12 de fevereiro de 2008

Para não deixar a peteca cair

Se pareceu a alguém que no post anterior eu fui tomado por alguma espécie de vírus de otimismo, esqueçam. Sinceramente mesmo, não acho que vá melhorar coisa alguma. Acho que escrevi aquilo sob a influência do cachorro-quente que comi numa lanchonete infecta no metrô Barra Funda... Vou ali tomar um sal de frutas e já volto.

10 de fevereiro de 2008

Assim caminha a humanidade

Pois é, não voltei no dia seguinte. Nem no outro. Uma correria que não acaba, nem sei a troco de quê. Novidades? Por ora, nenhuma.
Ou, por outra: não precisarei mais ver a triste figura do insidioso. O mais insano é que o menino me mandou um e-mail felicitando-me por meu aniversário. Curioso. Para quem não cansava de dizer que todos nós - inclusive eu - éramos invejosos em relação à juventude dele aliada ao título de doutor tão arduamente conquistado, espanta o maluco fazer questão de ser notado por mim. É caso de tarja preta mesmo.

E olhem: se for mesmo verdade que o MEC vai tirar os representantes das instituições particulares do Conselho Federal de Educação (ou coisa que o valha), finalmente poderemos comemorar alguma coisa positiva neste país. Já estava mais do que na hora de dar um basta à influência nefasta das pseudo-universidades nos rumos do ensino (supostamente) superior. Do jeito que a coisa ia, era melhor fechar tudo e começar de novo, do zero. Quer dizer, não que não seja necessário agora, mas quem sabe se, desta vez a coisa não caminha para um rumo menos pior. É esperar para ver.

28 de janeiro de 2008

Comentários matutinos

O feriado esticado foi bom, num certo sentido. Claro, poderia ter trabalhado dia 25, se eu quisesse, mas não quis. Não direi que estou numa maré de tranqüilidade, que isso seria falsear ainda mais minha existência, mas não direi que o cenário é de desespero total. Pelo menos ainda não.
Não fui ao cinema, contudo. Também deixei para começar aquele livro em outro dia. Não experimentei aquele prato sobre o qual todos comentam, naquele restaurante de que todo mundo fala. Nada disso. Recolhi-me em casa, fiquei lendo revistas e jornais, revendo DVDs de algumas séries de TV favoritas, pensando em coisa alguma. Às vezes precisamos disso para não cairmos na loucura e não sairmos por aí dando tiros e desferindo golpes de porrete nas pessoas. Não que eu, algum dia, faça isso - embora até dê vontade, mas em alvos bem específicos. Mas é sempre bom se isolar um instante para que a sandice da mundo não nos contamine ainda mais.
Amanhã volto com o humor de sempre.

19 de janeiro de 2008

Ressaca...

Estive ausente. Mais até do que gostaria. Culpa das dívidas, dos trabalhos mal-remunerados, da desgraceira que é viver neste país de bosta. A vida parece começar a entrar nos eixos - o novo trabalho é legal, as pessoas são ótimas. E, salvo acidentes de percurso, a CULT continua. Só a faculdade mesmo é que parece ir pro saco. A novidade é que o insidioso não mais estará lá - mas como ele mesmo disse, "não precisa do dinheiro" - então, já foi (muito tarde). Infelizmente, uma porrada de gente continua no mesmo lugar, e eu não me refiro à faculdade...

Duas calças aprontou de novo. Modificou inteiramente um documento e, na hora da apresentação, diante das observações acerca das incongruências do mesmo, teve a desfaçatez de dizer que "é, eu também reparei nisso, mas não quis dizer nada..." Como assim, cara-pálida?
E, desfiando seus amplos conhecimentos de alemão, "decidiu" que substantivos naquele idioma são grafados com inicial minúscula, e que preposições grafam-se com inicial maiúscula. E ainda faz questão de ressaltar suas origens germânicas.

Com tanto trabalho, cadê tempo de viver?

9 de janeiro de 2008

As velhas novidades de sempre...

Nem bem começou o ano e já mudei de emprego. Comecei como freelancer numa grande editora aqui de São Paulo. Confesso que deu e ainda dá um frio na barriga (que preciso perder, por sinal) ficar meio ao léu, sabem como é? Sem carteira assinada, só com umas aulinhas que mal dão pra pagar a gasolina. O resto da grana dependendo desse serviços, que estão sempre lá, mas que, no fundo, não deixam de ser eventuais. Mas estou gostando, para ser sincero. O mundo das faculdades particulares parece estar encolhendo cada vez mais (e não me refiro às questões físicas) e tudo virou mercadoria e valor de troca. Não sirvo para isso. Não sirvo a isso.
Na labuta, alguns resultados interessantes: um texto publicado no site da CULT, com assinatura; outro, sem. Para quem tiver interesse, é só procurar o link aí ao lado. O primeiro é uma resenha de um livro sobre o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo. O segundo, uma análise ligeira sobre o seriado House. E vem mais por aí. (O que me faz lembrar que estou devendo uns textos para meu amigo e parceiro de Letras, o Rodrigo Gurgel.)
Fora isso, o de sempre. Ou seja, a lameira em que este país mais e mais afunda. Juro: vou pedir asilo político no Canadá.

1 de janeiro de 2008

Três notas para começar bem o ano

1. Uma vez, entre amigos, declarei que não existe crime pior, nos tempos atuais, que se declarar ateu. Cercados que estamos pelos neofundamentalistas, dizer-se ateu equivale a assumir a homossexualidade (há pouco tempo)ou o racismo (mais recentemente). Aliás, pelo que consigo perceber, ser ateu é ainda pior que tudo isso junto. É como se o ateísmo fosse condição para que a pessoa seja o que de mais podre existe no universo.
2. A respeito do gênero humano, Duas Calças (personagem que acabei de criar) me ensinou que não existe intolerância pior do que aquela que vem dos que se dizem tolerantes. Aliás, só o fato de serem "tolerantes" já diz muito da condição calhorda dessa corja. Duas Calças, diga-se de passagem, é assaz tolerante.
3. O que dizer do projeto do Aldo Rebelo que proíbe o uso de palavras "estrangeiras" nos textos e documentos aqui produzidos? Ridículo, para dizer o mínimo. Fascista, se quisermos ser sérios.

Feliz 2008, embora eu duvide disso.

23 de dezembro de 2007

Aviso aos navegantes

Esta casa estará em recesso durante o período de festas, já que ninguém lê nada mesmo nesta época (e em nenhuma, pensando bem...). Voltaremos em janeiro, ou em edições extraordinárias.

17 de dezembro de 2007

15 de dezembro de 2007

Não

Eu não acredito em coelho de páscoa, em papai-noel, em feliz ano novo, em coleguismo no trabalho, em cerveja depois do expediente (nem na cerveja, nem no expediente), na confiabilidade das salsichas, em rótulo de produtos comestíveis, na palavra do balconista. Não acredito em deus de qualquer espécie, nem do diabo, muito menos em igrejas e padres, pastores, sacerdotes e assemelhados. Não acredito em parada gay, em heterossexual, em homens, mulheres, crianças, e, mais que qualquer coisa, em velhos. Sobretudo, não acredito em escritores - principalmente aqueles que se metem a contar histórias de gente tão maluca quanto eles. Não acredito em espíritos, em passes, em guias, em santos, em "energias" positivas ou negativas (a não ser que estejamos nos referindo à eletricidade). Não acredito na bondade desinteressada. Não acredito na maldade sem explicação. Mas, para não dizer que desacredito de tudo, posso dizer que acredito na infinita capacidade de o ser humano ser estúpido, imbecil e autodestrutivo. E não porque o mal nele habita, mas porque cada ser vivo nada mais faz que confirmar sua própria natureza. Nisso, talvez, eu acredite.

11 de dezembro de 2007

Viver é muito perigoso...

Podem me acusar de anti-ecológico, mas vou encabeçar um movimento pela aniquilação das antas. É impressionante como o número delas tem aumentado mais e mais nos tempos que correm... Estão em toda a parte: no metrô, nos ônibus, nos locais por onde passo e até onde trabalho. Aliás, é justamente lá que estão os exemplares mais típicos da antice tupiniquim. De fato, a microestrutura reflete a macroestrutura...

Algumas pessoas (sic) adoram fazer piadinhas sem graça. Mas vá você se meter a fazer uma - que pode até ser engraçada - com a figurinha pseudo-cômica. Aí o bicho pega.

Recentes pesquisas mostraram que chimpanzés têm memória melhor que a dos ditos seres humanos. Qual a novidade? Há pelo menos 15 anos tenho dito isso, insistentemente, a minhas alunas e meus alunos - que ter boa memória só prova sua vocação para máquina copiadora ou computador, e que isso nunca foi mostra de inteligência. Mas o que fazem quase todos(as)? Decoram tudo o que foi dito, escrito, lido. Mas são incapazes de elaborar um raciocínio, por tosco que seja, a partir do que viram. Máquinas, nada mais. Bem... agora podem se comparar ao macacos - prova cabal que, de fato, descendemos deles. Alguns, inclusive, por linhagem direta.

4 de dezembro de 2007

Constatações

...E quando as pessoas menos idiotas neste país acham que não pode ficar ainda pior, eis que nossa classe política mostra o quanto é enganoso acreditar nisso. E ainda nem chegamos ao fundo do poço (vazio, claro). Claro que os idiotas crêem que nunca esteve melhor. Os idiotas ou os mancomunados com o poder, que estes de fato nunca estiveram tão bem de vida.

1 de dezembro de 2007

Tragédias

Acabei de ler no jornal que cerca de 65% dos estudantes de escolas públicas estão satisfeitos com o ensino que recebem. Nesta mesma semana, contudo, ficamos sabendo que, além de estamos nos últimos lugares nos desempenhos em leitura e compreensão de textos e matemática, também seguramos a lanterna em ciências. A conclusão primeira é que não existe senso crítico nessa moçada que freqüenta a escola pública (se bem que, pelos relatos que recebo, está mais para escola "púbica"). Outra conclusão, que não é descartável, é que os aferidores internacionais de aprendizado não servem para nós, aqui do terceiro mundo. Este último raciocínio equivale mais ou menos a culpar o termômetro pela febre que sentimos, mas nem isso inibe as autoridades educacionais de fazer uso dele se necessário.
Vale dizer que essa história de permitir ao aluno avaliar o professor, à parte a demagogia que lhe confere forma, é um desses lampejos de calango que mereceria uma sova no meio da praça. E desde quando uma criatura que não sabe nem falar pode se dar ao direito de dizer se o professor sabe ou não "dar aulas"? Não que o mercado não esteja repleto de imbecis, incompetentes, larápios, embusteiros e assemelhados que se dizem "professores" e não façam mais que desfilar seus egos ou sua ignorância, ou se dediquem à doutrinação mais fdp que vocês puderem imaginar. Mas convenhamos, de onde tiraram a idéia de que o aluno tem alguma capacidade de dizer que a escola é boa? Boa em que sentido? Boa para quê? Só se for para venda e consumo de drogas, prostituição, violência, roubo e furto. Sim, porque estelionato é em outra instância, como sabemos muito bem.
E vocês ainda querem que eu acredite em alguma esperança? Ah, esperem sentados(as)!

27 de novembro de 2007

Notas do dia-a-dia

Atentem: a empresa onde você trabalha, em agradecimento pelos serviços prestados por seus colaboradores, promove uma confraternização de final de ano. Até aí, tudo bem. O detalhe é que você não pode levar ninguém, a não ser você próprio - o que também não chega a ser nenhum absurdo. O melhor vem agora: se você não for, precisa preencher um formulário dizendo o motivo de sua ausência. Em outras palavras: você é quase obrigado - por constrangimento - a ir. Claro que nada impede que o(a) infeliz preencha o bendito formulário justificando tudo, mas vai ficar com a pecha de antissocial, ou coisa pior. Afinal, a empresa está gastando dinheiro com a festa, a qual, pensando bem, foi feita para você. Olha, não vejo a hora de experimentar o churrasco e entrar na piscina com todo aquele pessoal bacana...

26 de novembro de 2007

Recesso

Tenho escrito cada vez menos neste blogue. Não que eu haja, como muitos, desgostado da função. Apesar disto aqui não me gerar um centavo, ainda obtenho centigramas de prazer que não têm preço - como diria o comercial de cartão de crédito. Mas o que não consigo é tempo. Ou, ao menos, o tempo necessário para pensar num escrito, refletir mal e porcamente a respeito do dia-a-dia, e batucar algumas letras no teclado do computador. Acresce que determinados assuntos estão se tornando proibitivos: não se pode falar sobre atos do (des)governo; sobre manifestações do MST, MSE, Educafro ou o cacete; sobre queda de avião, de cabelo ou de peso. Na verdade, se você não quiser correr o risco de um processo ou coisa do gênero, melhor não falar a respeito de COISA ALGUMA. Ou isso, ou é preferível estacionar nas banalidades pessoais, ou ater-se a coisas que não incomodam ninguém, como Literatura. E, dito isso, a que ponto chegamos, não?

Mas, fora daqui, e a despeito da mesmice que tomou conta de minha existência, tenho escrito uma e outra coisinha, sim. Mas, por ora, não vou divulgar nada aqui. Vou mandar tudo para as revistas eletrônicas e impressas para ver se alguma delas me publica. Preciso sair um pouco do anonimato.

21 de novembro de 2007

Cansa...

Diante de algumas notícias, a gente fica sem saber onde é menos pior: se aqui, onde temos de agüentar os boquirrotos de sempre, ou em qualquer outro país, onde a idiotice também grassa às pampas.
Merda por merda, talvez seja melhor ficar com aquela que já conhecemos...

19 de novembro de 2007

Reflexões Ligeiras

- A vida pode não ser uma merda, mas está bem próxima da privada.
- A vingança nunca vem a galope.
- Para quem jamais comeu caviar, ensopado de rim é manjar dos deuses. O oposto, porém, nunca será verdade.
- Garçons mal-humorados estragam até a melhor das refeições.

14 de novembro de 2007

A pedidos...

Você gosta de escrever poemas? Acha que leva jeito? Então participe do 1o. Concurso de Poesia Esquina no Armadilha Poética. Mais informações, clique aqui.

12 de novembro de 2007

Proselitismo

Assim: ajudem um pobre revisor a aumentar seu prestígio. Comprem a última revista CULT, onde meu nome aparece no Expediente. E, claro, leiam a revista, ora essa!

6 de novembro de 2007

Mistérios da meia-noite

Matutando aqui no meu cantinho - como diria o caipira - cheguei a algumas conclusões nada edificantes:
- se você tem 28 anos (e declara isso para todo mundo, mais de uma vez) e assume o cargo de chefia, inclusive tendo como subordinado um sujeito de 45, deve mesmo dar uma certa insegurança. Isso talvez explique a antipatia de meu chefe em relação a mim.
- por outro lado, estou me lixando pra isso. Mesmo. Raciocinem: se você é simpático, vão achar que é bajulação; se não for, que é marcação ou má-vontade. Entre a hipocrisia e a sinceridade, fico sempre com a última - a não ser que seja o caso de demonstrar cinismo. Então, melhor concentrar todos os meus esforços em não parecer legal. Até porque não sou mesmo.
- por outro lado do outro lado, acho que o problema é de outra ordem. Só que, mais uma vez, não serei eu a trazer ou oferecer conforto ou soluções. Neste caso, melhor o divã de um analista. Freudiano.
- ainda sobrou o lance de eu negociar a troca de horários. Estou até agora elaborando estratégias, mas na hora o que vai acontecer mesmo é um "foda-se". No caso, eu mesmo. Pensaram o quê?

5 de novembro de 2007

Resultados da contenda. Ou: Diálogos sem dialogismo.

- Então, semana que vem vou precisar trocar de horário.
(Sobrolhos levantando-se)
- Bom, converse com as colegas e se uma delas topar, por mim tudo bem.
(Ah, que bom, então tudo acaba recaindo nas costas do "colaborador", que ainda precisa se indispor com os demais... Ou seja, na hora H, ninguém colabora com o colaborador.)
- Ah, tá. Bom, mas se eu não conseguir que elas troquem comigo, como ficamos?
- Não ficamos.
- Sei. A opção é eu faltar. Se entendi bem, só posso trocar de horário se alguém se dispuser a ficar no meu lugar no horário em que eu deveria estar aqui mas não estarei, mesmo que eu me comprometa a cumprir o horário na parte da manhã. É isso?
- É.
- Então melhor faltar.
- É o risco que você vai correr.
- Bom... e quanto amanhã?
- A falta de amanhã você pode compensar chegando mais cedo ou saindo mais tarde nos dias seguintes.
- Que bom.
(Nessa altura, fiquei sem entender exatamente as razões de não poder efetuar uma troca de turnos sem que eu precise arrumar alguém que fique no meu lugar. Ou melhor: entendi, mas achei melhor fingir que não.)
- Ah, e não esqueça de preencher o formulário A-27/45-5 de Justificativa de ausência. Faça isso amanhã, ok?
(Mas eu não ia faltar justamente... Bom, preciso dizer que desisti de entender a lógica da coisa?)

Notícia

O dia dos Finados já passou e eu continuo vivo.

1 de novembro de 2007

Paranóias

Tenho uma ligeira impressão de que meu chefe imediato não gosta muito de mim. Até aí, nenhuma surpresa. Pago um sorvete para quem disser que foi com minha cara assim, de primeira. A coisa não funciona desse modo, não comigo. Não sou simpático, não faço o menor esforço para sê-lo. Não me socializo com ninguém - além de eu ser doentiamente tímido. De ordinário, mantenho sempre a expressão de quem acabou de tomar óleo de fígado de bacalhau ou de quem sofre de cólica renal. Não sou bonito. E, com todos esses atributos, ainda me deram o privilégio de encerrar o expediente sozinho, ou melhor, junto com o acima referido superior. É muita sorte mesmo. Agora, imagino a felicidade que tomará conta do coração dele quando eu o avisar, semana que vem, que irei faltar na terça-feira e que daqui a duas semanas, precisarei trocar de turno. Vai ser uma festa. Não vejo a hora.

P.S.: Aliás, tem coisa mais escrota que chefe?

31 de outubro de 2007

Comentário rápido, para não esquecer

Eu já disse que poetas são seres estranhos? Aqui estou eu, para que não digam que estou mentindo...

29 de outubro de 2007

Efeméride

E vocês sabiam que hoje foi o Dia Nacional do Livro? Pois é, nem o Lula. O que não é nenhuma surpresa vindo de alguém que comparou a leitura ao exercício numa esteira elétrica (ou bicicleta ergométrica, tanto faz): no começo é um saco, depois você percebe o quanto faz bem... Sem comentários!

Pode até não ser, mas...

Sabe quando, no trabalho, você é o último a saber das novidades? O que fica com o pior horário de entrada e de saída? O que é sempre deixado de fora em todas as conversas e situações? Pois é, não sei até onde é paranóia minha, mas que tem coisa aí, isso tem!

Não que eu esteja me importando com a situação de enjeitado, mas é foda todo mundo tomar as decisões e você - parte diretamente interessada - não ter a palavra, não poder emitir opinião, não nada.

Muito embora o clima para conversas minimamente intelectuais, ali, seja nenhum. Acho que se eu trabalhasse sozinho, numa sala cheia de samambaias, teria mais estímulo cerebral do que na atual conjuntura.

Resistirei ali mais do que três meses? Well, o que não fazemos por uns trocados, não é mesmo?

27 de outubro de 2007

Coisas particularmente irritantes

1. Corre por aí certa mania, entre profissionais do ensino e coordenadores (ou coisa que o valha), de se dirigir ao outro chamando-o de "professor". Assim:
- Você não acha isso, professor?
Mais ou menos como alguns fazem com garçons, lixeiros, comissários(as) de bordo e outras categorias. Odeio isso. Odeio que me chamem assim. Da próxima vez vou responder: "Escuta, você me conhece? Se sim, me chame pelo nome. Se não, antes de se dirigir a mim, pergunte como me chamo. Se não quiser se dar a esse trabalho, nem fale comigo. Poupa uma série de aborrecimentos: o seu, por ter de perguntar meu nome; o meu, de ter de falar com você." (A quem considere que eu esteja renegando minha própria categoria: não é o caso. Racionem: quando eu chamo o outro de "professor", eu estabeleço uma diferença entre mim e ele. Ou seja, eu não sou professor, o outro é. Sendo assim, reitero: ou me chamam por meu nome, ou me trate por "colega", que ao menos estabelece uma equanimidade - que não existe, eu sei, mas é o preço que se paga por viver socialmente. Claro que todas essas observações valem se o outro não for um fdp carreirista e sabotador. Aí é melhor deixar o doido continuar a falar sozinho ao telefone celular, ou seja o que estiver fazendo...)

2. Antigamente, havia um setor nas empresas que se chamava "Departamento de(o) Pessoal", com pequenas variações aqui e ali. Como parecia pouco simpático e eficiente, mudaram para "Setor de RH". Hoje, já falam em "Gerência de Relações Humanas", "Gerência de Pessoas", o escambau. Claro que só mudou o nome, já que a putaria continua a mesma - se não pior. Agora, de todas essas modas administrativas, a que mais me torra a paciência é a boiolice de chamar o (outrora) empregado de "colaborador". Como assim, "colaborador"? Deve ser para justificar a merda da salário e a quantidade de serviço que jogam em nossas costas. Sendo, "colaborador", intui-se que eu esteja lá para ajudar a empresa a galgar os degraus do sucesso, se forma abnegada, vestindo a camisa da equipe. Oras, eu não visto nem a camisa do time de futebol para o qual torço, que dirá o de uma empresa que só faz sugar meu sangue... Não, gênios da administração, nós somos "empregados" mesmo, paus-mandados, submissos e submetidos ao poder. Estou lá para ganhar um dinheirinho que pague minhas contas, e não para estabelecer intimidades, ser solidário, amiguinho ou o c... Se isso acontecer, ótimo; todos saímos lucrando. Mas o que me irrita é essa obrigatoriedade. De qualquer coisa. Ademais, se eu quisesse trabalhar numa coisa que me obrigasse a ser simpático, ia ser Relações Públicas ou recepcionista de consultório dentário, e não isso que estou fazendo para vocês, que diabos!

24 de outubro de 2007

Frase do dia

"A verdade é que aquilo lá não é um lugar pra você aprender coisas novas, fazer carreira, essas coisas. Aquilo, no máximo, serve pra você ganhar aquele dinheirinho de cada dia..." (Dita por uma moça a outra, numa rua do centro da cidade)

22 de outubro de 2007

Poesia na parada...

Para que não digam que estou completamente alheio ao que acontece: de 30 de outubro a 4 de novembro acontece o Tordesilhas - Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea. Claro que a programação do evento sofre de uma lacuna irreparável, que é minha ausência, mas ainda assim vale a pena acompanhar os debates e os recitais. Para quem tiver interesse, favor conferir a programação clicando aqui.

20 de outubro de 2007

Rumo ao Inferno

1o. dia:
- Então, sr. Fulano, acho que está tudo OK pra você trabalhar aqui conosco - pelo menos de minha parte. Agora é só aguardar o pessoal dos Recursos Humanos entrar em contato com você. Mas não se preocupe: vai demorar um pouquinho, coisa de duas semanas mais ou menos. E eles avisam com antecedência, que é pra você não ficar correndo atrás de documentos, essas coisas...


2o.dia (24 horas horas depois):
- Sr. Fulano? Aqui é a K., da empresa Tal e Qual. Então, estou ligando para saber se o senhor pode estar vindo aqui no máximo até amanhã para pegar a lista de documentos que o senhor deve providenciar para sua contratação...

Fulano acha estranho, quase inconveniente a pressa, mas se conforma. A vida não está mesmo fácil. Concorda, e no dia seguinte vai a Empresa Tal e Qual. Cancela compromissos, deixa de fazer coisas importantes só para descobrir, na chegada à empresa, que a lista era uma lista mesmo. Uma folha de papel com a relação de cópias e cópias de todos os documentos possíveis e imagináveis. Só faltou pedir exame de fezes. Por via das dúvidas, confere mais uma vez a lista para ver se não havia também essa exigência.

- Fulano - diz K., com um sorriso no rosto - você poderia estar vindo amanhã para fazer o exame médico admissional?

Mais essa, pensou Fulano. Não, não poderia. Mas aí se lembra das contas vencendo, do saldo bancário cada vez mais negativo. "A que horas?" "Às dez da manhã." Justamente no dia do rodízio do meu carro, catso! Quase diz isso, mas contém-se. Não, tudo bem.


3o. dia: Depois de deixar o automóvel no estacionamento às 7 da manhã (já calculando o prejuízo das horas mortas da manhã), Fulano resolve tomar um café para fazer hora até o momento do exame. Que seria inútil, claro. Ninguém diz ao médico que está tomando remédio tarja preta numa situação dessas. Nem que é dado a explosões de fúria a cada seis meses. O médico também não pergunta isso. No máximo medem sua pressão, encostam o estetoscópio no peito do(a) candidato(a), rabiscam um "APTO" na ficha, e acabou.
Pois nem isso acontece: logo após chegar à empresa Tal e Qual, Fulano recebe a notícia de que, por uma emergência de "última hora" (resta saber que tipo de emergência não é "de última hora"...), o médico não viria. Mas que Fulano poderia estar marcando o exame para outro dia e horário. E tome mais quinze reais de estacionamento.

4o. dia: De posse do exame médico e da maior parte dos documentos, Fulano vai à empresa Tal e Qual. Toma um ligeiro chá de cadeira de vinte minutos. Aí aparece K. com uma pastinha. Mais papéis para assinar, preencher etc. Com as mesmas informações que estão nas fichas que Fulano preenchera no processo de seleção e nos documentos que ele segura debaixo do braço. Mais uma hora para preencher tudo, para K. conferir a documentação e sabe-se lá mais o quê.
-Bom, por enquanto está tudo certo, Fulano. Você só está me devendo as fotos, o Atestado de Antecedentes, a Carta de Recomendação do Último Emprego e todos os comprovantes de eleição desde 1980. Ah, falta também o senhor trazer sua ficha de Sócio-remido do Clube de Biriba de Penápolis...
- ...
- Então.. até segunda-feira!
- Como assim, segunda-feira? Eu tenho compromissos que não posso adiar nem cancelar... Até porque vocês me disseram que demoraria um pouco para me chamar...
- Pois é, mas é que tivemos uma alteração no cronograma. Sabe como é...
Nesse momento, Fulano pensa mais uma vez que seria o caso de mandar tudo à merda. Sabia que ia se arrepender de não ter feito isso, mas...
- Ah, estava me esquecendo, Fulano; preciso falar de seu desempenho nos testes... Veja, você foi bem na parte prática e na redação, mas se saiu um pouco ruim na parte teórica. Então, preciso que você, nesses três meses de experiência, se comprometa a sanar essas falhas, seja fazendo cursos, seja mostrando que está estudando, não importa. Mas é preciso que você demonstre esse empenho, ok?
- ...zzz!
- Sobre a indumentária...
- Indumentária? Ninguém me falou disso.
- Não, nada complicado. Sexta-feira todo mundo pode usar jeans, mas normalmente espera-se que a pessoa venha com roupas melhores.
Bom, agora está me chamando de malaco. Se ela soubesse que o jeans que estou vestindo custa mais que toda a roupa que ela enverga..., conjectura Fulano.
- Então, até segunda!
- Vá esperando. Ok, mais uma frase que fica nas intenções. Mas, na segunda, não apenas Fulano vai se atrasar, como vestirá uma calça jeans, camiseta e que foda a Tal e Qual, K. e a corja toda de engravatados que ali trabalha. Fodam-se-lhe todos, não importa por qual orifício excrecitório, excrecitante, excretatório - ah, vossas excelências sabem quais são!

15 de outubro de 2007

E, falando em lembrar, esqueci...

...de avisar que tem textos novos no Le Monde Diplomatique Brasil. Não achou o link ao lado? Então, clique aqui.

Mas a propósito de quê?

A que mundo pertencem os professores? São uma classe social? Uma categoria profissional? Lúmpens? Devo confessar que não tenho a resposta. Certo é que, mais que qualquer outro segmento, o universo dos professores é amplo e quase irrestrito, o que confere o alto nível de picaretagem a que estamos sujeitos. Até os ditos populares rebaixam essa figura: "Quem sabe faz; quem não sabe, ensina." E por aí vai. Em vários casos, trata-se da mais pura verdade. E os interesses são tantos, que não há mesmo como conciliar tudo e todos, mesmo porque há tipinhos que se dizem professores que faça-me o favor! Ganhando o que ganha, e tendo de se desdobrar em inúmeros empregos para pagar as contas e o imposto de renda, não espanta o grau de ignorância de parcela significativa desses profissionais. E, tendo de se equilibrar entre a direção e a clientela, com ameaças (por vezes físicas) de ambos os lados, não admira as panes nervosas, o estresse, as doenças cardíacas e gastrointestinais. Mas vamos comemorar assim mesmo, a troco de nada, apenas para esquecer - por um momento que seja - a desgraça que fizeram de uma profissão que talvez seja a mais importante de todas, mas que nunca, nunca, nunca na história deste país foi tão vilipendiada por todos os que dela dependem: governantes, dirigentes, pais e filhos (da p., que seja!).

Efeméride

E hoje se comemora o dia do Professor. Isso se alguém lembrar.

10 de outubro de 2007

Há dias assim...

...mas o que comentar diante do que vemos e lemos, o mar de bosta em que afundamos mais e mais, cotidianamente? Na esfera política, os conchavos, as negociatas, o toma-lá-dá-cá, as conciliações e outras coisas inconfessáveis. Na educação, boas intenções que se chocam com a realidade brutal do tráfico e do desinteresse da maioria em aprender. (Diga-se de passagem que em um país onde o governante máximo bate no peito para dizer que não precisou estudar para chegar onde chegou, não espanta o desprestígio da escola.) No esporte, conquistas pífias e vãs - com as honrosas exceções. No debate intelectual, o deserto de idéias, o bate-boca com jeito de bate-estacas, a agressão verbal e física, a ausência de horizontes. No dia-a-dia, a barbárie, a hipocrisia, o cinismo, a falta de modos. Há quem se espante com os rumos que este país tomou e tem tomado, diante da pujança de recursos naturais e tal e coisa e coisa e tal, mas nossa História explica e demonstra que não poderia mesmo ser diferente. E, na lambança geral, ninguém - ou quase ninguém - se salva.

A própósito do mais do que comentado filme Tropa de Elite, causa espécie a saraivada de besteiras ditas a respeito e em torno dele. Sobre o filme em si, o propalado fascismo passa longe. Não há heróis ali, e esse é um dos bons aspectos da obra. Agora, de onde parcela da intelectualidade tirou a "lição" de que é preciso descriminalizar as drogas como parte do processo de diminuição da violência? Como se, tirando do traficante o privilégio de ser o único fornecedor, este partiria, assim, na boa, para a vida honesta, de trabalho duro nas fábricas de drogas ou como vendedor das mesmas em pontos comerciais estabelecidos legalmente. Mais ou menos como acontece com as bebidas alcoólicas, com os medicamentos e com os produtos eletrônicos, onde não existe pirataria, roubo de cargas e vendas clandestinas em camelôs e barraquinhas. Ah, como não me dei conta disso? E, nessa toada toda, vá você reclamar que roubaram seu relógio. É capaz de você ser acusado de fomentador da violência urbana, pois ostenta um símbolo do fosso social que separa as elites do restante da população. Durma-se com um barulho desses...

8 de outubro de 2007

Só para ninguém esquecer

Começa oficialmente hoje - mas com eventos só a partir de amanhã - o Corredor Literário na Paulista. Provavelmente estarei lá na Fiesp, acompanhando o bate-papo com Marcelino Freire. Mais detalhes, confira na programação oficial. Clique aqui.

6 de outubro de 2007

Boas novidades

A gentileza do amigo Rodrigo Gurgel me concedeu a oportunidade de ter poemas meus publicados no sítio do Le Monde Diplomatique Brasil. O primeiro já está lá. Aproveitem a visita e leiam os demais artigos, que são ótimos - maneira de compensar a ruindade lírica deste que vos escreve...

4 de outubro de 2007

Vadiagens

Vão por mim: não falta muito para esse sistema todo explodir de vez. Num mundo em que bandido vira herói ou ídolo de TV, não dá mesmo pra acreditar no triunfo da civilização, qualquer que seja ela. A apologia a Mano Brown, por exemplo, é dessas coisas que só poderiam acontecer aqui, neste país onde o presidente faz alarde de sua falta de estudos e de sua ignorância - como se isso fosse algo que o investisse de uma pureza típica dos ungidos pela divindade. Aliás, esse negócio de achar que "povo" é necessariamente coisa boa, é de uma demagogia que faz revirar o estômago de qualquer um. Não que a dita classe dominante seja flor que se cheire, au contraire, mas ninguém é mocinho neste cenário de destruição e trevas. Quando acordarmos pra isso, já vai ser tarde demais e a ditadura já estará devidamente instaurada. E com o beneplácito dos ditos intelectuais. Nesse dia, espero estar em Paris, como exilado; ou morto, pra não ver a desgraceira.

3 de outubro de 2007

A título de coisa alguma

Comi, pela primeira e última vez, um lanche daquela rede de lanchonetes norte-americana que chegou aqui não faz muito tempo. Azia instantânea. Deve ser coisa da idade, penso agora. Cheguei num momento da vida em que essa porcariada que os adolescentes engolem não satisfaz meu paladar, ao contrário, detona-o. Ou, suprema frescura, devo ter chegado num ponto em que só posso mesmo degustar iguarias finas como caviar, salmão, fundo de alcachofra com molho de parmeggiano e sementes de papoula. Essas coisas.

Diga-se de passagem que a divisão da sociedade em classes se repete nos shoppings centers desta cidade. Você tem, por exemplo, o Iguatemi - destinado às classes abastadas que desdenham a Daslu. Tem o Morumbi, pra quem se acha Iguatemi, mas odeia quem freqüenta este último. E tem os periféricos, que lotam com as classes efetivamente subalternas. Dentro de um mesmo centro de compras, por sinal, encontra-se outro tipo de divisão: o dos setores de alimentação, ou praças de pasto, como diria eu. Para os mais favorecidos, um espaço separado, com mesas e garçons, toalha de pano e quejandos. Para a matilha esfaimada, a padronização das mesinhas chumbadas no chão, a bandeja que você tem de carregar, cotovelos pra lá e pra cá e a gritaria das crianças encapetadas. Típico.
Numa coisa, porém, as classes sociais todas se irmanam: na grosseria, na falta de senso ético, no desprezo absoluto pelo outro. Isto aqui, ô, ô, é um pouquinho de Brasil, iaiá...

2 de outubro de 2007

O de sempre...

O lado bom de você freqüentar cursos é a oportunidade que se tem de relativizar a magnitude de seus conhecimentos. Por um lado, você se dá conta do tamanho de suas lacunas intelectuais, já que sempre há quem saiba muito mais do que você. Por outro, é possível mensurar a imensidão ainda mais vasta da idiotice, que se alastra como epidemia pelo mundo. Isso sem contar os malucos, alienados e esquisitos de sempre. Diante do que vi hoje, até que não faço má figura...

Recebi, em mãos, o filme de meu caríssimo amigo Mucinho - o Sete Vidas -, baseado num conto dele mesmo, publicado em seu primeiro livro, O Sucesso Não Ocorre no Meu Caso, cujo parecer favorável à edição foi obra minha. Aliás, desde que pus os olhos naquelas narrativas, senti ali um talento para as Letras. Acho que não me enganei.

1 de outubro de 2007

Vai começar, mas já começou!

Pra quem mora em São Paulo, ou para quem estiver passando por aqui, vale o lembrete: semana que vem começa o Corredor Literário na Paulista. Na verdade, já nesta semana teremos atividades ligadas ao evento. Confira a programação clicando aqui.

27 de setembro de 2007

Das descobertas

- Ainda não foi desta vez, mas ao menos alguma coisa boa aconteceu - embora não tenha sido exatamente o que eu desejava. Daqui a um mês mais ou menos eu venho aqui confirmar a novidade. Por ora, até para evitar a inveja alheia, vamos deixar como está.
- Participei de uma mesa-redonda, como convidado, numa universidade aqui de São Paulo. O tema era "O processo de criação poética". Fiz minha parte, sem entrar em maiores elocubrações, tentando pontuar com bom humor o que eu entendo a respeito da coisa. Aí entra o outro debatedor, professor da instituição. Começou bem, mas depois degringolou numa fala alucinada da qual sequer a figura do "eu", na acepção moderna, sobrou viva. Chegou a negar a existência desse "eu", dizendo em seguida que o que existe é um "eu coletivo", seja lá isso o que for. De minha parte, repliquei - sem causar polêmica - que essa questão talvez fizesse sentido até o século XVIII, mas que a partir de então a figura do "eu" se faz fundamental para a lírica moderna, até mesmo em função do exacerbamento da individualidade romântica, de que somos vítimas até hoje. Como não havia mais tempo, a coisa ficou por aí. Mas que o sujeito era um mala - e, por ironia, um egocêntrico de primeira linhagem - isso ele era, sim.

25 de setembro de 2007

Um dia para se recordar

Acho que vem por aí uma luzinha no fim do túnel. Só espero que não seja um automóvel na contramão...

24 de setembro de 2007

Frases soltas

Não há menor espaço, em todo o universo, que não aquele entre sua paciência e a intromissão do outro.
A estatística é um ramo das ciências exatas cuja certidão depende da malícia de quem interpreta os dados. Aqueles com seis faces, cada uma com um número.
A boa crítica é aquela que fala bem de sua obra e mal da dos outros, principalmente se esses "outros" forem seus desafetos.
Ônibus seriam ótimos meios de transporte não fossem os demais usuários. Raciocínio semelhante vale para o metrô.
O poder é sempre a medida do caráter humano.

21 de setembro de 2007

Resposta

Em resposta ao desafio da Ana Rüsche (fazer um poema de duas linhas sobre a formação do mundo), segue o meu.

"Fiat lux"

Muito barulho
Por nada.

20 de setembro de 2007

Breves considerações em torno de nada

Se eu ainda me surpreendesse com alguma coisa, talvez fosse com as insistentes provas que a humanidade me dá de sua inviabilidade. Imaginem a situação: dois sujeitos conversando a respeito de um assunto sobre o qual nenhum dos dois entende nada. Um ainda argumenta ao dizer que está "no começo do livro" que trata do tópico da discussão. O outro - e é aí que todo o potencial humano se fez luz - rebatia meio aos brados (embora fosse o natural dele) falando que discordava daquelas idéias. E eu ali, entre os dois, querendo chegar logo ao metrô pra ver se me livrava daquela chatice infindável. Ainda bem que já era de noite e nenhum dos dois podia distinguir minha expressão de enfado. Aliás, nem que ambos estivessem tratando da chegada do messias eu teria feito outra expressão. Primeiro, que não acredito nisso. Segundo, que nada neste mundo me tira a certeza de que chegamos ao fim da linha. E, diferentemente do que eu mesmo imagino, me parece que o mundo não vai acabar numa bola de fogo. Vai acabar, é sim, num bocejo. Um único e longo bocejo.

19 de setembro de 2007

Como fazer inimigos e colecionar desafetos - parte II

8.Não se misture. Caso seja inevitável, não converse com ninguém. E, se conversar, siga a instrução anterior.
9.Tenha amigos outsiders, marginais, barbados ou hipongos. Ajuda na composição da personagem desajustada que você tenta ser.
10.Jamais deixe de declarar sua condição de vítima do sistema ou da inveja alheia. O mundo adora mártires.
11.Sempre almoce ou jante sozinho. Se acompanhado, faça-o à vista de todos - desde que a companhia seja famosa, importante ou bonita. Ou tudo isso junto.
12.Com pessoas que sejam interessantes, do ponto de vista das vantagens presentes ou futuras, seja gentil e sensato. Em relação às demais, dirija seu desprezo ou destrato.
13.Aponte nos outros os defeitos que existem em você. No caso de não haver defeitos, invente-os, sempre desviando o foco da questão.
14.Na dúvida, não cumprimente. Se puder, esbarre acidentalmente e peça desculpas com estardalhaço.

18 de setembro de 2007

Como fazer inimigos e colecionar desafetos - parte I

1.Observe sempre a ordem correta dos objetos na mesa. Mantenha-os no mesmo lugar.
2.Nunca deixe de apontar as impropriedades gramaticais dos outros. Se você cometer algum, diga que estava testando os conhecimentos do acusador.
3.Jamais admita desconhecimento em relação a nada. Você sabe tudo, leu de tudo, domina até as técnicas de equilíbrio em skates e patins sobre pisos irregulares. Eventuais críticos são apenas os invejosos em relação a seu talento infindável.
4.Sobretudo, faça alarde em torno de sua juventude e sua sapiência. Ainda que você não seja propriamente jovem, use roupas que mostrem seu jeito despojado de ser.
5.Faça muita publicidade de seus triunfos, mas erga um muro de silêncio em torno de seus raríssimos fracassos.
6.Mitos sexuais sempre causam bom efeito. E não se esqueça de sugerir que seus desafetos são homossexuais e, por isso, incapazes de qualquer coisa digna. Alimentar preconceitos, desde que em causa própria, vale ouro.
7.Fale alto em lugares públicos - desde que haja pessoas conhecidas em volta. De preferência, fale sobre algo que eleve sua própria pessoa.

14 de setembro de 2007

Mas, no fundo...

Definitivamente, vou me tratar. Ou isso, ou ainda sairei pelo mundo numa cruzada à caça dos imbecis voluntários. Minha misantropia está chegando a limites assaz perigosos: não suporto tiques nervosos (a não ser os meus), não gosto de gente feliz com suas limitações, tenho nojo de quem arrota orgulhosamente sua ignorância em tudo como se fosse sapiência. A feiúra alheia me constrange. Gente comendo me dá engulhos. Fujo de maltrapilhos, mas evito também os pretensamente bem-vestidos. Desconfio de quem usa gravata e gosta disso. Mas também não dou confiança a quem usa camiseta com dizeres contestatórios e/ou engraçadinhos. Não vejo graça em programas de humor, e, se pudesse, trancaria todos os palhaços sob uma lona de circo e poria fogo em tudo. Manias alheias me cansam; as minhas já me bastam. Detesto quando me subestimam, mas suporto menos ainda que me superestimem. Fujo dos elogios fáceis. Não gosto de críticas fúteis. Não é por acaso que sou totalmente a favor de que haja controle da posse e uso de armas. Não sobraria ninguém vivo.

13 de setembro de 2007

Na beirada...

Você já viu a morte de perto? Assim, mirando nos olhos dela, aqueles olhos sem fundo, vendo um filme passar bem depressa e você ali, na beirada do precipício? Eu já, e mais de uma vez. A última foi hoje. E, olha, essas coisas não têm nada de bonito.

12 de setembro de 2007

As compensações

Neste último final de semana fui ao casamento de um ex-aluno a quem muito estimo. Normalmente fujo dessas ocasiões como o demo fugiria da cruz ou como R.L. foge do espelho. Como todo mundo sabe, odeio gente. Multidões me exasperam. E eventos sociais costumam ter essas coisas. Mas fomos e chegamos em cima da hora. Por sorte, havia uma mesa com pessoas conhecidas, também ex-alunas da mesma turma do noivo. E papo vai, papo vem, surgem as conversas sobre "aquele tempo" - devidamente regadas a cerveja e uísque. E todas elas se tornaram professoras. Professoras que gostam do que fazem e buscam fazer um trabalho que não seja a reprodução do comodismo habitual da classe. E debitaram boa parte de sua capacidade a gente como eu, que exigiu delas mais do que elas acharam que podiam oferecer. Falsa modéstia à parte, creio que o máximo que fiz foi tentar mostrar que havia algo além do muro do quintal, para usar uma metáfora. Outro dia mesmo recebi uma mensagem no orkut de outra ex-aluna relatando o amor que ela sentia pela Literatura, e que isso se refletia nas salas de aula onde ela trabalhava - também debitando a mim o papel fundamental dessa formação. Gosto de saber que - ao menos no imaginário das pessoas - o que desenvolvo repercute positivamente no mundo. Talvez eu pudesse ter feito mais e melhor, mas eu sou apenas um. Não sei se isso melhorará qualquer coisa; tenho por mim que não. Mas não nego que saber que fiz alguma diferença é sempre um pensamento reconfortante.

11 de setembro de 2007

Efeméride

Há exatos seis anos, uma série de atentados dentro do território dos EUA inaugurou uma nova era. Um tempo de paranóia quase absoluta, de perda dos matizes, do retorno triunfal dos dogmatismos de todos os tipos. O mundo, que já era uma bosta, tornou-se um lugar ainda pior para se viver. De lá para cá, a degradação só fez aumentar e só os deslumbrados com o Poder (e os apaniguados em geral) podem achar que alguma coisa melhorou. Vocês me desculpem chover no molhado, mas não dá mesmo para concordar com "tudo isso que está aí", e não é de hoje. É necessário ter estômago de aço para suportar o aumento exponencial da burrice, dos desmandos, do primarismo que parece ter tomado conta até mesmo da dita classe intelectual. Os atentados ao WTC - atos em si tão burros quanto as reações que se lhes seguiram - foram o show inaugural de nosso tempo de imbecis e de imbecilidades. Prova disso é eu escrever este blogue e haver quem me leve a sério a ponto de querer brigar comigo.

10 de setembro de 2007

Nada de novo no horizonte

Confesso que nunca trabalhei tanto como nos últimos dias. Assim como nunca por tão pouco. Mas isso parece ter virado regra: em determinados setores, a formação mais elevada não apenas tem valor nenhum como pode ser algo que desqualifica o vivente para exercer qualquer função. Ah, mas isso não tem importância, já que os fundamentos da economia parecem estáveis, o desemprego está controlado, e a inflação idem. Enquanto isso, Roma pega fogo...

3 de setembro de 2007

Quem não se divulga...

Para os interessados, amigos e parceiros: tem resenha de minha autoria no sítio do programa Entrelinhas, da TV Cultura. Aliás, tem duas. Para acessá-las, clique aqui e aqui.

Pois eu vou falar um negócio pra vocês: depois que mandei minhas resenhas, não é que deu uma caída no nível dos textos ali publicados? Nem vou falar em termos estilísticos, que aí é tragédia mesmo; mas mesmo alguns dos livros comentados são de baixa extração. Deve ser minha influência...hehehe!

30 de agosto de 2007

Rapidíssimas II

- Quem disse que o trabalho enobrece o homem nunca deve ter trabalhado na vida. Ou era um tremendo gozador.
- O que leva um pobre-diabo a fingir que está falando ao telefone celular, simulando recusar uma proposta de trabalho ou uma entrevista para um jornal? Isso, no meu tempo, era falta de sexo. Mas, claro, no "meu tempo", não havia celulares...
- Ventos novos sopram nesta terra desolada. Mas só levantam uma poeira dos infernos...
- Faz frio, faz calor, faz frio de novo. Num país como o nosso, nem mesmo o clima escapa da esquizofrenia generalizada.

29 de agosto de 2007

Lembretes

- Tudo o que se escreve aqui é mentira.
- Se eu pudesse recomeçar, faria tudo errado novamente.
- Qualquer decisão que você tenha de tomar resultará em algum tipo de desgraça. Cedo ou tarde.
- Entre a dignidade e a sobrevivência, fique sempre com a segunda, pois a primeira não compra caviar.
- Contra todas as evidências, reitere que você está sendo vítima de uma conspiração. O problema é se não houver evidências. Neste caso, a condenação é certa.

27 de agosto de 2007

O que realmente conta

Conselho materno: "você deve encarar as coisas de modo mais positivo, para não atrair mais negatividade..." Gostaria de acreditar nisso, mas, sinceramente, não tem como. Mas digamos que eu caísse nessa. Decerto que tudo mudaria: eu não seria mais explorado, não seria mais vilipendiado, não seria mais sacaneado. Teria um emprego legal, com salário digno (ou um trabalho compensador do ponto de vista financeiro e pessoal). Pagaria impostos justos, que reverteriam numa sociedade melhor, em ruas pavimentadas, hospitais públicos decentes, escolas idem. Não teria medo de voltar para casa à noite, pois teria segurança. Até os fdps que insistem em cruzar meu caminho iriam cuidar de suas vidas plantando batatas ou cenouras (estas últimas, talvez mais condizentes com suas próprias frustrações). Teria uma sobra todo mês que me permitiria, uma vez por ano, viajar e descansar. Não teria dores nas costas, estresse, irritações de pele e de nervos. Claro que, para isso, teria de arrumar o tal emprego - que não existe -, trabalhar feito um condenado 16 horas por dia, inclusive sábados e domingos, ganhar uma úlcera e um probleminha no coração, para quem sabe um dia poder usufruir de uma aposentaria merrequenta - isso se eu não for dispensado antes, a pretexto de algum corte de custos. Vamos todos começar a pensar positivamente, então. Assim: 1, 2 e... 3! Sentiram a mudança? Pois é, nem eu.

21 de agosto de 2007

Um poema

"Nada de importante"

Você abre a porta de casa
E um cadáver lhe dá bom-dia.
Um odor de ferro e chumbo
Derrete o asfalto ao nascer do sol.
Um fulano fodido - e você dormindo
Depois de horas e horas de trabalho
Ou de falta dele, contando o que resta
Para lhe tirarem o prato e o teto.
Porque é isso mesmo:
Deus não existe, ou morreu,
Ou sequer sabe de sua existência.
E, seja como for, você é tão importante
Quanto o fiapo de baba que escorre
Da boca do cadáver que lhe dá bom-dia. Você pensa nisso
No justo momento em que um ônibus desgovernado
Faz paçoca de seus miolos.

20 de agosto de 2007

Já encheu

Mas não é que, de repente, voltamos a ser uma ilha de paz no meio da turbulência?
Longe de imaginar que isto aqui vai melhorar um dia. Não vai nunca. E não adianta ir pra esquerda ou pra direita. Nem aderir ao "Cansei", ao "Cansamos", ao "Caguei" ou a que verbo vocês quiserem. A sociedade nunca esteve tão explicitamente dividida (na verdade, sempre esteve, mas os últimos anos foram pródigos em desfazer a ilusão - o que pode ser bom ou um desastre). Ou você faz parte da curriola, ou você é faz parte da "direita golpista". Ou você está conosco ou está contra nós. Há os que se locupletam, há os que assumem a esquizofrenia. Não nos permitem ficar à meia-luz, ou à meia-sombra, sob a acusação de que a neutralidade ou o exercício da crítica apartidária são atitudes vis. Da minha perspectiva, estamos na merda, que fede do mesmo jeito não importa o matiz político do emissor. Desconfio de um movimento que se diz "apolítico" (se é um movimento contra qualquer coisa, já é político), mas me dou o direito de rejeitar um outro que se diz "das massas", mas que enriquece seus líderes, e isso pra dizer o mínimo. Nunca na história vivi tamanha desesperança, mais que isso, anomia. Não tenho vontade sequer de ter alguma vontade. E estou aqui, sentado, esperando que a morte me pegue e me poupe o trabalho de agir em nome dela. Mas acho que nem isso vai acontecer.

15 de agosto de 2007

O horror, o horror...

Detesto cachorros. Aliás, acho que qualquer espécie animal cuja boca tenha abertura suficiente para levar minha mão embora deveria ficar do lado de dentro da jaula. Não é isso, porém, que me faz odiá-los. O problema dos cães é que eles são submissos ao ser humano - a pior espécie viva deste planetinha em que tentamos existir. É até plausível dizer que tenho ojeriza maior aos donos que aos cachorros propriamente ditos. Quem, em sã consciência, pode achar um pitbull "bonitinho"? Ou um buldogue? Ou uma dessas bolas de pêlo cujos latidos ultrapassam qualquer nível decente de decibéis e fazem seu cérebro doer como se uma agulha o estivesse atravesando? Se não fosse passível de processo criminal, minha vontade seria praticar futebol com cachorros fofinhos e peludos. E tiro ao alvo com os grandes.
Dito isso, se existe uma coisa que me revolta as vísceras é ver o que muita gente considerada mais decente que eu faz com seus bichinhos de estimação tão logo eles começam a se tornar estorvos: abandonam os animais por aí. Isso quando não os matam de fome ou doença. Enquanto o danado do bicho for bonitinho e coisa e tal, tudo bem. A partir do momento em que ele passa a roer móveis, sapatos e a fazer suas necessidades pela casa, rua! Ninguém se lembra de que estão tratando com um ser vivo, que sangra e sente dor. Oras, é só uma "coisa" mesmo, não é? Essa irresponsabilidade, somada à total ausência de sentimentos, é que me enoja. Mas alguém aí liga para o que acontece com quem não pode(mais)falar?

13 de agosto de 2007

Comentário atônito

Quem ainda acha que o mundo tem conserto deve urgentemente ler as páginas de Cultura dos jornais diários. Há um universo de acontecimentos de bastante relevância: cursos, palestras, saraus, lançamentos de livros etc. Só que nada disso aparece nos ditos órgãos de imprensa. Ou muito pouco. Na maior parte dos casos, as notícias sobre livros (só para ficar num dos meus campos de atuação) limitam-se a notinhas de rodapé cujos textos já estavam prontos nos releases enviados pelas editoras. Quando há uma resenha mais encorpada, é sempre de um autor que não precisa daquela resenha, a qual, no mais, dificilmente escapa do ramerrão impressionista sob disfarce técnico. Agora, infinitamente pior do que isso, só mesmo aquele texto em que o sujeito não tem NADA para comentar, fica dando voltas em torno de platitudes e lugares-comuns, e enche o espaço que falta (dois terços do total) acusando a crítica e os escritores de fazerem exatamente aquilo que ele, o resenhista, faz: propaganda de si próprio, autoproselitismo, aversão a quem pensa diferente. Não fosse o caderno de empregos, era o caso de pedir o cancelamento de todas as assinaturas dos jornais que leio.

9 de agosto de 2007

Resumo rápido

Semana difícil: nenhum trabalho novo, nada de grana na conta corrente, que já ameaça entrar no vermelho outra vez. E nenhuma perspectiva à vista. Muito menos a prazo. E ainda tem a amigdalite, que resolveu ficar mais um pouco e pediu outra intervenção, desta vez com injeção de Bezetacil, aquela maravilha. E mais três dias de antibiótico, antiinflamatório e mais outro medicamento que eu preferi nem perguntar pra que servia. Tem certas coisas que é melhor desconhecer mesmo. E houve o curso que era pra começar esta semana, mas só teve a primeira aula, e que só deve ser retomado em setembro. Muita gente que havia planejado ficar livre em outubro vai ter de repensar a agenda. Por fim, a corrida atrás de documentos e quejandos pra outra burocracia que vai redundar em nada. O problema é que - como diz o Zé Simão - "quem fica parado é poste", e ficar só reclamando não vai levar a lugar algum muito menos. Então, vale tirar o traseiro do sofá, como diria nosso impoluto chefe da Nação, e "correr atrás do prejuízo"...
De quebra, fiquei até agora dando aula e perdi o lançamento da Fósforo, do meu dileto parceiro Claudinei, dono do site Desconcertos. Outra lástima!

8 de agosto de 2007

Um capítulo de um livro vindouro

Preciso corrigir esse defeito. Não é nada para se envergonhar, mas as pessoas não entendem o que eu digo, tenho de repetir, me repetir, eu que odeio isso mais que tudo, mais que o fato de eu usar óculos e ter a cara cheia de espinhas. Vou falar, então as palavras saem enroladas, umas sobre as outras, como putas de filme pornô, aí a pessoa me olha com aquela expressão de quem acha que você sofre de algum problema mental, então tento me explicar e o que consigo é manchar a roupa da pessoa com perdigotos e ver o riso amarelo e o cara enojada que ela faz antes de se afastar como se eu tivesse alguma doença contagiosa. Nada para me envergonhar, mas eu preciso corrigir ese defeito antes que me tomem por demente. E eu não sou. Tenho apenas esse defeito, um nada, que projeta meu maxilar inferior para além de seu eixo e me confere um ar meio agressivo. É másculo, mas em mim é defeito. Um defeitinho. Fora isso, sou perfeito. Minha mãe concorda comigo, tanto que vai me ajudar a pagar a operação. Daí todos terão de me agüentar falando o que me ter na telha. Não vejo a hora.

Ainda à beira da morte

Ou nem tanto. Mas a amígdala continua inchada, o que é mau sinal - ou seja, complicações advirão em breve. Menos mal que a temperatura do corpo baixou, o que pelo menos me permite sair à rua sem sentir frio com os termômetros marcando 26 graus. Se eu acreditasse nisso, diria que é praga. Mas é estresse mesmo. Do jeito que a coisa vai, acho que o melhor será pegar uma fazenda bem grande (se é que vai sobrar alguma depois que o MST finalmente implantar sua moderna política agrária) e carpir o mato até as mãos criarem calo (o que não vai demorar muito...hehehe!). Depois, criar uma sociedade alternativa, onde eu possa compor muitos rocks rurais, com meus livros, meus CDs e nada mais (bom, vale uma geladeira, uma TV a cabo, ar condicionado, banheiro limpo...). Pensando bem, vamos voltar à desgraceira cotidiana.

6 de agosto de 2007

Notícias do "front"

Claro que eu não podia passar um ano sem contrair uma amigdalite brava. Pois é: febre, garganta doendo, a sensação de que passaram um rolo compressor sobre você... Acompanhando o pacote, a dor renitente nas costas - indício claro do que será minha fase decrépita. Antes de cair doente, porém, escrevi alguns pequenos textos. Só não os publico hoje porque a preguiça e a leseira andam demais...

31 de julho de 2007

Curso sobre Poesia Moderna

A pedidos da Ana Rüsche, divulgo aqui um curso que ela e o Dirceu Villa vão ministrar em setembro. Até deu vontade de cursar, vendo o programa... Para quem se interessar, as inscrições podem ser feitas diretamente no site do b_arco.

Poetas da Modernidade: Um Panorama Internacional
espaço b_arco virgilio, oficinas de cultura
www.barcovirgilio.com.br
galeria virgilio, rua dr. virgilio de carvalho pinto, n° 422, pinheiros
(11) 3081.6986, contato@barcovirgilio.com.br

por Ana Rüsche & Dirceu Villa

Objetivos: Apresentar de forma agradável e próxima os principais poetas que produziram durante o século XIX e XX, cujo conhecimento se faz imprescindível para compreensão da arte moderna, como os nomes de Rimbaud, Baudelaire, Rilke, Hölderlin, Eliot, Pound e Pessoa, dentre outros.

Além do apanhado crítico e teórico que pressupõe o curso, os textos serão passados em forma de leitura, com detalhes bibliográficos, para que a apreensão do conteúdo seja interessante e atrativa a todos.

Destinado a: Interessados em poesia, literatura, filosofia e história da arte. Não são necessários conhecimentos prévios específicos sobre poesia.

Início: 01 de Setembro de 2007. Reserve sua vaga

Dias/Horário: De 01 a 29/09 (5 encontros). Sábados, das 11hs às 15hs. Cada encontro terá a duração 4 (quatro) horas com um intervalo de 30 (trinta) minutos

Programa proposto
(sujeito a alterações)

1° Encontro - Poetas de Língua Inglesa- T. S. Eliot
- Ezra Pound
- Emily Dickinson
Comentários sobre: William Blake, e.e. Cummings, William Butler Yeats e Gertrude Stein

2° Encontro - Poetas de Língua Francesa
- Arthur Rimbaud
- Stéphane Mallarmé
- Charles Baudelaire
Comentários sobre: Paul Éluard & André Breton, Guillaume Apollinaire, Jean Cocteau, Jules Laforgue e Tristan Corbière

3° Encontro - Poetas de Língua Alemã
- Rainer Maria Rilke
- Bertold Brecht
- Paul Celan
Comentários sobre: Friedrich Hölderlin, Georg Trakl, Else Lasker-Schüler e Kurt Schwitters

4° Encontro - Poetas de Línguas Italiana e Ibéricas
- Filippo Tommaso Marinetti
- Octavio Paz
- Fernando Pessoa
Comentários sobre: Giuseppe Ungaretti, Joan Brossa e Pablo Neruda

ANA RÜSCHE - Escritora, publicou Rasgada (Quinze & Trinta: 2005) e Sarabanda - Um Caderno de Estudos (Selo Demônio Negro: 2007). Vencedora do PAC - Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo em 2006, e do prêmio Versos Femininos, Prefeitura de São Paulo, 2004.Participou de diversas antologias, dentre elas Oitavas (Selo Demônio Negro: 2006) e foi traduzida para o catalão e o espanhol na Antologia Panamericana - Poetas nascidas após 1976, SérieAlfa por Joan Navarro (2005). Traduções publicadas: Expressionistas alemães, Revista Zunái (2005), Poetas sul-africanos, Revista Etcetera nº 8, Ed. Travessa dos Editores (2006).
Formada em Direito na Universidade de São Paulo (USP), cursa o 5° ano de Letras na USP. Escreve diariamente no blog convidado da UOL, Peixe de Aquário, http://peixedeaquario.zip.net.

DIRCEU VILLA - Poeta e tradutor, publicou MCMXCVIII (Badaró: 1998) e Descort (Hedra: 2003), vencedor do Prêmio Nascente (USP) em 2000. Publicado em revistas e antologias, dentre elas a nova-iorquina Rattapalax n°9, Ácaro e Ciência & Tecnologia. Prefaciou Contos Indianos, de Stéphane Mallarmé (Hedra, 2006); Fausto, de Christopher Marlowe (Hedra, 2006) e Pequenos Poemas em Prosa, de Charles Baudelaire (Hedra, 2007, no prelo).

Formado em Letras na Universidade de São Paulo (USP), concluiu em 2004 mestrado em Literaturas de Língua Inglesa, traduzindo e anotando Lustra, de Ezra Pound. Integra o conselho editorial dos Cadernos de Literatura em Tradução (FFLCH/USP). Ministrou cursos de poesia na Extensão Universitária da USP nos anos 2003, 2005 e 2006. Editor da revista Gargântua (1999), de literatura e arte. Publica, desde 2004, ensaios e traduções na revista digital Germina Literatura, criador de e responsável pelas páginas Officina Perniciosa, Thesaurus e Folha Elétrica, www.germinaliteratura.com.br

27 de julho de 2007

De passagem...

Infelizmente não vai ser desta vez que ficarei famoso, mas minha pequena resenha a respeito do livro A Maldição da Moleira foi publicada no site do Entrelinhas. A limitação do espaço acaba obrigando a gente a deixar considerações importantes de lado, mas o exercício de escrever o essencial foi assaz interessante. Quem quiser conferir, clique aqui.

Diferentemente das demais criaturas deste planeta, gosto do frio. Quem me conhece já sabe disso, de modo que não vou ficar me repetindo além da conta. O calor, embora propicie a visão generosa das beldades femininas (e das masculinas, para quem prefere), também põe à mostra, em proporções muito acima do razoável, o horror das caras suadas, e das camisas manchadas nas axilas. Disgusting, no mínimo. No frio não há nada disso. De quando em quando, um casaco de pele fora do contexto, a estética da cebola, coisas assim. O melhor é que ninguém sai de casa. A cidade fica melhor e mais respirável.

24 de julho de 2007

Paroles, parolagens...

Correu tudo bem na sessão de comunicações da Abralic, ontem. Para quem não sabe, explico: a Abralic (Associação Brasileira de Literatura Comparada) organiza encontros regionais e congressos internacionais que reúnem professores mestres e doutores para falar sobre... Literatura sob a perspectiva comparativista, embora não só por ela. Nessas ocasiões, além das mesas-redondas, há um espaço para a divulgação de trabalhos (em andamento ou concluídos) dos professores titulados, sob a forma de comunicações breves. Em geral, cada um lê um texto previamente escrito - embora sempre haja quem ensaie uma fala mais ou menos improvisada na hora -, a que se segue um tempo para debates entre os expositores e o público eventualmente presente. É, é bem acadêmico - no bom e no mau sentido. Mas o mais divertido é ter a oportunidade de perceber que há uma quantidade enorme de trabalhos que não valem o papel em que foram escritos, assim como também há outros cujo brilhantismo causa inveja, a boa inveja. Além do que os contatos que se estabelecem nessas ocasiões são sempre interessantes, pelo menos do ponto de vista acadêmico e intelectual. Ah, meu trabalho foi bem recebido, mas fiquei com o forte impressão de que metade da audiência não tinha a menor idéia do que eu estava falando...rsrsr! Nada muito diferente de "dar aulas", afinal...

Gastei o que não tenho e comprei três livros: Diálogos com Leucó, de Cesare Pavese; Belverede, do Chacal; e Cemitério, do Paulo Emílio Salles Gomes. Dos três, o do Chacal tem lançamento amanhã, a partir das 19h00, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. Dos demais, comento depois.

19 de julho de 2007

Conversas convertidas

Minha parceira de Literatura, a Marília, do delicioso blogue Micrópolis (link ao lado, please!), escreveu para mim solidarizando-se quanto ao fato de minha condição isolada e isolacionista. Mas ainda assim ela é menos dominada pela misantropia do que eu, já que lançou uma obra coletiva com a Ana Rüshe, a Silvana Guimarães, a Andrea Catropa, entre outras. Eu, nem isso. Ou melhor, somente um livro muito mal divulgado, por minha própria culpa. A última festa que lembro de ter ido foi uma na qual quase me peguei com o então cunhado de um amigo porque ele encanou com o fato de eu não beber cerveja. Aliás, não beber nada alcoólico. Diga-se de passagem, isso valeria uma tese: os motivos sóciopsicofenomenológicos da agressividade contra os não-bebedores. Como se fôssemos uma espécie de ETs, ou portadores de alguma doença contagiosa. Virgens e de pau pequeno. Agentes da polícia secreta das elites ou da direita que não deseja o sucesso das classes trabalhadoras do país. Delatores. Disfuncionais. Chatos. Próceres da moral e dos bons costumes. E por aí vai...
Acresce que escrevo poemas. Ou pelo menos tento. E, como eu já disse aqui, não existe nada mais esquisito do que poetas (ou candidatos a). Deve ser genético. Mais ou menos como os X-Men ou as personagens de Heroes. E sem nenhuma das vantagens.

Gracejos à parte, escrevi uma pequena resenha do recente livro da Índigo - A Maldição da Moleira (editora Girafinha). Ia publicá-la aqui, mas resolvi, antes, mandar o texto para um site especializado em Literatura - vai que eles se deixam enganar e me dão uma pequena alegria (sim, porque grana que é bom...)

Semana que vem, segunda-feira, vou apresentar uma comunicação sobre um conto de Marçal Aquino. Vai ser no Encontro Regional da Abralic, que este ano acontece na USP. Mais informações, clique aqui. Espero não ser massacrado...

18 de julho de 2007

Palavras ao vento.

Ia escrever alguma coisa sobre o livro da Índigo, de que gostei demais, mas não há como. A morte de tanta gente, por algo que deveria ter sido evitado facilmente, poderia coroar os desastres de que temos sido vítimas, como "nunca na história deste pais", não fosse o seguinte: não acabou aí. Como dizem os americanos, "the cherry on the cake" ainda não foi posta, e esta geração de políticos ainda tem muito a nos apresentar. Os sobreviventes verão. E pior: nem poderão vaiar, já que até isso será proibido.

Os problemas da Educação no Brasil nunca serão resolvidos enquanto a cláusula constitucional que a torna um direito de todos não for suprimida. O Estado faliu, não por falta de dinheiro, mas pela incompetência de quem o administra. Mas nada neste e em qualquer outro mundo salvaria a Educação, cujas contradições irresolvíveis são o alfa e o ômega de seu fracasso, ou melhor, de seu sucesso. Sucesso? Sim, se levarmos em conta que o objetivo é esse mesmo, o de demonstrar sua inutilidade para as massas. "Precisamos adaptar a escola aos novos tempos" é frase de quem já se rendeu ao mercado, à deformação utilitarista que molda tudo e todos. O que seria essa adaptação? Computadores na escola? Aulas dinâmicas? Ênfase na prática? Oras, isso é o mais do mesmo, é fazer da escola uma extensão piorada da própria casa. Quem aprende alguma coisa assim? Melhor: o que se aprende em lugares desse tipo? A mesma coisa que vemos nas ruas, nas delegacias, nos palácios, nas favelas. Criamos monstros que, crentes de sua onipotência, voltam suas garras e armas para nós.
Não, isto que escrevi não é solução pra nada - antes que me venham cobrar alguma coisa. É só um desabafo diante de tanta coisa fora do lugar - de qualquer lugar.

17 de julho de 2007

Algumas palavras

Para não dizer que a vida tem sido improdutiva: aproveitei o tempo mais ou menos livre para botar algumas leituras em dia e ir ao cinema. Por exemplo: por um desses desvios malucos de nossa existência, só fui tomar conhecimento da poesia de Ana Rusche há pouco tempo. E ela estava ali, bem perto, já que transitamos pelos mesmos blogues e sites de Literatura. Mas, nessa minha idiossincrasia anti-social, voltava e girava sempre pelos menos lugares, sem me aventurar em descobrir o que havia por trás (no bom sentido) daqueles outros nomes. Li o 8 femmes, antologia da qual ela e outras poetas participam e, além dos nomes que eu já conhecia, pude tomar contato com outras propostas poéticas - nem todas na linha do meu gosto pessoal, vale dizer -, o que é sempre uma forma de enriquecimento. Um amigo, agora distante, já me havia alertado para a necessidade de, nas palavras dele, "sair do escritório", como se meu isolamento fosse parte de uma atitude algo blasé diante dos colegas escritores. Não é o caso, e ele, mais do que ninguém, deveria saber disso. Mas convenhamos: sou tímido, não bebo, não fumo, e acho que qualquer grupo acima de quatro pessoas já se configura uma ameaça a minha integridade física. Fica difícil, não? Acresce que, quando todo mundo se reúne, normalmente estou trabalhando. Aliás, nem sei porque ainda estou vivo.
MInto: sei. E é para ter a oportunidade de ler bons poemas, descobrir pessoas legais e perder um pouco da descrença na redenção da humanidade. Mas só um pouco.

13 de julho de 2007

Poema!

"Nem as paredes confessam"

Há tempos eu não via o sol se pôr
E hoje ele estava ali onde me refugio
Qual uma chapa de ferro esquecida sobre o fogo
Sob o manto de sólida sombra e sangue.
De onde estou vejo ruas esgueirando-se
Nas entranhas e em mortos morros
Onde vozes gritam no afã de se fazerem ouvir.
Mas o barulho das britadeiras as abafa
Junto com o caldo escuro extraído
Do asfalto - onde carros blindados rosnam.
Quem sangra, afinal, posta-se do outro lado
Da tela de TV em surdez de cristal líquido.
E atrás das paredes, no canto escuro delas,
Mastigo os ossos que me foram ofertados.

Dia do Rock!

Efemérides são um porre quase sempre. Mas esta eu não posso deixar passar em branco: I know, it´s only rock and roll but I like it!

12 de julho de 2007

De volta, mas aos poucos...

Depois de dias e dias de calor insuportável, o frio bateu por aqui - embora sem chuva que amenizasse a secura e a poluição. Dá até pra acreditar que a vida vai dar uma melhorada - mas não vai. Enquanto a próxima desgraça não acontece, vamos levando essa joça como dá.
Escrevo diretamente de um macintosh da agência de propaganda onde exerço - como freelancer - a nobre arte da revisão. Adeus férias! E tudo pra ganhar um troco que me permita pagar as contas, que não param de chegar. O trabalho é bom, por enquanto não rolou nenhum stress, e acho que vai permanecer assim. Nesse meio tempo, escrevo e leio, já que a vida acadêmica - por pior que seja - ainda está em meu horizonte.
Pensei em postar um poema, mas deixei meu caderno em casa (sim, ainda escrevo textos em cadernos!),e, com isso, vou privar vocês de mais essa chateação. No mais, fora a dor nas costas e uma enxaqueca que não me largam, sobreviverei para escrever amanhã, se os deuses da informática me permitirem...
Até amanhã.
P.S.: hoje à noite tem lançamento na Livraria Cultura da avenida Paulista. Um livro do Tim Burton e outro da Índigo. Será às 19h00. Espero encontrar vocês.

6 de julho de 2007

Não morri...ainda!

As eventuais pessoas que aparecem neste blogue fiquem sossegadas: não é o caso de procurarem meu obituário nos jornais. Estou bastante ocupado com um texto que tenho de entregar até terça-feira, por conta do Encontro Regional da Abralic, e nem dá pra pensar em postar nada aqui, por ora. Aguardem mais um pouco (até porque tenho de apagar um pouco a má impressão - sem trocadilho - deixada por minha última entrada neste blogue).

30 de junho de 2007

Últimas

Estive ontem na abertura da FLAP. Hoje, por conta de um mundo de coisas chatas, não pude ir aos debates. Depois, pensei melhor e achei bom não ter podido ir, já que havia o risco de encontrar gente de quem não gosto, e não preciso de mais essa pra estragar minha vida.
Devo estar ficando velho e (mais) chato. Não que eu tenha desgostado dos poemas lidos ontem, mas a Casa das Rosas meio que me deprime com aquelas luzes amareladas, aquele clima soturno, o ar de século passado. Junte-se a isso os poetas, os seres mais estranhos que habitam este planeta miserável. E, convenhamos, alguns poemas eram ruins, não havia café por perto para a gente beber enquanto ouvia as declamações, entrava um frio pelas janelas (que, fechadas, intensificavam o odor de mofo do lugar), essas coisas... Saí de lá quase na hora do intervalo programado, cansado, com a sensação de que devia ter ficado em casa. Mas, sei lá, de repente era eu mesmo o problema...

28 de junho de 2007

FLAP

Para quem ainda visita este blogue, fica o convite para nos encontrarmos na FLAP... Mais detalhes: http://flap2007.zip.net/
Clique na imagem para vê-la maior.

27 de junho de 2007

O que não faz o desemprego...

Das coisas que a gente faz na internet... Mas não vou dizer que fiquei insatisfeito com o resultado...hehehe!

Your results:
You are Jean-Luc Picard
































Jean-Luc Picard
75%
An Expendable Character (Redshirt)
75%
Spock
70%
Leonard McCoy (Bones)
55%
Deanna Troi
50%
James T. Kirk (Captain)
45%
Chekov
40%
Data
39%
Uhura
35%
Geordi LaForge
35%
Will Riker
35%
Mr. Scott
30%
Beverly Crusher
30%
Mr. Sulu
25%
Worf
25%
A lover of Shakespeare and other
fine literature. You have a decisive mind
and a firm hand in dealing with others.


Click here to take the Star Trek Personality Test

25 de junho de 2007

Saldo

Assim como muitos, também tive uma fase de aderir a uma religião. Da perspectiva de quem me conhece hoje, um espanto. Mas na verdade nunca fui um religioso convicto. Ao contrário, tudo me parecia por demais duvidoso, embora eu fizesse força para acreditar. Por fim, saí daquela igreja, me afastei dos amigos que fiz por lá, fechei aquela porta. Aquilo cheirava demais a dinheiro, esse era o problema. Não que eu não goste dele; apenas achava que o discurso não combinava com a prática - sim, eu era mais ingênuo do que sou hoje. No fundo, eu estava em busca de algo que não me parecesse contraditório, ao menos não de forma tão escandalosa assim. Meu ateísmo, que parece inato, juntou-se ao anticlericalismo adquirido na prática social. A suprema ingenuidade, entretanto, residiu na ilusão de que o chamado "mundo real" fosse menos pior - o que, cedo, pude comprovar que não.
Difícil crer em alguma coisa, hoje em dia. A única que sobrou, para não cair no paroxismo absoluto, é a crença na inviabilidade do gênero humano. Infelizmente, esta se confirma a cada momento, em cada notícia, em cada passo que arrisco por aí.

20 de junho de 2007

Com a devida licença...


Não é verdade que "o sonho acabou"; ele nunca existiu - não na forma como o imaginamos, em nossa ingenuidade.

18 de junho de 2007

Como fazer inimigos e atazanar as pessoas

Além do prometido romance - que, acreditem, está sendo escrito - eu deveria ocupar meu tempo livre com a redação de livros de auto-ajuda. Assim como meu querido parceiro Zé Mucinho teve seu O Sucesso Não Ocorre no Meu Caso, cujo título parodia esse tipo de publicação, também eu deveria investir no segmento, com enormes chances de sucesso. E, para que não saiam por aí dizendo que minha única preocupação é com o marketing pessoal, escreverei um híbrido de livro de memórias com manual do escoteiro-mirim, cujo nome encima este post. Em grande parte baseado em minhas experiências pessoais no trato diário com a humanidade, meu livro estará na cabeceira de todos os grandes líderes mundiais, dos regionais, dos locais e até mesmo dos suburbanos. Claro que um e outro prescindirão do material, visto serem craques na matéria. Penso, inclusive, na nobre classe dos escritores - em particular a dos poetas, embora isso valha para alguns prosadores - que certamente encontrarão no meu livro uma fonte quase inesgotável de inspiração para o exercício da arte literária brasileira. Não direi, contudo, que parte considerável dos conselhos veio da observação atenta do comportamento de alguns nobres colegas, que isso seria mentira caluniosa. Não, meu livro baseia-se apenas e tão somente em mim mesmo, a única pessoa capaz de ter semelhante grau de iluminação, como nunca na história deste país. Aguardem, pois, mais um produto de minha genialidade. Breve, em todas as sex-shops do planeta. Haverá tradução em catalão e iídiche, para quem quiser.

11 de junho de 2007

Vamos lá?

Sei que é dia dos Namorados e coisa e tal, mas valeria a pena prestigiar o evento. Conheço o texto de algumas das participantes, e garanto que é de altíssima qualidade.
Lançamento de coletânea de poesia Leitura e lançamento de coletânea, em que participam Ana Maria Ramiro, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Marília Kubota, Silvana Guimarães, Sílvia Chueire, Simone Homem de Mello e Virna Teixeira (organizadora). 12 de junho, 20h, Academia Internacional de Cinema. R. Dr. Gabriel dos Santos, nº 142, Higienópolis. Mais informações: http://8femmes.wordpress.com/

8 de junho de 2007

Notas no meio do feriado

Fui aos Encontros de Interrogação na quarta-feira. Premido por um compromisso anteriormente agendado (que nem acabou acontecendo - viu Kuka? Hehehe!), acabei assistindo a apenas uma das conversas, que reuniu Marcelino Freire, Evandro Afonso Ferreira, Raimundo Carrero e Maria José Silveira. O debate girou em torno de uma questão que, sob meu ponto de vista, já deu o que tinha que dar: o (falso) dilema entre o privilégio à forma ou ao conteúdo na criação literária. "Forma", no caso, referindo-se ao trabalho com as palavras, com o material à disposição do escritor. Não obstante isso, não direi que a conversa foi ruim - pelo contrário. As intervenções desconcertantes do Evandro foram impagáveis, desmontando toda a argumentação em torno da "consciência criadora". O pior é que tanto Carrero quanto Maria José Silveira, talvez em virtude da natureza dos encontros - o academicismo parecia um corpo estranho lá -, tenham refreado as contestações à atitude provocativa do autor de Grogotó.
Outro ponto interessante foi a "chamada pro pau" que Raimundo Carrero impetrou contra Antonio Candido e a USP. No atual momento, em que todo mundo resolveu descer a cacete na universidade pública e, mais particularmente, na referida USP, soou desagradável. Mais: o ponto de vista de Carrero a respeito da obra de Candido estava mais do que equivocada. De duas uma: ou o sujeito leu mal, ou leu muito bem mas achou bonito posicionar-se contra para ser "dialético". As reações na platéia não eram exatamente favoráveis a Carrero, diga-se de passagem...
À saída, Marcelino Freire veio falar comigo, perguntar do texto que ele havia mandado para mim. Contei essa? Pois é: a meu pedido, ele havia ficado de escrever uma orelha ou apresentação para meu próximo livro de poemas. Demorou um tempo, eu enchi um pouco o saco dele, mas há alguns dias ele me enviou o arquivo. Confesso que me comovi, eu que tento ser imune a essas coisas. Nunca imaginei que meus poemas pudessem ter provocado tal reação num leitor, ainda que privilegiado. Agora só espero que o pessoal da editora pense o mesmo...hehehe!

Este blogue sofre de um problema sério: é restrito a um pequeno grupo de leitores. Da mais alta estirpe. Acontece que é da natureza dos blogues a plena acessibilidade, de modo que fico aqui nessa atitude esquizofrênica de querer ser lido e, ao mesmo tempo, ter de resguardar da invasão de indivíduos desprezíveis, que vêm me ofender anonimamente - embora eu saiba quem são eles. A idéia de acabar com os comentários já me foi sugerida, e voltou a ser avaliada. Talvez seja o caso. Quem quiser dizer alguma coisa, que me mande e-mails. Dá mais trabalho, mas não deixa de ser um filtro. Vamos ver.

6 de junho de 2007

Encontros de Interrogação

Hoje, amanhã, sexta e sábado acontecem os debates dos Encontros de Interrogação, no Itaú Cultural. Para quem se interessa pela cena literária (em todos os sentidos, inclusive...hehehe!), vale a pena a visita. É grátis, mas convém chegar antes pra garantir um lugar. Mais informações, no site http://www.itaucultural.org.br
Nos vemos lá?

4 de junho de 2007

Nada a dizer.

Mas repararam que este blogue está cada vez mais cheio de adereços? Daqui a pouco dá até para entrar numa escola de samba...

1 de junho de 2007

40 Anos!



Chamem-me de saudosista, mas este ainda é o melhor álbum de pop/rock de todos os tempos...

30 de maio de 2007

Micronarrativa

Olhei o retrato dela e desejei com todas as forças do mundo que ela estivesse junto a mim, que me ligasse e dissesse um oi, qualquer coisa.
Naquele momento, ela hesitava com a navalha pensa na mão direita.

Bobagens, bobagens...

A notícia de que um político japonês cometeu suicídio por conta de suspeitas de que tenha participado de um esquema de corrupção deve ter feito muita gente pensar que essa moda deveria pegar por aqui nos tristes trópicos; quem sabe não tivéssemos um país melhor por conta disso? Mas é claro que é apenas um sonho. Diria mesmo que é impossível que isso ocorra, não importa quanto tempo passe. A não ser que troquemos de população: a do Japão aqui; a daqui, lá. Do mesmo modo, não acho plausível pensar nossos desacertos históricos por conta desta ou daquela nação, como se fosse possível a simples emulação, sem mais essa, como querem alguns. Por exemplo: é bonito chegar aqui e dizer que, em termos de acerto com o passado, a Argentina e o Chile estão melhores que nós. Quem diz isso ou é uma besta ou é mal-intencionado. Ou ambos. Primeiro que a formação sócio-histórica daqueles países é diversa da do Brasil, o que já determina muita coisa. Segundo que, a despeito de as ditaduras latino-americanas terem raízes semelhantes, seus descaminhos foram outros, bem como seus declínios. Querer que sigamos a Argentina ou o Chile implica uma ruptura de conseqüências quase certamente negativas para nós. Aliás, nessa conversa de seguirmos "los hermanos", nunca fomos tão vilipendiados. E velhas feridas voltaram a sangrar.
A bobagem tem ganhado, inclusive, páginas de alguns periódicos. E com ares de quem descobriu a pólvora. A nossa literatura, por exemplo, teria muito a ganhar se seguisse a da Argentina... Restaria saber como. Nossa história de conciliações, de jeitinhos, de favorecimentos e de rejeição quase doentia ao confronto não teria como dar forma a uma arte literária como a de nossos vizinhos - a não ser como farsa. Os exemplos mais recentes, entre nós, parecem desmentir o que aqui foi dito, mas... será mesmo? Pegue-se um livro como Cidade de Deus. À parte a temática, o que mais ali formaliza o fim da "malandragem" (nos termos de Antonio Candido, ao tratar de Memórias de um Sargento de Milícias)? Pouco, se o leitor prestar atenção.
O quadro, evidentemente, está mudando. Não porque os escritores tenham resolvido pegar em armas - salvo um e outro -, mas porque o jogo de forças sociais tem sofrido alterações drásticas nos últimos anos. A inconsciência política permanece entre os comuns mortais; o que tem mudado é o que chamaríamos outrora de "a marginalidade", incluindo os ditos movimentos sociais. E isso, ao contrário do que imaginavam as esquerdas, não nos levará a um país melhor e mais justo. E o confronto não será parte de um movimento dialético, mas de eliminação do outro, seja ele quem for. A literatura apenas formaliza essas contradições, nem sempre com resultados dos mais felizes - embora sempre representativos. Se os nossos desencontros históricos parecem nos levar para uma cilada, não será a imitação de modelos que melhorará o quadro, embora possa, sem dúvida, modificá-lo. Assim, seja a democracia norte-americana, seja o político japonês que prefere se suicidar a perder sua honra (aqui, eu diria que não se pode perder o que não se tem), nada tem efeito certo sobre a sociedade. Seria pretensão além da conta imaginar que "acertar as contas com nosso passado, como fizeram os chilenos" vai nos ajudar em algo que não seja a produção de outro desastre.

28 de maio de 2007

Outro poema.

Poema bastante contemporâneo

Sapatos de verniz riscam o assoalho
Onde se projetam as pernas das senhoras
E suas varizes que deixam rastros
Entre o verde e o marrom - qual bosta
Que evito, o asco me subindo a garganta.
Ao canto, vêm-me falar de amor
Como crer em deuses ou em borras de café
Sujando os pires. Mas esses morrem
Tarde e comem grama nascida no asfalto,
Enquanto concertam suas mandíbulas travadas
Em ré menor - celulares aos ouvidos.
Mas não há quem ouça senão a si próprio,
Senão o roncar de suas entranhas,
O torcer dos intestinos até a volúpia das fezes
Nas quais deslizamos, quase felizes.

23 de maio de 2007

Finalmente um poema!

As curvas

para Vv.

Ontem à tarde o sol sumia entre os prédios,
Num vermelho quase líquido escorrendo,
Tal as ondas de teus cabelos
Sobre os ombros, onde carregas mares
De pesadelos e sombras secas,
Em que varetas e folhas vêm brincar.

Ontem à tarde tentei te ver
Nas ruas plenas de pessoas e pressas,
Nas páginas dos jornais, nas fotos
Impressas, nas telas dos cinemas,
No computador que não ligava,
Por ti busquei onde tu não estavas.

Hoje tenho junto a mim um céu
De chumbo e o papel em branco
Em que tento rabiscar o que de ti
Restou: as palavras destes versos
Sem medida, as curvas de teu corpo
Em minha retina, o gosto que não sei
De tua saliva.

22 de maio de 2007

O que falta...

Está faltando mais Literatura aqui, não? Só lamúria ninguém merece nem agüenta...(hehehe!) Na verdade, tenho um poema novo, mas ainda quero dar uma última olhada nele antes de postar aqui. Então, aguardem mais um pouquinho...

21 de maio de 2007

Que tempo esse o nosso!

Não se pode dizer que minha última semana tenha sido das mais agradáveis. Pedi demissão daquele emprego ridículo, o que desfalcará minha conta bancária de modo considerável. No momento, estou apenas com uma aulinhas, que mal dão para pagar as contas de um quinto (dos infernos) do mês, o que dirá dele inteiro. Como se sabe, escolas não abrem vagas nesta época do ano, a não ser para contratar a partir de agosto. E por aí vamos.
O mar, portanto, não está pra peixe. Os moluscos, entretanto, se esbaldam. E, nesse meio tempo, fico sem poder assistir aos filmes que desejo, comprar os livros que encontro e adquirir os DVDs que almejo. Não sou jornalista pra receber, em minha casa, os últimos lançamentos - com release e tudo - para que eu possa tecer comentários mais ou menos inócuos ou mais ou menos tendenciosos, conforme minhas conveniências inconfessáveis. Não vivo das eventuais resenhas que possa escrever. E este blogue, em linhas gerais, só me dá prejuízo financeiro.
Resta ficar com o já sabido: os clássicos. Ou finalmente sentar e escrever aquele romance prometido. Ou a tese de doutorado. Ou ambos. Porque, de resto, só as migalhas mesmo.

15 de maio de 2007

Pausa lírica

Tenho amigas lindas, talvez as mais lindas do mundo, se é que posso exagerar. E guardo o maior carinho por todas, tenho ciúmes delas, sempre quero ajudá-las, ainda que isso implique sacrifícios imensos de minha parte. Gosto de ver o sorriso no rosto delas. Diferente de alguns, não tenciono fazer sexo com elas, embora não desgoste da idéia em si - que fica, entretanto, restrita às fantasias ou devaneios que todos temos. Gosto delas. Simples assim. Algumas são engraçadas, outras mais singelas. Umas são tímidas, outras atiradas. Mas todas são amigas, dessas que ajudam a gente nas horas difíceis, e que a gente ajuda, idem, idem. Difícil dizer de quem gosto mais.
Há uma, porém, que me chama mais a atenção. Por ser difícil, por ser dúctil, por sua líquida presença que se esvai no seguinte instante. Demoramos para nos encontrar, o que se fez numa noite ligeira, de palavras mais ligeiras ainda, e eu tentando escavar - a pá e picareta - uma gema que fosse que se comparasse ao brilho daqueles olhos a um tempo riso e tristeza, da boca que mostrava os dentes perfeitos e o voz que era mel e melodia. E eu medindo aquela moça alta, de corpo esguio e de luz, tertúlia, perfume. Essa moça é minha amiga. E nem sabe que é tanto assim. Talvez se assuste, talvez derrube o prato do almoço, talvez me esmurre e me derrube no meio da rua. Mas nem me importo, porque é tão difícil acreditar que pessoas como ela existam, e que não precisamos nos matar, porque ainda existe um sentido cujo alcance nem sei, mas minha amiga é a prova - agora concreta - de que sim. Que sim. Sim.

14 de maio de 2007

Mais uma semana...

Começando mal, naquela leseira de sempre. E com notícias ruins. Tem uma hora que cansa viver assim, dando murro em ponta de faca, girando em falso, e vendo o horizonte mais e mais se afastar - por mais que se esforce, tudo parece puxar você para trás. Dá vontade de desistir. Entregar o bastão. Deitar e esperar a noite chegar. Porque é sempre isso. Não há amigos, não há tapinhas nas costas, não há nada em lugar algum. Faz frio, mas e daí? O máximo que se tem é um instante ilusório de que a moeda vai cair do lado certo. Mas ela não cai. Só você, que tropeça e fratura o maxilar, a cabeça, o pouco que resta de algo que chamavam dignidade. Quem pode ser digno em um país como este?

13 de maio de 2007

Manifesto

A pedidos de minha nova orkut-amiga, Beatriz Bajo, publico o manifesto abaixo. Nem preciso dizer que concordo com o que está escrito, não?


Transcrição do artigo “Lugar de novos autores é nos guetos”, Observatório da Imprensa, ano 12, edição nº 431, dia 1 de maio de 2007:
MÍDIA E LITERATURA"Lugar de novos autores é nos guetos"Por Rodrigo Novaes de Almeida em 1/5/2007
As listas de livros mais vendidos no Brasil divulgadas nos jornais dão a falsa aparência de que não se faz literatura no nosso país. É uma coleção de livros importados de qualidade duvidosa, com raríssimas exceções. E isso apenas no que se refere à ficção, visto que existem dois outros tipos de listas – não-ficção e auto-ajuda – que também padecem do mesmo mal.
O argumento que diz ser a demanda dos leitores a causa dessa situação é incorreto. Existe um mecanismo perverso, entre grandes editoras e imprensa, que dita o consumo, ou, como preferem os defensores do sistema – hegemônico – do capital, o mercado. Grupos que controlam veículos de mídia também têm editoras, além do que existe uma troca de interesses e de favores entre imprensa e editoras para divulgar publicações e publicar "autores midiáticos", tudo visando ao objetivo final da lógica do mercado: o lucro. E na lógica desse sistema, a literatura brasileira contemporânea (que existe!) não seria lucrativa. Lançar novos escritores nacionais, então, seria um descalabro, prejuízo certo.
Contudo, se existe uma literatura brasileira contemporânea, por onde ela anda? Em mega-livrarias das metrópoles? E onde ela é apresentada? Nos cadernos ditos literários dos jornais? Não. Em guetos? Talvez.
Mapear a realidade
Um gueto parece vir, nos nossos dias, para abalar a estrutura tradicional do mercado editorial: a internet. É verdade que há muito entulho na rede binária, mas há também qualidade. Revistas literárias, jornais de poesia, blogs. São tantas as iniciativas na contracorrente. Algumas editoras pequenas já olham com atenção o que se faz na internet, dispostas a encontrar e publicar novos talentos.
Leitores também embarcam nessa contracorrente, insatisfeitos com o que é apresentado como literatura pelas grandes editoras e pelos veículos de imprensa, e buscam na rede alternativas.
As grandes editoras estão prestes a sofrer danos consideráveis, semelhantes aos sofridos pelas gravadoras anos atrás, se continuarem com a visão limitada e deformada pelas regras econômicas de mercado do sistema vigente. E a imprensa perderá a oportunidade de ter o papel próprio a ela de mapear a realidade nascente da nossa literatura neste começo de século, sem contar a credibilidade sob risco com os leitores.
RODRIGO NOVAES DE ALMEIDAhttp://vorticefamigerado.blogspot.com/

Pequena notícia sem importância

Resolvi pedir divórcio do mundo corporativo. Afinal, melhor vender meu corpo que vender minha dignidade ( a pouca que resta, diga-se de passagem) ...

9 de maio de 2007

Refresco

Sei que vocês que me lêem gostam de calor e tal e coisa. Mas nada me deixou mais feliz hoje que sair de casa com chuva e frio. Acho que é só esse clima que combina com uma cidade como São Paulo...

8 de maio de 2007

Olha:

infelizmente não tem luz no fim do túnel. Aliás, nem há final do túnel. E, caso houvesse, ele terminaria num abismo sem fundo onde cairíamos até o último suspiro de existência do universo.
(Frase dita hoje, no final do expediente)

Experiências do mundo corporativo. E ainda me querem convencer de que existe outro inferno além deste em que vivemos (vivemos?)...

7 de maio de 2007

Tentei...

...escrever um poema esses dias, mas não deu em nada. Difícil escrever sob condições assim, sem saber de onde você vai tirar seu sustento, já que as portas parecem se fechar sobre você. E não há nada no horizonte nos próximos dois ou três meses, o que só faz preocupar. Daqui a pouco, vai ser melhor não sair de casa só para não gastar ainda mais...hehehe!

Meu pessimismo vai além: a censura à biografia de RC talvez tenha sido um dos acontecimentos mais violentos dos últimos 20 anos, pelo menos. Durante a ditadura, ter uma obra censurada era, por assim dizer, parte do jogo. Hoje, vivendo sob uma suposta democracia - que mais e mais se fragiliza, por conta da ausência de oposição e do aparelhamento absoluto do Estado - ver uma obra de caráter intelectual, de pesquisa exaustiva e séria (ainda que algo tendenciosa para o biografado) ser brindada com uma sentença que impede sua veiculação, e o pior, referendada por um juiz, diante de advogados e tudo o mais, faz pensar em que tempo vivemos. Tempo em que caciquezinhos impõem sua visão tosca e torta sobre tudo e todos. Tempo em que a ditadura do pensamento único se impõe pela força de um Estado cada vez mais policial e policialesco. Tempo em que, com medo de passarmos por pessoas "de direita", preferimos nos calar. E nos calamos.