incondizente com nossos tempos.
O que chama a atenção, em primeiro lugar, é a premissa da trama: um auditor da Receita Federal, de vida rotineira e medíocre, que de repente passa a ouvir uma voz narrando todas as suas ações - mas de forma, por assim dizer "literária". Logo saberemos que se trata de uma narrativa mesmo, um romance que uma escritora tenta finalizar, mas sem sucesso. Não sabemos, de início, se a vida do funcionário público é ficcional ou não - se sua vida está determinada pela escritora ou haveria, por assim dizer, um "livre arbítrio" da parte do sujeito. Saberemos que não, e me parece que é nesse ponto que o filme desanda, pois a criatura encontra a criadora - depois de mudar radicalmente seu modo de vida, fazendo tudo aquilo que sempre desejou fazer, inclusive apaixonando-se, o sujeito descobre (pela narradora) que iria morrer. Mais que isso: deveria morrer - para manter a coerência interna do romance e para concretizar o que poderia ser a obra-prima da escritora. Não avanço no enredo para não estragar o prazer discutível de quem acha que "o final é importante", mas posso dizer que o desfecho (e a seqüência que leva a isso) estraga um filme que poderia ser muito mais do que é. Apesar de manter o paradoxo (não se explica como a vida do auditor e a narrativa da escritora se cruzam), a solução é pobre, bem ao gosto de um público acostumado ao ramerrão das tardes televisivas. Uma pena, pois o filme é engraçadíssimo - ao menos para quem tenha capacidade de entender a sutileza das piadas, o que não foi o caso da público presente na sessão em que estivemos - e as interpretações foram de primeira linha. Mas não deixa de ser um filme impressionantemente inteligente - nada mais incondizente com nossos tempos.
7 de janeiro de 2007
Férias!
Calma, gente. Janeiro é mês de descanso, e como costumo respeitar esse direito dos eventuais visitantes deste blogue, prefiro recolher minhas armas e afiá-las para o próximo período de labuta que logo logo virá. Tenham paciência.
25 de dezembro de 2006
Então é Natal...
Toda vez que ouço a Simone cantando a versão chumbrega da já choraminguenta canção do John Lennon, tenho vontade de exercer à plena potência meu espírito natalino e mandar duas dúzias de viventes ao encontro do Criador, seja ele o que for.
Fila para supermercado, em pleno dia 24 de dezembro. E tudo porque esqueci de comprar uns badulaques que iriam abrilhantar minha noite feliz. O melhor mesmo é ver a peruada vestida para matar já na parte da manhã. Será a maquiagem durou até a hora da festa?
Mas sobrevivi. Agora tem mais uma semana até o Reveillón. Haja estômago...
Fila para supermercado, em pleno dia 24 de dezembro. E tudo porque esqueci de comprar uns badulaques que iriam abrilhantar minha noite feliz. O melhor mesmo é ver a peruada vestida para matar já na parte da manhã. Será a maquiagem durou até a hora da festa?
Mas sobrevivi. Agora tem mais uma semana até o Reveillón. Haja estômago...
16 de dezembro de 2006
Recesso
Por ora acabou. Se, de um lado, isso implica não ver mais (ou ver muito menos) pessoas que se tornaram queridas ao longo desses últimos dois anos, também significa ficar pelo menos um mês sem ter de olhar para a cara de muita gente infeliz. Viver, como os antigos discos de vinil, sempre tem dois lados.
Mas final de ano também traz consigo o inferno das compras. Não as suas, ou melhor, as minhas - que isso eu faço pela internet mesmo, que é muito mais cômodo e barato. O problema é que sair para um simples cineminha vira operação de guerra: é preciso planejar as estratégias de modo a não ser apanhado no congestionamento das ruas e dos estacionamentos. Isso implica sair da casa cedo, deixar o carro numa garagem central e pegar metrô, por exemplo. E haja disposição para entrar nos vagões cheios de gente suada, correndo o risco de ser furtado ou encontrar um grupo de adolescentes cheios de hormônios gritando em seus ouvidos.
E ainda temos as chuvas de verão. Ou melhor, as tempestades. Nessas horas, se você der o azar tremendo de estar preso no trânsito em lugares baixos ou próximo a rios e córregos, só resta abdicar de seu ateísmo e rezar. Não que a mão do criador baixará à Terra para resgatar seu carrinho das águas, mas já que você não vai mesmo conseguir salvar seu patrimônio da desgraça, corra e salve-se a si próprio. Se estiver numa região alta, cuidado com as árvores - muitas não suportam a ventania e os cupins e desabam sobre os carros. E nem adianta deixar o carro na garagem, a não ser que seja coberta e não esteja na baixada. Sabe como é: costuma chover granizo nesta época do ano...
Uma saída seria viajar. Mas como eu não tenho um Aerolula, desisti rapidinho da idéia. Até porque nem sei se terei emprego ou salário digno desse nome ano que vem. É bem provável que não. Pegar estrada virou coisa de suicida. Ir de ônibus é correr o risco de ser assaltado no meio do caminho. E esse negócio de reveillón, pra mim, é coisa de quem não se deu conta da merda em que estamos. Assim como o carnaval. Estão comemorando o quê, bando de alucinados?
Melhor mesmo ficar em casa, trancado. Mas, aí, dois problemas: os vizinhos, e a possibilidade de o prédio desabar. Bom, se for acontecer, melhor a segunda hipótese...
Mas final de ano também traz consigo o inferno das compras. Não as suas, ou melhor, as minhas - que isso eu faço pela internet mesmo, que é muito mais cômodo e barato. O problema é que sair para um simples cineminha vira operação de guerra: é preciso planejar as estratégias de modo a não ser apanhado no congestionamento das ruas e dos estacionamentos. Isso implica sair da casa cedo, deixar o carro numa garagem central e pegar metrô, por exemplo. E haja disposição para entrar nos vagões cheios de gente suada, correndo o risco de ser furtado ou encontrar um grupo de adolescentes cheios de hormônios gritando em seus ouvidos.
E ainda temos as chuvas de verão. Ou melhor, as tempestades. Nessas horas, se você der o azar tremendo de estar preso no trânsito em lugares baixos ou próximo a rios e córregos, só resta abdicar de seu ateísmo e rezar. Não que a mão do criador baixará à Terra para resgatar seu carrinho das águas, mas já que você não vai mesmo conseguir salvar seu patrimônio da desgraça, corra e salve-se a si próprio. Se estiver numa região alta, cuidado com as árvores - muitas não suportam a ventania e os cupins e desabam sobre os carros. E nem adianta deixar o carro na garagem, a não ser que seja coberta e não esteja na baixada. Sabe como é: costuma chover granizo nesta época do ano...
Uma saída seria viajar. Mas como eu não tenho um Aerolula, desisti rapidinho da idéia. Até porque nem sei se terei emprego ou salário digno desse nome ano que vem. É bem provável que não. Pegar estrada virou coisa de suicida. Ir de ônibus é correr o risco de ser assaltado no meio do caminho. E esse negócio de reveillón, pra mim, é coisa de quem não se deu conta da merda em que estamos. Assim como o carnaval. Estão comemorando o quê, bando de alucinados?
Melhor mesmo ficar em casa, trancado. Mas, aí, dois problemas: os vizinhos, e a possibilidade de o prédio desabar. Bom, se for acontecer, melhor a segunda hipótese...
11 de dezembro de 2006
Do mal e outras amenidades
Isto não é uma defesa da antipática tese que divide o mundo entre o "bem" e o "mal", ou como dizem os norte-americanos: entre os "bad guys" e os "good guys". Não acho que seja assim, essa coisa maniqueísta, e que tenta transformar em algo natural aquilo que é, essencialmente, psicossocial. Mas existem aqueles que parecem ter nascido para isso. Ou foram assim criados. E o que há em comum neles é a absoluta ausência da consideração pelo outro, que sempre é visto como aquele que deve ser vilipendiado. Seja como bajulador, seja como vítima de toda e qualquer violência possível. Conheço muitas pessoas assim. Não passa pela cabeça delas que temos contas para pagar, uma família (às vezes duas ou mais, conforme o caso), que nossa vida não se resume às picuinhas que eles próprios alimentam a fim de ganhar mais e mais poder. Para eles, a vida do outro não importa. Não vale nada. Daí as ameaças físicas, morais. Daí quererem o tempo todo processar quem não concorda com a visão doentia deles. Daí a profusão de chicaneiros. Como sempre há trouxas (ou conveniências) que façam o joguinho sujo dessas figuras, permanecemos assim. Será questão de ignorar a presença deles? E quando sua vida acaba cruzando o caminho dessas criaturas? Combatê-las significa criar o inferno para si mesmo(a); acatá-las significa aceitar a hipocrisia da relação. Afinal, somos todos farsantes, não é mesmo? Alguns mais, outros menos, mas todos. E, pensando bem, isso explica à perfeição como é que chegamos onde estamos: na merda. Enfim, boa semana para todos(as)!
5 de dezembro de 2006
Frases mornas
Algumas pessoas, se morressem, preencheriam uma lacuna infindável em nossa existência.
Tenho comigo a convicção de que não é possível termos certeza de nada.
Não, gente, eu ga-ran-to que essa ponte é firme. Podem seguir em frente que ninguém vai cair.
Porque comigo é assim: não gosto de me sentir enganado. E não sou passivo. Pensam que sou passivo? Pois então aguardem meu advogado.
(No que você se dirige à saída para tomar um café, o sujeito chama você e entoa a ladainha) Sabe aquele pessoal? Então, vou ferrar quase todo mundo. Porque me disseram que, além de você, sou o único que cobra essas coisas. Ah, faça-me o favor! Parece desprezo, ou acham que a gente tem cara de trouxa. Não, eu vou falar, um a um, com eles. (Nessa hora, você hesita entre dizer alguma coisa do tipo: 'E eu kiko?', ou dar de ombros na linha do 'fazer o quê?' A prudência nos impele para a segunda opção.)
Marcar encontro com antigos (ou mesmo novos) amigos é encrenca certa. Não pelos horários, que nunca batem. Nem pelos gostos em matéria de comida ou bebida. O problema é percebermos o quanto estamos cada vez mais longe deles quanto mais desejamos estar perto.
Olha, a única alternativa possível é... (Comentário meu: se é única, não é alternativa...)
A permanência do "apagão" aeroviário é a mostra cabal da ausência de rumos em que está o país. E Lula nem se importa com isso, e sequer precisa. Ou precisaria?
Para quem espera achar algum nexo entre as frases, aviso: não há. Encarem como frases soltas, compostas ao calor da hora e da observação dos acontecimentos da semana. Talvez o nexo esteja no mosaico que elas compõem, sei lá.
Tenho comigo a convicção de que não é possível termos certeza de nada.
Não, gente, eu ga-ran-to que essa ponte é firme. Podem seguir em frente que ninguém vai cair.
Porque comigo é assim: não gosto de me sentir enganado. E não sou passivo. Pensam que sou passivo? Pois então aguardem meu advogado.
(No que você se dirige à saída para tomar um café, o sujeito chama você e entoa a ladainha) Sabe aquele pessoal? Então, vou ferrar quase todo mundo. Porque me disseram que, além de você, sou o único que cobra essas coisas. Ah, faça-me o favor! Parece desprezo, ou acham que a gente tem cara de trouxa. Não, eu vou falar, um a um, com eles. (Nessa hora, você hesita entre dizer alguma coisa do tipo: 'E eu kiko?', ou dar de ombros na linha do 'fazer o quê?' A prudência nos impele para a segunda opção.)
Marcar encontro com antigos (ou mesmo novos) amigos é encrenca certa. Não pelos horários, que nunca batem. Nem pelos gostos em matéria de comida ou bebida. O problema é percebermos o quanto estamos cada vez mais longe deles quanto mais desejamos estar perto.
Olha, a única alternativa possível é... (Comentário meu: se é única, não é alternativa...)
A permanência do "apagão" aeroviário é a mostra cabal da ausência de rumos em que está o país. E Lula nem se importa com isso, e sequer precisa. Ou precisaria?
Para quem espera achar algum nexo entre as frases, aviso: não há. Encarem como frases soltas, compostas ao calor da hora e da observação dos acontecimentos da semana. Talvez o nexo esteja no mosaico que elas compõem, sei lá.
2 de dezembro de 2006
Rápida!
É assim a vida de professor: chega o final de semestre e você tem um zilhão de trabalhos e provas para corrigir (ou, ao menos, ler). E, por um desses estranhos casos tipo Além da Imaginação, você nunca tem tempo de fazer tudo no tempo certo e as coisa vão se acumulando sobre sua mesa até formar aquela pilha assustadora. E os alunos perguntando a nota, se você já corrigiu, se... Aí vem a resposta padrão deste escriba: "Mandei tudo pra reciclagem de papel, porque seu trabalho só servia mesmo pra isso..." Finura incomparável, dita daquele jeito que só meus bons alunos entendem. E todos rimos com isso. Quer dizer, nem todos. Mas esses são os eternos enrustidos da vida. Enfim, tudo isso para justificar os longos intervalos sem escrever nada neste blogue (não que isso faça alguma diferença, claro!)...
26 de novembro de 2006
Pois então...
Nesse meio tempo: o Milton Hatoun ganhou outro prêmio, o invasor deste blogue levou o terceiro lugar (muito embora seu último livro tenha sido um fiasco - mas concursos literários sempre têm esse lance do imponderável e do inexplicável...), o São Paulo consagrou-se campeão brasileiro de 2006 (ainda que pudesse ter ganhado a Libertadores), fui a Uberlândia passar calor e apresentar um trabalho, tive problemas gastrointestinais (mas por conta de um pastel insidioso...hehehe!), vi que tem muita gente boa com trabalhos de boa qualidade pelo Brasil, vi também que a quantidade de ruindades ultrapassa exponencialmente as coisas boas, e por aí vai. E que não tem nada melhor que dormir, sob um calor insuportável, com o ar condicionado ligado. Os ecologicamente corretos que me desculpem, mas não vou dormir de janela aberta para sentir a brisa que não havia...
Aliás, nesse papo de "politicamente corretos", caímos na possibilidade da ditadura petista mais e mais ganhar músculos. Isso é péssimo para a democracia - pelo menos para aquela idéia feliz que ainda temos dela -, já que faz descrer da possibilidade de que a vida possa ser melhor sob seus auspícios. O problema é que ela (a democracia) dá trabalho, exige vigilância, e não conheço um malandro neste país que esteja disposto a fazer algo que não seja pelo seu próprio bem. É por isso que alguns ganham destaque e outros ficam no limbo.
Aliás, nesse papo de "politicamente corretos", caímos na possibilidade da ditadura petista mais e mais ganhar músculos. Isso é péssimo para a democracia - pelo menos para aquela idéia feliz que ainda temos dela -, já que faz descrer da possibilidade de que a vida possa ser melhor sob seus auspícios. O problema é que ela (a democracia) dá trabalho, exige vigilância, e não conheço um malandro neste país que esteja disposto a fazer algo que não seja pelo seu próprio bem. É por isso que alguns ganham destaque e outros ficam no limbo.
25 de novembro de 2006
De volta.
O simpósio em Uberlândia foi bom. Fez um calor do capeta, tive de bancar o coordenador do Grupo de Trabalho do qual participei, não tive ânimo de sair do périplo hotel-congresso-jantar-hotel, mas tudo correu bem. Não entreguei o trabalho apresentado, mas devo mandar uma versão melhor para a revista do Instituto de Letras. E me desliguei de celular, e-mail, orkut, essas coisas todas. Sequer consegui ler jornal. Mas reencontrei antigos colegas, agora professores em outras instituições espalhadas pelo país, vi trabalhos interessantes, tomei sorvete de milho verde e comprei queijo. E o melhor: meus vôos, tanto de ida quanto de volta, não atrasaram. Deu uma certa muvuca na chegada em Congonhas, mas isso já era esperado. De modo que estou de volta, trazendo na bagagem uma e outra coisa nova. Mas deixa eu desempacotar tudo...
Drika, não tenho a menor idéia de como fazer seu nome aparecer como você gostaria que fosse... Nessas coisas da vida digital sou um quase analfabeto. Bem, melhor isso do que se achar um grande escritor e fazer lobby para tentar ganhar prêmios, e nem assim...
Drika, não tenho a menor idéia de como fazer seu nome aparecer como você gostaria que fosse... Nessas coisas da vida digital sou um quase analfabeto. Bem, melhor isso do que se achar um grande escritor e fazer lobby para tentar ganhar prêmios, e nem assim...
18 de novembro de 2006
Um intervalo para nossos comerciais...
Semana sem novidades: basta dizer que estarei em Uberlândia, na Universidade Federal de lá, participando de um simpósio de Letras e Lingüística. Vou apresentar uma comunicação a respeito dos contos de Marçal Aquino, coisa básica. Fiquem aí quietinhos(as) que eu voltarei logo, e repleto de notícias...
14 de novembro de 2006
Algumas mensurações básicas...
A medida do seu envelhecimento é dada quando você não consegue mais passar uma noite em claro e, no dia seguinte, dar uma aula que preste.
O grau de insanidade de uma pessoa se mede na justa medida da necessidade dela (a pessoa) ficar se exibindo para gente que não está ligando a mínima para ela - a não ser para ridicularizá-la.
Mensura-se o senso de elegância de alguém pela quantidade de terninhos idênticos que tal figura tem em seu guarda-roupas. Quanto mais, pior.
O escritor fracassado se mostra quando este precisa histericamente demonstrar que tem alguma relevância no mundo cultural. Quanto maior a gritaria - de preferência acompanhada de olhos esbugalhados e cara ensebada - tanto pior sua obra. Ou mais farsesca.
Quanto mais mansa a fala, mais calhorda é a pessoa. O que não significa que os gritalhões sejam menos fdpês, claro!
A prova de que o homem realmente descende do macaco reside nas figuras que a gente encontra por aí, cujas feições e/ou comportamento, não passam de resquícios da vida sobre as árvores... Vocês não têm um colega ou conhecido (serve vizinho de vaga em garagem de condomínio) algo simiesco? Pois é...
Obs.: lay-out novo nesta bagaça. Cara nova para comemorar o exorcismo que aqui foi feito. Xô, fantasmas!
O grau de insanidade de uma pessoa se mede na justa medida da necessidade dela (a pessoa) ficar se exibindo para gente que não está ligando a mínima para ela - a não ser para ridicularizá-la.
Mensura-se o senso de elegância de alguém pela quantidade de terninhos idênticos que tal figura tem em seu guarda-roupas. Quanto mais, pior.
O escritor fracassado se mostra quando este precisa histericamente demonstrar que tem alguma relevância no mundo cultural. Quanto maior a gritaria - de preferência acompanhada de olhos esbugalhados e cara ensebada - tanto pior sua obra. Ou mais farsesca.
Quanto mais mansa a fala, mais calhorda é a pessoa. O que não significa que os gritalhões sejam menos fdpês, claro!
A prova de que o homem realmente descende do macaco reside nas figuras que a gente encontra por aí, cujas feições e/ou comportamento, não passam de resquícios da vida sobre as árvores... Vocês não têm um colega ou conhecido (serve vizinho de vaga em garagem de condomínio) algo simiesco? Pois é...
Obs.: lay-out novo nesta bagaça. Cara nova para comemorar o exorcismo que aqui foi feito. Xô, fantasmas!
9 de novembro de 2006
Mais poema.
"Da solidão"
Hoje acordei com teu sussurro
Fazendo riscos na paisagem de chumbo
Que eu insistia em esboçar.
Mas me virei, sentindo o gosto
Dos sonhos mal digeridos
E tu não estavas ali, e a janela
Me trazia um céu de sangue
Borrado enquanto crianças gritavam
E metais se retorciam
Em água e óleo e silêncios
Sujos que a chuva não lavava.
Há dias assim: de espaços
Impreenchíveis, de vozes
Que vêm sem mais - olho sem íris -
Em que o sol se abre
Para bocas secas e sem dentes,
Fendas que se fizeram de repente.
Ontem fui testemunha de um desastre que certamente passará à história como o novo "dia em que a música morreu"...
Hoje acordei com teu sussurro
Fazendo riscos na paisagem de chumbo
Que eu insistia em esboçar.
Mas me virei, sentindo o gosto
Dos sonhos mal digeridos
E tu não estavas ali, e a janela
Me trazia um céu de sangue
Borrado enquanto crianças gritavam
E metais se retorciam
Em água e óleo e silêncios
Sujos que a chuva não lavava.
Há dias assim: de espaços
Impreenchíveis, de vozes
Que vêm sem mais - olho sem íris -
Em que o sol se abre
Para bocas secas e sem dentes,
Fendas que se fizeram de repente.
Ontem fui testemunha de um desastre que certamente passará à história como o novo "dia em que a música morreu"...
6 de novembro de 2006
Poema. Sim, porque este é um blogue de (má) literatura!
"Dos ocos"
Porque, decerto, os míopes
Comem cereais dormidos ao fim da noite,
E junto ao meio-fio das avenidas
Os cegos andam, brandindo
Suas bengalas retráteis.
E para as paredes do prédio próximo
Abrem-se minhas janelas,
E dentro pessoas vêem TV
Ou mastigam o bolor no pão de cada dia,
Ou sonham com facas e outros objetos
Incisivos, ou trepam furiosamente
Com os pôsteres de mulheres
Amareladas de uso e prazo.
Porque, decerto, o oco que és,
Voz que vaza de tuas tripas,
Queda no asfalto onde
Nem crianças nem cães cagam,
Onde os nervos, expostos, pulsam sem ritmo
E, cobertor desastrado, tropicas
Em tristes tópicos catando o que resta
Da gosma (qual lesma) - de rastros -
Entre livros, e travos,
E egos despedaçados.
E não é que este blogue chega hoje aos 3.000 visitantes?
Porque, decerto, os míopes
Comem cereais dormidos ao fim da noite,
E junto ao meio-fio das avenidas
Os cegos andam, brandindo
Suas bengalas retráteis.
E para as paredes do prédio próximo
Abrem-se minhas janelas,
E dentro pessoas vêem TV
Ou mastigam o bolor no pão de cada dia,
Ou sonham com facas e outros objetos
Incisivos, ou trepam furiosamente
Com os pôsteres de mulheres
Amareladas de uso e prazo.
Porque, decerto, o oco que és,
Voz que vaza de tuas tripas,
Queda no asfalto onde
Nem crianças nem cães cagam,
Onde os nervos, expostos, pulsam sem ritmo
E, cobertor desastrado, tropicas
Em tristes tópicos catando o que resta
Da gosma (qual lesma) - de rastros -
Entre livros, e travos,
E egos despedaçados.
E não é que este blogue chega hoje aos 3.000 visitantes?
28 de outubro de 2006
Outros quatro anos levando vocês sabem onde...
Então, ao que tudo indica, teremos mais quatro anos com o "grande líder". Quer dizer, vai que, na última hora, os eleitores preparem uma surpresa e teremos outro nome para Presidente... Mas acho que não, e fica aberta a porteira para outra série de impunidades, de roubalheiras escancaradas, de mentiras deslavadas, de promessas que "nunca na História deste País" foram tão desavergonhadamente descumpridas. Não que o outro fizesse melhor; a diferença é que o butim seria amealhado com mais profissionalismo, se é que posso me expressar assim.
De mais a mais, serão quatro anos de difícil governabilidade - apesar da pífia "oposição" que temos aqui. A sorte é que o povinho é mais manso que gado dopado, com exceção do pessoal do MST e de um e outro radical que ainda sobrou por aí, os quais serão devidamente manipulados pela Sua Majestade Barbuda (como se refere a ele a Heloísa Helena) . Mas sei lá, do jeito que a coisa vai, não falta muito para estourar o "foda-se" geral. Aqui da minha janela vejo pequenas amostras disso.
Mudando ligeiramente de foco: o que se espera de um vizinho de vaga no condomínio onde você mora? Respeito, civilidade, essas coisas? Nãããããããoooo!! Espera-se que ele seja o menos filhadaputa possível. Mas nem isso se pode ter dessa gentinha que aqui vive. Se a vaga for ao lado, o vivente faz questão de encostar o máximo possível na SUA vaga. Aí, quando você chega, não tem como abrir a porta nem de um lado, nem do outro. Às vezes, é necessário sair pelo porta-malas, quando isso é possível. Se a vaga for daquelas de uma na frente, outra atrás, piorou: o nego encosta a porcaria do 147, do fusca, do escambau dele de modo a que seu carro não tenha como entrar no espaço que lhe é reservado. Você precisa descer do seu, torcer para o calhorda ter deixado o freio de mão destravado e empurrar a barcaça (e sujar mãos, roupas etc.) à meia-noite, depois de um dia inteiro de trabalho e calor. Melhor ainda se estiver chovendo.
Pergunto: sou só eu ou tem mais alguém que acha que isso não é exceção, mas é o padrão da dita humanidade?
E aí me chega uma pessoa de quem gosto muito e sugere uma terapia de regressão. Alguns nem precisam disso: já andam meio de quatro, não sabem falar, babam no guardanapo e grunhem sozinhos. Regredir para quê?
De mais a mais, serão quatro anos de difícil governabilidade - apesar da pífia "oposição" que temos aqui. A sorte é que o povinho é mais manso que gado dopado, com exceção do pessoal do MST e de um e outro radical que ainda sobrou por aí, os quais serão devidamente manipulados pela Sua Majestade Barbuda (como se refere a ele a Heloísa Helena) . Mas sei lá, do jeito que a coisa vai, não falta muito para estourar o "foda-se" geral. Aqui da minha janela vejo pequenas amostras disso.
Mudando ligeiramente de foco: o que se espera de um vizinho de vaga no condomínio onde você mora? Respeito, civilidade, essas coisas? Nãããããããoooo!! Espera-se que ele seja o menos filhadaputa possível. Mas nem isso se pode ter dessa gentinha que aqui vive. Se a vaga for ao lado, o vivente faz questão de encostar o máximo possível na SUA vaga. Aí, quando você chega, não tem como abrir a porta nem de um lado, nem do outro. Às vezes, é necessário sair pelo porta-malas, quando isso é possível. Se a vaga for daquelas de uma na frente, outra atrás, piorou: o nego encosta a porcaria do 147, do fusca, do escambau dele de modo a que seu carro não tenha como entrar no espaço que lhe é reservado. Você precisa descer do seu, torcer para o calhorda ter deixado o freio de mão destravado e empurrar a barcaça (e sujar mãos, roupas etc.) à meia-noite, depois de um dia inteiro de trabalho e calor. Melhor ainda se estiver chovendo.
Pergunto: sou só eu ou tem mais alguém que acha que isso não é exceção, mas é o padrão da dita humanidade?
E aí me chega uma pessoa de quem gosto muito e sugere uma terapia de regressão. Alguns nem precisam disso: já andam meio de quatro, não sabem falar, babam no guardanapo e grunhem sozinhos. Regredir para quê?
24 de outubro de 2006
Não esperem nada de bom
Olha, gostaria demais de me enganar a respeito, mas não vejo nenhuma perspectiva de que entremos num ciclo de melhorias econômicas, sociais, culturais, o que seja. A quem imagina que chegamos ao fundo do poço, sinto desapontar com a notícia de que não, não chegamos ainda lá. Podemos afundar mais, e iremos. Discordo de muito bons amigos, que vêem um horizonte onde o sol brilha e todas as pessoas serão felizes, porque, se assim for, estamos todos ferrados: precisamos de chuva, e muita, que encha os reservatórios e garanta água e represas cheias que gerem energia. Não vejo o futuro que eles vêem porque não concebo a idéia de que o malfeito de um justifica o do outro, e assim por diante. Ou pior: de que o "nosso" malfeito seja bom, já que visa "consertar" o país. Não vislumbro esperança onde o "certo" é apenas a garantia de que tudo vai ficar exatamente como está, incluindo as falcatruas. Onde a educação está entregue aos tubarões e aos incompetentes usuais. Onde quem grita mais (e chantageia no mesmo diapasão) pode mais. Isto não é um país, mas um amontoado de imbecis e de canalhas brigando para ver quem é o último a raspar o fundo da burra de dinheiro. Somos todos uns idiotas, seja pela omissão, seja pela ação sempre para o lado errado. Um país que elege C..., M...fs, Cl.., Sar..., e por aí afora. Um país onde leporídeos e psicóticos posam de escritores. Onde um despreparado total banca o presidente. Vão por mim: guardem o dinheiro do final do ano, que os próximos quatro vão colocar muita gente na posição da qual nunca deveriam ter saído: a de quadrúpedes.
P.S.: mas que fique muito claro; não faço o jogo da oposição, que considero tão incapaz quanto quem manda. No fundo, literalmente, somos todos uns bundões.
P.S.: mas que fique muito claro; não faço o jogo da oposição, que considero tão incapaz quanto quem manda. No fundo, literalmente, somos todos uns bundões.
20 de outubro de 2006
Dos "nãos"
Não vou participar de nada que me interessa realmente. Tenho obrigações profissionais.
Não vou sair de casa à noite para me divertir. Tenho medo da violência.
Não vou me encontrar com as pessoas de que gosto. Tenho medo de brigar com elas.
Não vou comer isso nem beber aquilo. Tenho medo de que isso me faça mal.
Não vou me dar o prazer de um dia ou uma noite de sossego. Tenho de pagar minhas contas.
Não vou descansar enquanto não destruir todos os meus inimigos. Tenho medo de não ser amado.
Não vou a lugar algum. Tenho medo de chegar lá.
Não vou sair de casa à noite para me divertir. Tenho medo da violência.
Não vou me encontrar com as pessoas de que gosto. Tenho medo de brigar com elas.
Não vou comer isso nem beber aquilo. Tenho medo de que isso me faça mal.
Não vou me dar o prazer de um dia ou uma noite de sossego. Tenho de pagar minhas contas.
Não vou descansar enquanto não destruir todos os meus inimigos. Tenho medo de não ser amado.
Não vou a lugar algum. Tenho medo de chegar lá.
15 de outubro de 2006
Comentários rápidos
Quando o mau-caratismo, a filhadaputice, a mentira - tudo isso acompanhado da preguiça intelectual e seus corolários - parecem se constituir práticas normais da vida pública do país, tenho asco só de imaginar o que não deve acontecer na privada, digo, na vida privada dessa gente.
Dizem que a compaixão, a solidariedade, a bondade e a decência seriam algumas das características humanas mais típicas. Isso é porque quem disse isso não conhecia a verdadeira índole dessa espécie. Ou havia recebido um suborno para dizê-lo.
E depois me questionam dos motivos de minha misantropia...
Dizem que a compaixão, a solidariedade, a bondade e a decência seriam algumas das características humanas mais típicas. Isso é porque quem disse isso não conhecia a verdadeira índole dessa espécie. Ou havia recebido um suborno para dizê-lo.
E depois me questionam dos motivos de minha misantropia...
10 de outubro de 2006
Poema, depois de muito tempo.
Louvação
Talvez haja um canto junto ao esgoto,
Talvez os ratos caminhem a esmo,
Hoje quis chover mas o sol não deixou
E as pessoas franziram os cenhos e
Cerraram os punhos e venderam
Suas mães e seus filhos para os açougues
E encheram suas gavetas de promessas
E de poeira e corpos decompostos.
Aleluia, louvemos todos.
Aleluia, me respondem.
Talvez o grito seja arrancado como a
Um dente ou as unhas das mãos;
Talvez uma garoa nos molhe o rosto,
Ou nos mitigue a sede gretada.
Mas do céu só nos vem o chumbo
Que entra nas veias e nos amarga a boca,
E nos cega a vista e corrói a pele
E pêlos pela saliva dos lagartos.
Aleluia, ergamos as mãos.
Aleluia, todos entoam.
Talvez os homens deponham as armas,
Talvez antes que um tiro se dispare;
Mas é desejar que os porcos não grunham,
E que os dentes dos lobos não rasguem
A carne de suas vítimas e o sangue
Não borre as paredes e se misture na
Lama dos excrementos e da urina,
E que haja alguma paz nesta terra
Mesmo aos homens de boa-vontade.
Então eu urro: Aleluia! Aleluia,
Ruminantes incivis. Aleluia,
Mugem todos,
E erguem as patas.
Talvez haja um canto junto ao esgoto,
Talvez os ratos caminhem a esmo,
Hoje quis chover mas o sol não deixou
E as pessoas franziram os cenhos e
Cerraram os punhos e venderam
Suas mães e seus filhos para os açougues
E encheram suas gavetas de promessas
E de poeira e corpos decompostos.
Aleluia, louvemos todos.
Aleluia, me respondem.
Talvez o grito seja arrancado como a
Um dente ou as unhas das mãos;
Talvez uma garoa nos molhe o rosto,
Ou nos mitigue a sede gretada.
Mas do céu só nos vem o chumbo
Que entra nas veias e nos amarga a boca,
E nos cega a vista e corrói a pele
E pêlos pela saliva dos lagartos.
Aleluia, ergamos as mãos.
Aleluia, todos entoam.
Talvez os homens deponham as armas,
Talvez antes que um tiro se dispare;
Mas é desejar que os porcos não grunham,
E que os dentes dos lobos não rasguem
A carne de suas vítimas e o sangue
Não borre as paredes e se misture na
Lama dos excrementos e da urina,
E que haja alguma paz nesta terra
Mesmo aos homens de boa-vontade.
Então eu urro: Aleluia! Aleluia,
Ruminantes incivis. Aleluia,
Mugem todos,
E erguem as patas.
6 de outubro de 2006
Adendo de última hora
Pessoas desmedidas são, como nos ensina a teoria literária, sujeitos afins com a raiz trágica das coisas. O desmesurado, o sem-noção-do-decoro, o herói trágico. Infelizmente, nos tempos em que vivemos, essa categoria foi rebaixada à figura do canalha. O canalha é aquele que imagina, em seus delírios, estar no centro da existência universal. O canalha é o que se agarra às sinecuras como um náufrago, ao mesmo tempo que as desdenha. Mas diz estar "defendendo sua honra". O canalha, para fazer valer sua opinião, exerce coerção sobre seus inferiores. O canalha ameaça, grita, esperneia. O canalha, desrespeitador das leis, faz uso delas quando lhe interessa, brande a tábua dos Mandamentos quando algo sai fora de seu figurino autoritário. O canalha acha que sempre vai se safar. Mas, ainda que na condição de rebaixado, a tragicidade de sua trajetória só pode mesmo redundar em sua destruição, no despedaçamento, na dilaceração. Ao contrário, porém, do herói trágico, o fim do canalha provoca, no máximo, um suspiro de alívio em suas vítimas, e o lamento hipócrita de seus seguidores.
4 de outubro de 2006
Corredor Literário na Paulista...
O debate ocorrido ontem à noite, com o Marcelino Freire, o Nelson de Oliveira, o Juliano Pessanha, o Fabrício Carpinejar e o Manuel da Costa Pinto, até que foi bom. O lugar é que não era dos melhores, embora proporcionasse a saudável aproximação física da platéia com o público ali presente, que não era dos menores. Acresce que a existência de um café ali do lado (estou falando do espaço de debates da FNAC da avenida Paulista) trazia certo desconforto auditivo, pois a barulheira de quem estava ali somente para tomar alguma coisa e jogar conversa fora, mais as xícaras, mais aquela campainha irritante chamando os fregueses pelas senhas, tudo contribuiu para me dispersar um pouco. Mas, após as falas dos participantes, as questões feitas pelo público suscitaram intervenções divertidíssimas (e outras nem tanto) dos debatedores. Na fala de todos, porém, um dado me chamou a atenção: a existência de uma neurose por parte de alguns escritores em superar os demais em termos de vendagem, de resenhas, do escambau. Uma espécie de corrida de obstáculos, digamos, de ordem intelectual. Se é que posso me expressar assim. E que, de acordo com os presentes à mesa, era uma imbecilidade, um desserviço à causa literária. Conheço alguns assim, infelizmente. Adeptos da causa do "eu primeiro e único". Espero que seja somente devido à dosagem subestimada do remédio que tomam. Mas sinceramente, duvido que o problema seja só esse.
2 de outubro de 2006
29 de setembro de 2006
Comentário do dia
É bonito posar de defensor das minorias. Dá audiência. Angaria prestígio. Pena que nada disso venha acompanhado de atitudes condizentes. De que adianta se dizer "do povo" quando, para se diferenciar dos demais, você proclama sua condição heterossexual como qualidade positiva? De que adianta se misturar às massas, se tudo o que você consegue fazer é aquele angu indigesto - resultado de sua imaturidade e incapacidade de viver socialmente? De que adianta se proclamar vítima de perseguição, se você a provoca, com suas regurgitações públicas e sua empafia majestática? Talvez um poderzinho a mais, um tempo extra na banheira suja na qual se refestelam você e os demais apaniguados. De ilusão também se vive.
26 de setembro de 2006
Pequenas frases históricas, por Mr. Eggman
"Diante de minha posição no contexto cultural inglês, é de espantar que ainda não me tenham chamado para uma representação diplomática, como adido, no Senegal..."
"Acolhida com entusiasmo pelas massas insossas, minha proposta de ministrar um curso de cultura pré-pós-pop-híper-moderna abordará aspectos do cinema, da música (erudita e popular), da literatura, da televisão, das novas mídias, do futebol, da sinuca e do carteado na instância da descontinuidade da desconstrução tal como preconizada pela filosofia contemporânea do último século..."
"Aliás, toda a produção futebolística inglesa padece de um excesso de atitude expositiva, além de de apresentar traços de um reacionarismo político nocivo ao reinado de Sua Majestade. Por falar nisso, não esqueçam de, na saída, comprarem o vídeo desta conferência!"
"Há males que nunca vão. E malas que nunca chegam que lhes baste."
Obs.: Mr. Eggman é um ser fictício, sem qualquer relação de semelhança (que, se ocorrer, será totalmente acidental) com pessoas, vivas, mortas ou mesmo as muito vivas. Na verdade, a idéia me ocorreu ao ler o último livro de Bretch lançado aqui no Brasil - Histórias do Sr. Keuner. O espírito era mais ou menos esse. Se não funcionou, isso se deve às limitações deste escriba.
"Acolhida com entusiasmo pelas massas insossas, minha proposta de ministrar um curso de cultura pré-pós-pop-híper-moderna abordará aspectos do cinema, da música (erudita e popular), da literatura, da televisão, das novas mídias, do futebol, da sinuca e do carteado na instância da descontinuidade da desconstrução tal como preconizada pela filosofia contemporânea do último século..."
"Aliás, toda a produção futebolística inglesa padece de um excesso de atitude expositiva, além de de apresentar traços de um reacionarismo político nocivo ao reinado de Sua Majestade. Por falar nisso, não esqueçam de, na saída, comprarem o vídeo desta conferência!"
"Há males que nunca vão. E malas que nunca chegam que lhes baste."
Obs.: Mr. Eggman é um ser fictício, sem qualquer relação de semelhança (que, se ocorrer, será totalmente acidental) com pessoas, vivas, mortas ou mesmo as muito vivas. Na verdade, a idéia me ocorreu ao ler o último livro de Bretch lançado aqui no Brasil - Histórias do Sr. Keuner. O espírito era mais ou menos esse. Se não funcionou, isso se deve às limitações deste escriba.
23 de setembro de 2006
Como ser um escroto em oito lições práticas
1. Construa uma imagem para si, de preferência que faça de você um defensor das minorias, dos pobres, dos frascos e dos comprimidos. Também vale aquela em que você posa de sábio, de intelectual - preferencialmente de esquerda.
2. Escreva livros ou dê palestras a respeito daquilo que acham que você sabe. Consultorias e programas de televisão, mesmo que de TVs educativas, valem ouro. Ou vire líder sindical, que dá no mesmo. Neste caso, e dependendo do sindicato, vale cultivar a imagem de tosco, meio pornográfico, grosseirão, que "fala como o povo".
3. Faça amigos que detenham algum poder em postos-chaves da máquina estatal ou de instituições privadas. Bajule-os o mais que puder, sem parecer que o faz.
4. Instigue seus subalternos contra os demais chefes. Conte mentiras, calunie, difame, aumente. Vale tudo. Se vierem interpelá-lo, negue tudo e escreva (ou pague a um ghost-writer) um artigo em que você reitera sua retidão comportamental, moral e ética. Se puder, faça um discurso falando de sua inocência e da trama que a oposição está armando contra sua genialidade e demais condições pessoais.
5. Diga o quanto você é macho, sugerindo que os demais não o são, e dando a entender que essa última condição é um demérito para o exercício de qualquer profissão ou cargo público. Faça piadinhas a respeito das peculiaridades de uma cidade qualquer.
6. Instigue seus subalternos contra os demais chefes. Conte mentiras, calunie, difame, aumente.
7. Cumprimente todo mundo, em público, para que as pessoas vejam o quanto você é de boa índole. Depois, não se esqueça de contar mentiras, caluniar, difamar etc. Nada como ter as massas agindo a seu favor na hora H.
8. Faça-se de vítima.
Obs.: evidente que isso não se aplica a nenhum caso concreto, nem da esfera pública, muito menos no âmbito da privada, ops, da esfera privada. Trata-se apenas de ajustar as carapuças, caso largas ou justas além da conta.
2. Escreva livros ou dê palestras a respeito daquilo que acham que você sabe. Consultorias e programas de televisão, mesmo que de TVs educativas, valem ouro. Ou vire líder sindical, que dá no mesmo. Neste caso, e dependendo do sindicato, vale cultivar a imagem de tosco, meio pornográfico, grosseirão, que "fala como o povo".
3. Faça amigos que detenham algum poder em postos-chaves da máquina estatal ou de instituições privadas. Bajule-os o mais que puder, sem parecer que o faz.
4. Instigue seus subalternos contra os demais chefes. Conte mentiras, calunie, difame, aumente. Vale tudo. Se vierem interpelá-lo, negue tudo e escreva (ou pague a um ghost-writer) um artigo em que você reitera sua retidão comportamental, moral e ética. Se puder, faça um discurso falando de sua inocência e da trama que a oposição está armando contra sua genialidade e demais condições pessoais.
5. Diga o quanto você é macho, sugerindo que os demais não o são, e dando a entender que essa última condição é um demérito para o exercício de qualquer profissão ou cargo público. Faça piadinhas a respeito das peculiaridades de uma cidade qualquer.
6. Instigue seus subalternos contra os demais chefes. Conte mentiras, calunie, difame, aumente.
7. Cumprimente todo mundo, em público, para que as pessoas vejam o quanto você é de boa índole. Depois, não se esqueça de contar mentiras, caluniar, difamar etc. Nada como ter as massas agindo a seu favor na hora H.
8. Faça-se de vítima.
Obs.: evidente que isso não se aplica a nenhum caso concreto, nem da esfera pública, muito menos no âmbito da privada, ops, da esfera privada. Trata-se apenas de ajustar as carapuças, caso largas ou justas além da conta.
21 de setembro de 2006
Mais notas ligeiras, que a semana anda brava!
A ironia é você perceber que, quanto menos trabalha, menos tempo tem para fazer o que precisa ser feito.
Todos temos necessidade de ser amados. Dona Escrotinha, entretanto, precisa ser idolatrada - posto que nada tenha a apresentar senão sua própria miséria de caráter e seu ego tão descomunal quanto sua derriére. Complexo de divindade ou de inferioridade, vocês escolham.
Não importa o que você faça, não vai funcionar mesmo.
Em face dos últimos acontecimentos, a mera possibilidade de o embusteiro-mor desta nação poder continuar desfilando suas platitudes e perpetrando o assalto aos cofres públicos via aparelhamento do Estado deveria se constituir num escândalo. Mas somos um país composto por uma parcela imensa de idiotas, e que sentem prazer nessa idiotia. Não sei o que é pior: se essa passividade bovina, ou se as justificativas dos ditos intelectuais para a permanência do embusteiro.
Só tem coisa ainda pior: pessoas que discordam de você apenas pelo prazer (algo sexual, me parece) de discordar. Não têm o menor argumento, mas precisam dizer a palavrinha mágica: "mas..."
O calor deu uma amenizada. E isso é para que não digam que só sei criticar. Já disse: quem gosta de calor é lagarto, barata e efemérides. E quem tem piscina em casa ou mora perto da praia.
Todos temos necessidade de ser amados. Dona Escrotinha, entretanto, precisa ser idolatrada - posto que nada tenha a apresentar senão sua própria miséria de caráter e seu ego tão descomunal quanto sua derriére. Complexo de divindade ou de inferioridade, vocês escolham.
Não importa o que você faça, não vai funcionar mesmo.
Em face dos últimos acontecimentos, a mera possibilidade de o embusteiro-mor desta nação poder continuar desfilando suas platitudes e perpetrando o assalto aos cofres públicos via aparelhamento do Estado deveria se constituir num escândalo. Mas somos um país composto por uma parcela imensa de idiotas, e que sentem prazer nessa idiotia. Não sei o que é pior: se essa passividade bovina, ou se as justificativas dos ditos intelectuais para a permanência do embusteiro.
Só tem coisa ainda pior: pessoas que discordam de você apenas pelo prazer (algo sexual, me parece) de discordar. Não têm o menor argumento, mas precisam dizer a palavrinha mágica: "mas..."
O calor deu uma amenizada. E isso é para que não digam que só sei criticar. Já disse: quem gosta de calor é lagarto, barata e efemérides. E quem tem piscina em casa ou mora perto da praia.
14 de setembro de 2006
Notas ligeiras
1) Abriram a porta do Inferno e esqueceram de fechar.
2) A melhor profissão do mundo deve ser a do tradutor de filmes pornôs: ganha para trabalhar cinco minutos ou para traduzir duas frases.
3) Diga com quem andas e eu te direi quem realmente és. Há os que, para ganhar um lugarzinho ao sol (e desenvolver um câncer de pele), são capazes de vender a mãe. Mas começam a vender a si mesmos, e isso é tudo.
4) Amizade se conquista a partir da confiança, e não com tapinhas nas costas e ameaças. Muito menos com arrogância e arroubos ditatoriais. Mas há quem pense diferente.
5) Pior que isso é quem se alia, por conveniência ou ausência de caráter, ao poderzinho instituído.
6) A ausência de elos coesivos neste post é fruto da morte de metade dos neurônios deste escriba. Eu devia mesmo é entrar com pedido de indenização por insalubridade, mas vai que dá certo...
2) A melhor profissão do mundo deve ser a do tradutor de filmes pornôs: ganha para trabalhar cinco minutos ou para traduzir duas frases.
3) Diga com quem andas e eu te direi quem realmente és. Há os que, para ganhar um lugarzinho ao sol (e desenvolver um câncer de pele), são capazes de vender a mãe. Mas começam a vender a si mesmos, e isso é tudo.
4) Amizade se conquista a partir da confiança, e não com tapinhas nas costas e ameaças. Muito menos com arrogância e arroubos ditatoriais. Mas há quem pense diferente.
5) Pior que isso é quem se alia, por conveniência ou ausência de caráter, ao poderzinho instituído.
6) A ausência de elos coesivos neste post é fruto da morte de metade dos neurônios deste escriba. Eu devia mesmo é entrar com pedido de indenização por insalubridade, mas vai que dá certo...
13 de setembro de 2006
De volta aos poucos...

Semana atribulada: tudo por fazer. Mas sempre sobra um segundo para postar neste blogue...
1. Papel jornal é um artigo muito caro para ser desperdiçado com platitudes ou ausência de idéias. E, no entanto...
2. O 11 de setembro passou de novo. Grande coisa.
3. O MST diminuiu o ritmo de suas invasões para não prejudicar a campanha do atual Presidente. Pior é que ainda há quem acredite nas boas intenções dessa gente.
4. Falei que o calor voltaria? E, com ele, os insetos voadores. Já disse: se calor fosse bom, as baratas não proliferariam justamente nesse clima...
5. Há aqueles cujo ego é tão grande que não conseguem sequer fazer uma curva fechada. E precisam demonstrar sua magnitude a cada instante - mesmo sendo ridículos. Gente assim precisava apanhar "de cinta", como se dizia antigamente.
6. O uroboro. Resumo iconográfico da semana. Vocês decifrem esse código, ora essa!
7. Odeio marketing, propaganda e tudo que for relativo a essa nobre atividade. É questão pessoal mesmo.
Em tempo: eu também aderi à campanha Xô, S...! Gostaria, entretanto, que ela se estendesse a outras figuras tão hediondas quanto, cujos nomes não reproduzo aqui para não contaminar este blogue ainda mais.
5 de setembro de 2006
Às portas de um feriado!
Quando eu era criança, o comércio do bairro se concentrava nas chamadas quitandas - lugar onde se encontrava de tudo um pouco, incluindo balas e doces. Funcionavam bem, ao menos enquanto a cidade não era a monstruosidade na qual se tornou. Algumas resistiram à passagem dos anos, teimando em manter o caderninho dos devedores, a caixa feita de madeira (onde era guardado o dinheiro de cada dia), a bagunça das prateleiras altíssimas, aquele ar caseiro de improviso. Mas estão sendo passadas para trás, pelos supermercados, pela informática, pelo avanço do capitalismo (tardio, entre nós). Permanecem aqui e acolá, o quitandeiro e sua mulher, o moleque que lhes auxilia, o cheiro das coisas que, se não morreram, já o deveriam ter feito. O pior mesmo é o moleque, a cara de bolacha, agarrado ao servicinho sujo que lhe cabe. Não há como ter saudades disso...
Vamos todos assistir ao desfile cívico? Pois é, quem diria que veríamos, repetida, a sensação que tínhamos nos idos de 1972, 1973...? Vai piorar? Ah, mas não tenham dúvida.
Prepotência parece ser a palavra de ordem. Isso vale para zeladores, cozinheiros, professores, milionários de jaez revolucionário, políticos em geral etc. etc. Vamos, assim, copiando mais uma vez determinada prática social de nossos irmãos do Norte, que sobre ela criaram mais outra indústria... Democracia é uma palavra muito bonita, mesmo na boca de um ditadorzinho em potencial. Ou, como disse um importante pensador, evidentemente tratando de outro assunto: "trata-se de um conceito fácil de se pronunciar, mas de difícil realização" Ao que acrescentaria eu: ainda mais dito por pessoas que não vêem a hora de botar na rua seus bofes autoritários, os quais disfarçam sob a capa da inocência ou da ignorância.
Falei em feriado? Mas onde é que eu estava com minha consciência????
Vamos todos assistir ao desfile cívico? Pois é, quem diria que veríamos, repetida, a sensação que tínhamos nos idos de 1972, 1973...? Vai piorar? Ah, mas não tenham dúvida.
Prepotência parece ser a palavra de ordem. Isso vale para zeladores, cozinheiros, professores, milionários de jaez revolucionário, políticos em geral etc. etc. Vamos, assim, copiando mais uma vez determinada prática social de nossos irmãos do Norte, que sobre ela criaram mais outra indústria... Democracia é uma palavra muito bonita, mesmo na boca de um ditadorzinho em potencial. Ou, como disse um importante pensador, evidentemente tratando de outro assunto: "trata-se de um conceito fácil de se pronunciar, mas de difícil realização" Ao que acrescentaria eu: ainda mais dito por pessoas que não vêem a hora de botar na rua seus bofes autoritários, os quais disfarçam sob a capa da inocência ou da ignorância.
Falei em feriado? Mas onde é que eu estava com minha consciência????
4 de setembro de 2006
Nota relevante
Dois mil visitantes? Isso até mereceria comemoração, não estivesse entre esses 2.000 gente que eu não convidaria para meu funeral... Mas, aos amigos e amigas que eventualmente me visitam (mesmo que privados dos comentários), meus agradecimentos! Em breve voltaremos à nossa programação normal...
1 de setembro de 2006
Até que enfim...
... é sexta-feira!
Mas vale dizer que não foi uma semana das piores. Claro, fui ameaçado de morte, sofri emboscadas, assédios morais; enfim, nada que fugisse dos padrões normais de uma existência igualmente comum. Registro aqui o ramerrão costumeiro: aulas para turmas interessantes e interessadas, com as desonrosas exceções de praxe. A última moda é fazer exercícios de outra disciplina enquanto você se esgoela tentando dar conta da parte que lhe cabe neste latifúndio. Ou ficar trocando mensagens pelo celular, idem, idem. Dá vontade de perguntar uma dessas coisas:
a) O celular é novo?
b) Você já ouviu falar numa nova modalidade de competição? Chama-se arremesso de celular. Ganha quem conseguir espatifar o aparelho em mais pedaços. Me empresta o seu para eu fazer uma demonstração?
Mas, claro, não posso fazer isso. Não nesses tempos chicaneiros em que arrastamos nossas carcaças. Houve um tempo em que viver era apenas "muito perigoso"...
Tem feito frio. Infelizmente vai durar pouco e o que se seguirá é uma seqüência medonha de dias quentes e melados. E não tem nada mais disgusting que gente suada. Ou melhor, tem; mas vamos deixar esse assunto de lado.
Mas vale dizer que não foi uma semana das piores. Claro, fui ameaçado de morte, sofri emboscadas, assédios morais; enfim, nada que fugisse dos padrões normais de uma existência igualmente comum. Registro aqui o ramerrão costumeiro: aulas para turmas interessantes e interessadas, com as desonrosas exceções de praxe. A última moda é fazer exercícios de outra disciplina enquanto você se esgoela tentando dar conta da parte que lhe cabe neste latifúndio. Ou ficar trocando mensagens pelo celular, idem, idem. Dá vontade de perguntar uma dessas coisas:
a) O celular é novo?
b) Você já ouviu falar numa nova modalidade de competição? Chama-se arremesso de celular. Ganha quem conseguir espatifar o aparelho em mais pedaços. Me empresta o seu para eu fazer uma demonstração?
Mas, claro, não posso fazer isso. Não nesses tempos chicaneiros em que arrastamos nossas carcaças. Houve um tempo em que viver era apenas "muito perigoso"...
Tem feito frio. Infelizmente vai durar pouco e o que se seguirá é uma seqüência medonha de dias quentes e melados. E não tem nada mais disgusting que gente suada. Ou melhor, tem; mas vamos deixar esse assunto de lado.
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