19 de janeiro de 2007

Voltando aos poucos...

O bom das férias é que você pode colocar em dia as leituras atrasadas, os filmes que você não viu e as caminhadas que você não fez. Isso, fora os dias dedicados a botar as papeladas em ordem, fazer aquela limpeza geral em casa, jogar fora pilhas e pilhas de tristezas acumuladas. Nas horas livres, além dos excelentes O Céu de Suely e d'Os Infiltrados, fomos assistir ao Mais Estranho que a Ficção, filme bastante interessante, a despeito de seu desfecho infeliz.
O que chama a atenção, em primeiro lugar, é a premissa da trama: um auditor da Receita Federal, de vida rotineira e medíocre, que de repente passa a ouvir uma voz narrando todas as suas ações - mas de forma, por assim dizer "literária". Logo saberemos que se trata de uma narrativa mesmo, um romance que uma escritora tenta finalizar, mas sem sucesso. Não sabemos, de início, se a vida do funcionário público é ficcional ou não - se sua vida está determinada pela escritora ou haveria, por assim dizer, um "livre arbítrio" da parte do sujeito. Saberemos que não, e me parece que é nesse ponto que o filme desanda, pois a criatura encontra a criadora - depois de mudar radicalmente seu modo de vida, fazendo tudo aquilo que sempre desejou fazer, inclusive apaixonando-se, o sujeito descobre (pela narradora) que iria morrer. Mais que isso: deveria morrer - para manter a coerência interna do romance e para concretizar o que poderia ser a obra-prima da escritora. Não avanço no enredo para não estragar o prazer discutível de quem acha que "o final é importante", mas posso dizer que o desfecho (e a seqüência que leva a isso) estraga um filme que poderia ser muito mais do que é. Apesar de manter o paradoxo (não se explica como a vida do auditor e a narrativa da escritora se cruzam), a solução é pobre, bem ao gosto de um público acostumado ao ramerrão das tardes televisivas. Uma pena, pois o filme é engraçadíssimo - ao menos para quem tenha capacidade de entender a sutileza das piadas, o que não foi o caso da público presente na sessão em que estivemos - e as interpretações foram de primeira linha. Mas não deixa de ser um filme impressionantemente inteligente - nada mais incondizente com nossos tempos.

2 comentários:

Adriana disse...

estou fazendo uma listinha de filmes pra ver, anotei esses que vc mencionou, rs... mas acho que vou acabar não vendo nem a metade do que pretendo... Amanhã vou ver "Babel". Eu acho.

Bjo!!!!!

Adriana disse...

esse comment anterior aí foi meu, rs...

drika