Blogue de um pretenso poeta, intelectual de cafeteria, reclamão de todas as horas e professor de Literatura por profissão (e, dizem, talento). Poemas e exercícios narrativos, crítica de cultura e maledicências ligeiras em tom farsesco. Tudo aqui é mentira.
28 de outubro de 2008
Não bastasse isso ainda tem mais aquilo...
O ano está horrível para todo mundo, eu sei. Quer dizer, quase todo mundo. Projetos abortados, iniciativas postas a pique, revistas fechadas, livros que não serão editados, e assim vamos. Tudo até seria suportável - dentro dos parâmetros da economia de mercado - se não fosse o império da canalhice. Imagine a situação: um dia você está ali, trabalhando duro por uma revista ou por uma editora. No outro dia, você chega para trabalhar e, como dizia a canção, encontra outro em seu lugar. Assim, sem mais essa. Sem telefonema, sem aviso prévio, sem um mísero e-mail. Que vem depois que você escreve um, pedindo explicações. E aí, segue o balaio de desculpas esfarrapadas, incluindo um "se eu soubesse que você tinha interesse em continuar conosco..." Ah, então tá. Era o caso de perguntar isso diretamente para mim, não? Se bem que, sejamos francos, isso nem passou pela cabeça da dona fulana e seu jeito tosco de administrar uma empresa. E, sem querer rogar praga, que eu nem acredito nisso, mas tudo indica que aquela publicação não dura muito mais. Pena, pois já foi uma das mais importantes em sua área. Agora nem sabe para que lado atira, e quando o faz, faz errado. Perde colaboradores, perde amigos e vai cavando sua cova no cemitério das revistas memoráveis. Eu disse memoráveis? Sim, mas não por seus últimos anos...
22 de outubro de 2008
Das aprendizagens
Duas ocasiões em que as pessoas se revelam como realmente são: dirigindo (automóvel, moto, tanto faz) e no dia-a-dia do trabalho. Na verdade, tem mais uma: quando entra dinheiro na jogada. Tirando isso, somos socialmente contidos em tudo. (Eu ia dizer "hipócritas", "falsos", coisas assim, mas, pensando direito, o que restaria da civilização - qualquer uma - se todos nos revelássemos como somos?)
20 de outubro de 2008
Rapidíssima
Do porquê eu não acreditar na humanidade (o que inclui, apesar dos paradoxos, os advogados, economistas, jornalistas, políticos, escritores paranóicos e professores)
Porque não.
Porque não.
17 de outubro de 2008
Ninguém aprende mesmo...
Algumas coisas nunca mudam:
- nasce um trouxa a cada segundo;
- ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia;
- só há duas certezas na vida: a de que vamos morrer e a de que alguém vai nos sacanear (frase que encabeça meu perfil orkuteano, e que devo à colaboração de meu colega de editora, Fernando);
- pior que cabeças de melancia só mesmo cobras criadas que não sobem escadas rolantes;
- não existe almoço grátis.
Tudo isso a propósito de uma campanha que tem mobilizado muita gente que ambiciona ter um serviço supostamente "de graça". E o povo ainda acredita nisso!
- nasce um trouxa a cada segundo;
- ninguém nunca perdeu dinheiro subestimando a inteligência alheia;
- só há duas certezas na vida: a de que vamos morrer e a de que alguém vai nos sacanear (frase que encabeça meu perfil orkuteano, e que devo à colaboração de meu colega de editora, Fernando);
- pior que cabeças de melancia só mesmo cobras criadas que não sobem escadas rolantes;
- não existe almoço grátis.
Tudo isso a propósito de uma campanha que tem mobilizado muita gente que ambiciona ter um serviço supostamente "de graça". E o povo ainda acredita nisso!
14 de outubro de 2008
Small potatoes
A respeito do último lance da campanha de Marta Suplicy, o que se pode dizer? Trata-se, sem dúvida, de um golpe baixo. Tão baixo quanto os desferidos por seus ex-adversários, em disputas anteriores. Ou quanto o de Collor contra Lula, quando ambos disputaram a presidência da República. Mas como se sabe, pimenta nos olhos dos outros... E, para completar a infâmia, vem a candidata afirmar, com a maior candura, que "não sabia de nada", que isso é "decisão do marqueteiro". Ah, me engana que eu gosto!
O teor da embrulhada faz-me lembrar de um fato ocorrido já há algum tempo, quando um colega professor teria dito a seus alunos que ele era "o único professor heterossexual do curso" (confrontado, ele teria negado tudo, como de praxe). Cabe perguntar qual a relevância disso: a homossexualidade faria um professor (ou seja lá o que for) pior? Homossexuais seriam incompetentes para exercer cargos de qualquer natureza? Para muita gente que se diz progressista, nada como um pequeno confronto para fazer cair a máscara do recalque, do preconceituoso internalizado na figura pública de pessoa "da esquerda", cujo passatempo é sair por aí acusando os desafetos de pertencerem à "direita". Assim, até eu.
O teor da embrulhada faz-me lembrar de um fato ocorrido já há algum tempo, quando um colega professor teria dito a seus alunos que ele era "o único professor heterossexual do curso" (confrontado, ele teria negado tudo, como de praxe). Cabe perguntar qual a relevância disso: a homossexualidade faria um professor (ou seja lá o que for) pior? Homossexuais seriam incompetentes para exercer cargos de qualquer natureza? Para muita gente que se diz progressista, nada como um pequeno confronto para fazer cair a máscara do recalque, do preconceituoso internalizado na figura pública de pessoa "da esquerda", cujo passatempo é sair por aí acusando os desafetos de pertencerem à "direita". Assim, até eu.
10 de outubro de 2008
Dos reencontros
Prometi que ia falar de reencontros, pois eis-me aqui conforme o prometido.
Depois de ter feito Letras, resolvi cursar outra graduação, em Comunicação Social. Não foi a melhor experiência de minha vida, mas o saldo foi, direi bastante positivo. Conheci pessoas legais lá - ainda que eu mesmo não tenha sido uma pessoa legal, mas isso não chega a ser nenhuma novidade para quem me conhece -, travei contatos com bons professores (e muitos picaretas também), acabei tendo uma formação que hoje me permite desempenhar até que bem algumas das atividades das quais retiro meu ganha-pão. Mas o melhor, de fato, foram as pessoas. Duas, em particular, são de minha maior estima, respeito e consideração: Érica e Cris (Moá, como a chamamos até hoje). Todos eram mais novos que eu, e plenos de uma juventude que me remoçava sempre que os encontrava (daí, talvez, meus arroubos adolescentes em plena idade do juízo...hehehe!). Enfim, o tempo passou, todos ou quase todos se formaram e, em 2006, a Cris resolveu agitar em reencontro em comemoração aos 10 anos da turma. Claro que nem todos foram, o que foi uma decepção, mas nem por isso inesperada. Neste ano, marcamos outro. E mais uma vez, só um terço da turma de reviu, praticamente os mesmos de 2006. Não obstante isso, pensamos em marcar um churrasco, desta vez na casa da Érica. Trocamos e-mails e, nessa troca, algo no mínimo bizarro aconteceu...
Um de nossos ex-colegas, cujo nome prefiro declinar aqui, resolveu entrar na conversa fazendo algumas gracinhas do tipo "sempre que ouço falar em encontrar pessoas que não vejo há tempos, sinto algo dentro de mim que não sei se é saudade ou falta de dramim..." Não me recordo das palavras exatas, mas o tom era mais ou menos esse. Ok, muitos vão dizer que, sendo eu mesmo um sujeito sarcástico, eu deveria ter entendido o rapaz, mas não foi mesmo o caso. Primeiro que esse tipo de coisa a gente diz "ao vivo", na cara das pessoas, até para deixar claro que é "somente uma brincadeira", ou coisa que o valha. Por escrito, em e-mails, geralmente soa mal. Segundo que, para mim, há coisas com as quais não se brinca, e a mais importante delas é a amizade. Nada é mais valioso que isso. E manifestar desprezo, por mais que tenha sido apenas uma forma jocosa de se dirigir a nós, soou - ao menos em meu entender - desrespeitoso. Sinto muito, meu caro, mas você podia ter nos poupado dessa, sinceramente. Pior é que, com essas e outras, nem sei mais se esse churrasco vai, afinal, acontecer. Talvez o tempo tenha separado definitivamente alguns de nós, não sei. Talvez tenhamos feito de nossas vidas algo tão insano que só reste mesmo lembrar de um tempo em que fomos mais felizes, pondo de lado qualquer possibilidade de reencontro. Talvez envelhecer seja isso, encarar o passado com as tintas de um sarcasmo que só confirma o quanto estamos despreparados para o presente...
Depois de ter feito Letras, resolvi cursar outra graduação, em Comunicação Social. Não foi a melhor experiência de minha vida, mas o saldo foi, direi bastante positivo. Conheci pessoas legais lá - ainda que eu mesmo não tenha sido uma pessoa legal, mas isso não chega a ser nenhuma novidade para quem me conhece -, travei contatos com bons professores (e muitos picaretas também), acabei tendo uma formação que hoje me permite desempenhar até que bem algumas das atividades das quais retiro meu ganha-pão. Mas o melhor, de fato, foram as pessoas. Duas, em particular, são de minha maior estima, respeito e consideração: Érica e Cris (Moá, como a chamamos até hoje). Todos eram mais novos que eu, e plenos de uma juventude que me remoçava sempre que os encontrava (daí, talvez, meus arroubos adolescentes em plena idade do juízo...hehehe!). Enfim, o tempo passou, todos ou quase todos se formaram e, em 2006, a Cris resolveu agitar em reencontro em comemoração aos 10 anos da turma. Claro que nem todos foram, o que foi uma decepção, mas nem por isso inesperada. Neste ano, marcamos outro. E mais uma vez, só um terço da turma de reviu, praticamente os mesmos de 2006. Não obstante isso, pensamos em marcar um churrasco, desta vez na casa da Érica. Trocamos e-mails e, nessa troca, algo no mínimo bizarro aconteceu...
Um de nossos ex-colegas, cujo nome prefiro declinar aqui, resolveu entrar na conversa fazendo algumas gracinhas do tipo "sempre que ouço falar em encontrar pessoas que não vejo há tempos, sinto algo dentro de mim que não sei se é saudade ou falta de dramim..." Não me recordo das palavras exatas, mas o tom era mais ou menos esse. Ok, muitos vão dizer que, sendo eu mesmo um sujeito sarcástico, eu deveria ter entendido o rapaz, mas não foi mesmo o caso. Primeiro que esse tipo de coisa a gente diz "ao vivo", na cara das pessoas, até para deixar claro que é "somente uma brincadeira", ou coisa que o valha. Por escrito, em e-mails, geralmente soa mal. Segundo que, para mim, há coisas com as quais não se brinca, e a mais importante delas é a amizade. Nada é mais valioso que isso. E manifestar desprezo, por mais que tenha sido apenas uma forma jocosa de se dirigir a nós, soou - ao menos em meu entender - desrespeitoso. Sinto muito, meu caro, mas você podia ter nos poupado dessa, sinceramente. Pior é que, com essas e outras, nem sei mais se esse churrasco vai, afinal, acontecer. Talvez o tempo tenha separado definitivamente alguns de nós, não sei. Talvez tenhamos feito de nossas vidas algo tão insano que só reste mesmo lembrar de um tempo em que fomos mais felizes, pondo de lado qualquer possibilidade de reencontro. Talvez envelhecer seja isso, encarar o passado com as tintas de um sarcasmo que só confirma o quanto estamos despreparados para o presente...
8 de outubro de 2008
Vocês não viram nada...
E a crise, que o Lula dizia que era "problema do Bush", chegou. Acresce que quase todo mundo acreditou em mais esse embuste, de onde se conclui que somos mesmo um país de bananas. Nanicas. Mas não fiquem felizes, porque o pior ainda não veio: a depressão em escala mundial, que vai levar à bancarrota muita gente e muito país. Espero, para variar, estar errado, mas não sei não...
Agora, o que poucos se perguntam é quem, afinal, está ganhando com essa barafunda toda? Sim, porque só um imbecil ingênuo pode acreditar que TODOS sairão perdendo com essa zona econômica. Não, queridos(as): alguém sempre ganha, e muito. E também não precisa ser muito esperto para saber quem: os especuladores de sempre. E não são os administradores da Sadia e da Aracruz, como o estúpido falastrão declarou. Essas empresas acreditaram na valorização do Real sob o império lulista. Cairam na real, finalmente. Talvez, no fundo, tenha sido merecido; afinal, quem mandou acreditar neste país e em quem o "governa"?
Agora, o que poucos se perguntam é quem, afinal, está ganhando com essa barafunda toda? Sim, porque só um imbecil ingênuo pode acreditar que TODOS sairão perdendo com essa zona econômica. Não, queridos(as): alguém sempre ganha, e muito. E também não precisa ser muito esperto para saber quem: os especuladores de sempre. E não são os administradores da Sadia e da Aracruz, como o estúpido falastrão declarou. Essas empresas acreditaram na valorização do Real sob o império lulista. Cairam na real, finalmente. Talvez, no fundo, tenha sido merecido; afinal, quem mandou acreditar neste país e em quem o "governa"?
1 de outubro de 2008
26 de setembro de 2008
Diálogos imponderáveis
Exemplos de conversas hipotéticas, mas plausíveis:
1
- Oi, lembra de mim? (Sem dizer o nome, nem de onde nos conhecemos.)
- Não.
- Ah, vai dizer que não lembra; faz um esforço!
- Se eu fizer um esforço nem vou dizer o que vai sair.
- ...
2
- Oi, lembra de mim?
- E como eu poderia esquecer? Você foi aquela pessoa que apareceu, disse que me amava etc. etc. e que, de repente, depois que eu desgracei toda minha vida por você - ou seja, depois que me apaixonei - resolveu sumir, alegando que estava confusa, que tinha uma outra pessoa, com quem você inclusive ia casar, e o resto a gente já sabe. E como você está?
- Não, estou melhor, fiz terapia, e coisa e tal, agora estou bem. Mas só estou te ligando pra pedir desculpas pelo que fiz, que não foi legal nem pra mim nem pra você, e que espero que a gente possa ser amigos daqui pra frente...
- Ah, bom. Então vamos tomar um café para...
- Não, nem pensar! Sou uma pessoa casada, não quero retomar aquilo tudo, impossível a gente se ver!
(Pensamento: trata-se de uma pessoa que leva a expressão "amizade virtual" à últimas conseqüências. Ou é maluca mesmo. Tendo à segunda hipótese.)
3
- Oi, você não me conhece, mas eu conheço uma pessoa que te conhece e que diz que gosta muito de você e que você é muito legal.
- Sei. E quem é essa pessoa? (Quem, neste mundo sem deus, pode achar isso de mim?)
- Ah, adivinha!
(Nada mais boçal que essa coisa estúpida de ficar fazendo joguinho de adivinhação. Pior que isso, só mesmo a onda do politicamente correto.)
- Olha, não tenho a menor idéia. Mas espera um pouco que vou consultar a lista telefônica. Vou ditar nome por nome e, quando o nome dessa pessoa aparecer, você grita "achou!!!!". Combinado?
Faltou, como deve ter percebido o(a) leitor(a) mais arguto(a), o comentário a respeito de encontros com ex-colegas de faculdade. Vou deixar vocês na expectativa mais uma vez, sinto muito.
1
- Oi, lembra de mim? (Sem dizer o nome, nem de onde nos conhecemos.)
- Não.
- Ah, vai dizer que não lembra; faz um esforço!
- Se eu fizer um esforço nem vou dizer o que vai sair.
- ...
2
- Oi, lembra de mim?
- E como eu poderia esquecer? Você foi aquela pessoa que apareceu, disse que me amava etc. etc. e que, de repente, depois que eu desgracei toda minha vida por você - ou seja, depois que me apaixonei - resolveu sumir, alegando que estava confusa, que tinha uma outra pessoa, com quem você inclusive ia casar, e o resto a gente já sabe. E como você está?
- Não, estou melhor, fiz terapia, e coisa e tal, agora estou bem. Mas só estou te ligando pra pedir desculpas pelo que fiz, que não foi legal nem pra mim nem pra você, e que espero que a gente possa ser amigos daqui pra frente...
- Ah, bom. Então vamos tomar um café para...
- Não, nem pensar! Sou uma pessoa casada, não quero retomar aquilo tudo, impossível a gente se ver!
(Pensamento: trata-se de uma pessoa que leva a expressão "amizade virtual" à últimas conseqüências. Ou é maluca mesmo. Tendo à segunda hipótese.)
3
- Oi, você não me conhece, mas eu conheço uma pessoa que te conhece e que diz que gosta muito de você e que você é muito legal.
- Sei. E quem é essa pessoa? (Quem, neste mundo sem deus, pode achar isso de mim?)
- Ah, adivinha!
(Nada mais boçal que essa coisa estúpida de ficar fazendo joguinho de adivinhação. Pior que isso, só mesmo a onda do politicamente correto.)
- Olha, não tenho a menor idéia. Mas espera um pouco que vou consultar a lista telefônica. Vou ditar nome por nome e, quando o nome dessa pessoa aparecer, você grita "achou!!!!". Combinado?
Faltou, como deve ter percebido o(a) leitor(a) mais arguto(a), o comentário a respeito de encontros com ex-colegas de faculdade. Vou deixar vocês na expectativa mais uma vez, sinto muito.
22 de setembro de 2008
Mensagem na garrafa
Querida E.:
que bom que você veio aqui, leu alguma coisa e se deu ao trabalho de me mandar um e-mail comentando um de meus posts. Acho que você é a primeira pessoa, daquele pessoal da faculdade, que visitou meu blogue - a despeito de eu o manter já faz um certo tempo. Não vou negar que foi uma grata surpresa, eu que não gosto delas. E vindo de você, a quem muito admiro e respeito, foi particularmente especial.
Dito isso, reitero o que já dissera: muito do que este blogue traz é triste, menos por mim, e muito mais pelo mundo - que só faz nos deprimir mais e mais. Talvez a essência seja isso: não me permito o luxo da alegria - ainda que sejam as pequenas felicidades cotidianas, os instantes domésticos de plenitude - porque seria compactuar com a idéia de que nos espera alguma coisa que não seja a destruição, o aniquilamento, a decepção. Não sou assim; nunca fui. Acresce que, pela vias comuns do existir, tomamos contato com pessoas que nunca nos deixam esquecer a condição humana, essa capacidade infinita da crueldade, da vilania, da calhordice. Salvam-se, contudo, umas poucas, justamente aquelas que me fazem acreditar que ainda é possível adiar o lamaçal no qual chafurdaremos mais dia, menos dia. Você é uma dessas pessoas. E é por isso que escrevo esta carta, coloco-a numa garrafa e jogo-a neste mar virtual em que (ainda) conseguimos nos encontrar e nos falar. Talvez um dia você a leia. Talvez outros o façam. E eu, aqui, mesmo descrente da humanidade e de suas escolhas, pararei de teclar no computador e olharei pela janela, esperando que o dia que nasce ao menos não me traga as notícias cinzentas de sempre.
que bom que você veio aqui, leu alguma coisa e se deu ao trabalho de me mandar um e-mail comentando um de meus posts. Acho que você é a primeira pessoa, daquele pessoal da faculdade, que visitou meu blogue - a despeito de eu o manter já faz um certo tempo. Não vou negar que foi uma grata surpresa, eu que não gosto delas. E vindo de você, a quem muito admiro e respeito, foi particularmente especial.
Dito isso, reitero o que já dissera: muito do que este blogue traz é triste, menos por mim, e muito mais pelo mundo - que só faz nos deprimir mais e mais. Talvez a essência seja isso: não me permito o luxo da alegria - ainda que sejam as pequenas felicidades cotidianas, os instantes domésticos de plenitude - porque seria compactuar com a idéia de que nos espera alguma coisa que não seja a destruição, o aniquilamento, a decepção. Não sou assim; nunca fui. Acresce que, pela vias comuns do existir, tomamos contato com pessoas que nunca nos deixam esquecer a condição humana, essa capacidade infinita da crueldade, da vilania, da calhordice. Salvam-se, contudo, umas poucas, justamente aquelas que me fazem acreditar que ainda é possível adiar o lamaçal no qual chafurdaremos mais dia, menos dia. Você é uma dessas pessoas. E é por isso que escrevo esta carta, coloco-a numa garrafa e jogo-a neste mar virtual em que (ainda) conseguimos nos encontrar e nos falar. Talvez um dia você a leia. Talvez outros o façam. E eu, aqui, mesmo descrente da humanidade e de suas escolhas, pararei de teclar no computador e olharei pela janela, esperando que o dia que nasce ao menos não me traga as notícias cinzentas de sempre.
21 de setembro de 2008
Sobre rever pessoas
Os últimos dias, à parte a endoidecedora rotina de passar de um trabalho a outro, sem descanso, incluíram rever pessoas que eu não via há algum tempo e ensaiar uma tentativa de encontro entre ex-colegas de faculdade. No geral, gosto dessas ocasiões. Claro que só revemos pessoas de quem gostamos, a não ser em caos fortuitos como restaurantes e locais públicos, nos quais sempre existe a chance de esbarrar em gente desagradável. Assim sendo, e apesar de sempre premidos pelo tempo que não temos, são momentos em que você retorna a épocas menos infelizes, constata a passagem dos anos em você e nas pessoas, lembra situações cômicas ou nem tanto etc. Foi assim com a Renata, a Juliana e a Taty, questão de duas semanas atrás. Com a Fátima e a Kátia, no mesmo período. Com a Dani e a Janete, semana passada. Mais que mosaicos do passado, são e serão sempre presenças indeléveis, pelo que compartilhamos, pela amizade que fomos construindo - aos poucos e pacientemente. A elas, minha pequena homenagem neste blogue.
P.S.: valeria um post a respeito do acima citado encontro de ex-colegas. Mas deixo isso para uma próxima vez.
P.S.: valeria um post a respeito do acima citado encontro de ex-colegas. Mas deixo isso para uma próxima vez.
15 de setembro de 2008
Diretamente do inferno
A maturidade não traz sabedoria alguma. Também não proporciona epifanias, uma vida melhor, menos preocupações, essas coisas que a mídia faz questão de divulgar só para que tenhamos a ilusão de que, velhos, prestamos para alguma coisa que não seja azucrinar os novos. O que a maturidade traz, certamente, é uma saúde pior, a certeza de que seu corpo já não agüenta os trancos que o existir nos proporciona, o desalento, nenhum encanto.
6 de setembro de 2008
Hahaha
Imaginem a cena: lotação subindo ruas íngremes na zona leste. O motorista, ao que parece, tem vocação para assassino, daqueles psicopatas. Acelera, freia com força, passa por lombadas sem diminuir, faz curvas sem tirar o pé do acelerador. E a desgraça ali, lotada, um calor de cozinhar até galo velho, pessoas com o desodorante vencido. Para completar, o som berrando nos alto-falantes: "rebola, rebola, rebola... é assim que você gosta? rebola, rebola..." ou coisa do gênero. Não há mesmo nenhuma esperança pra essa gente. Eu disse gente? Esqueçam.
4 de setembro de 2008
Cultura isenta? Nem pensar!
E depois, quando eu digo que o mundo é composto de gente que f... e gente que é f... - e que a maior parte, incluindo eu mesmo, está no segundo grupo, ainda me dizem que sou pessimista. Acabei de ter mais uma prova, hoje mesmo, de que nem chego perto da verdade, quando o assunto é o mundo calhorda.
3 de setembro de 2008
Muito engraçado
O presidente, em mais uma de suas aparições públicas, desta vez fazendo demagogia com o petróleo que ninguém sabe se pode realmente ser extraído, soltou o verbo e pôs na avenida seu repertório infinito de gracinhas. A platéia que lá estava, toda ela composta de acólitos, deu risada. Não achei graça alguma. Na verdade até eu, com cólica renal, sou capaz de tiradas melhores e, diga-se, menos vulgares. Mas a pérola ficou para o trecho em que o grande líder iluminado disse que, do jeito que a Petrobras "vai fundo", daqui a pouco a broca vai puxar um "japonesinho" e aí teremos um problema internacional. Juro, estou com dor de estômago de tanto rir. Valem lembrar que, há pouco, o mesmo sujeito participava das cerimônias em comemoração ao centenário da imigração... japonesa. Diplomatas ririam, bajuladores rirão, a massa rirá. Mas, é claro, ninguém admitirá que discriminamos pessoas, tudo não passou de uma brincadeira, eu é que não tenho bom humor, sou um representante da direita etc. etc. Enquanto isso, a caravana passa...
1 de setembro de 2008
Para guardar no caderninho preto
Pesquisa recentemente divulgada mostra que parcela considerável do público de cinema prefere assistir a filmes dublados. Da pespectiva de quem gosta de ver tudo cor-de-rosa, nada mais animador, já que, assim, estamos nos igualando aos norte-americanos, que também preferem assistir aos filmes estrangeiros dublados no idioma deles. Estaríamos nos tornando menos colonizados, livrando-nos, desse modo, do jugo do imperialismo ianque? Nem pensar, já que 90% do que assistimos nos cinemas é produto de lá mesmo. O que a pesquisa mostra, de maneira quase cristalina, é que continuamos analfabetos, cada vez mais, e que não há estatística governamental que consiga mascarar a farsa que é o ensino neste país. Preferir a dublagem não é afirmar o idioma local, a marca de nossa nacionalidade capenga, mas simplesmente é uma forma de disfarçar a incapacidade de ler as legendas e acompanhar o filme ao mesmo tempo. Um problema que pode ser, também, coisa de limítrofe. Neste caso, concordo: estamos bem próximos aos norte-americanos.
27 de agosto de 2008
Reiteração necessária
Já disse mais de uma vez, mas não custa repetir - até para que eu mesmo não esqueça: não acredito em nada a não ser na infinita capacidade do ser humano ser um calhorda f.d.p. com qualquer um que não seja ele mesmo. Ou, como já escreveu Machado de Assis: "suporta-se com paciência a cólica alheia". Mas eu acho que nem isso.
18 de agosto de 2008
Das novidades meio antigas
Fui cobrado por não haver noticiado aqui minhas mais recentes atividades no campo da cultura, ou melhor, no campo da divulgação dela. Correndo o risco de ver quem eu não quero ou ler coisas desagradáveis escritas pelo desafeto habitual que insiste em achar que pode ser meu inimigo, vamos a elas:
- desde o último sábado (16 de agosto), estou ministrando uma oficina de literatura para o vestibular. Na verdade, são encontros em que este que vos escreve fala, por quase duas horas, sobre cada uma das obras que constam da lista de livros obrigatórios da Fuvest/Unicamp. A iniciativa é da Coordenadoria de Bibliotecas do Município de São Paulo, a quem agradeço a confiança depositada. Essas oficinas estão acontecendo em diversas bibliotecas da cidade, mas as minhas são a da Vila Prudente e a da Penha, onde fui muito bem recebido, tanto pelos funcionários quanto pelo público presente (só na Penha eram cerca de 100 inscritos).
- nas bancas, desde o último dia 15, o novo número da Biblioteca EntreLivros - Especial Literatura e Jornalismo, no qual escrevi sobre a crônica e particularmente sobre Nelson Rodrigues cronista esportivo. Acho que ficou pior que o anterior, sobre Machado de Assis, mas ficou assim, então não vou chorar sobre o leite derramado. Comprem, divulguem - se forem amigos(as). Se não forem, vão para o raio que os parta, que a vida já está chata o suficiente sem vocês, os invejosos...hehehe!
- desde o último sábado (16 de agosto), estou ministrando uma oficina de literatura para o vestibular. Na verdade, são encontros em que este que vos escreve fala, por quase duas horas, sobre cada uma das obras que constam da lista de livros obrigatórios da Fuvest/Unicamp. A iniciativa é da Coordenadoria de Bibliotecas do Município de São Paulo, a quem agradeço a confiança depositada. Essas oficinas estão acontecendo em diversas bibliotecas da cidade, mas as minhas são a da Vila Prudente e a da Penha, onde fui muito bem recebido, tanto pelos funcionários quanto pelo público presente (só na Penha eram cerca de 100 inscritos).
- nas bancas, desde o último dia 15, o novo número da Biblioteca EntreLivros - Especial Literatura e Jornalismo, no qual escrevi sobre a crônica e particularmente sobre Nelson Rodrigues cronista esportivo. Acho que ficou pior que o anterior, sobre Machado de Assis, mas ficou assim, então não vou chorar sobre o leite derramado. Comprem, divulguem - se forem amigos(as). Se não forem, vão para o raio que os parta, que a vida já está chata o suficiente sem vocês, os invejosos...hehehe!
13 de agosto de 2008
Todo dia...
A rotina, em si, não é ruim. Nociva é a rotina que se torna a única alternativa em sua vida. Esta, por seu turno, mais e mais expõe sua face descarnada. A agonia nos arrasta para o fundo de seu poço seco...
8 de agosto de 2008
Chove...
Alguns pesadelos se confirmam. Outros só adiam - para nossa agonia - sua chegada. Ao fim e ao cabo, para usar uma expressão bem desgastada, que bem-aventurança é possível e plausível em país escuso? Enquanto isso, sentimos os vermos roerem nossa carne, lentamente, sem descanso.
4 de agosto de 2008
O que nos espera...
Semana começando, volta às aulas, nenhuma expectativa a não ser o pior do pior. O caso da inglesa que foi morta e esquartejada pelo "namorado" dá o que pensar. Por exemplo: disseram que ela era apaixonada pelo Brasil. Ah, se era isso mesmo, bem-feito! Quem mandou achar que isso aqui (ô-ô) seria um lugar aprazível? Nem lá, nem cá: a verdade é que o mundo inteiro tornou-se insuportável e, para onde quer que a gente se volte, tem um mala para nos torrar o saco e/ou tornar nossa existência um inferno.
2 de agosto de 2008
31 de julho de 2008
Reflexão irrefletida
Há horas em que penso se há algum motivo para continuar. E, sinceramente, fico cada vez mais convicto de que não. Não neste mundo. Não nessas condições.
29 de julho de 2008
Para não ficar em branco
Assim: permaneço nessa cruzada insana pela sobrevivência, de modo que este blogue nem sempre será atualizado. O bom é que, no mês de julho, ninguém lê nada mesmo, e assim poucas pessoas ficaram descontentes. E em agosto - por sinal, mês do cachorro louco - sai outro número da Biblioteca EntreLivros com um artigo meu, desta vez sobre Jornalismo, Literatura e as Crônicas de Nelson Rodrigues. Está tão ruim que vocês vão ter de comprar a revista só para descer o malho.
20 de julho de 2008
De volta, ou quase...
Fato é que não existe vida intelectual quando você é obrigado a passar metade de sua vida tentando sobreviver, ou melhor, trabalhando somente para pagar suas contas...
Mas, para que não digam que morri e esqueci de me enterrar, tem poema meu publicado no Palavra, do Le Monde Diplomatique. Podem clicar aqui.
Mas, para que não digam que morri e esqueci de me enterrar, tem poema meu publicado no Palavra, do Le Monde Diplomatique. Podem clicar aqui.
4 de julho de 2008
Entrevista
Ninguém perguntou, mas como o blogue é meu mesmo, segue a entrevista que concedi à jornalista Francis Neves, publicada, em parte, no jornal laboratório do curso de Jornalismo da Unesp. O texto original foi modificado e aumentado, não alterando, contudo, sua essência. Boa leitura.
Pergunta: Qual parente seu veio diretamente do Japão? Como ele relata esta experiência?
R.: Meus avós, tanto os paternos quanto os maternos, vieram do Japão. Infelizmente, todos já faleceram. Os relatos que ficaram, sujeitos evidentemente às distorções de memória e acidentes de percurso, não diferem dos demais depoimentos de outros imigrantes. Falam dos tempos difíceis de adaptação à alimentação, clima, costumes e idioma. Meu avô paterno teria sido um dos fundadores da cidade de Assaí-PR, e lá ele teria sido uma espécie de micro-empresário na época, com fábricas de sorvete e refrigerantes (em épocas distintas). A repressão surgida principalmente durante a 2ª. Guerra parece ter sido mais intensa na região interiorana do Brasil, pelo que pude ouvir quando era criança. Aqui em São Paulo, onde minha mãe nasceu, ela teria sido um pouco menos explícita – uma de minhas tias casou-se com um descendente de alemães, e isso no final dos anos de 1950, quando esse comportamento não era dos mais aceitos entre os nipo-brasileiros.
P.: Como foi a adaptação do imigrante?
R.: Conforme disse antes, teria sido difícil. Não bastasse a má vontade das autoridades locais em relação aos japoneses, as diferenças eram enormes em relação a todos os aspectos da vida social. Ainda hoje, de certo modo, essas particularidades permanecem.
P.: Neste ano de 2008, duas escolas de samba (a Unidos da Vila Maria, em SP, e a Porto da Pedra, no RJ) retrataram o Japão no Carnaval. O que o senhor acha destes desfiles? Qual a importância deles para a comunidade nipônica no Brasil?
R.: Da minha perspectiva, a apropriação do tema por duas escolas de samba só se explica por conta do marketing em torno disso, a tal comemoração em torno dos 100 anos da imigração e o dinheiro que isso pode gerar. Claro que contribui para essa visão o fato de eu ter ojeriza pelo Carnaval, ainda que veja nele a plena expressão de um modo de ser "nosso" - para o bem e para o mal. Veja que o simples fato de eu dizer “nosso” já levantaria, por parte de muita gente, uma série de manifestações indignadas, primeiro por eu não gostar de Carnaval – o que confirmaria minha condição alienígena; segundo, por tomar como “meu” algo que os nacionais (como se eu não tivesse essa condição também) desejam exclusivamente para eles. A expressão “tem japonês no samba”, apesar de preconceituosa aos olhos de hoje, ainda diz muito do que muitos pensam a respeito dos nipo-brasileiros. Sinceramente, não vejo nisso nenhuma importância para a dita comunidade nipônica, a não ser fomentar a farsa ilusória de nossa "integração", que nunca – e friso o “nunca” – será plena, é bom reiterar.
P.: Como é a vida dos descendentes? No que difere dos brasileiros "comuns"?
R.: A pergunta, em si, já diz muito, embora eu saiba não ter sido sua intenção fomentar a desavença. Salvo os casos mais peculiares, não me parece haver grandes diferenças. No meu caso em particular, a única coisa que permanece é o hábito de comer arroz feito à moda japonesa – sem óleo nem sal. Me parece, contudo, que a garotada mais nova está voltando a assumir determinados hábitos, mas do Japão moderno, em função dos mangas e dos animes. Isso tem a ver com o fenômeno já velho da globalização, cujos efeitos deletérios ainda não foram totalmente sentidos por nós. Aqui em São Paulo, pelo menos, não vejo diferenças significativas, embora eu saiba haver comunidades no interior do estado que pautam sua vida em manter os costumes tradicionais do Japão, coisa que nem os próprios japoneses de lá mais sabem do que se trata.
P.: Houve alguma discriminação por ser japonês?
R.: Sempre, embora de maneira velada na maior parte das vezes. O que não torna a discriminação menos odiosa, pelo contrário. Veja que só o ato de chamar alguém de "japonês" (como escrevi numa daquelas crônicas no site da Abril) já é, em si, uma forma de discriminação. O que você diria se alguém chegasse numa roda de pessoas e chamasse o rapaz mais moreno de "ô, africano", ou coisa similar? Pois é assim que eu encaro o problema. Muitos dizem que é exagero de minha parte, ao que sempre respondo que, no começo, Hitler era só um sujeito mais excêntrico do que os demais. As desgraças da humanidade nunca começam de uma só vez. E acho hipocrisia os descendentes dizerem, como disseram em algumas reportagens recentemente veiculadas, que não sofreram discriminação ou que levam tudo na brincadeira. Com esse tipo de comportamento não se deveria brincar muito menos relevar.
P.: Em um dos seus textos no site da Abril, o senhor diz que "nunca serei considerado brasileiro - está na cara. Mas também não sou nem nunca serei japonês - e isto está no coração". Eu gostaria que o senhor explorasse essa realidade, que não é exclusividade sua (outros entrevistados meus disseram algo bem parecido!). Como é, então, se sentir assim, meio sem nacionalidade definida? Há coisas boas nesse sentido? R.: Se o mundo fosse um lugar menos injusto, talvez o fato de não pertencer a lugar algum fosse de fato uma vantagem. Mas não é, e cada vez mais parece que as coisas caminham para o aumento dos nacionalismos, dos extremismos, do ódio étnico e tribal. Curioso é que essa "sensação" não ocorre com os demais membros do caldo étnico-cultural brasileiro, não sei se você já reparou nisso. Um negro ou um branco sentem-se perfeitamente "brasileiros", e ninguém contesta a legitimidade disso. Agora, um oriental (e não me refiro aos árabes ou indianos, embora mesmo eles possam ser discriminados, e são), pelas características físicas, está sempre fadado a ser visto como estrangeiro. O fato de eu não saber o idioma japonês, por outro lado, me faria ser discriminado no Japão também, onde eu seria categorizado como "fracassado". Como declarei no texto citado por você, minha dedicação está voltada ao Brasil, pela perspectiva de um olhar crítico sobre nossa sociedade, o que talvez me dê uma visada menos usual, que mestres como Roberto Schwarz (austríaco) e Anatol Rosenfeld (alemão) tiveram a respeito do mesmo assunto. Claro que a comparação é descabida, pela desproporção intelectual entre mim e eles, mas serve como indicação a respeito do que estou tentando dizer. Não faz muito tempo, falei com um conhecido, Jiro Takahashi, a respeito da ausência do assunto "japonês" em meus poemas. Na verdade, foi falta de percepção de minha parte, porque esse assunto sempre esteve ali, e só depois dessa conversa é que me dei conta disso. No caso, sob a forma de textos que sempre falavam do divórcio entre o sujeito e o mundo onde ele vive. Nada mais nipônico do que isso: o sujeito que se isola – e o Japão é uma ilha. Tudo temperado pela experiência do convívio – nem sempre pacífico – com o diferente (e nada mais "brasileiro", no mesmo sentido). Em suma, o deslocamento/descolamento permite enxergar com muita propriedade as contradições irresolvíveis de nossa formação social, mas, ao mesmo tempo, faz com que esse olhar seja o tempo deslegitimado por conta de minha condição “estrangeira”. Isso também diz muito de nosso tempo, em que os nacionalismos temperados por visões fascistóides ou pseudo-socialistas pululam aqui e acolá, esfacelando a suposta integração que a internet e as bolsas de valores trariam, como vaticinaram os ideólogos do neoliberalismo. Aqui no Brasil, como tentei demonstrar, não tem sido muito diferente, e não é essa conversa a respeito do “mútuo respeito” entre os japoneses e os brasileiros que vai mudar minha avaliação. A esse respeito, aliás, li uma carta enviada pelo leitor de uma importante revista semanal, na qual ele reclamava da “falta de agradecimento” da comunidade nipo-brasileira por conta de matéria publicada em “homenagem” aos 100 anos da imigração e à contribuição dos japoneses na vida cultural brasileira. Afinal, disse o leitor, “não me lembro da revista ter feito o mesmo em relação às comunidades italiana, portuguesa etc.” Me perdoe a expressão, mas isso é o primor da grossura e do preconceito embutido sob a forma de civilidade. Civilidade essa que o tal leitor cobra de pessoas que foram vistas, até o início da década de 1950, como “incapazes”, “imprestáveis”, “nocivos à sociedade” e por aí vai. Então, ou se trata de desconhecimento histórico (o que nem por isso redime o leitor de sua grosseria) ou é canalhice mesmo. Acho que são as duas coisas.
Pergunta: Qual parente seu veio diretamente do Japão? Como ele relata esta experiência?
R.: Meus avós, tanto os paternos quanto os maternos, vieram do Japão. Infelizmente, todos já faleceram. Os relatos que ficaram, sujeitos evidentemente às distorções de memória e acidentes de percurso, não diferem dos demais depoimentos de outros imigrantes. Falam dos tempos difíceis de adaptação à alimentação, clima, costumes e idioma. Meu avô paterno teria sido um dos fundadores da cidade de Assaí-PR, e lá ele teria sido uma espécie de micro-empresário na época, com fábricas de sorvete e refrigerantes (em épocas distintas). A repressão surgida principalmente durante a 2ª. Guerra parece ter sido mais intensa na região interiorana do Brasil, pelo que pude ouvir quando era criança. Aqui em São Paulo, onde minha mãe nasceu, ela teria sido um pouco menos explícita – uma de minhas tias casou-se com um descendente de alemães, e isso no final dos anos de 1950, quando esse comportamento não era dos mais aceitos entre os nipo-brasileiros.
P.: Como foi a adaptação do imigrante?
R.: Conforme disse antes, teria sido difícil. Não bastasse a má vontade das autoridades locais em relação aos japoneses, as diferenças eram enormes em relação a todos os aspectos da vida social. Ainda hoje, de certo modo, essas particularidades permanecem.
P.: Neste ano de 2008, duas escolas de samba (a Unidos da Vila Maria, em SP, e a Porto da Pedra, no RJ) retrataram o Japão no Carnaval. O que o senhor acha destes desfiles? Qual a importância deles para a comunidade nipônica no Brasil?
R.: Da minha perspectiva, a apropriação do tema por duas escolas de samba só se explica por conta do marketing em torno disso, a tal comemoração em torno dos 100 anos da imigração e o dinheiro que isso pode gerar. Claro que contribui para essa visão o fato de eu ter ojeriza pelo Carnaval, ainda que veja nele a plena expressão de um modo de ser "nosso" - para o bem e para o mal. Veja que o simples fato de eu dizer “nosso” já levantaria, por parte de muita gente, uma série de manifestações indignadas, primeiro por eu não gostar de Carnaval – o que confirmaria minha condição alienígena; segundo, por tomar como “meu” algo que os nacionais (como se eu não tivesse essa condição também) desejam exclusivamente para eles. A expressão “tem japonês no samba”, apesar de preconceituosa aos olhos de hoje, ainda diz muito do que muitos pensam a respeito dos nipo-brasileiros. Sinceramente, não vejo nisso nenhuma importância para a dita comunidade nipônica, a não ser fomentar a farsa ilusória de nossa "integração", que nunca – e friso o “nunca” – será plena, é bom reiterar.
P.: Como é a vida dos descendentes? No que difere dos brasileiros "comuns"?
R.: A pergunta, em si, já diz muito, embora eu saiba não ter sido sua intenção fomentar a desavença. Salvo os casos mais peculiares, não me parece haver grandes diferenças. No meu caso em particular, a única coisa que permanece é o hábito de comer arroz feito à moda japonesa – sem óleo nem sal. Me parece, contudo, que a garotada mais nova está voltando a assumir determinados hábitos, mas do Japão moderno, em função dos mangas e dos animes. Isso tem a ver com o fenômeno já velho da globalização, cujos efeitos deletérios ainda não foram totalmente sentidos por nós. Aqui em São Paulo, pelo menos, não vejo diferenças significativas, embora eu saiba haver comunidades no interior do estado que pautam sua vida em manter os costumes tradicionais do Japão, coisa que nem os próprios japoneses de lá mais sabem do que se trata.
P.: Houve alguma discriminação por ser japonês?
R.: Sempre, embora de maneira velada na maior parte das vezes. O que não torna a discriminação menos odiosa, pelo contrário. Veja que só o ato de chamar alguém de "japonês" (como escrevi numa daquelas crônicas no site da Abril) já é, em si, uma forma de discriminação. O que você diria se alguém chegasse numa roda de pessoas e chamasse o rapaz mais moreno de "ô, africano", ou coisa similar? Pois é assim que eu encaro o problema. Muitos dizem que é exagero de minha parte, ao que sempre respondo que, no começo, Hitler era só um sujeito mais excêntrico do que os demais. As desgraças da humanidade nunca começam de uma só vez. E acho hipocrisia os descendentes dizerem, como disseram em algumas reportagens recentemente veiculadas, que não sofreram discriminação ou que levam tudo na brincadeira. Com esse tipo de comportamento não se deveria brincar muito menos relevar.
P.: Em um dos seus textos no site da Abril, o senhor diz que "nunca serei considerado brasileiro - está na cara. Mas também não sou nem nunca serei japonês - e isto está no coração". Eu gostaria que o senhor explorasse essa realidade, que não é exclusividade sua (outros entrevistados meus disseram algo bem parecido!). Como é, então, se sentir assim, meio sem nacionalidade definida? Há coisas boas nesse sentido? R.: Se o mundo fosse um lugar menos injusto, talvez o fato de não pertencer a lugar algum fosse de fato uma vantagem. Mas não é, e cada vez mais parece que as coisas caminham para o aumento dos nacionalismos, dos extremismos, do ódio étnico e tribal. Curioso é que essa "sensação" não ocorre com os demais membros do caldo étnico-cultural brasileiro, não sei se você já reparou nisso. Um negro ou um branco sentem-se perfeitamente "brasileiros", e ninguém contesta a legitimidade disso. Agora, um oriental (e não me refiro aos árabes ou indianos, embora mesmo eles possam ser discriminados, e são), pelas características físicas, está sempre fadado a ser visto como estrangeiro. O fato de eu não saber o idioma japonês, por outro lado, me faria ser discriminado no Japão também, onde eu seria categorizado como "fracassado". Como declarei no texto citado por você, minha dedicação está voltada ao Brasil, pela perspectiva de um olhar crítico sobre nossa sociedade, o que talvez me dê uma visada menos usual, que mestres como Roberto Schwarz (austríaco) e Anatol Rosenfeld (alemão) tiveram a respeito do mesmo assunto. Claro que a comparação é descabida, pela desproporção intelectual entre mim e eles, mas serve como indicação a respeito do que estou tentando dizer. Não faz muito tempo, falei com um conhecido, Jiro Takahashi, a respeito da ausência do assunto "japonês" em meus poemas. Na verdade, foi falta de percepção de minha parte, porque esse assunto sempre esteve ali, e só depois dessa conversa é que me dei conta disso. No caso, sob a forma de textos que sempre falavam do divórcio entre o sujeito e o mundo onde ele vive. Nada mais nipônico do que isso: o sujeito que se isola – e o Japão é uma ilha. Tudo temperado pela experiência do convívio – nem sempre pacífico – com o diferente (e nada mais "brasileiro", no mesmo sentido). Em suma, o deslocamento/descolamento permite enxergar com muita propriedade as contradições irresolvíveis de nossa formação social, mas, ao mesmo tempo, faz com que esse olhar seja o tempo deslegitimado por conta de minha condição “estrangeira”. Isso também diz muito de nosso tempo, em que os nacionalismos temperados por visões fascistóides ou pseudo-socialistas pululam aqui e acolá, esfacelando a suposta integração que a internet e as bolsas de valores trariam, como vaticinaram os ideólogos do neoliberalismo. Aqui no Brasil, como tentei demonstrar, não tem sido muito diferente, e não é essa conversa a respeito do “mútuo respeito” entre os japoneses e os brasileiros que vai mudar minha avaliação. A esse respeito, aliás, li uma carta enviada pelo leitor de uma importante revista semanal, na qual ele reclamava da “falta de agradecimento” da comunidade nipo-brasileira por conta de matéria publicada em “homenagem” aos 100 anos da imigração e à contribuição dos japoneses na vida cultural brasileira. Afinal, disse o leitor, “não me lembro da revista ter feito o mesmo em relação às comunidades italiana, portuguesa etc.” Me perdoe a expressão, mas isso é o primor da grossura e do preconceito embutido sob a forma de civilidade. Civilidade essa que o tal leitor cobra de pessoas que foram vistas, até o início da década de 1950, como “incapazes”, “imprestáveis”, “nocivos à sociedade” e por aí vai. Então, ou se trata de desconhecimento histórico (o que nem por isso redime o leitor de sua grosseria) ou é canalhice mesmo. Acho que são as duas coisas.
21 de junho de 2008
Cansaço
Sumi, não? Nessa labuta para pagar contas e saldar dívidas impagáveis, acabei excedendo todos o limites do bom-senso e peguei todos os trabalhos que atravessaram meu caminho. Insanidade total. Claro que até agora não recebi um tostão. É sempre assim: para cobrar a entrega do material todo mundo é rápido; para pagar o que nos devem, pra que tanta pressa? E ainda tenho de ver gente dizendo que o marxismo está superado.
Sabem aquela notícia boa que eu dizia que talvez pudesse dar? Pois então: não vai ser dessa vez. No fundo de meus intestinos eu já imaginava isso, mas vocês sabem que ninguém resiste a uma ilusãozinha no fim do poço, não é mesmo?
A quem gosta de mim: acabou de sair um número da Biblioteca Entrelivros que trata de Machado de Assis. Este que vos escreve contribuiu com um artigo chinfrim, lá no final da revista, que é quando todo mundo já está de saco cheio e nem presta mais atenção ao amontoado de asneiras impressas ali. Mas tem coisa boa na publicação, à venda nas boas bancas de jornal deste país. Comprem e divulguem.
Sabem aquela notícia boa que eu dizia que talvez pudesse dar? Pois então: não vai ser dessa vez. No fundo de meus intestinos eu já imaginava isso, mas vocês sabem que ninguém resiste a uma ilusãozinha no fim do poço, não é mesmo?
A quem gosta de mim: acabou de sair um número da Biblioteca Entrelivros que trata de Machado de Assis. Este que vos escreve contribuiu com um artigo chinfrim, lá no final da revista, que é quando todo mundo já está de saco cheio e nem presta mais atenção ao amontoado de asneiras impressas ali. Mas tem coisa boa na publicação, à venda nas boas bancas de jornal deste país. Comprem e divulguem.
13 de junho de 2008
4 de junho de 2008
Rápido!
Atulhado de trabalho. Outra vez: se a relação entre a quantidade de coisas a fazer e a remuneração correspondente fosse direta, eu estaria vivendo em Paris, flanando por uns trinta anos. Mas a coisa é inversamente proporcional: quanto mais se trabalha, menos se ganha. A não ser que você seja o dono do negócio. Mas o melhor de tudo mesmo é virar político profissional. O problema é que não tenho estômago pra isso. Muito menos tenho vocação para calhorda. Até tento, mas jamais chegarei ao nível de quem já rodou por praças e roeu nervos pelas calçadas da Vila Madalena.
1 de junho de 2008
Ah...
Alguns dias de frio, o que trouxe - por breves instantes - a ilusão de que isto aqui (ô,ô) poderia chegar perto de ser um país civilizado. Ainda bem que as imagens de Lula e seus comparsas sempre desfazem qualquer vã esperança nesse sentido. Esta semana promete. Horrores, como não poderia deixar de ser. Peguei um trabalho meio chato, mas que vai pagar até que bem. Como desgraça nunca vem sozinha, recebi uma ligação dizendo que um outro livro, que eu havia revisado faz mais de um mês, voltou para a segunda prova e, agora, eu teria de pegar essa segunda parte. E entregar em duas semanas. Simples assim. Quer dizer: além de ter de ficar mendigando o pagamento de meus serviços naquela editora caloteira, é só descolar um outro trabalho que tudo o que não veio quando deveria ter vindo acaba chegando de uma só vez. Alegria de pobre é assim mesmo.
As boas notícias continuam em compasso de espera. Como existe um ditado que diz que "coisa ruim vem a galope" (ditado, claro, do tempo em que o cavalo era o meio de transporte mais veloz), espero que a lentidão seja sinônimo de coisas positivas. Não é, nem será, mas não custa nada se iludir nem que seja um pouquinho...
As boas notícias continuam em compasso de espera. Como existe um ditado que diz que "coisa ruim vem a galope" (ditado, claro, do tempo em que o cavalo era o meio de transporte mais veloz), espero que a lentidão seja sinônimo de coisas positivas. Não é, nem será, mas não custa nada se iludir nem que seja um pouquinho...
24 de maio de 2008
Pausa
Pagaram? Não - mas isso já era esperado. A pergunta que fica é óbvia: como é que um país onde essas coisas viraram prática normal pode almejar ser alguma coisa além da m... que sempre foi? Bom, a partir do momento em que todo tipo de rapinagem é perpetrada e incentivada por aqueles que supostamente deviam zelar pela coisa pública, só se pode mesmo esperar a roubalheira generalizada. Já falei: vou pedir asilo político no Canadá. (Sim, ou vocês achavam que eu fosse fazer isso na Venezuela?)
21 de maio de 2008
Urgências urgentes
Preciso escrever um texto, qualquer coisa que me faça lembrar que sou um ser pensante (pelo menos acho que sou - hehehe!). Não prometo, mas semana que vem, quem sabe, algo mude. Ou se mude. Como otimismo nunca foi minha praia - aliás, praia nunca foi minha praia também -, só acreditarei quando receber a notícia oficial. Aguardemos. Sentados, que é pra não cansar muito.
19 de maio de 2008
Mas...
Pensando melhor, não tem nada mais mesmo. A não ser que vocês considerem a pindaíba um estado de espírito, o que me colocaria, então, num estado de experiência mística, próxima da epifania. Isso, claro, se eu acreditasse nessas coisas. Para mim, a epifania nada mais é que um delírio causado pela fome, pela sede ou por uma disenteria das bravas.
16 de maio de 2008
Está ruim, mas vai piorar...
Quando nada vai bem é aí que pode ficar ainda pior.
Não se trata de um lamento, de algo que lembre um recurso usado por certos escritores de quinta que se proclamam perseguidos e/ou invejados. Conheço uns dois assim, e são tipinhos desprezíveis. Não vale a pena imitar coisa tão baixa. Mas, tirando certos membros da classe política e os espertalhões de sempre, quem pode, com o máximo de honestidade possível, dizer que as coisas vão bem? Será possível que ninguém ainda se deu conta do que esse cenário meio cor-de-rosa está armando pra daqui a pouco? Pelo visto, não. Enquanto isso, vamos todos alegremente trotando, mascando uma grama aqui, outra acolá, e participando daquele famoso acordo no qual nós entramos com a bunda e "eles" entram com o bico da chuteira... Que país este nosso!
Não se trata de um lamento, de algo que lembre um recurso usado por certos escritores de quinta que se proclamam perseguidos e/ou invejados. Conheço uns dois assim, e são tipinhos desprezíveis. Não vale a pena imitar coisa tão baixa. Mas, tirando certos membros da classe política e os espertalhões de sempre, quem pode, com o máximo de honestidade possível, dizer que as coisas vão bem? Será possível que ninguém ainda se deu conta do que esse cenário meio cor-de-rosa está armando pra daqui a pouco? Pelo visto, não. Enquanto isso, vamos todos alegremente trotando, mascando uma grama aqui, outra acolá, e participando daquele famoso acordo no qual nós entramos com a bunda e "eles" entram com o bico da chuteira... Que país este nosso!
14 de maio de 2008
Isso sim é novidade!
Dia em que tudo, mas tudo deu errado. Pelo menos aquilo que eu queria que desse certo. O resto não importa. Ou importa pouco. Não, corrijo-me; não importa nada mesmo.
13 de maio de 2008
Pois é!
Sinceramente, se eu ganhasse um centavo para cada atitude fdp de alguém de minhas relações, estaria milionário. (Adendo: "minhas relações" nem de longe significa que a figura seja minha amiga.)
Prometeram que me pagariam neste próximo dia 15. Duvido. Com sorte, a merreca cai em minha lá pelo dia 20. Só gostaria de saber quem vai cobrir os juros dos pagamentos atrasados....
Nem tudo são espinhos: revi a doce Katia, soube que a Amanda está trabalhando pertinho de mim, reencontrei duas ex-alunas e sempre amigas queridíssimas - Kuka e Ana Paula. Assim até posso acreditar que vale a pena viver...
Prometeram que me pagariam neste próximo dia 15. Duvido. Com sorte, a merreca cai em minha lá pelo dia 20. Só gostaria de saber quem vai cobrir os juros dos pagamentos atrasados....
Nem tudo são espinhos: revi a doce Katia, soube que a Amanda está trabalhando pertinho de mim, reencontrei duas ex-alunas e sempre amigas queridíssimas - Kuka e Ana Paula. Assim até posso acreditar que vale a pena viver...
12 de maio de 2008
Ninguém tem nada a ver com isso, mas...
Vocês me desculpem o sumiço: pra variar, estava tentando salvar minha conta bancária do protesto. Não consegui, mas espero que os próximos dias me tragam boas novidades, ou ao menos um pequeno alívio.
Estou com trabalho até o tampo, como se dizia antigamente: revisões e mais revisões. Aula mesmo, só aquela merrequinha que sobrou. Bom pra não perder a prática, ainda que a perspectiva de voltar a dar aulas - pelo menos nas privadas - seja um horizonte cada vez mais distante. Não é questão de dar uma de raposa que desdenha as uvas (para lembrar a fábula), mas é porque não dá mais mesmo. Dignidade nenhuma, respeito algum. E de todos os lados. Exemplo: vai você tentar dar uma aula decente e a mané ali do lado falando, falando, falando. E você fica ali, de livro na mão, esperando pra ver se a digníssima se toca. Nada. Ou seja, você tem de começar, sem cerimônia, sem pedir licença, porque, se for esperar que alguém tenha a educação de conceder a palavra ao professor (o que acontecia há não muito tempo), adeus! Como em outras plagas o cenário está ainda pior, melhor rcolher a viola e tentar trabalhar onde você ainda não virou a merda da mosca do cavalo do bandido.
Vou apresentar um trabalho na Abralic. Nada mal para um intelectual frustrado. Mas, convenhamos, melhor que escrever resenhas ruins, falando de si próprio e de seus chegados, a pretexto de comentar um lançamento qualquer. Incrível como tem escritor que não se dá conta de sua falta de jeito pra coisa. Sim, isso vale também para este que vos escreve...
Boas notícias? Talvez, mas prefiro aguardar mais um pouco pra ver no que vai dar. Além disso, é sempre bom não dar corda para os invejosos que dizem que somos invejosos.
Amanhã eu volto.
Estou com trabalho até o tampo, como se dizia antigamente: revisões e mais revisões. Aula mesmo, só aquela merrequinha que sobrou. Bom pra não perder a prática, ainda que a perspectiva de voltar a dar aulas - pelo menos nas privadas - seja um horizonte cada vez mais distante. Não é questão de dar uma de raposa que desdenha as uvas (para lembrar a fábula), mas é porque não dá mais mesmo. Dignidade nenhuma, respeito algum. E de todos os lados. Exemplo: vai você tentar dar uma aula decente e a mané ali do lado falando, falando, falando. E você fica ali, de livro na mão, esperando pra ver se a digníssima se toca. Nada. Ou seja, você tem de começar, sem cerimônia, sem pedir licença, porque, se for esperar que alguém tenha a educação de conceder a palavra ao professor (o que acontecia há não muito tempo), adeus! Como em outras plagas o cenário está ainda pior, melhor rcolher a viola e tentar trabalhar onde você ainda não virou a merda da mosca do cavalo do bandido.
Vou apresentar um trabalho na Abralic. Nada mal para um intelectual frustrado. Mas, convenhamos, melhor que escrever resenhas ruins, falando de si próprio e de seus chegados, a pretexto de comentar um lançamento qualquer. Incrível como tem escritor que não se dá conta de sua falta de jeito pra coisa. Sim, isso vale também para este que vos escreve...
Boas notícias? Talvez, mas prefiro aguardar mais um pouco pra ver no que vai dar. Além disso, é sempre bom não dar corda para os invejosos que dizem que somos invejosos.
Amanhã eu volto.
2 de maio de 2008
Ademais...
O problema dos feriados em que chove é que todo aquele povo que normalmente iria atazanar a paciência alheia junto às represas, praias e recantos do interior resolveu ficar por aqui mesmo atazando a minha paciência. Ontem, por exemplo, as filas para assistir ao filme da Hannah Montana eram espantosas. Pior é que ninguém pensou em fazer uma que fosse exclusiva para aquele monte de adolescentes histéricas (um pleonasmo, eu sei!), e a gente, que queria mesmo ver o último do Woody Allen, teve de dividir espaço e alguns cotovelos com a gentalha. Até aí, tudo bem. Depois, na saída do cinema - um bom filme, é bom que se diga -, resolvemos comer alguma coisa, mas todos os lugares estavam atulhados de gente em orgias pantagruélicas. Sobrou um lugarzinho razoável, mas meio caro, que é onde acabamos comendo. Na saída, uma fila imensa de carros disputava a rua com quem queria entrar no shopping. Enfim, quase um programa de índio, como se dizia antigamente, antes da praga do politicamente correto.
E a frase do coordenador do curso de Medicina na Federal da Bahia, heim? Não fosse ele baiano, já teria sido crucificado, esquartejado e seus membros seriam expostos em praça pública pela patrulha ideológica que assola este país. Achei a frase de um humor inteligentíssimo, até por conta da ousadia em romper com essa bobagem da correção política. Nunca antes na história deste país fomos dominados por tanta falta de humor. O que vale agora é a cultura do ressentido, que, a pretexto do "resgate histórico" da injustiça ou do casa do c..., faz com que tudo, absolutamente tudo seja proibido. Já fomos menos infelizes, e a repercussão que a frase do berimbau tomou denota a que ponto estamos chegando. Ou será que só eu estou sentindo o cheiro podre do terceiro mandato e da ditadura (enrustida) que advirá?
Em tempo: saiba da nova falcatrua que o governo federal está aprontando contra o SESC. Em resumo: trata-se de fazer esmola com o chapéu alheio. Leia o manifesto e, se for o caso, junte-se no abaixo-assinado que está na rede. Mais informações, clique aqui.
E a frase do coordenador do curso de Medicina na Federal da Bahia, heim? Não fosse ele baiano, já teria sido crucificado, esquartejado e seus membros seriam expostos em praça pública pela patrulha ideológica que assola este país. Achei a frase de um humor inteligentíssimo, até por conta da ousadia em romper com essa bobagem da correção política. Nunca antes na história deste país fomos dominados por tanta falta de humor. O que vale agora é a cultura do ressentido, que, a pretexto do "resgate histórico" da injustiça ou do casa do c..., faz com que tudo, absolutamente tudo seja proibido. Já fomos menos infelizes, e a repercussão que a frase do berimbau tomou denota a que ponto estamos chegando. Ou será que só eu estou sentindo o cheiro podre do terceiro mandato e da ditadura (enrustida) que advirá?
Em tempo: saiba da nova falcatrua que o governo federal está aprontando contra o SESC. Em resumo: trata-se de fazer esmola com o chapéu alheio. Leia o manifesto e, se for o caso, junte-se no abaixo-assinado que está na rede. Mais informações, clique aqui.
23 de abril de 2008
Para vocês verem...
Ando tão assoberbado com meus problemas que sequer notei o terremoto que abalou São Paulo ontem. Terremoto? Que terremoto? Numa cidade como a nossa, onde ir de casa ao trabalho já é uma aventura épica, quem é que está ligando para uma porcariazinha de tremor de terra? Alguém morreu? Algum edifício desabou? Uma epidemia de tifo se espalhou pela metrópole? Não, nada. Somos um povo tão bunda que sequer temos o luxo dessas desgraças em grande escala. Para nós, componentes desta geléia malcheirosa, resta a comédia do linchamento moral e físico, a demagogia com o miserê alheio, as manifestações de solidariedade de tapinhas nas costas e missas campais. Terremoto? Oras, terremoto é tentar sobreviver honestamente neste país de sanguessugas e honrados fdps.
E vocês viram o padre voador? Sinceramente, quem se mete a uma aventura estúpida dessas, sem conhecimento algum, sem um mínimo controle das condições técnicas, sem saber sequer manejar um GPS, tem mais é que cair ao mar e por ele ser tragado. Não que o mar mereça isso, mas... Deus? Onde ele estava mesmo?
Vale dizer que hoje passei mal, mas ainda não morri. Torçam bastante vocês aí.
E vocês viram o padre voador? Sinceramente, quem se mete a uma aventura estúpida dessas, sem conhecimento algum, sem um mínimo controle das condições técnicas, sem saber sequer manejar um GPS, tem mais é que cair ao mar e por ele ser tragado. Não que o mar mereça isso, mas... Deus? Onde ele estava mesmo?
Vale dizer que hoje passei mal, mas ainda não morri. Torçam bastante vocês aí.
18 de abril de 2008
Feriado? Que feriado?
Eu devia fazer aqui uma lista das coisas que não fiz, dos filmes a que não assisti, dos livros que não pude ler, das pessoas queridas que não visitei, enfim, dos pequenos prazeres que tornam a vida menos insuportável. Desisti, é óbvio, para não cair numa depressão ainda maior. Enquanto isso, la nave va...
Mas nem tudo se resume a pequenas desgraças: há as enormes, mas essas nem preciso listar, já que aparecem nas manchetes dos jornais diários. De mim, creio que finalmente cheguei a uma decisão, não sei se equivocada (mas penso que não), sobre os rumos, por assim dizer, profissionais. Vou tentar viver um pouco. Só isso. Ou tudo, vai saber.
Mas nem tudo se resume a pequenas desgraças: há as enormes, mas essas nem preciso listar, já que aparecem nas manchetes dos jornais diários. De mim, creio que finalmente cheguei a uma decisão, não sei se equivocada (mas penso que não), sobre os rumos, por assim dizer, profissionais. Vou tentar viver um pouco. Só isso. Ou tudo, vai saber.
16 de abril de 2008
8 de abril de 2008
Outra novidade desinteressante
E eu que achava que nunca iria trabalhar na editora Abril... Quem diria! Ok, não é exatamente onde eu queria (na Playboy, como fotógrafo...rsrs), mas não vou dizer que é o pior dos mundos. Mas... e agora, pra que lado da encruzilhada eu devo seguir?
2 de abril de 2008
Liquidação
À primeira motivação para a vida, o sexo, o mundo do capital criou outro, o dinheiro. E ambos nunca mais se separaram.
31 de março de 2008
Notícias do front
É assim:
- acho que vou fazer doutorado. Não sei se no semestre que vem ou em 2009. Mas vou fazer.
- mandei algumas de minhas narrativas para uma coletânea que a Marília (do Micrópolis) está organizando. Espero que o projeto se concretize.
- fiz minha inscrição para o congresso da Abralic. Agora é torcer para ser aceito.
- de quebra, muito trabalho. Grana que é bom, ainda não é o suficiente para me salvar da bancarrota, mas já ajuda a não me afogar. Por enquanto.
E teve a comemoração pelos 20 anos do "renascimento" da Editora da USP. Um encontro memorável, ainda mais com o lançamento do milésimo título, o volume Épicos da coleção "Multiclássicos". Cumprimentos ao Plínio e ao Ivan Teixeira.
- acho que vou fazer doutorado. Não sei se no semestre que vem ou em 2009. Mas vou fazer.
- mandei algumas de minhas narrativas para uma coletânea que a Marília (do Micrópolis) está organizando. Espero que o projeto se concretize.
- fiz minha inscrição para o congresso da Abralic. Agora é torcer para ser aceito.
- de quebra, muito trabalho. Grana que é bom, ainda não é o suficiente para me salvar da bancarrota, mas já ajuda a não me afogar. Por enquanto.
E teve a comemoração pelos 20 anos do "renascimento" da Editora da USP. Um encontro memorável, ainda mais com o lançamento do milésimo título, o volume Épicos da coleção "Multiclássicos". Cumprimentos ao Plínio e ao Ivan Teixeira.
25 de março de 2008
19 de março de 2008
Mais frases rápidas
- Se você acha que está ruim é porque não esperou o suficiente.
- Toda grande novidade nada mais é que o mesmo velho filme reprisado. Só mudam os efeitos especiais.
- Até gostaria de demonstrar mais compaixão, mas meu nojo supera tudo.
- O problema da juventude é que ela acha que vai durar para sempre.
- Toda grande novidade nada mais é que o mesmo velho filme reprisado. Só mudam os efeitos especiais.
- Até gostaria de demonstrar mais compaixão, mas meu nojo supera tudo.
- O problema da juventude é que ela acha que vai durar para sempre.
17 de março de 2008
Para não esquecer
Já disse isso aqui mesmo e repito: jamais, nunca, em hipótese alguma subestime a estupidez alheia.
15 de março de 2008
Para fechar a semana
Se pensamento positivo resolvesse alguma coisa, o Flamengo e o Corínthians ganhariam todos os jogos que disputassem. E se pensamento negativo fosse tão decisivo quanto dizem que é, este país já deveria ter afundado num oceano de merda. Ok, está quase, mas ainda dá pra botar o nariz pra fora e respirar de vez em quando...
12 de março de 2008
Argumento estúpido
Frase lapidar entreouvida em meio à balbúrdia:
- Pois eu, quando alguém diz que não acredita em Deus, respondo sempre "que pena, porque Ele acredita em você!"
É possível argumentar com gente que acha algum sentido nessa besteira?
Em tempo: acho engraçado dizerem que os ateus são intolerantes com quem tem fé numa divindade, quando o mais comum é o contrário. Creio que excessos há de ambos os lados, mas recuso-me a aceitar que apenas "nós" sejamos a parte intransigente da pendenga. No fundo, o problema maior nem é com o dono do armazém, mas com os intermediários...
- Pois eu, quando alguém diz que não acredita em Deus, respondo sempre "que pena, porque Ele acredita em você!"
É possível argumentar com gente que acha algum sentido nessa besteira?
Em tempo: acho engraçado dizerem que os ateus são intolerantes com quem tem fé numa divindade, quando o mais comum é o contrário. Creio que excessos há de ambos os lados, mas recuso-me a aceitar que apenas "nós" sejamos a parte intransigente da pendenga. No fundo, o problema maior nem é com o dono do armazém, mas com os intermediários...
11 de março de 2008
Restos
... Mas a verdade (supondo que ela exista) é que me cansei desta vida. E duvido que alguém me convença de que algo ainda valha a pena de ver o sol nascer a cada dia, e a cada dia você se dar conta que as portas mais e mais se fecham.
5 de março de 2008
29 de fevereiro de 2008
O que não foi
(para MC, G e, principalmente, JM)
Certos amores só são eternos porque nunca se concretizaram.
O que ela e eu poderíamos ter sido talvez fosse apenas algumas horas na cama, quem sabe um cinema e um jantar, e o desprezo mútuo do instante depois. Melhor assim, cada qual com a lembrança do que nunca foi, das mãos que nunca se tocaram, dos corpos que nunca se conheceram, dos lábios que nunca se beijaram. Melhor apenas uma fotografia que ficou, com sorrisos que jamais se apagarão, memória daquilo que não viveremos em época alguma, mas que foi bom, assim, simplesmente.
Certos amores só são eternos porque nunca se concretizaram.
O que ela e eu poderíamos ter sido talvez fosse apenas algumas horas na cama, quem sabe um cinema e um jantar, e o desprezo mútuo do instante depois. Melhor assim, cada qual com a lembrança do que nunca foi, das mãos que nunca se tocaram, dos corpos que nunca se conheceram, dos lábios que nunca se beijaram. Melhor apenas uma fotografia que ficou, com sorrisos que jamais se apagarão, memória daquilo que não viveremos em época alguma, mas que foi bom, assim, simplesmente.
28 de fevereiro de 2008
Dos tempos que nunca foram
O regime de escravidão nunca deixou de existir. Somente mudou de forma, mas a essência permanece a mesma.
22 de fevereiro de 2008
De ilusão também se vive
Diálogo real entre mim e um rapaz que me parou na rua:
- Oi, tio, pode me ajudar com um real?
- Pra começo de conversa, tio é a puta que te pariu. E pra que você quer um real?
- Não tá vendo? Entrei na faculdade!
De fato, eu havia visto. Cabelos picotados, pintados de roxo, amarelo, azul e fúcsia. Sem camisa. Um pouco mais e pareceria destaque de escola de samba. Espinhas no rosto, para completar o estereótipo.
- E qual o motivo de tanta alegria?, perguntei, olhando em torno e vendo a garotada esbanjando felicidade e hormônios por todos os poros.
-Ué, entramos na faculdade, tio! Entramos!
-Tá, você já disse isso. Mas eu pergunto de novo: e essa festa toda, é a propósito de quê?
Ele me olhou incrédulo. Olharia mais, se tivesse noção do que significa "incrédulo", mas não era o caso. Voltei a dizer:
- Vamos fazer o seguinte: se você me convencer que essa alegria toda tem razão de ser, te dou dez reais, pode ser?
O rapaz forçou os neurônios calculando quantas cervejas isso daria.
-Tá, concordou, emendando a seguir: então, entrar na faculdade é uma realização de vida, não é?
-Por quê?
-Ah, vou ter uma profissão, ganhar dinheiro, fortuna, essas coisas...
-Com a faculdade?
-É.
-E em qual faculdade você entrou.
E ele me disse o nome da instituição. Uma dessas "uni-qualquer coisa". Talvez nem isso.
-Sei, Você vai ficar dois, três anos pagando todo mês pra sair com uma profissão?
-É, mais ou menos.
-Como assim?
-Não, depois tem que batalhar pra arrumar o emprego, a concorrência tá brava, mas eu sei que vou ter condições de estar mostrando todo meu potencial mais pra frente.
-Quando?
-Durante a faculdade, no estágio, não sei.
-Então deixa eu ver se entendi. Você vai fazer um curso, pagar caro por ele, não ter garantia alguma que isso vai trazer alguma vantagem real em sua vida, mas acredita que isso vai te dar uma chance maior de "vencer na vida", é isso?
Ele balançou a cabeça colorida, não sei se concordando ou por mero reflexo.
-Daí você acredita que, neste mundo em que vivemos, as oportunidades aparecem para aqueles que se esforçam mais, ou são mais espertos, ou mais inteligentes, ou mais alguma coisa? Então deixa eu te dizer uma coisinha: este mundo só dá alguma coisa se receber algo em troca, e não é pouca coisa. Você vai ter de dar seu tempo, seu fiapo de algo que você imagina ser felicidade, sua dignidade e, se perigar, até mesmo sua bunda. Isso pra não passar fome. Se quiser tudo o que você está imaginando pra você, nem precisa fazer faculdade. Seja só um filho da puta, mas daqueles bons, capazes de fuder a mãe se precisar. Venda-se. A indecência é um princípio básico para a sobrevivência.
Continuei:
-Eu não sei de onde vocês tiraram essa idéia de que entrar na faculdade é motivo de alegria. Ok, você entrou. E o que vai fazer disso? Pendurar na parede? No pescoço? Digamos que você consiga terminar o curso sem entrar na lista de inadimplentes. E depois? Vai virar empregado? Vai abrir uma empresa? Qual vai ser sua opção? Ser fodido ou foder o outro? Não importa, já que você vai desenvolver uma úlcera, talvez um câncer, vai casar com uma mulher linda que logo vai virar uma baranga chata, depois vai ser chifrado e vai chifrar, vai gastar uma grana com prostitutas até ficar impotente por causa da próstata. Aí você vai poder parar e dizer: "Minha vida é um sucesso!"
O bom dessa história toda é que gastei os tais dez reais comprando uma tapioca na barraquinha da esquina. Não, não tenho cartão corporativo. Nem eu consigo ser tão f.d.p assim...
- Oi, tio, pode me ajudar com um real?
- Pra começo de conversa, tio é a puta que te pariu. E pra que você quer um real?
- Não tá vendo? Entrei na faculdade!
De fato, eu havia visto. Cabelos picotados, pintados de roxo, amarelo, azul e fúcsia. Sem camisa. Um pouco mais e pareceria destaque de escola de samba. Espinhas no rosto, para completar o estereótipo.
- E qual o motivo de tanta alegria?, perguntei, olhando em torno e vendo a garotada esbanjando felicidade e hormônios por todos os poros.
-Ué, entramos na faculdade, tio! Entramos!
-Tá, você já disse isso. Mas eu pergunto de novo: e essa festa toda, é a propósito de quê?
Ele me olhou incrédulo. Olharia mais, se tivesse noção do que significa "incrédulo", mas não era o caso. Voltei a dizer:
- Vamos fazer o seguinte: se você me convencer que essa alegria toda tem razão de ser, te dou dez reais, pode ser?
O rapaz forçou os neurônios calculando quantas cervejas isso daria.
-Tá, concordou, emendando a seguir: então, entrar na faculdade é uma realização de vida, não é?
-Por quê?
-Ah, vou ter uma profissão, ganhar dinheiro, fortuna, essas coisas...
-Com a faculdade?
-É.
-E em qual faculdade você entrou.
E ele me disse o nome da instituição. Uma dessas "uni-qualquer coisa". Talvez nem isso.
-Sei, Você vai ficar dois, três anos pagando todo mês pra sair com uma profissão?
-É, mais ou menos.
-Como assim?
-Não, depois tem que batalhar pra arrumar o emprego, a concorrência tá brava, mas eu sei que vou ter condições de estar mostrando todo meu potencial mais pra frente.
-Quando?
-Durante a faculdade, no estágio, não sei.
-Então deixa eu ver se entendi. Você vai fazer um curso, pagar caro por ele, não ter garantia alguma que isso vai trazer alguma vantagem real em sua vida, mas acredita que isso vai te dar uma chance maior de "vencer na vida", é isso?
Ele balançou a cabeça colorida, não sei se concordando ou por mero reflexo.
-Daí você acredita que, neste mundo em que vivemos, as oportunidades aparecem para aqueles que se esforçam mais, ou são mais espertos, ou mais inteligentes, ou mais alguma coisa? Então deixa eu te dizer uma coisinha: este mundo só dá alguma coisa se receber algo em troca, e não é pouca coisa. Você vai ter de dar seu tempo, seu fiapo de algo que você imagina ser felicidade, sua dignidade e, se perigar, até mesmo sua bunda. Isso pra não passar fome. Se quiser tudo o que você está imaginando pra você, nem precisa fazer faculdade. Seja só um filho da puta, mas daqueles bons, capazes de fuder a mãe se precisar. Venda-se. A indecência é um princípio básico para a sobrevivência.
Continuei:
-Eu não sei de onde vocês tiraram essa idéia de que entrar na faculdade é motivo de alegria. Ok, você entrou. E o que vai fazer disso? Pendurar na parede? No pescoço? Digamos que você consiga terminar o curso sem entrar na lista de inadimplentes. E depois? Vai virar empregado? Vai abrir uma empresa? Qual vai ser sua opção? Ser fodido ou foder o outro? Não importa, já que você vai desenvolver uma úlcera, talvez um câncer, vai casar com uma mulher linda que logo vai virar uma baranga chata, depois vai ser chifrado e vai chifrar, vai gastar uma grana com prostitutas até ficar impotente por causa da próstata. Aí você vai poder parar e dizer: "Minha vida é um sucesso!"
O bom dessa história toda é que gastei os tais dez reais comprando uma tapioca na barraquinha da esquina. Não, não tenho cartão corporativo. Nem eu consigo ser tão f.d.p assim...
18 de fevereiro de 2008
Mas...
... o fato é que não estou encontrando tempo nem para engolir a saliva (sim, porque sou uma pessoa muito fina e não saio por aí cuspindo).
12 de fevereiro de 2008
Novidades antigas
Para quem ainda se interessa pelo que eu escrevo, foram publicados alguns textos meus no site da CULT (link ao lado, please!). Um a respeito de MPB, na verdade um esboço de artigo pseudo-acadêmico sobre os paralelos entre os últimos 50 anos de História do Brasil e os (des)caminhos da música popular brasileira. O outro está no Blog da Redação: uma resenha minúscula sobre um livro que trata de livros. Boa leitura!
Para não deixar a peteca cair
Se pareceu a alguém que no post anterior eu fui tomado por alguma espécie de vírus de otimismo, esqueçam. Sinceramente mesmo, não acho que vá melhorar coisa alguma. Acho que escrevi aquilo sob a influência do cachorro-quente que comi numa lanchonete infecta no metrô Barra Funda... Vou ali tomar um sal de frutas e já volto.
10 de fevereiro de 2008
Assim caminha a humanidade
Pois é, não voltei no dia seguinte. Nem no outro. Uma correria que não acaba, nem sei a troco de quê. Novidades? Por ora, nenhuma.
Ou, por outra: não precisarei mais ver a triste figura do insidioso. O mais insano é que o menino me mandou um e-mail felicitando-me por meu aniversário. Curioso. Para quem não cansava de dizer que todos nós - inclusive eu - éramos invejosos em relação à juventude dele aliada ao título de doutor tão arduamente conquistado, espanta o maluco fazer questão de ser notado por mim. É caso de tarja preta mesmo.
E olhem: se for mesmo verdade que o MEC vai tirar os representantes das instituições particulares do Conselho Federal de Educação (ou coisa que o valha), finalmente poderemos comemorar alguma coisa positiva neste país. Já estava mais do que na hora de dar um basta à influência nefasta das pseudo-universidades nos rumos do ensino (supostamente) superior. Do jeito que a coisa ia, era melhor fechar tudo e começar de novo, do zero. Quer dizer, não que não seja necessário agora, mas quem sabe se, desta vez a coisa não caminha para um rumo menos pior. É esperar para ver.
Ou, por outra: não precisarei mais ver a triste figura do insidioso. O mais insano é que o menino me mandou um e-mail felicitando-me por meu aniversário. Curioso. Para quem não cansava de dizer que todos nós - inclusive eu - éramos invejosos em relação à juventude dele aliada ao título de doutor tão arduamente conquistado, espanta o maluco fazer questão de ser notado por mim. É caso de tarja preta mesmo.
E olhem: se for mesmo verdade que o MEC vai tirar os representantes das instituições particulares do Conselho Federal de Educação (ou coisa que o valha), finalmente poderemos comemorar alguma coisa positiva neste país. Já estava mais do que na hora de dar um basta à influência nefasta das pseudo-universidades nos rumos do ensino (supostamente) superior. Do jeito que a coisa ia, era melhor fechar tudo e começar de novo, do zero. Quer dizer, não que não seja necessário agora, mas quem sabe se, desta vez a coisa não caminha para um rumo menos pior. É esperar para ver.
28 de janeiro de 2008
Comentários matutinos
O feriado esticado foi bom, num certo sentido. Claro, poderia ter trabalhado dia 25, se eu quisesse, mas não quis. Não direi que estou numa maré de tranqüilidade, que isso seria falsear ainda mais minha existência, mas não direi que o cenário é de desespero total. Pelo menos ainda não.
Não fui ao cinema, contudo. Também deixei para começar aquele livro em outro dia. Não experimentei aquele prato sobre o qual todos comentam, naquele restaurante de que todo mundo fala. Nada disso. Recolhi-me em casa, fiquei lendo revistas e jornais, revendo DVDs de algumas séries de TV favoritas, pensando em coisa alguma. Às vezes precisamos disso para não cairmos na loucura e não sairmos por aí dando tiros e desferindo golpes de porrete nas pessoas. Não que eu, algum dia, faça isso - embora até dê vontade, mas em alvos bem específicos. Mas é sempre bom se isolar um instante para que a sandice da mundo não nos contamine ainda mais.
Amanhã volto com o humor de sempre.
Não fui ao cinema, contudo. Também deixei para começar aquele livro em outro dia. Não experimentei aquele prato sobre o qual todos comentam, naquele restaurante de que todo mundo fala. Nada disso. Recolhi-me em casa, fiquei lendo revistas e jornais, revendo DVDs de algumas séries de TV favoritas, pensando em coisa alguma. Às vezes precisamos disso para não cairmos na loucura e não sairmos por aí dando tiros e desferindo golpes de porrete nas pessoas. Não que eu, algum dia, faça isso - embora até dê vontade, mas em alvos bem específicos. Mas é sempre bom se isolar um instante para que a sandice da mundo não nos contamine ainda mais.
Amanhã volto com o humor de sempre.
23 de janeiro de 2008
19 de janeiro de 2008
Ressaca...
Estive ausente. Mais até do que gostaria. Culpa das dívidas, dos trabalhos mal-remunerados, da desgraceira que é viver neste país de bosta. A vida parece começar a entrar nos eixos - o novo trabalho é legal, as pessoas são ótimas. E, salvo acidentes de percurso, a CULT continua. Só a faculdade mesmo é que parece ir pro saco. A novidade é que o insidioso não mais estará lá - mas como ele mesmo disse, "não precisa do dinheiro" - então, já foi (muito tarde). Infelizmente, uma porrada de gente continua no mesmo lugar, e eu não me refiro à faculdade...
Duas calças aprontou de novo. Modificou inteiramente um documento e, na hora da apresentação, diante das observações acerca das incongruências do mesmo, teve a desfaçatez de dizer que "é, eu também reparei nisso, mas não quis dizer nada..." Como assim, cara-pálida?
E, desfiando seus amplos conhecimentos de alemão, "decidiu" que substantivos naquele idioma são grafados com inicial minúscula, e que preposições grafam-se com inicial maiúscula. E ainda faz questão de ressaltar suas origens germânicas.
Com tanto trabalho, cadê tempo de viver?
Duas calças aprontou de novo. Modificou inteiramente um documento e, na hora da apresentação, diante das observações acerca das incongruências do mesmo, teve a desfaçatez de dizer que "é, eu também reparei nisso, mas não quis dizer nada..." Como assim, cara-pálida?
E, desfiando seus amplos conhecimentos de alemão, "decidiu" que substantivos naquele idioma são grafados com inicial minúscula, e que preposições grafam-se com inicial maiúscula. E ainda faz questão de ressaltar suas origens germânicas.
Com tanto trabalho, cadê tempo de viver?
9 de janeiro de 2008
As velhas novidades de sempre...
Nem bem começou o ano e já mudei de emprego. Comecei como freelancer numa grande editora aqui de São Paulo. Confesso que deu e ainda dá um frio na barriga (que preciso perder, por sinal) ficar meio ao léu, sabem como é? Sem carteira assinada, só com umas aulinhas que mal dão pra pagar a gasolina. O resto da grana dependendo desse serviços, que estão sempre lá, mas que, no fundo, não deixam de ser eventuais. Mas estou gostando, para ser sincero. O mundo das faculdades particulares parece estar encolhendo cada vez mais (e não me refiro às questões físicas) e tudo virou mercadoria e valor de troca. Não sirvo para isso. Não sirvo a isso.
Na labuta, alguns resultados interessantes: um texto publicado no site da CULT, com assinatura; outro, sem. Para quem tiver interesse, é só procurar o link aí ao lado. O primeiro é uma resenha de um livro sobre o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. O segundo, uma análise ligeira sobre o seriado House. E vem mais por aí. (O que me faz lembrar que estou devendo uns textos para meu amigo e parceiro de Letras, o Rodrigo Gurgel.)
Fora isso, o de sempre. Ou seja, a lameira em que este país mais e mais afunda. Juro: vou pedir asilo político no Canadá.
Na labuta, alguns resultados interessantes: um texto publicado no site da CULT, com assinatura; outro, sem. Para quem tiver interesse, é só procurar o link aí ao lado. O primeiro é uma resenha de um livro sobre o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. O segundo, uma análise ligeira sobre o seriado House. E vem mais por aí. (O que me faz lembrar que estou devendo uns textos para meu amigo e parceiro de Letras, o Rodrigo Gurgel.)
Fora isso, o de sempre. Ou seja, a lameira em que este país mais e mais afunda. Juro: vou pedir asilo político no Canadá.
1 de janeiro de 2008
Três notas para começar bem o ano
1. Uma vez, entre amigos, declarei que não existe crime pior, nos tempos atuais, que se declarar ateu. Cercados que estamos pelos neofundamentalistas, dizer-se ateu equivale a assumir a homossexualidade (há pouco tempo)ou o racismo (mais recentemente). Aliás, pelo que consigo perceber, ser ateu é ainda pior que tudo isso junto. É como se o ateísmo fosse condição para que a pessoa seja o que de mais podre existe no universo.
2. A respeito do gênero humano, Duas Calças (personagem que acabei de criar) me ensinou que não existe intolerância pior do que aquela que vem dos que se dizem tolerantes. Aliás, só o fato de serem "tolerantes" já diz muito da condição calhorda dessa corja. Duas Calças, diga-se de passagem, é assaz tolerante.
3. O que dizer do projeto do Aldo Rebelo que proíbe o uso de palavras "estrangeiras" nos textos e documentos aqui produzidos? Ridículo, para dizer o mínimo. Fascista, se quisermos ser sérios.
Feliz 2008, embora eu duvide disso.
2. A respeito do gênero humano, Duas Calças (personagem que acabei de criar) me ensinou que não existe intolerância pior do que aquela que vem dos que se dizem tolerantes. Aliás, só o fato de serem "tolerantes" já diz muito da condição calhorda dessa corja. Duas Calças, diga-se de passagem, é assaz tolerante.
3. O que dizer do projeto do Aldo Rebelo que proíbe o uso de palavras "estrangeiras" nos textos e documentos aqui produzidos? Ridículo, para dizer o mínimo. Fascista, se quisermos ser sérios.
Feliz 2008, embora eu duvide disso.
23 de dezembro de 2007
Aviso aos navegantes
Esta casa estará em recesso durante o período de festas, já que ninguém lê nada mesmo nesta época (e em nenhuma, pensando bem...). Voltaremos em janeiro, ou em edições extraordinárias.
17 de dezembro de 2007
15 de dezembro de 2007
Não
Eu não acredito em coelho de páscoa, em papai-noel, em feliz ano novo, em coleguismo no trabalho, em cerveja depois do expediente (nem na cerveja, nem no expediente), na confiabilidade das salsichas, em rótulo de produtos comestíveis, na palavra do balconista. Não acredito em deus de qualquer espécie, nem do diabo, muito menos em igrejas e padres, pastores, sacerdotes e assemelhados. Não acredito em parada gay, em heterossexual, em homens, mulheres, crianças, e, mais que qualquer coisa, em velhos. Sobretudo, não acredito em escritores - principalmente aqueles que se metem a contar histórias de gente tão maluca quanto eles. Não acredito em espíritos, em passes, em guias, em santos, em "energias" positivas ou negativas (a não ser que estejamos nos referindo à eletricidade). Não acredito na bondade desinteressada. Não acredito na maldade sem explicação. Mas, para não dizer que desacredito de tudo, posso dizer que acredito na infinita capacidade de o ser humano ser estúpido, imbecil e autodestrutivo. E não porque o mal nele habita, mas porque cada ser vivo nada mais faz que confirmar sua própria natureza. Nisso, talvez, eu acredite.
11 de dezembro de 2007
Viver é muito perigoso...
Podem me acusar de anti-ecológico, mas vou encabeçar um movimento pela aniquilação das antas. É impressionante como o número delas tem aumentado mais e mais nos tempos que correm... Estão em toda a parte: no metrô, nos ônibus, nos locais por onde passo e até onde trabalho. Aliás, é justamente lá que estão os exemplares mais típicos da antice tupiniquim. De fato, a microestrutura reflete a macroestrutura...
Algumas pessoas (sic) adoram fazer piadinhas sem graça. Mas vá você se meter a fazer uma - que pode até ser engraçada - com a figurinha pseudo-cômica. Aí o bicho pega.
Recentes pesquisas mostraram que chimpanzés têm memória melhor que a dos ditos seres humanos. Qual a novidade? Há pelo menos 15 anos tenho dito isso, insistentemente, a minhas alunas e meus alunos - que ter boa memória só prova sua vocação para máquina copiadora ou computador, e que isso nunca foi mostra de inteligência. Mas o que fazem quase todos(as)? Decoram tudo o que foi dito, escrito, lido. Mas são incapazes de elaborar um raciocínio, por tosco que seja, a partir do que viram. Máquinas, nada mais. Bem... agora podem se comparar ao macacos - prova cabal que, de fato, descendemos deles. Alguns, inclusive, por linhagem direta.
Algumas pessoas (sic) adoram fazer piadinhas sem graça. Mas vá você se meter a fazer uma - que pode até ser engraçada - com a figurinha pseudo-cômica. Aí o bicho pega.
Recentes pesquisas mostraram que chimpanzés têm memória melhor que a dos ditos seres humanos. Qual a novidade? Há pelo menos 15 anos tenho dito isso, insistentemente, a minhas alunas e meus alunos - que ter boa memória só prova sua vocação para máquina copiadora ou computador, e que isso nunca foi mostra de inteligência. Mas o que fazem quase todos(as)? Decoram tudo o que foi dito, escrito, lido. Mas são incapazes de elaborar um raciocínio, por tosco que seja, a partir do que viram. Máquinas, nada mais. Bem... agora podem se comparar ao macacos - prova cabal que, de fato, descendemos deles. Alguns, inclusive, por linhagem direta.
10 de dezembro de 2007
4 de dezembro de 2007
Constatações
...E quando as pessoas menos idiotas neste país acham que não pode ficar ainda pior, eis que nossa classe política mostra o quanto é enganoso acreditar nisso. E ainda nem chegamos ao fundo do poço (vazio, claro). Claro que os idiotas crêem que nunca esteve melhor. Os idiotas ou os mancomunados com o poder, que estes de fato nunca estiveram tão bem de vida.
1 de dezembro de 2007
Tragédias
Acabei de ler no jornal que cerca de 65% dos estudantes de escolas públicas estão satisfeitos com o ensino que recebem. Nesta mesma semana, contudo, ficamos sabendo que, além de estamos nos últimos lugares nos desempenhos em leitura e compreensão de textos e matemática, também seguramos a lanterna em ciências. A conclusão primeira é que não existe senso crítico nessa moçada que freqüenta a escola pública (se bem que, pelos relatos que recebo, está mais para escola "púbica"). Outra conclusão, que não é descartável, é que os aferidores internacionais de aprendizado não servem para nós, aqui do terceiro mundo. Este último raciocínio equivale mais ou menos a culpar o termômetro pela febre que sentimos, mas nem isso inibe as autoridades educacionais de fazer uso dele se necessário.
Vale dizer que essa história de permitir ao aluno avaliar o professor, à parte a demagogia que lhe confere forma, é um desses lampejos de calango que mereceria uma sova no meio da praça. E desde quando uma criatura que não sabe nem falar pode se dar ao direito de dizer se o professor sabe ou não "dar aulas"? Não que o mercado não esteja repleto de imbecis, incompetentes, larápios, embusteiros e assemelhados que se dizem "professores" e não façam mais que desfilar seus egos ou sua ignorância, ou se dediquem à doutrinação mais fdp que vocês puderem imaginar. Mas convenhamos, de onde tiraram a idéia de que o aluno tem alguma capacidade de dizer que a escola é boa? Boa em que sentido? Boa para quê? Só se for para venda e consumo de drogas, prostituição, violência, roubo e furto. Sim, porque estelionato é em outra instância, como sabemos muito bem.
E vocês ainda querem que eu acredite em alguma esperança? Ah, esperem sentados(as)!
Vale dizer que essa história de permitir ao aluno avaliar o professor, à parte a demagogia que lhe confere forma, é um desses lampejos de calango que mereceria uma sova no meio da praça. E desde quando uma criatura que não sabe nem falar pode se dar ao direito de dizer se o professor sabe ou não "dar aulas"? Não que o mercado não esteja repleto de imbecis, incompetentes, larápios, embusteiros e assemelhados que se dizem "professores" e não façam mais que desfilar seus egos ou sua ignorância, ou se dediquem à doutrinação mais fdp que vocês puderem imaginar. Mas convenhamos, de onde tiraram a idéia de que o aluno tem alguma capacidade de dizer que a escola é boa? Boa em que sentido? Boa para quê? Só se for para venda e consumo de drogas, prostituição, violência, roubo e furto. Sim, porque estelionato é em outra instância, como sabemos muito bem.
E vocês ainda querem que eu acredite em alguma esperança? Ah, esperem sentados(as)!
27 de novembro de 2007
Notas do dia-a-dia
Atentem: a empresa onde você trabalha, em agradecimento pelos serviços prestados por seus colaboradores, promove uma confraternização de final de ano. Até aí, tudo bem. O detalhe é que você não pode levar ninguém, a não ser você próprio - o que também não chega a ser nenhum absurdo. O melhor vem agora: se você não for, precisa preencher um formulário dizendo o motivo de sua ausência. Em outras palavras: você é quase obrigado - por constrangimento - a ir. Claro que nada impede que o(a) infeliz preencha o bendito formulário justificando tudo, mas vai ficar com a pecha de antissocial, ou coisa pior. Afinal, a empresa está gastando dinheiro com a festa, a qual, pensando bem, foi feita para você. Olha, não vejo a hora de experimentar o churrasco e entrar na piscina com todo aquele pessoal bacana...
26 de novembro de 2007
Recesso
Tenho escrito cada vez menos neste blogue. Não que eu haja, como muitos, desgostado da função. Apesar disto aqui não me gerar um centavo, ainda obtenho centigramas de prazer que não têm preço - como diria o comercial de cartão de crédito. Mas o que não consigo é tempo. Ou, ao menos, o tempo necessário para pensar num escrito, refletir mal e porcamente a respeito do dia-a-dia, e batucar algumas letras no teclado do computador. Acresce que determinados assuntos estão se tornando proibitivos: não se pode falar sobre atos do (des)governo; sobre manifestações do MST, MSE, Educafro ou o cacete; sobre queda de avião, de cabelo ou de peso. Na verdade, se você não quiser correr o risco de um processo ou coisa do gênero, melhor não falar a respeito de COISA ALGUMA. Ou isso, ou é preferível estacionar nas banalidades pessoais, ou ater-se a coisas que não incomodam ninguém, como Literatura. E, dito isso, a que ponto chegamos, não?
Mas, fora daqui, e a despeito da mesmice que tomou conta de minha existência, tenho escrito uma e outra coisinha, sim. Mas, por ora, não vou divulgar nada aqui. Vou mandar tudo para as revistas eletrônicas e impressas para ver se alguma delas me publica. Preciso sair um pouco do anonimato.
Mas, fora daqui, e a despeito da mesmice que tomou conta de minha existência, tenho escrito uma e outra coisinha, sim. Mas, por ora, não vou divulgar nada aqui. Vou mandar tudo para as revistas eletrônicas e impressas para ver se alguma delas me publica. Preciso sair um pouco do anonimato.
21 de novembro de 2007
Cansa...
Diante de algumas notícias, a gente fica sem saber onde é menos pior: se aqui, onde temos de agüentar os boquirrotos de sempre, ou em qualquer outro país, onde a idiotice também grassa às pampas.
Merda por merda, talvez seja melhor ficar com aquela que já conhecemos...
Merda por merda, talvez seja melhor ficar com aquela que já conhecemos...
19 de novembro de 2007
Reflexões Ligeiras
- A vida pode não ser uma merda, mas está bem próxima da privada.
- A vingança nunca vem a galope.
- Para quem jamais comeu caviar, ensopado de rim é manjar dos deuses. O oposto, porém, nunca será verdade.
- Garçons mal-humorados estragam até a melhor das refeições.
- A vingança nunca vem a galope.
- Para quem jamais comeu caviar, ensopado de rim é manjar dos deuses. O oposto, porém, nunca será verdade.
- Garçons mal-humorados estragam até a melhor das refeições.
14 de novembro de 2007
A pedidos...
Você gosta de escrever poemas? Acha que leva jeito? Então participe do 1o. Concurso de Poesia Esquina no Armadilha Poética. Mais informações, clique aqui.
12 de novembro de 2007
Proselitismo
Assim: ajudem um pobre revisor a aumentar seu prestígio. Comprem a última revista CULT, onde meu nome aparece no Expediente. E, claro, leiam a revista, ora essa!
7 de novembro de 2007
6 de novembro de 2007
Mistérios da meia-noite
Matutando aqui no meu cantinho - como diria o caipira - cheguei a algumas conclusões nada edificantes:
- se você tem 28 anos (e declara isso para todo mundo, mais de uma vez) e assume o cargo de chefia, inclusive tendo como subordinado um sujeito de 45, deve mesmo dar uma certa insegurança. Isso talvez explique a antipatia de meu chefe em relação a mim.
- por outro lado, estou me lixando pra isso. Mesmo. Raciocinem: se você é simpático, vão achar que é bajulação; se não for, que é marcação ou má-vontade. Entre a hipocrisia e a sinceridade, fico sempre com a última - a não ser que seja o caso de demonstrar cinismo. Então, melhor concentrar todos os meus esforços em não parecer legal. Até porque não sou mesmo.
- por outro lado do outro lado, acho que o problema é de outra ordem. Só que, mais uma vez, não serei eu a trazer ou oferecer conforto ou soluções. Neste caso, melhor o divã de um analista. Freudiano.
- ainda sobrou o lance de eu negociar a troca de horários. Estou até agora elaborando estratégias, mas na hora o que vai acontecer mesmo é um "foda-se". No caso, eu mesmo. Pensaram o quê?
- se você tem 28 anos (e declara isso para todo mundo, mais de uma vez) e assume o cargo de chefia, inclusive tendo como subordinado um sujeito de 45, deve mesmo dar uma certa insegurança. Isso talvez explique a antipatia de meu chefe em relação a mim.
- por outro lado, estou me lixando pra isso. Mesmo. Raciocinem: se você é simpático, vão achar que é bajulação; se não for, que é marcação ou má-vontade. Entre a hipocrisia e a sinceridade, fico sempre com a última - a não ser que seja o caso de demonstrar cinismo. Então, melhor concentrar todos os meus esforços em não parecer legal. Até porque não sou mesmo.
- por outro lado do outro lado, acho que o problema é de outra ordem. Só que, mais uma vez, não serei eu a trazer ou oferecer conforto ou soluções. Neste caso, melhor o divã de um analista. Freudiano.
- ainda sobrou o lance de eu negociar a troca de horários. Estou até agora elaborando estratégias, mas na hora o que vai acontecer mesmo é um "foda-se". No caso, eu mesmo. Pensaram o quê?
5 de novembro de 2007
Resultados da contenda. Ou: Diálogos sem dialogismo.
- Então, semana que vem vou precisar trocar de horário.
(Sobrolhos levantando-se)
- Bom, converse com as colegas e se uma delas topar, por mim tudo bem.
(Ah, que bom, então tudo acaba recaindo nas costas do "colaborador", que ainda precisa se indispor com os demais... Ou seja, na hora H, ninguém colabora com o colaborador.)
- Ah, tá. Bom, mas se eu não conseguir que elas troquem comigo, como ficamos?
- Não ficamos.
- Sei. A opção é eu faltar. Se entendi bem, só posso trocar de horário se alguém se dispuser a ficar no meu lugar no horário em que eu deveria estar aqui mas não estarei, mesmo que eu me comprometa a cumprir o horário na parte da manhã. É isso?
- É.
- Então melhor faltar.
- É o risco que você vai correr.
- Bom... e quanto amanhã?
- A falta de amanhã você pode compensar chegando mais cedo ou saindo mais tarde nos dias seguintes.
- Que bom.
(Nessa altura, fiquei sem entender exatamente as razões de não poder efetuar uma troca de turnos sem que eu precise arrumar alguém que fique no meu lugar. Ou melhor: entendi, mas achei melhor fingir que não.)
- Ah, e não esqueça de preencher o formulário A-27/45-5 de Justificativa de ausência. Faça isso amanhã, ok?
(Mas eu não ia faltar justamente... Bom, preciso dizer que desisti de entender a lógica da coisa?)
(Sobrolhos levantando-se)
- Bom, converse com as colegas e se uma delas topar, por mim tudo bem.
(Ah, que bom, então tudo acaba recaindo nas costas do "colaborador", que ainda precisa se indispor com os demais... Ou seja, na hora H, ninguém colabora com o colaborador.)
- Ah, tá. Bom, mas se eu não conseguir que elas troquem comigo, como ficamos?
- Não ficamos.
- Sei. A opção é eu faltar. Se entendi bem, só posso trocar de horário se alguém se dispuser a ficar no meu lugar no horário em que eu deveria estar aqui mas não estarei, mesmo que eu me comprometa a cumprir o horário na parte da manhã. É isso?
- É.
- Então melhor faltar.
- É o risco que você vai correr.
- Bom... e quanto amanhã?
- A falta de amanhã você pode compensar chegando mais cedo ou saindo mais tarde nos dias seguintes.
- Que bom.
(Nessa altura, fiquei sem entender exatamente as razões de não poder efetuar uma troca de turnos sem que eu precise arrumar alguém que fique no meu lugar. Ou melhor: entendi, mas achei melhor fingir que não.)
- Ah, e não esqueça de preencher o formulário A-27/45-5 de Justificativa de ausência. Faça isso amanhã, ok?
(Mas eu não ia faltar justamente... Bom, preciso dizer que desisti de entender a lógica da coisa?)
1 de novembro de 2007
Paranóias
Tenho uma ligeira impressão de que meu chefe imediato não gosta muito de mim. Até aí, nenhuma surpresa. Pago um sorvete para quem disser que foi com minha cara assim, de primeira. A coisa não funciona desse modo, não comigo. Não sou simpático, não faço o menor esforço para sê-lo. Não me socializo com ninguém - além de eu ser doentiamente tímido. De ordinário, mantenho sempre a expressão de quem acabou de tomar óleo de fígado de bacalhau ou de quem sofre de cólica renal. Não sou bonito. E, com todos esses atributos, ainda me deram o privilégio de encerrar o expediente sozinho, ou melhor, junto com o acima referido superior. É muita sorte mesmo. Agora, imagino a felicidade que tomará conta do coração dele quando eu o avisar, semana que vem, que irei faltar na terça-feira e que daqui a duas semanas, precisarei trocar de turno. Vai ser uma festa. Não vejo a hora.
P.S.: Aliás, tem coisa mais escrota que chefe?
P.S.: Aliás, tem coisa mais escrota que chefe?
31 de outubro de 2007
Comentário rápido, para não esquecer
Eu já disse que poetas são seres estranhos? Aqui estou eu, para que não digam que estou mentindo...
29 de outubro de 2007
Efeméride
E vocês sabiam que hoje foi o Dia Nacional do Livro? Pois é, nem o Lula. O que não é nenhuma surpresa vindo de alguém que comparou a leitura ao exercício numa esteira elétrica (ou bicicleta ergométrica, tanto faz): no começo é um saco, depois você percebe o quanto faz bem... Sem comentários!
Pode até não ser, mas...
Sabe quando, no trabalho, você é o último a saber das novidades? O que fica com o pior horário de entrada e de saída? O que é sempre deixado de fora em todas as conversas e situações? Pois é, não sei até onde é paranóia minha, mas que tem coisa aí, isso tem!
Não que eu esteja me importando com a situação de enjeitado, mas é foda todo mundo tomar as decisões e você - parte diretamente interessada - não ter a palavra, não poder emitir opinião, não nada.
Muito embora o clima para conversas minimamente intelectuais, ali, seja nenhum. Acho que se eu trabalhasse sozinho, numa sala cheia de samambaias, teria mais estímulo cerebral do que na atual conjuntura.
Resistirei ali mais do que três meses? Well, o que não fazemos por uns trocados, não é mesmo?
Não que eu esteja me importando com a situação de enjeitado, mas é foda todo mundo tomar as decisões e você - parte diretamente interessada - não ter a palavra, não poder emitir opinião, não nada.
Muito embora o clima para conversas minimamente intelectuais, ali, seja nenhum. Acho que se eu trabalhasse sozinho, numa sala cheia de samambaias, teria mais estímulo cerebral do que na atual conjuntura.
Resistirei ali mais do que três meses? Well, o que não fazemos por uns trocados, não é mesmo?
27 de outubro de 2007
Coisas particularmente irritantes
1. Corre por aí certa mania, entre profissionais do ensino e coordenadores (ou coisa que o valha), de se dirigir ao outro chamando-o de "professor". Assim:
- Você não acha isso, professor?
Mais ou menos como alguns fazem com garçons, lixeiros, comissários(as) de bordo e outras categorias. Odeio isso. Odeio que me chamem assim. Da próxima vez vou responder: "Escuta, você me conhece? Se sim, me chame pelo nome. Se não, antes de se dirigir a mim, pergunte como me chamo. Se não quiser se dar a esse trabalho, nem fale comigo. Poupa uma série de aborrecimentos: o seu, por ter de perguntar meu nome; o meu, de ter de falar com você." (A quem considere que eu esteja renegando minha própria categoria: não é o caso. Racionem: quando eu chamo o outro de "professor", eu estabeleço uma diferença entre mim e ele. Ou seja, eu não sou professor, o outro é. Sendo assim, reitero: ou me chamam por meu nome, ou me trate por "colega", que ao menos estabelece uma equanimidade - que não existe, eu sei, mas é o preço que se paga por viver socialmente. Claro que todas essas observações valem se o outro não for um fdp carreirista e sabotador. Aí é melhor deixar o doido continuar a falar sozinho ao telefone celular, ou seja o que estiver fazendo...)
2. Antigamente, havia um setor nas empresas que se chamava "Departamento de(o) Pessoal", com pequenas variações aqui e ali. Como parecia pouco simpático e eficiente, mudaram para "Setor de RH". Hoje, já falam em "Gerência de Relações Humanas", "Gerência de Pessoas", o escambau. Claro que só mudou o nome, já que a putaria continua a mesma - se não pior. Agora, de todas essas modas administrativas, a que mais me torra a paciência é a boiolice de chamar o (outrora) empregado de "colaborador". Como assim, "colaborador"? Deve ser para justificar a merda da salário e a quantidade de serviço que jogam em nossas costas. Sendo, "colaborador", intui-se que eu esteja lá para ajudar a empresa a galgar os degraus do sucesso, se forma abnegada, vestindo a camisa da equipe. Oras, eu não visto nem a camisa do time de futebol para o qual torço, que dirá o de uma empresa que só faz sugar meu sangue... Não, gênios da administração, nós somos "empregados" mesmo, paus-mandados, submissos e submetidos ao poder. Estou lá para ganhar um dinheirinho que pague minhas contas, e não para estabelecer intimidades, ser solidário, amiguinho ou o c... Se isso acontecer, ótimo; todos saímos lucrando. Mas o que me irrita é essa obrigatoriedade. De qualquer coisa. Ademais, se eu quisesse trabalhar numa coisa que me obrigasse a ser simpático, ia ser Relações Públicas ou recepcionista de consultório dentário, e não isso que estou fazendo para vocês, que diabos!
- Você não acha isso, professor?
Mais ou menos como alguns fazem com garçons, lixeiros, comissários(as) de bordo e outras categorias. Odeio isso. Odeio que me chamem assim. Da próxima vez vou responder: "Escuta, você me conhece? Se sim, me chame pelo nome. Se não, antes de se dirigir a mim, pergunte como me chamo. Se não quiser se dar a esse trabalho, nem fale comigo. Poupa uma série de aborrecimentos: o seu, por ter de perguntar meu nome; o meu, de ter de falar com você." (A quem considere que eu esteja renegando minha própria categoria: não é o caso. Racionem: quando eu chamo o outro de "professor", eu estabeleço uma diferença entre mim e ele. Ou seja, eu não sou professor, o outro é. Sendo assim, reitero: ou me chamam por meu nome, ou me trate por "colega", que ao menos estabelece uma equanimidade - que não existe, eu sei, mas é o preço que se paga por viver socialmente. Claro que todas essas observações valem se o outro não for um fdp carreirista e sabotador. Aí é melhor deixar o doido continuar a falar sozinho ao telefone celular, ou seja o que estiver fazendo...)
2. Antigamente, havia um setor nas empresas que se chamava "Departamento de(o) Pessoal", com pequenas variações aqui e ali. Como parecia pouco simpático e eficiente, mudaram para "Setor de RH". Hoje, já falam em "Gerência de Relações Humanas", "Gerência de Pessoas", o escambau. Claro que só mudou o nome, já que a putaria continua a mesma - se não pior. Agora, de todas essas modas administrativas, a que mais me torra a paciência é a boiolice de chamar o (outrora) empregado de "colaborador". Como assim, "colaborador"? Deve ser para justificar a merda da salário e a quantidade de serviço que jogam em nossas costas. Sendo, "colaborador", intui-se que eu esteja lá para ajudar a empresa a galgar os degraus do sucesso, se forma abnegada, vestindo a camisa da equipe. Oras, eu não visto nem a camisa do time de futebol para o qual torço, que dirá o de uma empresa que só faz sugar meu sangue... Não, gênios da administração, nós somos "empregados" mesmo, paus-mandados, submissos e submetidos ao poder. Estou lá para ganhar um dinheirinho que pague minhas contas, e não para estabelecer intimidades, ser solidário, amiguinho ou o c... Se isso acontecer, ótimo; todos saímos lucrando. Mas o que me irrita é essa obrigatoriedade. De qualquer coisa. Ademais, se eu quisesse trabalhar numa coisa que me obrigasse a ser simpático, ia ser Relações Públicas ou recepcionista de consultório dentário, e não isso que estou fazendo para vocês, que diabos!
24 de outubro de 2007
Frase do dia
"A verdade é que aquilo lá não é um lugar pra você aprender coisas novas, fazer carreira, essas coisas. Aquilo, no máximo, serve pra você ganhar aquele dinheirinho de cada dia..." (Dita por uma moça a outra, numa rua do centro da cidade)
22 de outubro de 2007
Poesia na parada...
Para que não digam que estou completamente alheio ao que acontece: de 30 de outubro a 4 de novembro acontece o Tordesilhas - Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea. Claro que a programação do evento sofre de uma lacuna irreparável, que é minha ausência, mas ainda assim vale a pena acompanhar os debates e os recitais. Para quem tiver interesse, favor conferir a programação clicando aqui.
20 de outubro de 2007
Rumo ao Inferno
1o. dia:
- Então, sr. Fulano, acho que está tudo OK pra você trabalhar aqui conosco - pelo menos de minha parte. Agora é só aguardar o pessoal dos Recursos Humanos entrar em contato com você. Mas não se preocupe: vai demorar um pouquinho, coisa de duas semanas mais ou menos. E eles avisam com antecedência, que é pra você não ficar correndo atrás de documentos, essas coisas...
2o.dia (24 horas horas depois):
- Sr. Fulano? Aqui é a K., da empresa Tal e Qual. Então, estou ligando para saber se o senhor pode estar vindo aqui no máximo até amanhã para pegar a lista de documentos que o senhor deve providenciar para sua contratação...
Fulano acha estranho, quase inconveniente a pressa, mas se conforma. A vida não está mesmo fácil. Concorda, e no dia seguinte vai a Empresa Tal e Qual. Cancela compromissos, deixa de fazer coisas importantes só para descobrir, na chegada à empresa, que a lista era uma lista mesmo. Uma folha de papel com a relação de cópias e cópias de todos os documentos possíveis e imagináveis. Só faltou pedir exame de fezes. Por via das dúvidas, confere mais uma vez a lista para ver se não havia também essa exigência.
- Fulano - diz K., com um sorriso no rosto - você poderia estar vindo amanhã para fazer o exame médico admissional?
Mais essa, pensou Fulano. Não, não poderia. Mas aí se lembra das contas vencendo, do saldo bancário cada vez mais negativo. "A que horas?" "Às dez da manhã." Justamente no dia do rodízio do meu carro, catso! Quase diz isso, mas contém-se. Não, tudo bem.
3o. dia: Depois de deixar o automóvel no estacionamento às 7 da manhã (já calculando o prejuízo das horas mortas da manhã), Fulano resolve tomar um café para fazer hora até o momento do exame. Que seria inútil, claro. Ninguém diz ao médico que está tomando remédio tarja preta numa situação dessas. Nem que é dado a explosões de fúria a cada seis meses. O médico também não pergunta isso. No máximo medem sua pressão, encostam o estetoscópio no peito do(a) candidato(a), rabiscam um "APTO" na ficha, e acabou.
Pois nem isso acontece: logo após chegar à empresa Tal e Qual, Fulano recebe a notícia de que, por uma emergência de "última hora" (resta saber que tipo de emergência não é "de última hora"...), o médico não viria. Mas que Fulano poderia estar marcando o exame para outro dia e horário. E tome mais quinze reais de estacionamento.
4o. dia: De posse do exame médico e da maior parte dos documentos, Fulano vai à empresa Tal e Qual. Toma um ligeiro chá de cadeira de vinte minutos. Aí aparece K. com uma pastinha. Mais papéis para assinar, preencher etc. Com as mesmas informações que estão nas fichas que Fulano preenchera no processo de seleção e nos documentos que ele segura debaixo do braço. Mais uma hora para preencher tudo, para K. conferir a documentação e sabe-se lá mais o quê.
-Bom, por enquanto está tudo certo, Fulano. Você só está me devendo as fotos, o Atestado de Antecedentes, a Carta de Recomendação do Último Emprego e todos os comprovantes de eleição desde 1980. Ah, falta também o senhor trazer sua ficha de Sócio-remido do Clube de Biriba de Penápolis...
- ...
- Então.. até segunda-feira!
- Como assim, segunda-feira? Eu tenho compromissos que não posso adiar nem cancelar... Até porque vocês me disseram que demoraria um pouco para me chamar...
- Pois é, mas é que tivemos uma alteração no cronograma. Sabe como é...
Nesse momento, Fulano pensa mais uma vez que seria o caso de mandar tudo à merda. Sabia que ia se arrepender de não ter feito isso, mas...
- Ah, estava me esquecendo, Fulano; preciso falar de seu desempenho nos testes... Veja, você foi bem na parte prática e na redação, mas se saiu um pouco ruim na parte teórica. Então, preciso que você, nesses três meses de experiência, se comprometa a sanar essas falhas, seja fazendo cursos, seja mostrando que está estudando, não importa. Mas é preciso que você demonstre esse empenho, ok?
- ...zzz!
- Sobre a indumentária...
- Indumentária? Ninguém me falou disso.
- Não, nada complicado. Sexta-feira todo mundo pode usar jeans, mas normalmente espera-se que a pessoa venha com roupas melhores.
Bom, agora está me chamando de malaco. Se ela soubesse que o jeans que estou vestindo custa mais que toda a roupa que ela enverga..., conjectura Fulano.
- Então, até segunda!
- Vá esperando. Ok, mais uma frase que fica nas intenções. Mas, na segunda, não apenas Fulano vai se atrasar, como vestirá uma calça jeans, camiseta e que foda a Tal e Qual, K. e a corja toda de engravatados que ali trabalha. Fodam-se-lhe todos, não importa por qual orifício excrecitório, excrecitante, excretatório - ah, vossas excelências sabem quais são!
- Então, sr. Fulano, acho que está tudo OK pra você trabalhar aqui conosco - pelo menos de minha parte. Agora é só aguardar o pessoal dos Recursos Humanos entrar em contato com você. Mas não se preocupe: vai demorar um pouquinho, coisa de duas semanas mais ou menos. E eles avisam com antecedência, que é pra você não ficar correndo atrás de documentos, essas coisas...
2o.dia (24 horas horas depois):
- Sr. Fulano? Aqui é a K., da empresa Tal e Qual. Então, estou ligando para saber se o senhor pode estar vindo aqui no máximo até amanhã para pegar a lista de documentos que o senhor deve providenciar para sua contratação...
Fulano acha estranho, quase inconveniente a pressa, mas se conforma. A vida não está mesmo fácil. Concorda, e no dia seguinte vai a Empresa Tal e Qual. Cancela compromissos, deixa de fazer coisas importantes só para descobrir, na chegada à empresa, que a lista era uma lista mesmo. Uma folha de papel com a relação de cópias e cópias de todos os documentos possíveis e imagináveis. Só faltou pedir exame de fezes. Por via das dúvidas, confere mais uma vez a lista para ver se não havia também essa exigência.
- Fulano - diz K., com um sorriso no rosto - você poderia estar vindo amanhã para fazer o exame médico admissional?
Mais essa, pensou Fulano. Não, não poderia. Mas aí se lembra das contas vencendo, do saldo bancário cada vez mais negativo. "A que horas?" "Às dez da manhã." Justamente no dia do rodízio do meu carro, catso! Quase diz isso, mas contém-se. Não, tudo bem.
3o. dia: Depois de deixar o automóvel no estacionamento às 7 da manhã (já calculando o prejuízo das horas mortas da manhã), Fulano resolve tomar um café para fazer hora até o momento do exame. Que seria inútil, claro. Ninguém diz ao médico que está tomando remédio tarja preta numa situação dessas. Nem que é dado a explosões de fúria a cada seis meses. O médico também não pergunta isso. No máximo medem sua pressão, encostam o estetoscópio no peito do(a) candidato(a), rabiscam um "APTO" na ficha, e acabou.
Pois nem isso acontece: logo após chegar à empresa Tal e Qual, Fulano recebe a notícia de que, por uma emergência de "última hora" (resta saber que tipo de emergência não é "de última hora"...), o médico não viria. Mas que Fulano poderia estar marcando o exame para outro dia e horário. E tome mais quinze reais de estacionamento.
4o. dia: De posse do exame médico e da maior parte dos documentos, Fulano vai à empresa Tal e Qual. Toma um ligeiro chá de cadeira de vinte minutos. Aí aparece K. com uma pastinha. Mais papéis para assinar, preencher etc. Com as mesmas informações que estão nas fichas que Fulano preenchera no processo de seleção e nos documentos que ele segura debaixo do braço. Mais uma hora para preencher tudo, para K. conferir a documentação e sabe-se lá mais o quê.
-Bom, por enquanto está tudo certo, Fulano. Você só está me devendo as fotos, o Atestado de Antecedentes, a Carta de Recomendação do Último Emprego e todos os comprovantes de eleição desde 1980. Ah, falta também o senhor trazer sua ficha de Sócio-remido do Clube de Biriba de Penápolis...
- ...
- Então.. até segunda-feira!
- Como assim, segunda-feira? Eu tenho compromissos que não posso adiar nem cancelar... Até porque vocês me disseram que demoraria um pouco para me chamar...
- Pois é, mas é que tivemos uma alteração no cronograma. Sabe como é...
Nesse momento, Fulano pensa mais uma vez que seria o caso de mandar tudo à merda. Sabia que ia se arrepender de não ter feito isso, mas...
- Ah, estava me esquecendo, Fulano; preciso falar de seu desempenho nos testes... Veja, você foi bem na parte prática e na redação, mas se saiu um pouco ruim na parte teórica. Então, preciso que você, nesses três meses de experiência, se comprometa a sanar essas falhas, seja fazendo cursos, seja mostrando que está estudando, não importa. Mas é preciso que você demonstre esse empenho, ok?
- ...zzz!
- Sobre a indumentária...
- Indumentária? Ninguém me falou disso.
- Não, nada complicado. Sexta-feira todo mundo pode usar jeans, mas normalmente espera-se que a pessoa venha com roupas melhores.
Bom, agora está me chamando de malaco. Se ela soubesse que o jeans que estou vestindo custa mais que toda a roupa que ela enverga..., conjectura Fulano.
- Então, até segunda!
- Vá esperando. Ok, mais uma frase que fica nas intenções. Mas, na segunda, não apenas Fulano vai se atrasar, como vestirá uma calça jeans, camiseta e que foda a Tal e Qual, K. e a corja toda de engravatados que ali trabalha. Fodam-se-lhe todos, não importa por qual orifício excrecitório, excrecitante, excretatório - ah, vossas excelências sabem quais são!
15 de outubro de 2007
E, falando em lembrar, esqueci...
...de avisar que tem textos novos no Le Monde Diplomatique Brasil. Não achou o link ao lado? Então, clique aqui.
Mas a propósito de quê?
A que mundo pertencem os professores? São uma classe social? Uma categoria profissional? Lúmpens? Devo confessar que não tenho a resposta. Certo é que, mais que qualquer outro segmento, o universo dos professores é amplo e quase irrestrito, o que confere o alto nível de picaretagem a que estamos sujeitos. Até os ditos populares rebaixam essa figura: "Quem sabe faz; quem não sabe, ensina." E por aí vai. Em vários casos, trata-se da mais pura verdade. E os interesses são tantos, que não há mesmo como conciliar tudo e todos, mesmo porque há tipinhos que se dizem professores que faça-me o favor! Ganhando o que ganha, e tendo de se desdobrar em inúmeros empregos para pagar as contas e o imposto de renda, não espanta o grau de ignorância de parcela significativa desses profissionais. E, tendo de se equilibrar entre a direção e a clientela, com ameaças (por vezes físicas) de ambos os lados, não admira as panes nervosas, o estresse, as doenças cardíacas e gastrointestinais. Mas vamos comemorar assim mesmo, a troco de nada, apenas para esquecer - por um momento que seja - a desgraça que fizeram de uma profissão que talvez seja a mais importante de todas, mas que nunca, nunca, nunca na história deste país foi tão vilipendiada por todos os que dela dependem: governantes, dirigentes, pais e filhos (da p., que seja!).
10 de outubro de 2007
Há dias assim...
...mas o que comentar diante do que vemos e lemos, o mar de bosta em que afundamos mais e mais, cotidianamente? Na esfera política, os conchavos, as negociatas, o toma-lá-dá-cá, as conciliações e outras coisas inconfessáveis. Na educação, boas intenções que se chocam com a realidade brutal do tráfico e do desinteresse da maioria em aprender. (Diga-se de passagem que em um país onde o governante máximo bate no peito para dizer que não precisou estudar para chegar onde chegou, não espanta o desprestígio da escola.) No esporte, conquistas pífias e vãs - com as honrosas exceções. No debate intelectual, o deserto de idéias, o bate-boca com jeito de bate-estacas, a agressão verbal e física, a ausência de horizontes. No dia-a-dia, a barbárie, a hipocrisia, o cinismo, a falta de modos. Há quem se espante com os rumos que este país tomou e tem tomado, diante da pujança de recursos naturais e tal e coisa e coisa e tal, mas nossa História explica e demonstra que não poderia mesmo ser diferente. E, na lambança geral, ninguém - ou quase ninguém - se salva.
A própósito do mais do que comentado filme Tropa de Elite, causa espécie a saraivada de besteiras ditas a respeito e em torno dele. Sobre o filme em si, o propalado fascismo passa longe. Não há heróis ali, e esse é um dos bons aspectos da obra. Agora, de onde parcela da intelectualidade tirou a "lição" de que é preciso descriminalizar as drogas como parte do processo de diminuição da violência? Como se, tirando do traficante o privilégio de ser o único fornecedor, este partiria, assim, na boa, para a vida honesta, de trabalho duro nas fábricas de drogas ou como vendedor das mesmas em pontos comerciais estabelecidos legalmente. Mais ou menos como acontece com as bebidas alcoólicas, com os medicamentos e com os produtos eletrônicos, onde não existe pirataria, roubo de cargas e vendas clandestinas em camelôs e barraquinhas. Ah, como não me dei conta disso? E, nessa toada toda, vá você reclamar que roubaram seu relógio. É capaz de você ser acusado de fomentador da violência urbana, pois ostenta um símbolo do fosso social que separa as elites do restante da população. Durma-se com um barulho desses...
A própósito do mais do que comentado filme Tropa de Elite, causa espécie a saraivada de besteiras ditas a respeito e em torno dele. Sobre o filme em si, o propalado fascismo passa longe. Não há heróis ali, e esse é um dos bons aspectos da obra. Agora, de onde parcela da intelectualidade tirou a "lição" de que é preciso descriminalizar as drogas como parte do processo de diminuição da violência? Como se, tirando do traficante o privilégio de ser o único fornecedor, este partiria, assim, na boa, para a vida honesta, de trabalho duro nas fábricas de drogas ou como vendedor das mesmas em pontos comerciais estabelecidos legalmente. Mais ou menos como acontece com as bebidas alcoólicas, com os medicamentos e com os produtos eletrônicos, onde não existe pirataria, roubo de cargas e vendas clandestinas em camelôs e barraquinhas. Ah, como não me dei conta disso? E, nessa toada toda, vá você reclamar que roubaram seu relógio. É capaz de você ser acusado de fomentador da violência urbana, pois ostenta um símbolo do fosso social que separa as elites do restante da população. Durma-se com um barulho desses...
8 de outubro de 2007
Só para ninguém esquecer
Começa oficialmente hoje - mas com eventos só a partir de amanhã - o Corredor Literário na Paulista. Provavelmente estarei lá na Fiesp, acompanhando o bate-papo com Marcelino Freire. Mais detalhes, confira na programação oficial. Clique aqui.
6 de outubro de 2007
Boas novidades
A gentileza do amigo Rodrigo Gurgel me concedeu a oportunidade de ter poemas meus publicados no sítio do Le Monde Diplomatique Brasil. O primeiro já está lá. Aproveitem a visita e leiam os demais artigos, que são ótimos - maneira de compensar a ruindade lírica deste que vos escreve...
4 de outubro de 2007
Vadiagens
Vão por mim: não falta muito para esse sistema todo explodir de vez. Num mundo em que bandido vira herói ou ídolo de TV, não dá mesmo pra acreditar no triunfo da civilização, qualquer que seja ela. A apologia a Mano Brown, por exemplo, é dessas coisas que só poderiam acontecer aqui, neste país onde o presidente faz alarde de sua falta de estudos e de sua ignorância - como se isso fosse algo que o investisse de uma pureza típica dos ungidos pela divindade. Aliás, esse negócio de achar que "povo" é necessariamente coisa boa, é de uma demagogia que faz revirar o estômago de qualquer um. Não que a dita classe dominante seja flor que se cheire, au contraire, mas ninguém é mocinho neste cenário de destruição e trevas. Quando acordarmos pra isso, já vai ser tarde demais e a ditadura já estará devidamente instaurada. E com o beneplácito dos ditos intelectuais. Nesse dia, espero estar em Paris, como exilado; ou morto, pra não ver a desgraceira.
3 de outubro de 2007
A título de coisa alguma
Comi, pela primeira e última vez, um lanche daquela rede de lanchonetes norte-americana que chegou aqui não faz muito tempo. Azia instantânea. Deve ser coisa da idade, penso agora. Cheguei num momento da vida em que essa porcariada que os adolescentes engolem não satisfaz meu paladar, ao contrário, detona-o. Ou, suprema frescura, devo ter chegado num ponto em que só posso mesmo degustar iguarias finas como caviar, salmão, fundo de alcachofra com molho de parmeggiano e sementes de papoula. Essas coisas.
Diga-se de passagem que a divisão da sociedade em classes se repete nos shoppings centers desta cidade. Você tem, por exemplo, o Iguatemi - destinado às classes abastadas que desdenham a Daslu. Tem o Morumbi, pra quem se acha Iguatemi, mas odeia quem freqüenta este último. E tem os periféricos, que lotam com as classes efetivamente subalternas. Dentro de um mesmo centro de compras, por sinal, encontra-se outro tipo de divisão: o dos setores de alimentação, ou praças de pasto, como diria eu. Para os mais favorecidos, um espaço separado, com mesas e garçons, toalha de pano e quejandos. Para a matilha esfaimada, a padronização das mesinhas chumbadas no chão, a bandeja que você tem de carregar, cotovelos pra lá e pra cá e a gritaria das crianças encapetadas. Típico.
Numa coisa, porém, as classes sociais todas se irmanam: na grosseria, na falta de senso ético, no desprezo absoluto pelo outro. Isto aqui, ô, ô, é um pouquinho de Brasil, iaiá...
Diga-se de passagem que a divisão da sociedade em classes se repete nos shoppings centers desta cidade. Você tem, por exemplo, o Iguatemi - destinado às classes abastadas que desdenham a Daslu. Tem o Morumbi, pra quem se acha Iguatemi, mas odeia quem freqüenta este último. E tem os periféricos, que lotam com as classes efetivamente subalternas. Dentro de um mesmo centro de compras, por sinal, encontra-se outro tipo de divisão: o dos setores de alimentação, ou praças de pasto, como diria eu. Para os mais favorecidos, um espaço separado, com mesas e garçons, toalha de pano e quejandos. Para a matilha esfaimada, a padronização das mesinhas chumbadas no chão, a bandeja que você tem de carregar, cotovelos pra lá e pra cá e a gritaria das crianças encapetadas. Típico.
Numa coisa, porém, as classes sociais todas se irmanam: na grosseria, na falta de senso ético, no desprezo absoluto pelo outro. Isto aqui, ô, ô, é um pouquinho de Brasil, iaiá...
2 de outubro de 2007
O de sempre...
O lado bom de você freqüentar cursos é a oportunidade que se tem de relativizar a magnitude de seus conhecimentos. Por um lado, você se dá conta do tamanho de suas lacunas intelectuais, já que sempre há quem saiba muito mais do que você. Por outro, é possível mensurar a imensidão ainda mais vasta da idiotice, que se alastra como epidemia pelo mundo. Isso sem contar os malucos, alienados e esquisitos de sempre. Diante do que vi hoje, até que não faço má figura...
Recebi, em mãos, o filme de meu caríssimo amigo Mucinho - o Sete Vidas -, baseado num conto dele mesmo, publicado em seu primeiro livro, O Sucesso Não Ocorre no Meu Caso, cujo parecer favorável à edição foi obra minha. Aliás, desde que pus os olhos naquelas narrativas, senti ali um talento para as Letras. Acho que não me enganei.
Recebi, em mãos, o filme de meu caríssimo amigo Mucinho - o Sete Vidas -, baseado num conto dele mesmo, publicado em seu primeiro livro, O Sucesso Não Ocorre no Meu Caso, cujo parecer favorável à edição foi obra minha. Aliás, desde que pus os olhos naquelas narrativas, senti ali um talento para as Letras. Acho que não me enganei.
1 de outubro de 2007
Vai começar, mas já começou!
Pra quem mora em São Paulo, ou para quem estiver passando por aqui, vale o lembrete: semana que vem começa o Corredor Literário na Paulista. Na verdade, já nesta semana teremos atividades ligadas ao evento. Confira a programação clicando aqui.
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